Kapittel 8 Faglige vurderinger i barnevernets dokumenter
8.1 Journalstudien
Este capítulo tem como objetivo analisar a problemática das alterações sociais com particular atenção nas transformações adjacentes à presença da informação que, de forma crescente e expressiva, se tem manifestado na sociedade desde o final do século XX. Recorre-se à sociologia, como base teórica sustentável, e a autores como Webster, Castells, Giddens e Enguita cujas teorias focam as transformações decorrentes na sociedade ao nível económico, social e educacional. Demonstra-se que a sociedade da informação evoluiu para um outro nível que dá pelo nome de sociedade de aprendizagem e recorre-se aos textos de Hargreaves e Pozo, com o intuito de apresentar e suportar esta perspetiva.
Esta dissertação tem por objeto de análise a aprendizagem não formal para adultos num contexto muito específico como é o da Biblioteca Pública. Este assunto tem um enorme significado na atualidade, uma vez que a implementação de aprendizagens não formais é da maior relevância na sociedade e na vida dos cidadãos e as Bibliotecas Públicas são um agente de imenso potencial no envolvimento das pessoas e das comunidades em programas organizados com o fim de atingir propósitos, esmagadoramente importantes, como a integração social, a aquisição de novas competências ou a atualização de conhecimentos, tão fundamentais na e para a sociedade do século XXI.
Questiona-se porque é que a aprendizagem, o conhecimento e a informação são
assim tão importantes neste século. Para obter esta resposta há que procurar
caracterizar, antes de mais, a atual conjuntura social. A sociologia, como campo do conhecimento, apresenta uma diversidade de pontos de vista sobre as mudanças na sociedade e através das investigações de diferentes autores, é possível ter acesso a uma diversidade de discursos que possibilitam um melhor entendimento da sociedade e do ser humano. Um dos paradigmas sobre o qual a sociologia se tem debruçado dá
10 pelo nome de sociedade da informação, assim denominada por se tratar de um bem imaterial que atingiu um patamar de valor e riqueza de forma incontestável e incontornável na sociedade. É o que caracteriza a sociedade de informação? Frank Webster é um dos sociólogos que analisa as teorias de autores conceituados que refletiram a este respeito através da obra Theories of the Information Society, tendo verificado a existência de cinco conceitos definidores e que identifica como sendo o tecnológico, o económico, o ocupacional, o espacial e o cultural e que caracteriza da seguinte forma:
Tecnológico: conceito visível na contemporaneidade e determinante na sociedade atual. Realidade em que existe uma conectividade sem existir um espaço físico presente, em que imperam os conceitos em qualquer lado, a qualquer momento e o utilizador se encontra em contato permanente com a rede tecnológica;
Económico: conceito em relação com o valor crescente de atividades profissionais e serviços que têm na sua base o meio informacional;
Ocupacional: conceito indicativo da existência de uma sociedade de informação, quando o número de ocupações laborais no setor informacional apresenta a proporção mais elevada;
Espacial: conceito relativo às redes de informação. Estas redes unem lugares, próximos ou distantes e têm um efeito profundo numa organização, quer ao nível temporal, quer ao nível espacial. A centralidade das redes de informação permite estabelecer ligações entre diferentes localizações (dentro e entre gabinetes de trabalho, numa cidade, numa região, num continente ou entre todo o mundo), verificando a existência de uma sociedade conectada que opera ao nível nacional, internacional e global, em que todos estão ligados a redes de toda a espécie, que expandem o seu alcance e capacidades de forma exponencial. Das redes de informação advém a enfâse nos fluxos de informação (mais informação e mais velocidade na transmissão) que se direciona para uma revisão radical da dicotomia tempo-espaço. Na sociedade em rede, os constrangimentos de horários (tempo) e distância são suprimidos, sendo que as empresas e os indivíduos tornam-se capazes de gerir os seus assuntos de forma eficaz numa escala global;
Cultural: conceito que reflete a complexidade cultural presente nas relações sociais. Existe mais acesso a conteúdos de informação do que anteriormente e, consequentemente, a sociedade deve estar mais bem informada do que na cultura anterior. Prevalece um ambiente sobrecarregado de comunicação, alertando para a
11 necessidade de não se perder o entendimento simbólico no envio e receção de mensagens sobre nós próprios e sobre os outros.
