No caso específico do estudo de instrumentos de teclado parecem ainda existir algumas técnicas de estudo especificas para a abordagem do repertório para teclado (possivelmente encontrado também no estudo de outros instrumentos). O pianista citado, afirma existirem algumas condições para um estudo de qualidade, tais como a utilização de metrônomo, variações rítmicas, trabalhar o controle do som, estudar de mãos separadas, entre outros 15 procedimentos. Estas características também foram abordadas pelos restantes participantes. Ao executar e testar tais estratégias, o expert pratica a monitoração elaboração e gerenciamento de esforço, apontadas por Corno (1989), como características da autorregulação.
(...) estudar com método. Para tal resultado, tantos dias disto e daquilo metrônomo, preparações rítmicas, controle do som, mãos separadas, enfim. Tem uns 10 ou 15 procedimentos que todo o aluno tem que saber com fazer porque só tocar não adianta. (João, pianista)
Para tocar piano e desempenhar com precisão esta ação físico-motora, Povoas (2006, 2007) argumenta que há a necessidade da ação conjunta de vários fatores, tais como, coordenação, flexibilidade, energia, força e aspectos a eles relacionados. Isso tudo deve ser pensado como um meio para se alcançar a execução, interpretação e sonoridade desejadas. Outros estudos sobre a relação entre as estratégias de estudos de instrumentistas e o seu nível de performance (BARRY, 1992; COSTA, 1999; DAVIDSON; McPHERSON, 2000; GRUSSON, 1988; SLOBODA et al, 1996; HALLAM, 2001a, 2001b; JØRGENSEN, 2001, 2002; NIELSEN, 2001; LEHMANN, 1997; MCPHERSON; RENWICK, 2001; PITTS, DAVIDSON; McPHERSON, 2000), indicam procedimentos como a utilização do metrônomo, o estudo com pequenas partes da obra (ou seja um trabalho detalhado), estudar de forma lenta, atenção com o dedilhado, identificação de problemas e o estudo mental da obra.
No caso desta pesquisa, os participantes destacaram algumas estratégias de estudo para um trabalho de alta qualidade, tais como procedimentos técnicos e habilidades cognitivas a serem desenvolvidas, apresentadas no seguinte esquema:
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Ao ter em mente estes fatores, os experts exercitam procedimentos de autorregulação, que correspondem à habilidade de questionar, negociar e testar uma representação de modo que a aprendizagem ocorra e que novos níveis sejam alcançados, de uma forma própria e individual que favoreça a melhor performance (FELTOVICH; PRIETULA; ERICSSON, 2006; GALVÃO, 2003). Como podemos observar na seguinte citação, o pianista começou a entender que apresentar-se em público exigia um nível de concentração diferente do que as apresentações para amigos ou professores. Ao reconhecer a necessidade de estudar a concentração para melhorar a sua performance, o expert muda o seu comportamento de forma efetiva.
Ai eu já tinha entendido que não bastava tocar bem uma vez ou outra assim amadoristicamente, era preciso sair certo era preciso estar focado, que eu nunca tinha treinado concentração, porque eu tocava porque eu estava entre amigos; tocar a frio na frente das pessoas é outra coisa. (João, pianista)
Repertório
Para Jou e Sperb (2006), a metacognição é hoje entendida como uma fase de processamento de alto nível que é adquirida e desenvolvida pela experiência e pelo acúmulo do conhecimento adquirido em um domínio específico. Só assim o indivíduo consegue monitorar, autorregular e elaborar estratégias para potencializar o seu aprendizado. No caso de tecladistas experts, o aprofundamento do seu conhecimento no domínio especifico refere- se ao repertório. Dessa forma, enquanto aluno, o expert deverá ter acesso a um vasto conhecimento de compositores, com diferentes estilos, técnicas e níveis de dificuldade. Ao que parece, os experts apresentam um estudo de muito repertório diferente semanalmente. Esse fator pode ser estimulante uma vez que a expectativa do professor em relação ao aluno é muito alta, cobrando deste um nível bastante elevado, fazendo com que o aluno estude mais e se desenvolva exponencialmente. Não só o aluno tinha que apresentar muito repertório novo, como trazê-lo pronto e sem erros de leitura. Como frisa a participante, o professor exigia
Repertório/ Organização/ Consciência e foco/ Identificação de problemas/ Peso de braço/ Mão firme/ Variações rítmicas/ Mãos separadas / Dedilhado / Sonoridade/ Imaginação / Ansiedade na performance/ Ouvido / Memória / Prazer estético/
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muito repertório já no andamento certo da peça e sem erros. Outra participante destaca igualmente que estudou muito material diferente. A seguinte participante sobressai que o seu repertório era sempre mais vasto do que o dos colegas.
