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Ulike prosjekter der synkrone nettsamtaler har inngått

3 Metodologiske problemstillinger

4 Synkrone nettsamtaler

4.2.2 Ulike prosjekter der synkrone nettsamtaler har inngått

Eu me lembro de ter sonhos comigo mais velha, bem velha mesmo, com uma vida miserável. Do tipo, solidão, abandono. E eu lembro de que na época [do sonho] eu estava trabalhando com suicídio. Então, muito recorrente essa temática do suicídio. Não de eu me suicidando, mas com a sensação de que eu ia morrer. No sonho. Eu lembro de ter uns dois sonhos desses. Eu lembro da sensação que eu tinha quando eu acordava, sabe? Quando você só lembra da sensação que você teve, não lembra de cenas, imagens ou fatos. Eu lembro da sensação de estar velha, e velha no sentido de não ter mais nada pra fazer, não ter mais tempo hábil para fazer coisas. E miserável, infeliz e sozinha e meio suicida e tal. E isso ficou rodando na minha cabeça na época. Ter que escolher ou família ou carreira acadêmica, sacou? E uma escolha para ser feita logo.

Associações dos participantes: Escolher entre família e vida acadêmica (associação da própria sonhadora); aula de psicologia e cultura sobre o papel da mulher pós-moderna, relacionamento afetivo versus profissão, professora que consegue conciliar os dois aspectos, fenômeno da pós-modernidade, posicionamento diante da questão para criar recursos de enfrentamento, casamentos que não deram certo.

Comentário 3: Na continuidade das associações realizadas com o sonho anterior, o grupo passa a discutir a possibilidade de conciliar família e profissão: alguns manifestam descrédito, outros assumem que conciliação não significa ausência de conflitos o tempo todo, que também não é saudável ser mãe em tempo integral, e falam da importância qualitativa da relação mãe-filho. Surgem referências da própria experiência dos participantes com seus pais.

Sonho 4 – Descasada (Úrsula)

Eu sonhei no sábado anterior ao início do grupo. Eu não estava mais casada, parecia que tinha sido uma coisa muito recente. Fazia um tempo que eu não estava mais casada, mas um período curto. Eu não sei porque cargas d’água eu levei a minha família ao prédio de um ex-namorado; eu não sei porque eles estavam lá. Depois eu fui saber se eu queria que eles estivessem comigo, porque eu já imaginava o que ia acontecer, ou porque eles que inventaram de ir junto, eu não sei o que aconteceu. Enfim, eu só lembro de chegar nesse prédio, que na verdade não era o prédio em que ele morava, até porque eu não tenho lembranças de como era esse prédio. Enfim, eu fui a esse prédio e lembro que fui lá para poder voltar com ele [o ex-namorado]. Falar alguma coisa para ele. E quando eu cheguei, ele não estava. Aí quando eu estava indo embora, ele estava chegando com os irmãos, que não existem, um ou dois irmãos, não lembro, uns amigos e ele estava já com uma namorada. E estava todo mundo acompanhado. Lembro que fiquei muito triste no sonho e falei, “não, eu só vim aqui dizer que eu quero que você seja feliz”. E lembro que depois eu vi – foi nesse momento que eu tive noção de quem da minha família estava lá –, minha irmã que mora na Argentina não estava. É por isso que eu tive uma noção de que era uma coisa realmente por aqui, porque a minha irmã já não mora mais com a gente há mais de um ano. E, enfim, ali estavam os meus pais e as minhas duas irmãs que moram aqui no Brasil e lembro que eu estava muito feliz, com a sensação como se tivesse terminado o casamento para falar aquilo para aquela pessoa. E eu fui falar aquilo e não fazia sentido nem à medida em que eu falava, mas meus pais estavam ali assim, sabe? Minha mãe com uma cara de quem não estava aprovando e meu pai com uma cara de que estava ali porque, sabe? (Risos de todos). Depois que essa parte do sonho acabou, eu encontrei vários amigos que me falavam assim “ai, Úrsula, que viagem a sua, sabe? Você ter ido lá, nada a ver e tal”. E duas pessoas me deram conselhos; lembro que acordei e falei “gente, se alguém terminar namoro, é isso que eu tenho que falar” (risos).

