O processo de melhoria dos índices de produtividade requer um esforço conjunto das diversas esferas que compõem a empresa, desde o nível operacional, com o pessoal de chão de fábrica, até os níveis mais altos da hierarquia, com gerentes e direção. Algumas práticas que contribuem para a melhoria da produtividade passam pelo estudo de métodos de trabalho, reengenharia de processo, aspectos ergonômicos do trabalho, gestão de materiais, dentre outros. Segundo Rama Gopal e Thakkar (2012), muitas são as empresas que empenham esforços nesse sentido.
Contador (2004) argumenta que o aumento da produtividade pode ser conseguido via aplicação de capital, com a aquisição de máquinas e equipamentos mais produtivos, bem como via implantação de métodos de trabalho mais eficientes. Nesse último caso, um método empregado será considerado melhor quando permitir a melhor alocação dos recursos humanos no processo produtivo, fazendo com que os trabalhadores rendam mais, sem, no entanto, gerar distúrbios à saúde do trabalhador.
Nesse sentido, o autor lista alguns fatores que contribuem com a aquisição de melhores índices de produtividade, via estudo do método do trabalho, que são:
• Eliminação de todas as atividades desnecessárias ou não essenciais ao trabalho; • Aumento da eficiência do trabalho;
• Eliminação da duplicidade do trabalho; • Simplificação ao máximo do trabalho;
• Redução das paralisações (tempos de espera) das máquinas, equipamentos e mão- de-obra;
• Diminuição dos riscos de acidentes e da fadiga no desempenho do trabalho; e • Eliminação dos desperdícios (energia, tempo, material, etc.).
Ao se mencionar o esforço relativo á eliminação dos desperdícios, é emblemático o caso do Sistema Toyota de Produção que, dentre outras características, é reconhecido pela busca de reduções drásticas nos desperdícios (desperdícios zero). Shingo (1996) elucida os desperdícios possíveis no processo de produção (de bens ou serviços), que são identificados no Sistema Toyota de Produção como sete tipos de desperdícios, e são aqui listados:
• Desperdício de superprodução – produção em excesso, ou antes do necessário; • Desperdício de espera - materiais ou informações parados;
• Desperdício de transporte desnecessário - o movimento de materiais; • Desperdício de processamento - operações desnecessárias;
• Desperdício de estoques - materiais além das necessidades imediatas; • Desperdício de movimento - atividades humanas desnecessárias; • Desperdício para fazer produtos defeituosos.
Contador (2004) ilustra sua abordagem do aumento de produtividade com a situação vivenciada na metade do século passado, onde produtividade, e qualidade eram percebidas de modo antagônico, sendo condição necessária ao aumento da produtividade a redução da qualidade, e vice-versa. No entanto, segundo o autor, com as intervenções feitas, a exemplo da atuação de Deming no Japão, pôde-se constatar que a busca por qualidade contribui para a melhoria da produtividade, pois tem o poder de melhor alocar os recursos produtivos.
Ao tratar da importância do aumento da produtividade Contador (2004) reafirma a importância da produtividade para a aquisição de competitividade, expresso anteriormente por Porter (1993), ao afirmar que o conceito significativo da competitividade é a produtividade. Assim, Contador (2004) enxerga a redução de custos como o grande motivador da busca de maior produtividade.
Moreira (2008) ilustra como a produtividade influencia os custos, os lucros, a competitividade e o crescimento da empresa (figura 10). As setas, ao lado de cada elemento da figura, indicam seu aumento (seta para cima) ou redução (seta para baixo).
Figura 10 - Mecanismos de influência da produtividade
Fonte: Moreira (2008) Produtividade Custos Competitividade Lucros Crescimento
Por fim, Contador (2004) expõe alguns benefícios da melhoria da produtividade, quais sejam:
• Redução dos preços dos produtos; • Redução das jornadas de trabalho; • Geração de empregos;
• Aumento do lucro;
• Aumento da renda per capta.
A redução dos preços de venda dos produtos é decorrente da redução dos custos de produção destes, proveniente da melhor utilização dos recursos produtivos. A melhor utilização dos recursos produtivos inclui o melhor aproveitamento da mão-de-obra. Em outras palavras, é possível, em menos tempo, produzir mais. Esse crescimento na oferta, não sendo acompanhado pelo crescimento da demanda, faz com que seja possível a redução da jornada de trabalho, como tem ocorrido em todo o mundo nas últimas décadas (CONTADOR, 2004).
Ainda segundo o mesmo autor, por outro lado, o aumento da produção e a busca por maior eficiência levam as empresas à aquisição de maquinário e equipamentos mais modernos. Isso gera uma demanda por mão-de-obra na indústria de equipamentos e máquinas. O aumento do lucro, como já visto, e o aumento da renda per capta são conseqüência dos demais fatores já explanados.
Adicionalmente, aqui é apresentado o Ciclo da Produtividade de Sumanth (1984, apud GARCIA et al., 2007), ilustrado na figura 11. Nele são representadas as quatro etapas necessárias à melhoria contínua da produtividade, segundo a visão do autor. É perceptível a similaridade desse modelo com o ciclo PDCA (Plan - Planejar, Do - Executar, Check – Verificar, Act - Agir), proposto por Shewart e disseminado por Deming. As quatro etapas do Ciclo da Produtividade são descritas no quadro 15.
Figura 11 - Ciclo da Produtividade
Quadro 15 - Descrição do Ciclo da Produtividade Etapa Ciclo da
Produtividade Descrição
Medida da produtividade
Deve-se proceder a um diagnóstico completo do nível de produtividade vigente na organização. Para isso, a produtividade será medida utilizando-se dados já existentes ou, se necessário, novos dados serão coletados. Ao término do cálculo dos índices parciais mais relevantes, far-se-á a medida de produtividade total da empresa.
Avaliação da Produtividade
Deverão ser comparados com índices equivalentes de outras empresas, de preferência os de empresas concorrentes, que sabidamente apresentem bons níveis de produtividade. Outros métodos de avaliação da produtividade podem e devem ser utilizados, entre os quais: a comparação com índices anteriores da própria empresa, se existir, e a verificação da diferença de produtividade em relação às empresas de classe mundial no setor. Não obstante, é imprescindível verificar se a produtividade medida incorpora a metodologia de cálculo mais adequada para efeito de comparações dos resultados.
Planejamento da
Produtividade A partir dos níveis de produtividade medidos e comparados, dever-se-á realizar o planejamento dos níveis a serem atingidos a curto, médio e longo prazos. Melhoria da
Produtividade
Deverão ser analisadas diversas propostas de melhoria da produtividade. Algumas propostas serão implementadas e, novamente na etapa 1 seguinte (Medida da Produtividade), verificar-se-á a pertinência das propostas de melhoria da produtividade de curto prazo implantadas. Dessa forma, o ciclo de produtividade irá se repetir.
Fonte: Adaptado de Garcia et al. (2007)