3 Metodologiske problemstillinger
3.1 Det kvalitative
3.1.4 Forskning på egne studenter
CONCLUSÕES
Os resultados são apresentados e discutidos em distintas subseções, conforme discriminado no quadro abaixo (Figura 16). Os encontros são numerados sequencialmente e identificados por um código que os vincula ao respectivo corpus (por exemplo, C1E1 significa “primeiro encontro que gerou informações para compor o Corpus I”, C2E1 significa “primeiro encontro que gerou informações para compor o Corpus II”, e assim por diante).
Corpus Encontro Subseção
C1 Resultados e Discussão (C1E1) 7.1
C1 Resultados e Discussão (C1E2) 7.2
C1 Resultados e Discussão (C1E3) 7.3
C1 Avaliação de Reação (Grupo I) 7.4
C1 Conclusões (Corpus I) 7.5
C2 Resultados e Discussão (C2E1) 7.6
C2 Resultados e Discussão (C2E2) 7.7
C2 Resultados e Discussão (C2E3) 7.8
C2 Resultados e Discussão (C2E4) 7.9
C2 Avaliação de Reação (Grupo II) 7.10
C1 + C2 Conclusões (Corpus I e II) 7.11
C1 + C2 Avaliação das Hipóteses de Trabalho (Corpus I e II) 7.12
Figura 16. Quadro de codificação dos corpus, encontros e respectivas subseções do relatório de pesquisa de campo.
7.1 RESULTADOS E DISCUSSÃO (C1E1)
O primeiro encontro do primeiro grupo de pesquisa contou com a participação de quatro mulheres e três homens (Xandra, Miriam, Oswaldo, Dario, Xênia, Beatriz e Mário), teve duração de 85 minutos e foi coordenado, tal como os seguintes, pelo próprio pesquisador. Foram narrados sete sonhos, por cinco dos participantes (Xandra e Dario narraram dois sonhos cada um; Miriam, Oswaldo e Mário, um sonho cada; Xênia e Beatriz não relataram sonhos) (Tabela 2).
Tabela 2 – Sequência dos sonhos e respectivos narradores (C1E1)
Sequência de sonhos Sonho narrado Narrador
1 O submarino Xandra
2 A queda Miriam
3 O tanque voador Oswaldo
4 Atravessando a parede Dario
5 A águia Xandra
6 O padeiro Dario
7 Cortando a unha do pé Mário
O encontro foi realizado em três etapas: a primeira (9 minutos), foi reservada às explicações a respeito do encontro; a segunda (35 minutos), dirigiu-se à narrativa dos sonhos e ao processo de associação livre; a terceira (33 minutos), destinou-se ao diálogo reflexivo sobre os sonhos, no qual buscou-se os temas emergentes e recorrentes e a quarta (8 minutos), relativa ao processo de avaliação de reação.
Conforme explicitado nas subseções 6.4 e 6.5, as narrativas oníricas foram integralmente preservadas e sofreram apenas pequenos ajustes de edição; as associações de cada um dos sonhos foram recortadas e resumidas, preservando-se o seu núcleo de sentido (imagens, ideias, emoções); quando se optou por transcrever literalmente a fala, ela aparece entre aspas e seguida pela identificação, entre parênteses, do autor. O mesmo tratamento dado às associações foi aplicado às informações geradas pelo diálogo reflexivo sobre os sonhos (recorte, resumo e redução à unidades de sentido), inclusive no que diz respeito à transcrição
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integral de eventuais falas. Sempre que oportuno, inseri comentários de minha autoria – após uma série associativa ou ao longo do resumo do diálogo reflexivo – que são analisados na subseção “discussão”.
7.1.1 Narrativa de Sonhos e Associações dos Participantes
O coordenador agradeceu a presença dos participantes, informou sobre os objetivos da pesquisa, explicou o conceito de sonhar social, as características do processo de associação livre, as etapas da oficina; informou sobre o tempo destinado para cada encontro, a confidencialidade, o registro dos encontros em áudio e vídeo, e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
As explicações oferecidas pelo coordenador foram rapidamente acolhidas, não exigindo explicações mais detalhadas. Como constataremos mais adiante, a configuração das cadeiras em formato “floco de neve” definida pelo coordenador foi preliminarmente aceita pelos participantes, mas requereu explicações adicionais no fechamento do encontro. Como o conceito de “sonhar social” não faz parte do repertório usual desses profissionais, o coordenador procurou explicá-lo de maneira acessível:
O que é o sonhar social? A gente parte do pressuposto de que cada um de nós sonha. Nós temos os nossos sonhos noturnos – quando a gente fala em sonho eu estou me referindo aqui ao sonho noturno, aquele que a gente sonha dormindo, porque nós usamos a expressão sonho para falar das nossas aspirações, dos nossos projetos de transformação social. Mas eu utilizo aqui o sonho no sentido do sonhar noturno. Então, nós partimos dos sonhos individuais que são apresentados no grupo e para o grupo. A partir desse momento, os sonhos passam a ser propriedade do grupo; não é mais uma propriedade, uma posse individual, vamos encará-los como algo que pertence ao grupo. Na medida em que os sonhos forem sendo apresentados, nós vamos fazer associações com os sonhos. O que é fazer associações com o sonho? Na verdade, é dizer aquilo que lhe passa pela cabeça quando você ouve aquele sonho. Qualquer ideia que lhe passe pela cabeça e que foi suscitada pelo fato de você ter ouvido o sonho. Esse é o processo de associação. É um livre processo de imaginar. Eu escuto o sonho e digo aquilo que está me ocorrendo.