Estes conceitos espelham alterações profundas que estão bem presentes na sociedade do século XXI. Prevalece um modelo social e económico determinado pela flexibilidade, pela plurifuncionalidade e pela existência de redes que assentam num novo valor - a informação. Este cenário é complementado pela invenção e pelo desenvolvimento de novas tecnologias que influenciam as vertentes social e educacional, provocando um efeito penetrante e proporcionando uma nova realidade económica que assenta nas ligações globais facilitadas pelas infra estruturas de comunicação. As inovações tecnológicas permitem instituir uma lógica de redes, apoiadas em sistemas de comunicação e informação, que facilitam não só a relação entre as pessoas, mas também possibilitam a sua aplicação nas organizações, incrementando novas potencialidades. Por isto, se afirma que - As redes de
comunicação digital são a coluna vertebral da sociedade em rede, tal como as redes de potência (ou redes energéticas) eram as infraestruturas sobre as quais a sociedade industrial foi construída (Castells, 2002:18).
E é precisamente sobre a evolução da tecnologia e o impulso que esta deu na constituição das redes de informação que incide o pensamento de Manuel Castells (2002), apontando o impacto dos media e das tecnologias da comunicação como o grande fator potenciador da transformação social. Estas foram as ferramentas que possibilitaram o aparecimento das redes e da economia em rede, provocando um efeito avassalador na sociedade da informação transformando-a, assim, no que Castells (2002) denomina sociedade em rede. Na sua caracterização integram-se os intensos fluxos de informação, o facto de toda a atividade ser conduzida em tempo real em redor do mundo e sem existência de fronteiras temporais ou espaciais e, por último, a possibilidade de o acesso, a utilização e a partilha de informação poder ser feita de forma individual ou em comunidade. Na sociedade em rede importa não a tecnologia em si, mas a interação que esta possibilita, imperando uma cultura digital na qual a sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades,
valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias (Castells, 2002:17). Na
reflexão deste investigador a sociedade em rede não é a sociedade emergente da Era
da Informação: ela já configura o núcleo das nossas sociedades (Castells, 2002:19),
pelo que este mesmo autor é um defensor convicto da inclusão de todas as pessoas na rede como um requisito para a total participação na sociedade do século XXI e, por
12 isso, propaga a necessidade de estender o acesso às tecnologias como um direito de cidadania nesta nova época.
Contribuindo para a reflexão teórica a respeito da relação entre informação e transformação social, mas com um argumento diferenciador do apresentado por Manuel Castells (2002), analisa-se a teoria de Anthony Giddens (1991) que encara a transformação social de uma forma mais moderada. Este autor reconhece a importância da informação e da comunicação na sociedade atual e sustenta, também, a teoria de que nas sociedades modernas o espaço social já não se encontra confinado às fronteiras do espaço físico, ao contrário do que acontecia nas sociedades tradicionais, uma vez que devido à tecnologia se passou a viver também em espaços e tempos virtuais. Todavia, encara com reserva a teoria que afirma ter surgido um tipo distinto e específico de sociedade, a chamada sociedade de informação, como consequência do aparecimento deste bem imaterial. Guiddens (1991) encara as transformações ocorridas pelo processo tecnológico não como uma rutura dos modos de organização social pré-existentes, mas como um processo contínuo e evolutivo da própria sociedade. Na sua análise, a transformação social decorrente do conjunto de mudanças que emergiram na sociedade é visível, primeiro, na possibilidade de se viver num mundo muito mais organizado do que anteriormente; e, em segundo, no facto das vidas das pessoas serem planeadas e organizadas de forma inédita. O autor defende que nesta sociedade existe um apetite insaciável por informação, mas este é estimulado pelo questionamento das tradições e por uma ansiedade em tomar controlo da própria vida, uma vez que nas sociedades tradicionais os indivíduos tinham menos possibilidades de escolha e as ações estavam já pré-determinadas pelos costumes e tradições. Assim, as ações seriam mais irrefletidas. Ao poderem realizar mais escolhas na sociedade moderna, as pessoas têm de pensar e analisar as ações individuais que pretendem levar a cabo antes de as concretizarem. Isto significa, para Giddens (1991), que viver na era da informação pressupõe um aumento da reflexividade social que tem como implicações ter de pensar constantemente e refletir sobre as circunstâncias em que os cidadãos vivem a sua vida.