Fiz tudo tudo o que ele mandou, e foi isso que fez a grande diferença na minha vida, eu estava pronta mas eu tinha o que fazer, eu tive que fazer o trabalho. Então eu me lembro que era tanta coisa ele exigia que eu levasse tudo de cor, já no andamento, não tinha esse negócio de levar coisa devagar, e para ver se eu tinha lido e para corrigir nota, nada disso, já tinha que levar, em uma semana você tinha que avançar muito. (Luiza, pianista)
(...) assim aumentei muito o meu repertório, foi isso que eu fiz, estudei muita coisa, muita coisa. (Catarina, Pianista)
Eu sempre fiz um repertório além do repertório requerido. Eu sempre estava mais além, fazendo mais. Então se os meus colegas fizeram um concerto com orquestra, eu fiz 4/5 concertos durante o curso superior. (Helena, pianista)
Organização
Tal como a autorregulação, a metacognição envolve um processo tanto de estabelecer objetivos reais e relevantes, como a definição do processo para alcançar o objetivo. Segundo Zimmerman (2000), esta fase inicial é de antecipação e preparação e diz respeito à escolha de um plano estratégico, em que o aluno decide o que vai fazer. Na segunda fase, chamada de execução e controle, consta também o monitoramento do progresso direcionado ao objetivo de modo a realizar ajustes, se necessário (CLARK, 2008). Um aluno autorregulado e metacognitivamente eficiente poderá reconhecer melhor as suas dificuldades e adaptar-se de modo a alcançar o objetivo pretendido. Este gerenciamento de tarefas parece exigir um alto nível de organização, de modo que o aluno consiga em tempo hábil trabalhar com foco, método e sistematização.
A pianista citada ilustra a forma como organizava o seu estudo. Marcava num papel as peças que tinha mais dificuldade e gerenciava um tempo especifico para casa peça. Depois marcava um X para dizer que já tinha estudado aquela e seguia para a próxima. A pianista notabiliza que só conseguia estudar tanta coisa uma vez que se organizava para tal. Outra pianista revela que precisa otimizar o tempo que tem para estudar. Para isso, identifica os horários que são mais favoráveis ao rendimento do seu estudo e “gosto de lembrar sempre técnicas de estudo, como dividir o tempo”, ou seja, dividir o tempo consoante à quantidade de peças que tem para estudar.
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A última participante do seguimento destaca que uma das qualidades essenciais responsável por ter colhido tantos frutos profissionalmente é ter uma personalidade muito disciplinada. O cravista destaca a sua organização e disciplina para estudar como fundamentais para ser um bom musicista.
Eu dava conta da seguinte maneira [de dominar um repertório vasto], eu fiz um plano de estudo para mim, e dividi o meu tempo em minutos, assim. Então eu fazia, sei lá 10 minutos, de Mozskovky, 15 minutos de agora não lembro de Bergerm, meia hora numa fuga, por exemplo, 1 hora numa sonata de Bethoven, 30 minutos de Chopin, 30 minutos num outro. Era tudo assim era tudo marcado. Terminava uma coisa acabava outra. Eu tinha um papel assim que eu ia marcando X todo o dia.Tudo tudo, claro, Assim, claro você nunca consegue fazer tudo. Eu visualisava tudo o que eu tinha feito e tudo o que eu não tinha feito, então eu fiz muita coisa por causa disso, acho porque eu também me organizei. (Luiza, pianista)
Então assim, gosto de lembrar sempre técnicas de estudo, como dividir o tempo , eu gosto de ensinar isso muito para os alunos, eu acho importante faz toda a diferença, a gente tem tão pouco tempo, então você tem que otimizar o tempo que você tem ne? Acho importante. Então por exemplo eu sou muito particular com horário, eu gosto muito de estudar de manha. (Helena, pianista)
Eu acho que disciplina. Eu sou um cara muito disciplinado. (Julio, cravista)
Consciência e foco
