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2 Theoretical framework

2.2 Firms’ responses to a new environmental regulation

2.2.2 Type, mode and nature of firm response

2.1 PROBLEMA DE PESQUISA

Entre os anos de 2003 e 2005, durante o Curso de Pedagogia para

professores em exercício no início de escolarização (PIE), oferecido pela

Faculdade de Educação da Universidade de Brasília-UnB, em convênio com a Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal, trabalhamos como professor- formador com o portfólio como instrumento de avaliação formativa. Na ocasião, foi possível observar que o portfólio poderia ser mais que um instrumento avaliativo e tornar-se o principal eixo organizador do trabalho pedagógico no curso.

Posteriormente, em 2008 e 2009, nos cursos Gestão da Aprendizagem

Escolar (Gestar II) e Alfabetização e Linguagem (ALFA), ambos organizados pelo

Centro de Formação continuada de professores da Universidade de Brasília (CFORM/UnB) em convênio com o MEC,voltamos a trabalhar com o portfólio. Na ocasião, a equipe pedagógica do CFORM propôs a construção de um portfólio reflexivo eletrônico, inspirada na experiência desenvolvida em 2007 pela Universidade Federal de Santa Catarina. Nascia, então, o Portfólio Reflexivo Eletrônico (BLOG) como possibilidade de avaliação formativa e possível facilitador da organização do trabalho pedagógico.

Desse modo, as observações e reflexões advindas das situações de aprendizagens vivenciadas durante os referidos cursos levaram-nos ao seguinte pressuposto: a dinâmica operacional do registro sistemático das atividades desenvolvidas no portfólio reflexivo eletrônico (Blog), durante o curso, facilita a organização do trabalho pedagógico e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento de uma formação profissional mais eficiente.

2.2 JUSTIFICATIVA

A atual condição social pós-moderna, resultante do notável avanço científico e tecnológico, impõe à prática educacional um expressivo número de demandas e estas têm exigido dos educadores a constante atualização dos conhecimentos, bem como a reconstrução de suas práticas. Neste cenário, as novas tecnologias digitais - computadores ligados à internet, softwares educacionais e sites especializados-

cada vez mais ganham espaço efetivo nas salas de aula e têm sido utilizadas por muitos professores como ferramenta facilitadora da aprendizagem.

Hoje, muito se tem discutido sobre a necessidade de se formar professores capazes de refletir sobre seu próprio fazer pedagógico e o profissional reflexivo tem sido objeto de investigação de diversos pesquisadores, dentre os quais destacamos: García (1992), Schön (1992), Pérez-Gómez (1992), Alarcão (2001) e Perrenoud (2002).

Nossa atuação na formação continuada de professores tem demonstrado que nos espaços de formação são raros os casos em que os profissionais tenham o hábito de registrar sua prática pedagógica e muito menos de utilizá-la como fonte de pesquisa e reflexão. Por outro lado, observamos, sobretudo nos trabalhos bem sucedidos, que o registro de atividades em diário de bordo, relatos autobiográficos, portfólios, planos de aula e planejamentos de projeto, por alguns profissionais, levam-nos a pensar e repensar suas práticas, ressignificando-as de forma eficaz.

No cotidiano, verificamos que, por meio da internet, professores e alunos fazem uso do meio virtual como forma de relacionamento interpessoal, seja pelo

MSN (mensagem), Orkut, Facebook, Twitter ou mesmo via correio eletrônico. A

revolução tecnológica modificou a sociabilidade humana e criou novas formas de socialização em espaços cada vez mais amplos. Assim, parece-nos oportuno aproveitar este novo cenário para aproximar docentes e discentes, propondo o portfólio reflexivo eletrônico (Blog) como possibilidade de aprendizagem mútua, sistemática e contínua.

Nossa vivência como professor-formador do programa Alfabetização e

Linguagem, do CFORM/UnB, tem demonstrado que o portfólio reflexivo eletrônico

(Blog) tem sido utilizado pelos professores-cursistas como uma possibilidade de organização pedagógica capaz de explicitar concepções e práticas docentes, clarificando possíveis contradições entre a ação e o discurso pedagógico.

No referido programa, o uso do portfólio reflexivo eletrônico (Blog) é individual por parte dos professores-cursistas, mas coletivo do ponto de vista da discussão e da avaliação das aprendizagens pelos participantes do curso. Esse processo de discussão se dá de forma participativa, ora periodicamente em sala de aula, ora virtualmente à distância, durante os momentos não-presenciais. Desta forma, este processo de utilização do blog, ao mesmo tempo em que favorece o registro das produções, oferece possibilidade de reflexão entre os professores-cursitas,

favorecendo um processo de aprendizagem compartilhada, mais significativo e consequentemente de melhor qualidade.

