6 Sammenlikning av normalspillere og problemspillere
6.7 Oppfatninger om pengespill
A sessão foi iniciada com as apresentações, a especificação do contrato, o pedido para que as sessões fossem gravadas. Marta justificou a ausência de seu marido, ou melhor, sua impossibilidade de participar do atendimento em virtude do problema auditivo.
A partir daí a queixa foi retomada e a mãe reafirmou o que havia dito anteriormente. Disse que, a partir de um ano, o menino tinha controle esfincteriano anal e vesical. Quando passou a tomar conta de um sobrinho, João estava com quatro anos e foi nessa época que teve início o sintoma de João. A mãe acredita que o garoto ficou com ciúme do primo e, por esta razão, voltou a ter comportamentos já superados. Contudo, ela deixou de tomar conta do sobrinho e João continuou apresentando encoprese. Segundo ela, todas as atitudes já foram tentadas, desde punir o menino, até ignorar o comportamento inadequado. Relatou que hoje em dia isso acontece mais no final de semana, quando João está em casa com ela. Comentou que sempre manda o garoto ir ao banheiro, mas que muitas vezes ele não percebe e quando vai “já fez na roupa” (sic). Em seguida, a mãe relatou que trabalha em um salão de beleza na zona oeste de São Paulo e mora em Francisco Morato. Informou que seus três filhos, inclusive João, trabalham com ela no mesmo local. A moça é manicure como ela, o filho do meio é cabeleireiro e João trabalha na loja de videogame que fica em cima do salão de beleza.
Marta:”Porque hoje, eu moro em Francisco Morato e eu faço assim: de manhã ele vem pra Lapa comigo, a gente vem de trem. Lá no cabeleireiro tem uma loja de cd de vídeogame, ele vem comigo, eu trabalho como cabeleireira e ele trabalha na loja vendendo cd. À tarde ele vai para a escola sozinho, e depois volta para o cabeleireiro e nós vamos juntos para casa. Meu filho, o outro é cabeleireiro e também trabalha lá e minha filha é manicure e também trabalha lá”.
Essa fala da mãe me chamou a atenção. Todos os filhos estavam junto a ela em tempo integral. Pareceu-me uma forma de controle. Tê-los por perto era uma maneira de saber o que faziam durante as vinte e quatro horas do dia. Do mesmo modo, se os três aceitavam essa condição, era possível que estabelecessem com a mãe uma relação de dependência. No caso de João, essa dependência talvez pudesse estar relacionada de alguma forma com seu sintoma, a encoprese. Isso era algo que eu pretendia verificar no decorrer do atendimento. Assim, assinalei levemente para a mãe no que estava pensando.
Marizilda: “A família quase toda fica junto de você 24 horas por dia, isso é interessante”.
A seguir, pedi que falasse mais sobre sua família, já que o assunto trazido tinha sido esse. Marta deu mais detalhes sobre sua família e sobre o problema auditivo do marido e de como esse o deixava alheio aos problemas familiares. Novamente contou o episódio no qual João assistia a uma missa rezada por Padre Marcelo e se ajoelhou em frente à TV, pedindo a Deus que o livrasse de seu problema.
Marizilda: “O que seu marido acha da dificuldade do João? Do cocô”?
Marta: “Ah! Ele nem fala muito. É como eu falei, ele é meio fora do ar, quem cuida sou eu. Ele não fala muita coisa. Mas antes ele ficava bravo com João e falava bravo com ele na frente dos amigos. Eu também fazia isso e até batia no João, hoje não bato mais, não adianta. O João fica muito triste por fazer cocô na roupa né? E eu já te contei que um dia ele estava vendo TV e
era uma missa rezada pelo Padre Marcelo. O João ajoelhou e pediu para Deus ajudar ele ficar livre daquilo.”
Marizilda: “Você me disse que são católicos...”
Marta: “É, a gente é católico carismático, mais antes eu ia todo dia na igreja, agora que a gente trabalha longe, só vamos de domingo.”
Marizilda: “Isso mudou alguma coisa na sua fé, na maneira de ver Deus”? Marta: “Não, Deus continua sendo importante pra nós. Ele que dá forças pra agüentar as coisas, os sofrimentos.”
Era a segunda vez que Marta colocava suas idéias nessa mesma seqüência. Primeiro, a dificuldade de João quanto ao controle esfincteriano anal, depois, as relações familiares, no caso específico, as relações familiares de controle X dependência, ausência da figura paterna e posteriormente a crença religiosa, a fé, a expectativa da intervenção divina para solucionar os problemas. Eu ainda não sabia o que isso significava. Não encontrava uma explicação que pudesse alinhavar esses dados, mas acreditava que essa mãe, em algum nível de consciência, relacionava esses aspectos.
Nesse sentido, lembrando as palavras de Yehia (1995) quando se refere ao Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico-Existencial:
“Refletindo a respeito deste trabalho, me ocorre uma imagem: Tanto psicólogo como cliente estão organizando um quebra-cabeças, contribuindo com peças diferentes, para chegar à constituição de uma imagem comum. Esta imagem vai se construindo ao longo do processo e os aspectos que nela serão mais nítidos dependerão da colaboração dos pais, dos conhecimentos do psicólogo e da interação entre ambos”. (p. 128 ).
Era exatamente desse modo que eu me sentia, como se estivesse montando um quebra-cabeça, sendo ajudada pela mãe que me sugeria pistas. Mesmo sem ter total clareza da situação eu ia seguindo a trilha que me era indicada.