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3 Metodologiske problemstillinger

3.1 Det kvalitative

3.1.1 Det empiriske versus det teoretiske

Adotei para o presente estudo o conceito de corpus (plural: corpora) de pesquisa proposto por Bauer e Aarts (2002). Os autores, citando Barthes, definem corpus como “uma coleção finita de materiais, determinada de antemão pelo analista, com (inevitável) arbitrariedade, e com a qual irá trabalhar” (p. 44). A escolha, contudo, respeita critérios racionais alternativos àqueles adotados na amostragem estatística aleatória. A construção de um corpus equivale, para efeito de caracterização do todo, à amostragem representativa tradicional, desde que seguidos os critérios próprios para esse método, expostos pelos autores (Bauer & Aarts, 2002). No caso do presente estudo, a “coleção finita de materiais” consiste nos textos originados da degravação de encontros do sonhar social realizados com sujeitos selecionados pelo pesquisador, segundo critérios que veremos mais adiante. Bauer e Aarts (2002) relacionam quatro regras para a construção racional de um corpus: a primeira, adotada no presente estudo, refere-se à relevância, homogeneidade e sincronicidade do material escolhido. O critério de relevância exige que o material recolhido refira-se especificamente ao tema estudado e não a qualquer outro; homogeneidade refere-se à substância material dos dados, não misturando-se materiais textuais com materiais visuais, por exemplo; sincronicidade relaciona-se com o momento em que o material foi colhido, levando-se em conta o seu ciclo natural de estabilidade e mudança; define, portanto, o intervalo de tempo dentro do qual um corpus de material relevante e homogêneo deve ser selecionado. A construção do corpora do presente estudo atendeu a essas exigências: os textos examinados (um para cada encontro realizado) referem-se a narrativas de sonhos, associações realizadas pelos sujeitos, intervenções do coordenador e elaborações de sínteses temáticas (relevância); utilizou-se para análise apenas os textos resultantes da degravação, sendo que o registro em vídeo foi utilizado apenas para a identificação dos sujeitos e compreensão das respectivas falas, conforme descrito a seguir, no tópico 6.3 (homogeneidade); o material de cada corpus foi recolhido em um número limitado de encontros (três ou quatro), realizados em intervalos de no máximo uma semana entre um e outro (sincronicidade). As demais regras enumeradas por Bauer e Aarts (2002) para a construção de corpora de pesquisa qualitativa não foram adotadas, tendo em vista que não se buscou “saturação informacional”. Segundo os autores,

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“saturação é o critério de finalização da investigação: investigam-se diferentes representações apenas até que a inclusão de novos estratos não acrescente mais nada de novo” (p. 59).

O estudo se revestiu de caráter exploratório e não se pretendeu, na seleção dos participantes, uma representação da totalidade do estrato do qual os sujeitos fazem parte, buscando-se a caracterização, compreensão e interpretação dos fenômenos observados nos dois grupos estudados. Buscou-se, em especial, evidências da funcionalidade do dispositivo estudado, bem como a análise das hipóteses de trabalho que vêm sendo utilizadas pelos estudiosos do assunto. Contudo, ao realizar o número de três ou quatro encontros com cada um dos grupos, pode-se avançar, ainda que de maneira modesta, na busca de certo grau de saturação de informações nos espaços sociais especificamente estudados. Poder-se-ia ter acrescentado um número maior de sessões, distribuídas em um período relativamente mais longo (por exemplo, dois, três, ou mais meses), e diferentes representações poderiam ter sido detectadas. Infelizmente, a limitação de recursos inviabilizou tal ampliação do corpora de pesquisa.

O projeto de pesquisa foi avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília, em Reunião Ordinária realizada em 5 de dezembro de 2008 (Anexo 1). Os participantes receberam carta- convite na qual constaram as principais informações sobre os encontros a serem realizados (Apêndices A e B); foi colhido, também, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para a participação na pesquisa (Apêndices C e D). Protegeu-se o sigilo sobre a identidade dos participantes, adotando-se, na versão textual das informações, nomes fictícios.