Considerando as dimensões continentais de nosso país, o Blog tem papel estratégico na socialização e no intercâmbio de experiências entre os educadores. E por ser uma ferramenta versátil e de fácil manuseio, pode ser adotado como instrumento de registro, reflexão e organização das práticas pedagógicas, numa perspectiva multidisciplinar, possibilitando o uso de diversas linguagens – textos, imagens, fotos, slides, vídeos, áudios e hiperlinks.

Portanto, nossa hipótese investigativa é a de que a sistematização do trabalho pedagógico realizado por meio do portfólio reflexivo eletrônico (Blog) pode se configurar como importante potencializador da qualidade de ensino, pois representa uma possibilidade de complementaridade dos meios convencionais de registro escrito (relatos, resumos, resenhas) aos novos suportes tecnológicos disponíveis na internet.

2.3 OBJETIVOS

2.3.1 Objetivo Geral

 Identificar a contribuição do Portfólio Reflexivo Eletrônico (Blog) no aprimoramento profissional dos professores, no contexto da educação continuada.

2.3.2 Objetivos Específicos

 Situar dificuldades\facilidades do professor na construção do portfólio reflexivo eletrônico (Blog).

 Evidenciar o uso do Portfólio Reflexivo Eletrônico (Blog) como ação sistemática na educação continuada do professor.

 Identificar contribuições do uso do Portfólio Reflexivo Eletrônico (Blog) para o intercâmbio de saberes entre os professores.

2.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Buscar evidências de como o registro do trabalho pedagógico por meio do portfólio reflexivo eletrônico (Blog) contribui para a formação profissional dos professores, no âmbito da educação continuada, exige a utilização de métodos adequados que consigam clarificar, com veracidade, a essência da questão a ser estudada. Assim, pela natureza complexa do objeto a ser investigado, adotamos a pesquisa qualitativa. Para Minayo (2007), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes dos sujeitos envolvidos. Flick (2009) informa-nos que a pesquisa qualitativa dirige-se à análise de casos concretos em suas peculiaridades locais e temporais e partem das expressões e atividades das pessoas em seus contextos locais.

Portanto, pelas particularidades do objeto investigado, trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório. Para Barbosa (1999), a pesquisa qualitativa exploratória busca a compreensão do sentido dos atos e das decisões dos atores sociais, assim como dos vínculos das ações particulares com o contexto social mais amplo em que estas se dão, havendo uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, entre o sujeito e o objeto, entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.

A esse respeito, Gil (1999) afirma que a pesquisa exploratória tem por finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos para estudos posteriores. Dito de outra maneira, a pesquisa exploratória objetiva conhecer a variável de estudo tal como ela se apresenta, seu significado e o contexto onde esta se insere, pois pressupõe que o comportamento humano é melhor compreendido no contexto social em que ocorre. (QUEIRÓZ, 1992, p. 13)

2.4.2 Instrumentos

O instrumento utilizado nesta pesquisa para a coleta de dados foi a entrevista individual semiestruturada. Segundo Barbosa (1999), a entrevista é uma técnica de pesquisa para coleta de dados que objetiva entender os significados atribuídos pelos entrevistados a determinadas questões com base em suposições e conjecturas do pesquisador.

Também com relação à entrevista individual, Vergara (2009) nos informa que ela é utilizada quando se busca captar o dito e o não dito, os significados, os sentimentos, as reações, os gestos, o tom e o ritmo da voz e a realidade experimentada pelo entrevistado. Também sobre a entrevista, Sellitz et al. (1967, apud GIL, 1997, p. 117) nos dizem que esta “é bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem ou desejam, pretendem fazer ou fizeram, bem como acerca das suas explicações a respeito das coisas precedentes”.

Para Martins (2008), na entrevista individual semiestruturada o pesquisador busca informações, dados e opiniões por intermédio de uma conversação livre, com pouca atenção ao roteiro de perguntas. Para esse estudioso, por intermédio da entrevista semi-estrutura, o pesquisador obtém informações detalhadas sobre tema específico, a fim de levantar motivações, crenças e atitudes relativas à determinada situação ou objeto de análise.

