Kapittel 3 Psykisk helse
3.1 Ulike forståelse av psykisk helse
Trabalhei em duas escolas de Educação Básica. No período de 1995 a 1997, com um contrato temporário, fui professora de Língua Inglesa e Música na Escola de Ensino Estadual
e Profissional Professor Moreira de Sousa. Em 2003, fui aprovada no concurso para servidora estadual para atuar como professora do Ensino Básico no componente curricular Língua Inglesa. Em 2004, assumi a docência na Escola de Ensino Estadual e Profissional Aderson Borges de Carvalho – LICEU, onde permaneci até o ano de 2010. Devido à carência de professor de Arte naquela escola, assumi também as aulas dessa disciplina, com foco no ensino de Música. Nestas duas escolas, tinha sob minha responsabilidade turmas do sexto ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio.
Minha vivência como docente, até então, havia sido apenas em escolas especializadas no ensino de Música, ambientes bem diferentes da realidade do Ensino Básico, e, no caso daquelas duas escolas, este ensino era público. Nessas instituições, deparei-me com uma total falta de estrutura para o ensino de Música, além de conviver com alunos em situação de risco, membros de famílias desestruturadas com poucas chances de construírem uma vida equilibrada em sociedade. Várias vezes presenciei, dentro da escola, desentendimentos que descambaram para a violência física entre alunos. Era o exemplo acabado de um sistema corroído e resistente a mudanças.
A partir daquela realidade, comecei a buscar alternativas para minhas aulas de Música naquelas escolas. Como eu era professora de piano, cheguei a cogitar a possibilidade de dar aulas em grupo desse instrumento aos alunos, mas era inviável. Não tínhamos instrumentos para isso, nem salas, além do dificultador que representava a superlotação em cada turma, cerca de quarenta e cinco alunos. No entanto, percebi que minha formação em piano na UECE me possibilitava o uso do piano de outras maneiras na Educação Básica. Foi nesse ponto que decidi começar a formar corais nas escolas. Neste caso, o piano seria utilizado como instrumento para acompanhar os grupos. Não há nada melhor para a formação de um coral do que gente, muita gente. Isso, eu tinha de sobra.
Lembro que cada escola dispunha de um pequenino teclado de cinco oitavas e teclas estreitíssimas nas quais meus dedos, apesar de tão pequenos, tinham dificuldade de tocar apenas as notas desejadas. Porém, com o que tínhamos, começamos o trabalho. Os pequenos teclados eram usados para aquecer as vozes e acompanhar os grupos. Felizmente, na UECE havia cursado oito semestres de Canto Coral e Técnica Vocal o que fazia sentir-me preparada para orientar os alunos nesse sentido.
No entanto, a escolha do repertório era sempre a parte mais difícil para mim. Saída do mundo musical erudito da minha formação, agora me via com o desafio de escolher músicas
que meus alunos pré-adolescentes e adolescentes pudessem cantar e se sentissem felizes cantando.
A partir dessa constatação, fui conhecendo novos mundos musicais relacionados com as vivências de meus alunos, embora para mim, até então, muito distantes. Nesse sentido, creio que aprendi muito mais com toda essa experiência do que qualquer um de meus coristas. Tinha então que sentar-me e fazer os arranjos para os grupos. Foi nessa disposição que cantamos de “Coração de Estudante” (Milton Nascimento) a “Pelados em Santos” (Mamonas Assassinas).
Outro aspecto que preciso comentar em relação à minha formação em Música e minha atuação como professora na Educação Básica é a questão pedagógica. Como afirmei anteriormente, sou advinda de um Bacharelado no qual cumpri algumas disciplinas pedagógicas. Porém, algumas eram voltadas especificamente ao ensino de piano. Outras eram direcionadas a uma visão muito ampla do ensino, não focando em nenhum momento o ensino de Música. Isso me faz considerar esse o ponto mais deficiente de minha atuação naquelas escolas.
Até então, eu era professora de piano. Nessas aulas, atendia apenas um aluno de cada vez. Agora me via tendo que dar conta de quarenta e cinco alunos em uma sala. Quando juntávamos as turmas para ensaios maiores, chegávamos a ter, dentro de um auditório, cerca de cento e oitenta jovens, todos sob minha responsabilidade. Tendo ali, como afirmei, vários alunos que viviam em situação de risco, era comum ter de lidar com freqüência com problemas de indisciplina desses alunos nas aulas de Música. Por falta de uma melhor compreensão da parte pedagógica e de como me relacionar com aquele público, decidi, erroneamente, que a única forma de contribuir com algum conhecimento seria por meio da força e da imposição. Hoje percebo que agi exatamente como os alunos daquela época agiam comigo: minha força, minha imposição de condições, meu autoritarismo eram apenas outra forma de violência, tão ou mais danosa quanto a deles. Realmente trabalhar com crianças e adolescentes de forma tão rígida mostrou-se o método mais inadequado que eu pudesse ter escolhido.
Creio que a maior lição que guardei dessa época é esta: a falta de afetividade e o autoritarismo minam a cumplicidade e desestabilizam a relação professor-aluno. Atualmente, acredito que o professor deve encontrar um equilíbrio entre rigor e afetividade com seus discentes, segundo o exemplo que nos dá Moraes: “[...] aos poucos, descobri que com
amorosidade e rigor a gente pode ser não só professora dos jovens, mas líder deles, também” (MORAES, 2007, p. 52).
Tive então que ir aprendendo, a duras penas, como é importante uma boa compreensão dos aspectos pedagógicos em uma sala de aula da Educação Básica. Por mais conhecimentos musicais que tenhamos, sem uma concepção pedagógica bem estruturada, o trabalho é bem mais árduo e sofrido. Apesar de tudo, percebo que os erros cometidos fizeram-me crescer e melhorar gerando bons reflexos na vida da docente de hoje.
Finalizando essa incursão ao passado, relembrando todas as experiências que aqui narrei, coloco-me na posição do outro. Esse outro professor de Música, que, assim como eu, hoje enfrenta a mesma realidade que outrora encarei no ensino de Música na Educação Básica: suas dificuldades, suas lutas, suas alegrias.