2 Vitenskapsteoretisk plattform
2.2 Kunnskaps- og læringssyn
2.3.1 Det dynamiske, det kontekstuelle og det samhandlende
As experiências com o sonhar social demonstram o caráter eclético dos sonhos, tornando-o objeto de enfoques científicos, filosóficos e espirituais. No âmbito da ciência, outros tantos vértices concorrem para a compreensão do fenômeno onírico, tais como a perspectiva neurológica, a psicológica, social e antropológica. Desde as origens da psicanálise, conhecemos o seu valor para as práticas psicoterapêuticas e, hoje, vislumbramos suas potencialidades para expressar o fenômeno do sonhar social. Se o sonho é a expressão de um desejo individual, como quis Freud, ele é igualmente a expressão de um desejo no sentido coletivo e visionário do termo, tal como expresso na frase de Martin Luther King: “I have a
dream...” (Neri, 2002).
Além disso, lembra-nos Neri (2002), diversos psicanalistas começaram a considerar os sonhos não como apresentações disfarçadas de desejos do sonhador, mas antes como representações verídicas de seus sentimentos, desejos, fantasmas e pensamentos. Diz-se igualmente que certos sonhos oferecem insights sobre determinados aspectos da
personalidade do sonhador e sobre aquilo que é vivido em certo instante de sua vida. Outros sublinham a importância que os sentimentos e os pensamentos contidos nos sonhos podem ter para sua vida afetiva. Certos psicanalistas pensam que os sonhos fornecem informações importantes sobre as crenças, as esperanças, as ideias presentes no ambiente social onde vive a pessoa que sonha. Partindo dessa perspectiva, um certo número de psicanalistas italianos – Riolo, Corrao, Vallino Macciò, Ferro, Correale, citados por Neri (2002), consideram o sonho como expressão de uma situação determinada (ou de um campo determinado). Estes psicanalistas acreditam que o sonho adquire um sentido quando colocado nessa situação ou campo, o que reforça a hipótese de trabalho de Lawrence e colaboradores de que a “matriz” é um continente específico que permite a emergência do significado social do sonho.
O método do sonhar social coloca em relevo a importância de narrar e compartilhar os sonhos, favorecendo o estabelecimento de uma relação cooperativa e lúdica entre os membros de um grupo. Neri (2002), citando Friedman, acredita que mesmo no contexto psicanalítico tradicional, compartilhar a narrativa de um sonho de maneira participativa, antes de interpretá-lo, pode contribuir para um bom acordo da relação entre o paciente e o psicanalista.
Segundo Neri (2002), a vida das instituições, das organizações e das associações profissionais pode ser representada em três níveis: o primeiro compreende o trabalho prático, administrativo e burocrático; o segundo se reporta às ideias e às teorias; o terceiro está ligado à vida fantasmática e onírica. A inadequação do nível onírico estabelece um fosso entre o nível prático da organização e o nível ideal-visionário, em detrimento dos dois. O método do sonhar social permite concentrar a atenção sobre os sonhos e ativar o nível onírico que deveria estar presente em todas as organizações.
A partir das experiências iniciais com a “matriz do sonhar social”, Lawrence e outros pesquisadores se deram conta de que para melhor compreender as organizações é necessário levar em consideração a vida onírica das pessoas que as constituem. As tensões e conflitos das organizações contemporâneas podem chegar a um ponto culminante, exigindo respostas. Para isso é necessário que haja um “continente” onde as questões possam ser formuladas e desenvolvidas, permitindo aos indivíduos fazerem contato com elas e elaborá-las. A Matriz pode ser esse continente e o sonhar social a técnica apropriada para isso.
5.6.1 Outras Utilizações Possíveis
As experiências com o sonhar social têm demonstrado que o dispositivo pode ser utilizado com grupos formados por pessoas que não se conhecem ou que se conhecem muito
Matriz do sonhar social 102
pouco. Neste caso, o ambiente comum é representado pelo fato de partilhar o mesmo contexto social, com a amplitude e diversificação que isto implica.
A participação no sonhar social tem por efeito fazer emergir entre os membros dessas instituições um sentimento de intimidade, de integridade e de entusiasmo por projetos comuns, ao lado de uma ampliação da disponibilidade para exprimir sentimentos de reconhecimento e de acolhimento caloroso em face dos esforços dos outros. Quando uma pessoa conta um sonho em um encontro de sonhar social e um outro participante o acolhe, propondo suas próprias associações ou demonstrando simplesmente – por uma expressão não- verbal ou um movimento do corpo – que há uma ressonância, esta pessoa experimenta uma sensação de realidade e de compartilhamento. Durante as sessões, as pessoas entram em contato umas com as outras em um nível íntimo, tocante e obscuro (condição generativa e envolvida em uma dimensão inconsciente). Este contato, contudo, não é massivo e nem intrusivo: trata-se do encontro de pessoas que sonham juntas, compartilhando despreocupadamente o pensamento associativo (Neri, 2002).
Oficinas do sonhar social têm sido conduzidas em igrejas nos Estados Unidos. Na Alemanha o dispositivo é utilizado na Universidade de Bergischen como parte de um programa de treinamento em pesquisa-ação e o Partido Social-Democrata da Áustria também faz uso da estratégia. Desde 1995, o sonhar social tem feito parte do Programa da Associação Internacional de Psicologia Analítica (Lawrence, 2005).
Estes resultados sugerem que a técnica do sonhar social, além de configurar um possível dispositivo organizacional ou institucional para se lidar com aquilo que é “conhecido” mas não suficientemente “pensado”, poderia ser experimentada em outras situações de intervenção clínica e psicossocial, como, por exemplo, com pessoas traumatizadas ou emigrantes, realizando-se sessões semanais durante vários meses (Neri, 2002). Podemos, ainda, visualizar possibilidades de aplicação dessa estratégia em grupos de pesquisa-ação no contexto de intervenções de psicologia comunitária, grupos de pacientes em processo psicoterapêutico individual ou em grupo, trabalho psicoterapêutico com famílias, psicologia educacional, que precisariam ser investigadas.
Tendo em vista o caráter inusitado da metodologia em nosso meio (não encontrei referências à metodologia da matriz do sonhar social em pesquisas realizadas em nosso país), decidi aplicar o dispositivo com dois grupos de pessoas, a fim de explorar as potencialidades da matriz como dispositivo de intervenção clínica e psicossocial. O estudo empírico é descrito nas seções a seguir.