O espanhol Mariano Enguita (2009) apresenta a sua reflexão sobre as implicações das transformações sociais nas formas de aprender e educar. Entenda-se que, na sociedade atual, as pessoas vivem num paradigma de mudança acelerada em que a escola tradicional não consegue integrar os novos conhecimentos e informações que são permanentemente gerados pelas possibilidades multiplicadoras das tecnologias de comunicação e informação. Consequentemente surgem, cada vez mais,
13 possibilidades de se realizarem aprendizagens de modo informal (fora das instituições de ensino formal) através da utilização de meios tecnológicos e do acesso à internet. Enguita apresenta no seu livro Educar em tempos inciertos (2009) três épocas distintas na história da humanidade: as gerações suprageracional, intergeracional e intrageracional. A geração suprageracional diz respeito à passagem de informação de uma geração para outra de forma oral, acontece de pais para filhos e os conhecimentos são idênticos a cada nova geração. Nesta época, a família e a comunidade desempenham a função de instituição educativa baseada na idade e na experiência adquirida, transmitindo os ensinamentos em modo de reprodução. Nesta era, não existe mudança e a educação não se manifesta enquanto forma transformadora. Por outro lado, na geração intergeracional a transmissão de conhecimento é percetível entre diferentes gerações, vive-se a era dourada da instituição escolar e as gerações inserem-se num mundo distinto da geração anterior. Por fim, na era intrageracional (que subsiste na sociedade do século XXI) o sistema educativo encontra-se em crise, a transmissão de informação acontece a uma velocidade vertiginosa dentro da mesma geração e generaliza-se em todos os aspetos da vida humana, nomeadamente na economia, na política, na cultura, na família e na cidadania, obrigando a população adulta a adaptar-se às novas condições sociais e, consequentemente, a reestruturar o ciclo da aprendizagem. Esta geração rompe com o percurso que existia até aqui e que consistia num período inicial de educação e aprendizagem, seguido de um período de vida ativa enquanto profissional. As constantes mudanças, as evoluções tecnológicas e as novas formas de organização em função das alterações que se fizeram sentir requerem novas etapas de aprendizagem, alternativas ou em simultâneo, com o trabalho ao longo de toda a vida. Enguita defende a necessidade de nuevo aprendizaje, actualización, reciclaje, pueste
al día, readaptación, formación continua, permanente, recurrente […] implica seguir aprendendo a lo largo de toda la vida […] La formación inicial pierde peso relativo em contraste com la formación permanente (Enguita, 2009:21).
