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Pedagogikk som oppdragelses- og undervisningslære

Kapittel 4 Pedagogisk grunnlagstenkning

4.1 Pedagogikkens historie

4.1.2 Pedagogikk som oppdragelses- og undervisningslære

Primeiramente, para compreendermos o que propõe a profissionalização do ensino, é necessário refletir sobre que concepções temos de profissão. Ora, quando pensamos em um profissional, seja ele quem for, logo nos vem em mente o indivíduo que possui determinadas competências e habilidades para realização de certas tarefas próprias a sua atividade: construir um prédio, cortar um cabelo, conduzir uma aeronave, ensaiar uma peça com um grupo vocal.

Entenda-se, portanto, que, indiferente de qual seja a profissão, lida-se com saberes, com conhecimentos, conforme sustenta Tardif (2013, p. 561): “[...] uma atividade, para que seja declarada de natureza profissional, deve ser baseada em conhecimentos [...] esses conhecimentos devem ter, para os profissionais, uma eficácia prática”.

Boa parte das profissões depende de uma formação de nível superior para serem, de fato, reconhecidas. Portanto, é principalmente – não exclusivamente – nas universidades que se buscam os saberes para as mais diversas profissões existentes. O surgimento das Universidades é um marco para a profissionalização de indivíduos em diferentes ramos de atuação.

Sua existência [profissionalização] é em grande parte devida ao desenvolvimento das universidades modernas que, a partir do século XIX, têm cada vez mais a missão de formar profissionais cuja prática se baseia nos conhecimentos derivados da pesquisa científica. A profissionalização está, portanto, intimamente ligada à

Emrelaçãoàprofissionalizaçãodoensino,umdosobjetivosprincipaisdestemovimento é que a profissão docente tenha seus saberes conhecidos e reconhecidos, tal como a profissão de médico, de engenheiro, de advogado, etc. A apreensão desses conhecimentos favorecerá a formação de novas gerações de professores que poderão se beneficiar com a experiência de seus antecessores, ao utilizarem os saberes que realmente contam na vida real, como enfatiza Tardif (2013, p. 562):

[...] desde o lançamento do movimento de profissionalização na década de 1980, desenvolveu-se um vasto campo internacional de pesquisa visando definir a natureza dos conhecimentos que sustentam o ato de ensinar, bem como promover aqueles que são úteis e eficazes para a prática do ensino.

Partindodessa perspectiva, Tardif propõe uma Epistemologia da Prática Profissional. Segundo o autor, “[...] chamamos de epistemologia da prática profissional o estudo do conjunto dos saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas” (2000, p. 10 – grifo nosso). Ou seja, o que conta de verdade são os conhecimentos mobilizados pelos professoresnodia a diadesuavida docente. O autor ainda reforça que:

[...] os professores de profissão possuem saberes específicos que são mobilizados, utilizados e produzidos por eles no âmbito de suas tarefas cotidianas. Noutras palavras, o que se propõe é considerar os professores como sujeitos que possuem, utilizam e produzem saberes específicos ao seu ofício, ao seu trabalho. (TARDIF, 2012, p. 228).

Então, quais são esses saberes? Que características possuem? Para Tardif, são saberes essencialmente construídos ao longo do tempo, ou seja, de toda uma trajetória (inclusive a vida de cada professor quando era estudante); dotados de uma infindável gama de matizes e variáveis;próprios decadaprofessorcomoindivíduo;adequadosaosmais diferentesmomentos esituaçõese, principalmente, saberes que olham para o outro como igual, como gente. Para o autor, “Os trabalhos realizados [...] mostram que os saberes docentes são temporais, plurais e heterogêneos, personalizados e situados, e que carregam consigo as marcas do seu objeto, que é o ser humano.” (TARDIF, 2000, p. 18).

Neste sentido, percebi que apenas consultando os professores de profissão poderíamos elencar os conhecimentos por eles usados, pois como afirma Josso (2004, p. 127): “[...] são aqueles que se formam que estão melhor posicionados para explicitarem como tudo isto se passa.”

Com essa visão, Tardif e Pimenta conclamam os pesquisadores a realizarem pesquisas junto aos professores, buscando fazer um levantamento dos saberes realmente utilizados pelos mesmos em sua prática docente: “É preciso, portanto, que a pesquisa universitária se apoie nos saberes dos professores a fim de compor um repertório de conhecimentos para a formação de professores” (TARDIF, 2000, p. 12). Explicando mais detalhadamente esse contexto, o autor afirma ainda que: “[...] consiste na elaboração de um repertório de conhecimentos para o ensino, repertório de conhecimentos baseado no estudo dos saberes profissionais dos professores tais como estes os utilizam e mobilizam nos diversos contextos do seu trabalho cotidiano” (Ibidem, p. 20).Pimenta (1999, p. 25) conclui:

O retorno autêntico à pedagogia ocorrerá se as ciências da educação deixarem de partir de diferentes saberes constituídos e começarem a tomar a prática dos formados como o ponto de partida (e de chegada). Trata-se, portanto, de reinventar os saberes pedagógicos a partir da prática social da educação.

A escuta atenta do que os professores tem a dizer é deveras importante. Todavia, é indispensável questionar que nível de conhecimento cada professor tem de seu processo de formação. Ou seja, o que cada um responde quando questionado: como se deu sua formação? Josso (2004) faz o seguinte alerta sobre esse fato ao narrar seu trabalho com profissionais que estavam nos anos finais de cursos universitários:

As dificuldades dos participantes, quase todos em fim de formação, para explicitar a dinâmica das aprendizagens realizadas na universidade apontavam para um

desconhecimento do seu processo de aprendizagem [...] que necessitava ser

reintegrado ao seu processo de formação (p. 138 – grifos nossos).

Esse desconhecimento apontado pela autora não pode ser relegado ao descaso. Há que ser investigado e sanado, sob pena de a Universidade continuar formando desinformados. O fato de os discentes passarem vários anos de suas vidas dentro dos muros das Universidades e após sua saída não terem clareza do que resultou tamanho esforço é alarmante. A impressão que passa é que estão ali apenas “cumprindo tabela”, ou, quem sabe, somente almejando um título em curso superior. Na verdade, falta reflexão por parte dos estudantes, mas também de docentes e gestores no sentido de termos clareza quanto ao que se pretende construir em cada curso e a que determinado conhecimento se destina. Com esta busca, a realização desta pesquisa procurou levar os egressos do Curso de Licenciatura em Música da UFCA a refletirem sobre sua formação e a implicação dessa em suas vidas.

Após tratar sobre a epistemologia da prática profissional e a profissionalização do ensino neste tópico, creio que faz-se necessário abordar os diferentes saberes que compõe essa epistemologia da prática profissional. Na seção seguinte tratarei um pouco sobre essa questão.