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7.2.1. Dados de 2004 a 2016

No ano de 2004 foram realizadas ações de sensibilização na Biblioteca Orlando Ribeiro na categoria das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Nesta altura, a mais nova Biblioteca da Rede de Bibliotecas de Lisboa, inaugurada no dia 18 de Dezembro de 2003, procurava oferecer um serviço inovador aos seus utilizadores. As ações de sensibilização eram divulgadas no próprio equipamento, de inscrição obrigatória, gratuitas e destinavam-se ao público adulto. Estas informações provêm um relato de experiência vivida, uma vez que não foi possível encontrar nenhum registo das mesmas, não sendo por isso exequível a representação de dados estatísticos quantitativos no que concerne ao número de ações, ao número de participantes e ao número de horas de formação a utilizadores. Caso tenham sido realizadas ações de formação dirigidas a outros utilizadores em outras Bibliotecas da Rede, os dados não se encontram registados, pelo que não é possível apresentar qualquer memória descritiva sobre as mesmas.

Nesta mesma altura, encontrava-se em fase de operacionalização o Programa Integrado de Avaliação de Desempenho das Bibliotecas de Lisboa (PAD-BLX), que fora desenvolvido com o objetivo de estabelecer na Rede de Bibliotecas uma cultura organizacional de avaliação centrada nos utilizadores, bem como contribuir para a melhoria contínua da qualidade dos produtos e serviços disponibilizados. Efetivamente, a informação quantitativa e qualitativa sobre os serviços bibliotecários,

sobre a utilização das bibliotecas e sobre os seus utilizadores é essencial para demonstrar e confirmar o inestimável valor criado pelas bibliotecas (IFLA,2010).

Para atingir este objetivo, foram concebidos dois eixos de ação: o eixo quantitativo onde se insere a Seleção, Validação e Operacionalização de Medidas e Indicadores

de Desempenho e o eixo qualitativo, que introduz a vertente da Qualidade de Serviço e Satisfação de Utilizadores. Para cumprir os objetivos do primeiro eixo mencionado,

as BLX recolhem dados quantitativos no âmbito de cinco categorias, utilizadores, serviços, geral, colaboradores e documentação, sendo que a recolha dos dados tem periodicidade distinta mediante a medida em causa, nomeadamente recolha diária, mensal e amostra (semanal, trimestral). Os dados estatísticos obtidos por via do Programa de Desempenho das BLX pretendem ser um apoio na tomada de decisão, um contributo para melhorar a eficiência e eficácia das Bibliotecas de Lisboa e uma

152 forma de fornecer evidências sobre os resultados e o valor social da Rede BLX. É precisamente o PAD-BLX que possibilita a apresentação dos dados estatísticos relativamente às ações de formação dirigidas a utilizadores em 2005, 2006 e 2007. No entanto, não existe informação sobre as temáticas ministradas nestas formações, uma vez que esta informação não era alvo de recolha.

Em 2005, realizaram-se 190 ações de formação dirigidas a utilizadores, nas quais participaram 3.864 utilizadores, num total de 517 horas.

Gráfico 24: Ações de formação dirigidas a utilizadores por BLX, em 2005

Em 2006, desenvolveram-se 64 ações de formação dirigidas a utilizadores, num total de 151 horas, e nestas estiveram presentes 345 utilizadores.

5 49 112 6 18 3% 26% 59% 3% 9% 0 20 40 60 80 100 120 Biblioteca David Mourão Ferreira Biblioteca Museu República e Resistência Biblioteca Orlando Ribeiro Biblioteca Palácio Galveias Biblioteca Sophia Mello Breyner

153 Gráfico 25: Ações de formação dirigidas a utilizadores por BLX, em 2006

Em 2007, desenvolveram-se 57 ações de formação dirigidas a utilizadores, num total de 357 horas, e com a participação de 545 utilizadores.

Gráfico 26: Ações de formação dirigidas a utilizadores por BLX, em 2007

Nestes três anos verifica-se que as ações de formação dirigidas a utilizadores não estavam presentes em todas as BLX, sendo que de 2005 para 2007 houve, efetivamente, um decréscimo no número de ações de formação desenvolvidas na Rede. Além disto, confirma-se que a única Biblioteca que permanece constante na

14 14 35 1 22% 22% 55% 2%

Biblioteca Camões Biblioteca Orlando Ribeiro Biblioteca Palácio Galveias Hemeroteca Municipal de Lisboa 5 52 9% 91%

154 realização das ações de formação é a Biblioteca Orlando Ribeiro, embora com um ritmo de desenvolvimento oscilante.