Associações dos participantes: Relacionamentos que terminam e reiniciam (associação da própria sonhadora, referindo-se ao sonho anterior), pai que sempre trabalhou muito, mas que sempre esteve presente; despedida do ex-namorado (associações feita pelo coordenador na forma de pergunta à sonhadora); separação, corte, despedida, com o conhecimento da família (feita pelo coordenador, na forma de comentário); resolver alguma situação, coisas resolvidas [Úrsula, a sonhadora, fez sinal para que Maria apresentasse seu sonho].

Matriz do sonhar social 194

Comentário 4: O coordenador permite-se fazer uma associação em forma de comentário o que, em princípio não estava previsto. Maria lembra de um sonho mas é interrompida por Úrsula que retifica a percepção do coordenador sobre o sonho referir-se a despedida.

Sonho 5 – O Ataque do Leão (Maria)

Eu tinha uns cinco, seis anos de idade e aí eu sonhei que a gente morava numa casa parecida com a casinha de João e Maria. É, a casa, não a casa de chocolate, mas a casa deles mesmo no meio da floresta. E que, a gente estava lá, todo mundo reunido, à luz de velas e a candelabros, aquela coisa bem rústica. E de aventuras, não é? (risos). Aí a gente estava lá reunidos, brincando, acho que jantando, aquela coisa assim bem gostosa, sabe? Eu e meus três irmãos, na época não tinha a caçula. E estava a minha mãe, meu pai. E, subitamente, a porta é arrombada, a cabana de um cômodo só, a porta é arrombada e aparece um leão enorme, faminto, salivando de fome. Esse leão começa a correr atrás de todo mundo.

E aí ele arrombou a porta, caiu assim, do teto. E ele rosnou, o rosnado dele, eu lembro que a sensação foi de muito medo. E eu tremia, tremia, suava frio e tinha medo, medo, medo. Desespero. Na verdade era pavor. Tinha um pavor muito grande. E aquela correria toda, sabe? Todo mundo correndo, fugindo do leão. E eu lembro que eu me escondi debaixo da cama com o meu irmão. Aí me veio a imagem da proteção. Porque ele me protegeu, ele é meu irmão mais velho. E ele me protegeu, ele falou para eu ficar caladinha, tampou minha boca e eu era novinha. E pela sombra eu via o leão devorando cada um dos meus familiares. Meu pai e minha mãe. Só eu e o meu irmão mais velho que sobrevivemos. [Meu pai e minha mãe] estavam desde o início. E a gente estava num clima descontraído, entendeu? Um dia normal e esse leão devora todo mundo. Eu vejo sangue escorrendo, sangue escorrendo na roupa. E foi esse sonho que eu falei que eu matei todo mundo em família. Eu lembro que a gente ficou caladinho, que o leão ficou rugindo, rugindo, rugindo, procurando. E até sentir a respiração dele assim, querendo pegar a gente assim, perto assim, sabe? Como aquele negócio de parque do dinossauro, Jurassic Park (faz o barulho da respiração). Era uma coisa horrível. E, depois que ele foi embora, eu chorava, chorava, chorava, chorava, chorava, chorava. Desesperadamente. E o João não chorava. Ele dizia:“calma, vai dar tudo certo”. E pela sombra eu tinha visto o leão devorar todo mundo da minha família.

Comentário 5: O grupo divertiu-se com a pergunta de Úrsula sobre se o leão teria batido na porta. O coordenador perguntou se é um sonho antigo e Maria confirma ser um sonho de infância (ocorrido aos 5 ou 6 anos) e que é o primeiro sonho do qual tem lembrança.

Associações dos participantes: Família que morreu em sonho narrado por Maria no encontro anterior; “você mata as pessoas” (associação de Úrsula, brincando; o grupo se diverte).