A segunda fase de autorregulação, apresentada por Zimmerman (2000), chamada de execução e controlo, requer um alto nível de automonitorização, uma vez que o estudante deve constantemente verificar os seus processos de ensino-aprendizagem. Logo, a sua aprendizagem é consciente e focada, e não um exercício no qual o aluno entra no “piloto automático” e simplesmente executa uma tarefa. No que diz respeito à metacognição, Ertmer e Newby (1996) atribuem um papel muito importante ao à reflexão nos processos de aprendizagem. Os autores estudaram como experts utilizam o conhecimento que têm sobre os seus próprios comportamentos, processos cognitivos e motivação no próprio momento do seu acontecimento, de modo a gerenciarem estratégias efetivas de aprendizagem de forma consciente. Esse processo de estudo consciente e “ultrafocado” foi destacado na fala dos participantes. Aliado a um estudo focado é necessário também ter autofeedback (GALVÃO, 2006). Esta fase pode corresponder simultaneamente à terceira e última fase chamada de autorreflexão e autorreação (ZIMMERMAN, 2000). Destarte, a motivação faz-se extremamente necessária, uma vez que o aluno pode abandonar a tarefa, ou por outro lado continuar a persistir na atividade. Para Zimmerman (2000), essa escolha pode estar
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relacionada com os sentimentos que resultam dessa autoavaliação. Caso sejam positivos resultam em satisfação e a valorização pessoal, ou no caso de serem negativos podem criar resistência ou até mesmo o abandono da tarefa. Um pianista revela que os problemas se resolvem com a cabeça, de forma consciente, pensando e refletindo. Para ele o estudo tem de ser devagar, observando todos os mecanismos e “sabendo o que está fazendo”, ou seja, não fazer apenas tecnicamente. Também outra participante destaca que o monitoramento da atividade deve ser constante e muito consciente. A última participante, abaixo, frisa não ter “preguiça mental” para estudar, ou seja, ir com foco e objetividade para resolver a parte que lhe é difícil, fica inclusive fora do piano para resolver um problema, o que reforça a fala do primeiro participante, que afirmava que os problemas resolvem-se com a “cabeça”, ou seja, com consciência e foco. Este processo parece envolver um sentimento positivo de realização, uma vez que a participante destaca que “não tem preguiça”.
Problemas se resolvem com a cabeça. (...) não é trancado; é pensando refletindo, ouvindo, a coisa de estudar devagar de ver a posição das mãos(...) O profissional tem que saber o que ele está fazendo. (João, pianista)
Por exemplo tenho um trecho que o dedilhado é complicado que é meio difícil, destrinchar aquilo ali, ai que bom (...) , eu não tenho preguiça nenhuma desse tipo de coisa, eu falo com o aluno que as vezes isso é uma preguiça mental. Eu não tenho essa preguiça, eu penso, eu resolvo, eu as vezes estudo muito fora do piano, decorando as coisas na minha cabeça. Então assim, eu acho que uma coisa que eu não tenho é preguiça. Acho que a preguiça na hora do estudo, acho que ela trava qualquer objetivo, e isso acho que eu não tenho. (Iris, pianista).
Identificação de problemas
Conforme uma pesquisa de Galvão (2006) o estudo deliberado, tanto em música como noutras área de expertise, pretende atingir respostas automáticas. No caso da aprendizagem musical, autores (GALVÃO 2000; HALLAM, 1997; WEIDENBACH, 1996) sugerem que músicos parecem possuir um repertório de resolução de problemas adaptável a diferentes dificuldades, com uma flexibilidade em adaptar o estudo à medida que ele evolui. Apesar disso, Galvão (2006) enfatiza que problemas músicais não são como problemas matemáticos pois são caracterizados como mal definidos e que os músicos mesmo profissionais, por vezes não solucionam os problemas de modo eficiente. O autor sugere que a escolha de estratégias de estudo, além de cognitivas, parecem, por vezes, interagir com respostas intuitivas.
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Os participantes indicam também que identificar os problemas a serem resolvidos, de forma concreta é fundamental para o estudo do instrumento. É neste momento o aluno avalia o seu próprio desempenho reconhecendo onde errou e por que, o que necessita fazer para melhorar e, sobretudo, onde se encontram os problemas de forma objetiva. Os participantes destacaram que aprender a estudar com esse nível de detalhamento quer técnico, como melódico e harmônico requer um grande conhecimento sobre a música e que nem sempre tiveram essa abordagem tão focada e atenta. Inclusive, parece que esse processo foi bastante demorado surgindo eficientemente mesmo durante o doutorado de uma das participantes, já numa idade adulta.