O ano de 2008 marca uma nova posição da Rede de Bibliotecas de Lisboa ao reconhecer que a aprendizagem não se confina a instituições formais (como, por exemplo, escolas e instituições do Ensino Superior), existindo abertura para que instituições como as Bibliotecas Públicas desempenhem um papel muito importante na aprendizagem não formal dos cidadãos, nomeadamente na promoção da inclusão social, melhores serviços para os cidadãos e uma melhor qualidade de vida, enfatizando a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação na Aprendizagem ao Longo da Vida. A nova forma de estar incorpora a criação de ambientes de aprendizagem sustentada nas mudanças globais que afetam a sociedade e as Bibliotecas que, ao terem em conta o cidadão comum, devem ser capazes de lidar com os impactos transformando ameaças em oportunidades. Neste sentido, para reforçar o papel das Bibliotecas Públicas na Aprendizagem ao Longo da Vida há que reconhecer a sua importância enquanto promotores da leitura e das literacias numa perspetiva ao longo da vida e aceitar a sua posição enquanto locais de aprendizagem, atuando como agentes locais na promoção da aprendizagem ao longo da vida. As Bibliotecas Públicas representam um recurso de enorme valor e acessibilidade no território europeu da aprendizagem. Esta orientação surge no âmbito do projeto ENTITLE (Europe´s New Libraries Together in Transversal Learning

Environment) que tinha uma duração de 24 meses e apresentava dois objetivos:

1. Identificar, descrever e disseminar os exemplos de boas práticas, serviços específicos, ferramentas e abordagens usados na aprendizagem em Bibliotecas Públicas, resultantes de diferentes ações, de forma a multiplicar essas atividades;

2. Disponibilizar uma estrutura apoiada em evidências para uma maior e melhor comparação e exploração desses resultados dentro e entre países, especialmente onde se relacionar com o impacto nos formandos, com potencial para uso futuro no contexto de estudos comparativos.

O projeto estava sob a alçada de um Consórcio Europeu formado por membros provenientes da Áustria, da Bélgica, da Bulgária, da Dinamarca, da Eslovénia, da

155 Finlândia, da Grécia, da Holanda, da Hungria, de Malta, de Portugal, do Reino Unido, da República Checa e da Roménia, sendo as entidades6 que o formavam as seguintes:

Entidade Coordenadora: MDR Partners (Reino Unido);

Uma organização fundada por Ministérios da Educação na Europa: EUN (Bélgica)

Duas agências nacionais: MLA (Reino Unido) e NUK (Eslovénia);

Cinco Bibliotecas Públicas Municipais: Aarhus (Dinamarca), Helsínquia (Finlândia), Lisboa (Portugal), Cluj (Roménia) e Veria (Grécia);

Três associações nacionais de Bibliotecas: BVOE (Áustria), BLIA (Bulgária) e Publika (Hungria);

Duas Organizações Não Governamentais: Acrosslimits (Malta) e

CrossCzech (República Checa).

O projeto ENTITLE visava chegar a decisores políticos, associações e redes dos sectores da Educação e Cultura, ao nível regional, nacional e europeu. Pretendia atingir Municípios e Departamentos de Educação/aprendizagem regionais, gestores de Bibliotecas e profissionais ligado à prestação de serviços de aprendizagem e, ainda, professores/profissionais da educação de escolas e organizações da área da formação profissional e de adultos com o intuito de contribuírem para a inclusão, criarem melhores serviços para os cidadãos e uma melhor qualidade de vida, enfatizando a utilização das TIC na Aprendizagem ao Longo da Vida. Acreditava-se que a aprendizagem não se encontrava confinada a instituições formais (escolas, universidades), porque se processa, cada vez mais, através de atividades de lazer mediadas por tecnologias digitais (jogos de computador, dispositivos móveis, televisão digital, etc.). Existia uma forte consciência de as Bibliotecas Públicas serem palco de uma “agenda de aprendizagem” com capacidade para ampliarem as experiências de aprendizagem que oferecem aos visitantes de todas as idades e setores da sociedade. Estava dado o mote no contributo de espaços de aprendizagem não formal para a Aprendizagem ao Longo da Vida, nomeadamente no combate à iliteracia digital e exclusão social e atenção especial ao papel das Tecnologias de Informação e Comunicação.

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156 Na sequência desta orientação, em março de 2008, arrancou o Programa Ulisses –

Desenvolvimento de Competências em Literacia da Informação que propôs aos

utilizadores das Bibliotecas e a todos os munícipes experiências de descoberta sobre a informação. O programa estabelecido baseou-se nas diretrizes sobre literacia da informação para a aprendizagem ao longo da vida da IFLA, que tinha como objetivos:

 Valorizar as Bibliotecas de Lisboa como espaços de aprendizagem e pontos privilegiados de acesso à informação;

 Desenvolver as competências dos utilizadores em literacia da informação, de forma a potenciar a sua capacidade de aceder, pesquisar e utilizar a informação disponível em diferentes suportes;

 Contribuir para a generalização da formação básica em Tecnologias de Informação e Comunicação dos utilizadores das Bibliotecas e dos munícipes em geral;

Considerou-se que o Programa Ulisses era necessário porque existia um conjunto de utilizadores que frequentava a Biblioteca que pretendia usar o computador e não tinha competências para tal e, por outro lado, pretendia potenciar as tecnologias da informação e comunicação (TIC) junto de um segmento de público em situação de infoexclusão.

As Bibliotecas David Mourão Ferreira, Natália Correia, Orlando Ribeiro, Olivais, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Palácio Galveias e Maria Keil foram envolvidas no projeto que destinava-se a crianças, adultos e seniores, tendo-se estabelecido a meta de dois dias por semana em sessões de 1h30 minutos a 3 horas. O Programa Ulisses estava organizado em cinco áreas de aprendizagem (vide tabelas 5 a 9).

157 Tabela 5: Área 1 de aprendizagem do Programa Ulisses - preparar a viagem para o mar de informação (DRB, 2008)

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Rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa. Substituída em 2014, com a transferência de bibliotecas para a gestão das Juntas de Freguesia, por Rede de Bibliotecas de Lisboa.