Comentário 1: O coordenador faz uma distinção entre duas formas usuais de referência aos sonhos: o sonho como processo psíquico que ocorre durante o sono e o conceito metafórico que se refere à realização de uma situação vígil considerada ideal. Como o conceito de “sonhar social” pode ser facilmente associado à segunda acepção, ou seja, a idealização de uma situação desejada, o coordenador trata de esclarecer o sentido da expressão no contexto do encontro. Aproveita, ainda, para explicar como se dará o processo de associação livre.
Sonho 1 – O Submarino (Xandra)
Esse sonho me deixou muito impressionada. Eu estava em uma espécie de submarino. Lembro assim até pelo submarino da capa do disco dos Beatles. Aquele submarino padrão. Eu estava em um submarino, só que o submarino estava não submerso. Ele estava navegando. Estava por cima da água. Só que não era água, era como se fosse um mar de nuvens. Eram nuvens muito cinzas, muito escuras. Era um sonho meio aterrorizante. E então, em um determinado momento esse submarino começava a subir como se fosse um balão, um dirigível. Ele começava a subir, subir, subir... E quando eu chegava a uma determinada altura, eu caía lá de cima. Era um sonho meio assustador. E na hora que eu caía nessas nuvens escuras e cinzentas, elas se transformavam em mar. E aí eu ia afundando, afundando, afundando, afundando, afundando e acordava com aquela sensação... Não cheguei ao fundo, mas acordava com aquela sensação: “que bom que eu acordei.”
Associações dos participantes: Queda, terror, conversa com o irmão no dia anterior, necessidade de fazer armário em área aberta e que possa pegar chuva, um submarino, Beatles, submarino amarelo, tragédia, um carro atropelando os Beatles na faixa de pedestre, ouvir música, nuvens escuras no céu, lindas nuvens. [Miriam apresentou o sonho “A Queda”]
Comentário 2: O sonho, segundo a sonhadora, ocorreu antes dela saber que participaria do encontro do sonhar social. O universo associativo do sonho de Xandra é constituído por imagens relacionadas a queda, terror, inesperado, trágico. A série é finalizada com a apresentação de um segundo sonho - “A Queda” - por Miriam. A série associativa resulta na apresentação de um novo sonho, dando continuidade ao processo associativo em torno do tema “queda”.
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Sonho 2 – A Queda (Miriam)
Lembrei de um sonho que eu tive, muito tempo, muitas vezes, quando eu era pequena. Não lembro até que idade, mas eu sei que depois de adulta, eu não tive mais. Eram variadas as cenas, mas o sonho se repetia muito. Muito, no pátio do meu avô, que era um pátio que tinha uma distância... Era muito alta a casa dele. Nesse pátio tinha uma grade. Eu sempre ia me escorar e a grade caía. E eu caía. E eu acordava com aquele frio na barriga e aquela coisa: “Ai, era um sonho!” Mas eu acordava assustada. De vez em quando eu sonhava com um penhasco, alguma coisa.
Associações dos participantes: Despencar, assustar-se, insegurança, afundar, relação boa com a água, água perigosa, sensação de afogamento, de perda de ar, dificuldade de respirar, prisão, depressão, coisa nebulosa, obscura, tragédia, pesadelo, angústia. [Beatriz aproxima os dois sonhos “O Submarino” e “A Queda”: falta de controle, queda]
Comentário 3: O universo associativo gira em torno de perigo, afogamento, prisão, dificuldade de respirar, depressão, pesadelo, obscuridade, angústia. Beatriz faz uma conexão entre os dois sonhos em torno do tema “falta de controle” e “queda”. Parece que a tarefa proposta – associar e estabelecer conexões entre sonhos - foi compreendida pelo grupo. Um tema começa a se delinear: falta de controle, impotência, queda.