Para a pianista Helena, o nível de detalhamento na resolução de um problema é fundamental. Dizer que uma passagem “está suja”, ou seja, que apresenta um problema de algum tipo, não é uma “boa ordem para o cérebro”, segundo a pianista. Tem que ir detalhadamente ao problema, seja a nível técnico, musical ou outro. A participante destaca também que sabe exatamente o que tem que fazer de modo a ter um resultado positivo. A ordem e a ação parecem estar completamente interligadas. A mesma situação se destaca da fala de Luiza. Esta expert frisa que, no momento de estudar, reconhece as dificuldades e imediatamente procura soluções para resolvê-las. Compara o processo de estudo ao de “limpar uma casa”, onde se limpa o que está sujo, ou seja, o que precisa ser trabalhado. Igualmente Pedro, assim que pega numa partitura, detecta quais os pontos fundamentais a serem trabalhados, tendo em conta vários aspectos da música, como a harmonia, por exemplo.
Isso aqui eu tenho que limpar, está muito sujo. Isso é muito vago. É muito vago! Você não deu comando nenhum para o seu cérebro. Você tem que ir exatamente: hoje nessa peça aqui, nesse compasso exatamente, eu quero resolver isso, isso e isso. Esse contraponto aqui eu não estou conseguindo ouvir bem essa voz interior aqui, esse salto nem sempre esta saindo certo, tenho que resolver isto aqui. Este nível de detalhamento, quando você está estudando. E é isso que eu faço hoje. Eu não fazia antes do doutorado. (Helena, pianista)
(...) eu já sei quais são as dificuldades, você tem que ir pontualmente nas dificuldades, o estudo ele tem que ser feito assim, o que é que esta difícil? Ta como limpar uma casa, o que é que esta sujo aqui? Ai não esta mais ou menos, não tem um canto ali que esta sujo, então ta, vamos já, tira tudo, limpa tudo, ai sim. Você esta limpando a sua casa, então o estudo é assim, tem uma coisa aqui que é muito difícil, então você vai, não é ficar ali, tocando, e se iludindo, porque é uma ilusão. (...) e já quero estudar. Isto aqui? Eu já quero estudar;A mão fixa de tal maneira quando você estuda. (Luiza, pianista)
Ver harmonicamente o que esta acontecendo, então assim é o que eu faço quando eu pego uma partitura, eu tento detectar quais são os pontos problemáticos trabalho aqueles pontos imediatamente. (Pedro, pianista)
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O nível de foco e consciência é referido como uma forma de abordar os vários problemas técnicos, músicais e de concepção da peça. Logo, será aplicado a vários níveis técnicos do piano, desde procedimentos como estudar de mãos separadas, efetuar variações rítmicas, bem como diversos níveis de atenção em questões como peso de braço, dedilhado, sonoridade e memória.
Outras questões abordadas pelos participantes como importantes para uma performance de qualidade dizem respeito ao prazer estético com o instrumento, ouvir a peça e executar, ter imaginação e saber gerenciar os nervos.
Mãos separadas
Tanto o cravo como o piano são instrumentos que possuem duas linhas melódicas (ou até mais) tocadas em simultâneo. É então necessário assimilar cada parte independentemente, para depois juntar ambas as partes. Assim, torna-se muito importante estudar de mãos separadas, antes de estudar com ambas as mãos. A pianista afirma que caso haja alguma dificuldade é importante estudar dessa forma:
Então se você não consegue fazer mãos juntas, faça mãos separadas. (Luiza, pianista)
Variações rítmicas
Outro mecanismo importante para estudar passagens difíceis é a utilização de variações rítmicas. Nesse tipo de exercício são utilizados ritmos diferentes para a mesma passagem. A participante enfatiza ainda a questão das acentuações rítmicas, na qual é necessário acentuar cada nota de tempos diferentes. Através deste mecanismo, o dedo “fixa” a nota e raramente esquece, uma vez que o dedilhado “ganha força”. Os mecanismos de aprendizagem entre o estudo de um instrumento e a corporeidade são também abordados no trabalho de Galvão e Kemp (1999), ao que os autores abordam como Kinesthesia. A relação entre o corpo/mente é também abordada no trabalho de Pederiva (2005), que aborda o
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conceito de “corpo-instrumento” no ensino de instrumentos músicais, em que o corpo é visto como uma extensão do instrumento a ser trabalhado. O corpo deve então ser moldado a serviço da técnica visando a obtenção de uma melhor performance.
