Fowler Paloutzian e Allison Malony Shafranske - Implícito - Implícito - Implícito e
explícito - Implícito e explícito - Funcional - Funcional - Substantivo e
funcional - Substantivo e funcional - Multidimensional - Multidimensional - Multidimensional - Multidimensional - Não Dinâmico - Dinâmico - Não dinâmico - Dinâmico
- Holístico - Holístico - Holístico - Holístico - Evolutivo - Não Evolutivo - Evolutivo Evolutivo - Não distingue os aspectos sociais dos religiosos - Não distingue os aspectos sociais dos religiosos - Distingue os aspectos psicossociais dos religiosos - Distingue aspectos os psicossociais dos religiosos
- Prescritivo - Descritivo Prescritivo - Descritivo - Considera a autoridade do terapeuta - Considera a autoridade do terapeuta - Considera as autoridades do paciente e do terapeuta - Considera as autoridades do paciente e do terapeuta - Crença de que a dimensão religiosa faz parte da vida humana
- Crença de que a dimensão religiosa faz parte da vida humana
- Crença de que a dimensão religiosa faz parte da vida humana
- Crença de que a dimensão religiosa faz parte da vida humana - Verifica se a reli- giosidade é vivida nos relacionamentos - Não inclui a verificação da religiosidade nos relacionamentos -Verifica se a religiosidade é vivida nos relacionamentos - Verifica se a reli- giosidade é vivida nos relacionamentos
- Plural - Plural - Plural Plural
- Não se refere a procedimentos clínicos - Não se refere a procedimentos clínicos - Refere-se a procedimentos clínicos - Não se refere a procedimentos clínicos - Usa de entrevistas semi- estruturadas - Usa entrevistas
semi- estruturadas - Usa de entrevista semi-estruturada e questionário - Usa de entrevistas semi- estruturadas - Aplicável a pessoas de todas as religiões - Aplicável a pessoas de todas as religiões. - Aplicável a pessoas da tradição cristã - Aplicável a pessoas de todas as religiões
Todos os modelos apresentados avaliam a religião implícita, ou seja, as crenças religiosas das pessoas, sem que, necessariamente elas estejam aderidas a uma religião instituída.
As avaliações apresentadas por Shafranske e Malony verificam tanto as crenças subjetivas ou implícitas quanto aquelas ligadas à filiação religiosa, como a freqüência com que o indivíduo vai à igreja, descrição de rituais e similares.
Todos os modelos, a partir da especificidade de cada um, se preocupam em
compreender a função que as crenças desempenham na vida da pessoa. Entretanto, os modelos de Fowler, Malony e Paloutzian partem da idéia de que a pessoa deve ter determinadas características religiosas para ser considerada equilibrada e saudável, enquanto que, para Shafranske, a religião pode ou não beneficiar o indivíduo em seu desenvolvimento psicológico, o que depende da função que ela ocupe em sua vida.
Em todos os modelos de avaliação, a proposta é atingir diferentes dimensões da vida religiosa crenças, práticas, experiências e relações significativas em grupos ou em atividades religiosas. Com exceção do modelo de Fowler e Malony, os demais abrem espaço para que os psicólogos observem atitudes e emoções veladas, pois têm uma perspectiva dinâmica. Os modelos apresentados propõem que se
considere a religião entrelaçada com os demais aspectos da vida humana como família, personalidade, saúde e cultura. O modelo de Paloutzian e Allison não
permite a investigação sobre o desenvolvimento do caráter religioso no indivíduo, já os demais modelos incluem esta possibilidade. Fowler e Malony apresentam
avaliações prescritivas e também procuram mensurar a vida religiosa da pessoa, enquanto a ênfase dada por Shafranske e Paloutzian e Alisson é descritiva. Malony e Shafranske consideram a autoridade do terapeuta e do paciente no mesmo nível, já, nas avaliações de Fowler e Paloutzian e Allison, a autoridade do terapeuta é reforçada. Os modelos estão apoiados na idéia de que a dimensão religiosa faz parte da vida humana. Apenas o modelo de Paloutzian e Allison deixa de verificar se as crenças religiosas são vividas nos relacionamentos. É possível fazer uso das quatro avaliações em hospitais, clínicas e consultórios, embora somente Malony refira-se a procedimentos clínicos. Os autores utilizam entrevistas semi-estrutradas, entretanto Malony, além desse procedimento, faz uso de questionário. Quanto à aplicabilidade dos modelos, somente a verificação de Malony se restringe à tradição cristã. Com exceção da avaliação da religiosidade informal de Shafranske, os
uma pessoa religiosa também ou que tenha conhecimento sobre as diferentes religiões.
Em resumo, os modelos de Fowler e Malony permitem a obtenção de um conhecimento sobre a maturidade religiosa dos clientes, ou seja, se é adequada ou inadequada a seu desenvolvimento geral. Já o modelo de Paloutzian e Allison produz um conhecimento que relaciona bem-estar espiritual e bem-estar existencial pautado pela idéia de que o bem-estar existencial está relacionado à crença no divino. Quanto a Shafranske, o conhecimento obtido é um conhecimento do sentido que a religião tem para a pessoa, como ela utiliza essas crenças em sua vida. O autor não se preocupa em medir a maturidade ou a adequação das crenças
religiosas do indivíduo. Entende que essas crenças são produtoras de bem estar ou geradoras de conflitos dependendo da maneira como o cliente às utiliza em sua vida.