Das três reflexões, a mais radical é a de Castells (2002), uma vez que considera que as alterações na sociedade são tão profundas relativamente às anteriores formas de organização social que formam um novo tipo de sociedade e um novo estádio na evolução social. Na sua perspetiva, informação e conhecimento sempre estiveram no centro da sociedade, sendo que o que distingue o novo paradigma são as redes tecnológicas, pois são estas que fornecem novas capacidades a uma organização social previamente existente: as redes. Por outro lado, a perspetiva apontada por Giddens (1991) centra-se nas mutações sociais refletidas no próprio ser humano, já
14 que ao prevalecer uma quantidade considerável de informação existe um aumento de responsabilização nas decisões e nos atos que o ser humano tem de levar a cabo. Por fim, Webster (2002) proporciona uma visão global das teorias no âmbito das mutações sociais e apresenta, de forma sucinta, as características de uma sociedade de informação. Nos conceitos apresentados, é possível rever a teoria de Castells (2002) no que respeita aos conceitos tecnológico, económico e espacial e, de certa forma, o conceito cultural enquadra-se na perspetiva de Giddens (1991). Se bem que o ponto de vista de Enguita não encaixa na definição de conceitos elaborada por Webster (2006), não é menos importante mencionar este autor. A sua análise é representativa de um novo modelo educacional que se entende relevante para o futuro das próximas gerações e que tem repercussões na sociedade atual. Estes autores proporcionam um entendimento em ângulos distintos da sociedade que, sem dúvida alguma, atravessou um ponto de viragem ao longo dos tempos. Inicialmente denominada de sociedade da informação, transformou-se em sociedade do conhecimento e elevou-se para uma sociedade de aprendizagem. Assume-se, de forma muito clara, que nesta nova era geracional não importa o mero acesso à informação (na realidade nem todas as pessoas o têm) mas, acima de tudo, há que possuir a capacidade de processar essa informação dando lugar ao conhecimento, uma vez que o acesso à informação não significa conhecimento e aprendizagem. Para que se consiga construir conhecimento e aprendizagem, é necessário desconstruir as informações a que se acede, pois somente desta forma, se adquirem aprendizagens significativas. O conhecimento é alcançado quando as informações se interligam, criando uma rede de significações que se interiorizam, subentendendo-se uma competência reflexiva e uma capacidade de formar ligações com outros conhecimentos e de os utilizar na vida quotidiana. Esta nova visão deve ser, obrigatoriamente, adaptada pela sociedade do século XXI e segue a linha de pensamento de Hargreaves (2003) que defende que a sociedade do conhecimento é também uma sociedade de aprendizagem. Na sua teoria, a construção de conhecimento depende da capacidade das pessoas se adaptarem às mudanças, continuando a aprender de forma autónoma e uns com os outros. Isto significa que a capacidade de aprender ao longo da vida é uma necessidade da qual depende o futuro da sociedade da informação e do conhecimento, uma vez que, nesta sociedade, o conhecimento, a criatividade e a inovação são valências diferenciadoras e podem determinar o sucesso numa economia global e competitiva.
Na sociedade da aprendizagem existe, primordialmente, um envolvimento dos indivíduos em investir na sua própria aprendizagem com vista à melhoria do seu
15 desempenho pessoal e profissional, através de uma aprendizagem contínua e ao longo de toda a vida. Reiterando esta perspetiva Pozo (2007:35) afirma que mais do
que aprender verdades estabelecidas e indiscutíveis, é necessário aprender a conviver com a diversidade de perspetivas, com a relatividade das teorias, com a existência de múltiplas interpretações de toda a informação, para construir, a partir delas, o próprio juízo ou ponto de vista. Na sociedade da aprendizagem, ainda segundo Pozo (2007), é
fundamental formar cidadãos em aprendizes flexíveis, eficazes e autónomos, para além de os capacitar com estratégias de aprendizagem adequadas, tornando-os aptos a enfrentar novas e imprevisíveis exigências de aprendizagem.
1.1. Síntese
Respondendo à questão inicialmente formulada, a sociedade do século XXI encontra- se, sem dúvida, numa nova conjuntura. Perante esta nova era social importa garantir a democratização do acesso à informação para que a sociedade seja, de facto, equitativa. Importa desenvolver competências e capacidades que permitam desconstruir a informação em conhecimento sob pena da desatualização de conhecimentos transformar-se em desintegração profissional e exclusão social. Importa desenvolver o gosto pela aprendizagem ao longo da vida onde se inclui a interação, a colaboração, a criatividade, a capacidade de inventar, de inovar, de desafiar e a capacidade de avaliar os riscos das ações. Importa implementar políticas que acionem e concretizem a sociedade de aprendizagem que deverá ser baseada no
modelo de aprender a aprender, ao longo da vida, preparada para estimular a criatividade e a inovação de forma a – e com o objetivo de – aplicar esta capacidade de aprendizagem a todos os domínios da vida social e profissional (Castells, 2002:28).
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The world is changing so fast that is no longer possible to know what knowledge is relevant in the future and therefore what people need is the capacity to learn.
Hoskins e Fredriksson (2008:36)
2. Posições, orientações e estratégias sobre a Educação e a Aprendizagem ao