(...) porque ele fazia as variações rítmicas, porque o que acontece, tanto que, só que ele apresentou uma variação que ele não tinha me dado. Acentuações rítmicas também. Você pega um trecho que pega de 4 em 4 e faz a acentuação de 3 em 3. Você acentua uma e 2 não, outras e duas não, a terceira e as outras não. Isso é tão sensacional que você o dedo que você acentua, naquele momento ele fixa melhor a nota e o dedilhado e ele ganha força, também. (Luiza, pianista)
Dedilhado
A escolha do dedilhado apropriado é também fundamental no estudo. Os participantes sugerem que, ao estudar muito repertório, o aluno deve desenvolver um padrão de dedilhado apropriado para si. A pianista, abaixo, salienta que existe um “dedilhado ideal” isto é aquele dedilhado que se adapta ao seu corpo. Segundo a mesma participante, caso o aluno escolha um dedilhado que não é apropriado ele sempre terá dificuldades com aquela passagem. Inicialmente, o aluno não tem conhecimento para tal escolha, e mais uma vez, um bom professor é fundamental para direcionar o aluno. Existem alguns estudos que trabalham especificamente a questão do dedilhado por terem passagens de difícil execução e, sobretudo, de virtuosismo. Estudos como os estudos de Chopin, por exemplo, são segundo a pianista, “verdadeiras bíblias” para trabalhar o dedilhado, por permitirem ao aluno estudar vários tipos de dedilhados e a formar a sua própria mão e criar padrões.
(...) tem um trecho lá [numa peça específica] tão difícil primeiro veja, o dedilhado ideal, (...) a gente cria um dedilhado bom, isso faz muita diferença, se você tem um dedilhado bom você tem metade dos seus problemas resolvidos, mas se você não tem, você fica com sempre um problema e o dedilhado é uma coisa meio, nem sempre o dedilhado que você escolhe hoje, por exemplo tem uma peça nova tem um trecho difícil vou escolher um dedilhado, (...) Se o seu corpo não aceita o dedilhado é uma coisa que tem que ser mudada, você tem que fazer rápido, você não tem que esperar, fixar aquele dedilhado e ficar sempre errando alguma coisa porque ai aquele dedilhado não é bom. (...) o seu corpo ele reage ao dedilhado, ele reage aquela situação, então numa situação parecida o seu corpo vai reagir e o dedilhado vem automático. Então criar um padrão de dedilhado é uma das coisas assim muito importante. Então você pega alguns estudos de Chopin , que são verdadeiras (bíblias) com relação a técnica; Chopin. (Luiza, pianista)
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Sonoridade
O trabalho da sonoridade foi um aspecto destacado por experts para atingir uma performance de alto nível. A sonoridade diz respeito à forma como se transmite o discurso musical e, portanto, como o intérprete estabelece essa relação de comunicação (GALVÃO, 2006).
Este mecanismo de reprodução do som envolve o que Povoas (2006) considera um ciclo de movimento, que é mais do que um recurso técnico é um recurso estratégico de utilização do movimento. A autora realça que é necessário controlar a energia despendida e a velocidade do gesto, de modo a produzir um resultado sonoro específico que pode ser otimizada com menor desgaste físico-muscular por meio do controle de força do impulso, da relação impulso-movimento e do tipo de ataque ou toque. Assim, tocar com precisão envolve um conhecimento técnico e apurado sobre a construção e possibilidades com o piano, bem como uma reflexão sobre os movimentos do próprio corpo. O entrevistado seguinte tenta descrever o mecanismo do piano e a forma como deve atacar a nota. Para ele, um aspecto fundamental é a qualidade do som, ao que chama de sonoridade. Para este expert, é a qualidade do som que impregna a mente dos ouvintes e ainda que afirme que esse som esteja no “seu espírito” e na “sua imaginação”, para conseguir um som adequado, o pianista mostra preocupações específicas sobre o som, tais como a “percentagem” de ruído que é feita pelos mecanismos do piano (como mola, martelo, tecla, dedo) e o modo como diminuí-lo. Ao modo como atacar uma nota, o pianista chama de “Anschlag”. Envolve articular o toque sensível da tecla com o nível de escapamento de forma a não provocar tanto ruído e a produzir um som mais belo.
Outra qualidade sonora apresentada pelo mesmo participante, diz respeito à distribuição e equilíbrio de som entre as duas mãos e as relações entre melodia harmonia e