Para a realização das entrevistas optamos pela estrutura semiestruturada, pois, conforme Vergara (2009), um roteiro cuja estrutura seja semiaberta permite inclusões, exclusões e explicações ao entrevistado quanto a alguma questão ou palavra e pode revelar não só a opinião do respondente, mas também seu nível de informação acerca do tema pesquisado. A esse respeito, Flick (2009) acredita ser mais provável que os pontos de vista dos sujeitos entrevistados sejam expressos em uma situação de entrevista com um planejamento aberto do que em uma entrevista padronizada.

Foi elaborado um roteiro para a entrevista o qual foi pré-testado com a finalidade de buscar novas informações, evitar possíveis vieses, corrigir possíveis falhas de formulação e acrescentar novas questões aos instrumentos (RICHARDSON et al.,1999).

O grupo que participou do pré-teste possuía as mesmas características dos sujeitos pesquisados.

2.4.3 Participantes

Os participantes desta investigação foram 10 dos 36 professores-cursistas do curso Alfabetização e Linguagem, oferecido pela Universidade de Brasília-UnB em

parceria com a Secretaria de Estado de Educação, no período de abril a dezembro de 2008. Esses professores-cursistas integravam as turmas A e B do pólo Ceilândia.

A seleção do grupo prende-se ao fato de que esses profissionais vivenciaram a construção do portfólio reflexivo eletrônico (Blog) como possibilidade de organização do trabalho pedagógico. Dos 36 professores-cursistas que integravam as turmas A e B, 31 lecionavam Língua Portuguesa em turmas do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental, 2 professores atuavam em turmas das Séries Iniciais, 1 era professor de Educação Física e 2 eram Orientadores Educacionais. Todos os investigados continuam atuando como professores efetivos em escolas públicas situadas na Diretoria Regional de Ensino de Ceilândia-DF.

O universo de 10 participantes foi assim distribuído: 2 são Orientadores Educacionais, 2 são professores das Séries Iniciais e 6 são professores de Língua Portuguesa em turmas do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental.Todas as entrevistas foram gravadas.

As autorizações para as entrevistas foram solicitadas a partir de contatos telefônicos, por e-mail e pessoalmente. Foram realizados agendamentos prévios para o encontro entre pesquisador e pesquisados. As entrevistas semiestruturadas foram respondidas de forma individual, em Ceilândia-DF, nos locais de trabalho dos professores.

As respostas obtidas com a entrevista foram analisadas utilizando-se a análise do conteúdo.

2.5 PROCEDIMENTOS PARA A ANÁLISE DOS DADOS

Adotamos a análise do conteúdo como a técnica a ser utilizada no tratamento dos dados desta pesquisa. Bardin (1977, apud VERGARA, 2008) define a análise do conteúdo como:

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. (BARDIN, 1977, apud VERGARA, 2008, p. 15).

Segundo Franco (2008), o ponto de partida da análise do conteúdo é a mensagem. Seja verbal, gestual, silenciosa, figurativa ou documental a mensagem expressa um significado e um sentido. Sentido que não pode ser visto como um ato

isolado. Ao contrário, esse autor defende a contextualização como um dos principais requisitos capaz de garantir a relevância dos resultados alcançados pela análise do conteúdo. Assim, com a finalidade de fornecer respostas ao problema investigado e tornar os dados válidos e significativos, realizaremos a análise de conteúdo em “três fases: (a) pré-análise; (b) exploração do material; e (c) tratamento dos dados com inferência e interpretação” (BARDIN, 1977, p. 95apud GIL, 1999, p.165).

Na pré-análise realizamos a organização, por meio da escolha e da preparação do material para análise. Na fase de exploração realizamos a codificação com o recorte e a escolha das unidades com a classificação e a definição das categorias.

O tratamento dos dados, a inferência e a interpretação possibilitaram a construção de quadros que sintetizam as informações obtidas. Com relação à produção de inferências em análise de conteúdo, Franco (2008) ressalta que a inferência permite a passagem explícita e controlada da descrição para a interpretação e garante a relevância teórica do estudo. Desse modo, a autora reitera:

Produzir inferências em análise do conteúdo tem um significado bastante explícito e pressupõe a comparação dos dados, obtidos mediante discursos e símbolos, com os pressupostos teóricos de diferentes concepções de mundo, de indivíduo e de sociedade. Situação concreta que se expressa a partir das condições da práxis de seus produtores e receptores acrescida do momento histórico/social da produção e/ou recepção. (FRANCO, 2008, p. 31).

Após a realização da análise e interpretação dos dados, retornamos à proposição da pesquisa e ao marco teórico-conceitual e identificamos os pontos de concordância e discordância existentes entre a discussão teórica e os dados obtidos.