Pelo exposto posso afirmar que o modelo apresentado por
Shafranske é o que mais se aproxima do Psicodiagnóstico realizado na abordagem Fenomenológico-Existencial. Suas idéias ressaltam a necessidade de se pesquisar as crenças, os valores da religião nas famílias. Pressupõem a descrição do
comportamento religioso em diferentes nuances. Ainda para o autor, não é
necessário que o psicólogo seja religioso, pois a compreensão da religiosidade é um recurso que permite entender o cliente também por essa dimensão, entre outras dimensões. O autor refere-se especificamente ao trabalho desenvolvido em Psicoterapia de Família, contudo, entendo que suas idéias também podem ser utilizadas no processo de Psicodiagnóstico Interventivo, realizado com a criança e seus pais.
Conforme descrevi anteriormente, o Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico-Existencial pressupõe um trabalho integrado com os pais e com a criança. Assim como a Psicoterapia Familiar focaliza o relacionamento conjugal e familiar, as questões de fronteira, de limite e de poder e procura elucidar como isso afeta os indivíduos que compõem o grupo familiar, notadamente a criança levada para o psicodiagnóstico. As posições de Shafranske a respeito da influência positiva ou negativa do sistema de crenças da família sobre seus membros se adaptam ao Psicodiagnóstico Interventivo.
O autor propõe que a compreensão sobre a religiosidade seja ampla o suficiente para dar conta de dois aspectos. A religião, enquanto instituição, implica uma prática ritual e aderência a uma comunidade religiosa. A religiosidade, enquanto força que influi nos significados dados a existência e na formação de um conjunto de valores atuantes sobre o comportamento que deve ser compreendida em toda sua extensão.
Com essa proposta que compartilho e ela deve nortear este trabalho. A compreensão da religiosidade, portanto, precisa contemplar duas dimensões: prática ritual instituída e também, aquela menos formal, mas nem por isso menos importante, que colore um certo modo de entender o mundo e de se posicionar diante dele. Quando entendida dessa forma, a compreensão da religiosidade é uma “compreensão de sentido”, uma “compreensão da experiência de significação” qualquer que seja a religião.
Em concordância com Shafranske creio ser necessário indagar sobre qual é o lugar que Deus, religião e oração, ocupam na vida dos clientes. Importa averiguar que sentimentos e pensamentos os pacientes têm sobre eles e, sobretudo, em que grau e intensidade ocorrem e influenciam sua conduta geral, sejam fantasias ou ações. Acredito que a dimensão religiosa faz parte da vida da pessoa, como qualquer outra dimensão, e por essa razão deve ser investiga. Do mesmo modo que se pesquisam a história de vida da criança mediante o questionário de anamnese, sua relação consigo mesma por intermédio de observação lúdica e/ou testes psicológicos, sua relação com os pais e demais membros da família por meio de entrevistas e da visita domiciliar, sua relação com a escola pela da visita escolar, deve-se também incluir a avaliação da religiosidade no âmbito familiar.
A exploração de aspectos religiosos com os pais pode propiciar uma compreensão mais profunda de sua religiosidade e contextualizar, com maior propriedade, o ambiente do qual a criança faz parte. Do mesmo modo, permite identificar o funcionamento e a natureza interativa do relacionamento da família com a religiosidade e como isso norteia determinados modos de agir e, mais ainda, se isso está de alguma forma relacionado com o sintoma apresentado pela criança.
Fortalecendo esse ponto de vista, Aponte (1985) refere que os valores, sejam eles morais, culturais, religiosos ou políticos, determinam a forma pela qual a pessoa dirige suas ações, define, interpreta e julga os fenômenos sociais. Acrescenta que os valores da pessoa aparecem na família, na rede social, na experiência educacional e
comunitária. A família, com suas funções e características, é freqüentemente orientada por valores morais e religiosos.
Neste momento de minha exposição, creio ser necessário tecer considerações sobre a religiosidade do psicólogo. A compreensão que proponho não pretende categorizar a religiosidade do indivíduo como sendo boa ou má, correta ou incorreta, dentro da normalidade ou fora dela. Não é esse o objetivo. Não parto da idéia de que haja crenças melhores ou piores, nem entendo que todas as pessoas tenham de aderir a uma religião para ser mais felizes e psiquicamente sadias. Apenas, dado o grande número de pessoas religiosas presentes em nossa sociedade, percebo a necessidade de que esse aspecto seja explorado no Psicodiagnóstico Interventivo, mediante de um procedimento melhor sistematizado. Sob tal ótica, a religiosidade do psicólogo não é um fator que possa impedir ou dificultar a utilização desse recurso como forma de ampliar a compreensão diagnóstica. Sua tarefa é entender o sentido que o paciente dá à religião, a seu sistema de crenças religiosas e como eles são utilizados em sua vida. Em concordância com Shafranske, creio que, como qualquer outro aspecto da vida do indivíduo, as crenças religiosas que promovam bem-estar, satisfação e crescimento para o indivíduo devem ser incentivadas; quanto àquelas que desempenham papel oposto, devem ser trabalhadas, independentemente das crenças do psicólogo.
Amparada por essas idéias, proponho um modo de compreender a religiosidade dos clientes atendidos no Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico-Existencial.
CAPÍTULO IV
MODELO INVESTIGATIVO PARA COMPREENSÃO DA RELIGIOSIDADE NO