Na tentativa de se compreender melhor a importância dos artesãos e coletores em formar associações que representem os seus interesses, foi perguntado aos entrevistados quais assuntos eram discutidos nessas organizações.
No município de Novo Acordo, 30% das respostas afirmaram total desconhecimento sobre o funcionamento das associações, já que não participam das reuniões que são promovidas; 26% responderam que discutem sobre o manejo do capim dourado. Dessa forma as associações são instrumentos importantes no sentido de conscientizar a população local em evitar ações predatórias na região; 4% mencionaram que um dos assuntos abordados recentemente é a venda da matéria prima in natura para outras regiões que, como já foi comentado, é uma prática ilegal, mas que está ocorrendo e não sabemos ainda sua real dimensão; 13% disseram que as associações organizam feiras em outras cidades com a finalidade de aumentar as vendas dos artesanatos já que, estando somente no Jalapão, o comércio fica muito restrito; 22% afirmaram que nas reuniões são discutidos os preços dos artesanatos e a comercialização dos produtos. Finalmente 4% reforçaram a importância das associações locais, pois muitos cursos de capacitação dos artesãos são oferecidos, o que aumenta a possibilidade de melhorar a qualidade das peças artesanais.
Em São Félix, apenas 7% - menor índice de todos os municípios estudados – desconheciam os assuntos discutidos na associação local; 29% afirmaram que o manejo do capim dourado é um tema recorrente, o que demonstra a preocupação com a exploração descontrolada que pode levar até ao desaparecimento da espécie. 7% comentaram sobre a venda ilegal do capim para outras regiões – o que, segundo alguns entrevistados, têm levado à falta de matéria-prima para os artesãos locais. 14% disseram que nas reuniões das associações são discutidos os preços e as vendas dos artesanatos, buscando-se uma padronização para os produtos comercializados de acordo com as peças produzidas; 7% disseram que as associações eventualmente denunciam as coletas irregulares, pois a fiscalização da região aparentemente tem sido deficitária segundo os próprios entrevistados; 14% mencionaram os cursos de capacitação que são oferecidos nas associações, excelente oportunidade para os moradores aperfeiçoarem seus trabalhos; 7%
afirmaram que não valia à pena ser associado devido à distância da sua residência em relação à associação, o que dificultava muito sua participação. 7% afirmaram que a associação procura conscientizar os artesãos em se evitar a venda para os atravessadores, que se aproveitam das necessidades imediatas das pessoas que realizam a pratica artesanal, às vezes trocando peças por comida, roupas, outros produtos e, posteriormente, vendem por um preço bem superior nas grandes cidades. Finalmente, 7% afirmaram que nas reuniões há uma preocupação em se discutir o cuidado com o fogo, com o intuito de evitar as queimadas descontroladas que vem causando sérios prejuízos quando se transformam em incêndios que destroem as áreas naturais.
Na Comunidade do Prata, 9% das respostas obtidas mostraram o desconhecimento relativo aos assuntos discutidos na associação e, portanto, não estão tendo acesso a informações importantes, sobretudo em relação às ações que visam garantir uma prática extrativista sustentável; 36% mencionaram que um dos principais assuntos discutidos é a respeito do manejo do capim dourado como forma de garantir a preservação da espécie em questão, que serve como fonte de renda para os moradores locais; 18% mencionaram que as associações são responsáveis pela organização de feiras em outras cidades para a venda dos artesanatos produzidos pela população local; 27% disseram que os produtos que são colocados à venda inicialmente têm seus preços de comercialização discutidos, evitando disparidades entre peças semelhantes. Finalmente, 9% comentaram sobre os cursos de capacitação e aperfeiçoamento que são oferecidos aos associados.
No município de mateiros, 19% desconheciam sobre os temas discutidos, alegando que não participam das reuniões; 13% mencionaram sobre a prática do manejo como sendo um dos assuntos de extrema relevância na associação; 6% disseram que os associados se mostram preocupados com a saída da matéria- prima, cuja retirada é controlada de forma ineficaz pela fiscalização, embora seja proibida; 13% confirmaram que as associações são responsáveis pela organização de feiras que ocorrem em outras cidades; 25% reforçaram que antes da comercialização dos produtos os preços são discutidos entre os associados, conforme ocorrido nos outros municípios; 6% se referiram aos cursos de capacitação que auxilia os artesãos na confecção dos artesanatos; 6% disseram que outra preocupação da associação é a de frear a ação dos atravessadores que, segundo alguns entrevistados, estão prejudicando a população local. Finalmente, 13%
comentaram que uma das reclamações dos associados é o fato da diminuição das vendas, situação evidenciada sobretudo devido à crescente concorrência.