6.2.1 Sujeitos da Pesquisa

O conjunto de informações a serem analisadas (corpora da pesquisa) foi construído a partir de dois corpus distintos, tendo como fonte informantes escolhidos por conveniência, segundo critérios relacionados com o espaço social que ocupam:

Grupo I – Profissionais de gestão de pessoas

As informações do primeiro corpus foram fornecidas por 14 profissionais da área de gestão de pessoas de uma instituição financeira nacional (10 mulheres e quatro homens, com idades entre 30 e 52 anos, média de 44,6 anos), que foram convidados a participar de três encontros, com periodicidade semanal. Interessou ao pesquisador realizar experiência com

pessoas que, compartilhando um mesmo ambiente social – uma organização financeira fortemente estruturada – não estivessem vivenciando um momento de crise claramente identificável. O corpus resultante desses encontros foi considerado piloto para experimentação do formato do dispositivo (duração, regras de funcionamento, consignas do coordenador, instrumentos de avaliação de reação).

Embora fosse esperado que todos os participantes comparecessem aos três encontros, isso não ocorreu devido a dificuldades na liberação dos profissionais durante a jornada de trabalho. Assim, dois dos participantes estiveram em todos os encontros; três participaram dos dois primeiros encontros e dois dos dois encontros finais. Seis participantes compareceram em apenas um encontro (dois do primeiro, dois do segundo e dois do terceiro) (Figura 14).

Participante Sexo Idade Participou do 1º encontro Participou do 2º encontro Participou do 3º encontro Quantidade de encontros Joana F 45 √ 1 Xandra F 48 √ 1 Quércia F 30 √ √ 2 Xênia F 51 √ √ √ 3 Miriam F 39 √ √ 2 Beatriz F 43 √ √ 2 Olga F 42 √ 1 Sofia F 52 √ √ 2 Dina F 40 √ 1 Elza F 48 √ 1 Dario M 40 √ √ 2 Oswaldo M 49 √ 1 Mário M 48 √ √ √ 3 Guilherme M 50 √ 1

Figura 14. Quadro dos dados sociodemográficos dos integrantes do grupo de profissionais de gestão de pessoas e da frequência de participação nos encontros.

Grupo II – Psicólogos formandos e recém-formados da Universidade de Brasília

As informações que constituíram o segundo corpus foram fornecidas por seis estudantes de psicologia (quatro mulheres e dois homens, com idades entre 22 e 27 anos, média de 23,7 anos), recém formados (nos últimos seis meses) ou em fase de conclusão

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(prevista para os próximos seis meses) do curso de Psicologia da UnB, que foram convidados a participar de quatro encontros do sonhar social, com periodicidade semanal. Interessou ao pesquisador experimentar o dispositivo com indivíduos que estivessem vivenciando um momento crítico relacionado com a assunção de um novo papel profissional, no caso, o de psicólogo. Além disso, dadas as características desse público – recém formados e formandos em psicologia – interessava observar como jovens habituados à visão psicológica- interpretativa dos sonhos reagiriam diante de um dispositivo que requer contenção na análise psicológica individual para dar destaque aos temas sociais emergentes. Uma das participantes (Irma) participou apenas de três dos encontros, em virtude de compromisso acadêmico que impossibilitou sua presença (Figura 15).

Participante Sexo Idade Participou do 1º Encontro Participou do 2º Encontro Participou do 3º Encontro Participou do 4º Encontro Giulia F 24 √ √ √ √ Irma F 22 √ √ √ Maria F 23 √ √ √ √ Úrsula F 22 √ √ √ √ Ítalo M 27 √ √ √ √ Marcos M 24 √ √ √ √

Figura 15. Quadro dos dados sociodemográficos dos participantes do grupo de psicólogos e da frequência de participação nos encontros.