No Povoado de Mumbuca, 13% não sabiam os assuntos discutidos na associação de artesãos por não serem associados; 13% afirmaram discutir sobre o manejo do capim dourado, que segundo os entrevistados é praticado seguindo as recomendações; 25% confirmaram que a associação é responsável pela organização de feiras onde os produtos são comercializados em outras cidades; 31% afirmaram que os preços das peças são discutidos na associação antes da sua comercialização; 6% mencionaram que atualmente há uma preocupação com a queda das vendas e estão pensando numa alternativa de minimizar isso. Uma proposta é criar uma central de vendas situada e Mateiros e a criação de um selo verde, com o intuito de acabar com os atravessadores, valorizar os artesanatos e atingir um público mais exigente, que esteja preocupado com a conservação do Cerrado. A discussão sobre a unificação dos povoados em uma central de vendas sob a administração da associação – o “Shopping” do capim dourado – foi mencionada em 1,1% das respostas. Essa resposta, juntamente com a anterior, só apareceu nesse município. Finalmente, 6% disseram que outro tema discutido é a necessidade de se controlar as queimadas.
No município de Ponte Alta, 27% desconheciam os assuntos discutidos nas associações; 33% disseram que o principal tema comentado é sobre o manejo do capim dourado, situação explicitada como sendo importante em todos os municípios estudados; 13% confirmaram que também tem se comentado sobre o comércio irregular de capim dourado para fora do Jalapão; 7% reafirmaram que os preços dos produtos são discutidos antes de sua comercialização; 7% afirmaram que a associação tem procurado denunciar as práticas irregulares e predatórias na região; e, finalmente 13% mencionaram a importância da associação no sentido de capacitar os artesãos na confecção dos artesanatos. Conforme o observado, os assuntos discutidos nas associações são reflexo de boa parte dos problemas evidenciados atualmente no Jalapão.
Na totalidade dos municípios as respostas foram distribuídas da seguinte maneira: 18,9% não estão vinculados a nenhuma delas e, portanto, podem não estar à par de questões importantes que são discutidas nas mesmas, sobretudo ao que se refere à preservação das áreas naturais do Jalapão. 24,2% mencionaram o manejo do capim dourado como sendo o principal assunto discutido nas associações que
procuram orientar os coletores de capim dourado. Contudo, alguns indivíduos se associam com o intuito de retirar a sua carteirinha de coletor e, posteriormente à colheita não aparecem mais às reuniões, conforme o relatado por alguns entrevistados; 5,3% afirmaram que há uma crescente preocupação dos associados com a saída do capim dourado para outras regiões, podendo levar à falta de matéria-prima para a população local; 11,6% confirmaram a importância das associações na organização de feiras em outras cidades na tentativa de se ampliar o mercado; 21,1% comentaram que os preços são discutidos antes da comercialização dos produtos; 2,1% afirmaram que as associações contribuem na fiscalização de práticas irregulares na medida em que são denunciados; 7,4% mencionaram a importância das associações na capacitação dos artesãos; 1,1% disseram que não valia à pena ser associado pelo fato da residência ser distante do local, dificultando a participação nas reuniões; 2,1% mostraram a preocupação das associações em frear as ações dos atravessadores que prejudicam a população local; 3,2% disseram que os associados estão reclamando sobre a diminuição das vendas dos artesanatos devido à concorrência de outras cidades; 2,1% afirmaram que as associações estão discutindo a necessidade do controle das queimadas, prática extremamente freqüente no Jalapão e que tem causado vários prejuízos ambientais. Finalmente, 1,1% mencionaram a discussão sobre a criação do “Shopping” do capim dourado, cuja administração ficaria sob o controle da associação, unificando os povoados numa central de vendas, conforme observado nos gráficos a seguir:
8.4.5) Relacionadas aos assuntos discutidos nas Associações 18,9% 24,2% 5,3% 11,6% 21,1% ,1% 7,4% 1,1% 2,1% 3,2% 2,1% 1,1%
- Desconhecem, pois não participam das reuniões - Sobre o manejo do Capim Dourado
- Sobre a saída do Capim Dourado para outras regiões - Organizam feiras
- Discutem os preços e as vendas dos produtos - Denunciam coletas irregulares
- Cursos de capacitação para os artesãos - Não vale a pena ser associado devido à distância - Não vender as peças para os atravessadores
- As pessoas têm reclamado sobre a diminuição das vendas - Controle das queimadas
- Unificar os povoados em um grande ponto de vendas sob a administração da Associação (construção de um "shopping" do Capim Dourado)
Total da Região
Legenda Município de Novo Acordo
31% 26% 4% 13% 22% 0% 4% 0%0%0%0%0% Município de Mateiros 19% 13% 6% 13% 24% 0% 6% 0% 6% 13% 0%0%
Município de São Félix
7% 30% 7% 0% 14% 7% 14% 7% 7% 0% 7% 0% Comunidade do Prata 9% 37% 0% 18% 27% 0% 9% 0%0%0%0%0% Povoado de Mumbuca 13% 13% 0% 25% 31% 0% 0% 0% 0%6% 6% 6%
Município de Ponte Alta
27% 33% 13% 0% 7% 7% 13% 0%0%0%0%0%
8.4.6 Relacionadas à interferência das Associações na comercialização dos