4 Presentasjon av analyse og funn
4.2 Foreldrene
4.2.2 Tiden under utredning og diagnostisering
muito quando contextualizadas à vida social local. Nos dois grupos de conselheiros sobressaem dois lados da infância: um, marcado pelas dificuldades em torno da escolarização e; outro, onde essa realidade é mais amena.
Em Castanhal, para parte dos entrevistados, a infância e adolescência revelam um período de instabilidade, da passagem de um modo de vida tipicamente rural para uma vida urbana na qual as histórias de vida evidenciam a escolarização como valor mais importante, aspecto em Novo Hamburgo mais atenuado ou pelo menos não verbalizado, posto que parte dos seus conselheiros tem suas origens marcadas pelas atividades agrícolas e/ou operária.
Para a maior parte dos entrevistados de Castanhal, essa fase da vida é tida como um período de dificuldades como referem os termos “vida difícil”, “dura”, “não foi das piores”, “trabalhou muito cedo”, no qual os obstáculos para a escolarização estavam associados aos apuros socioeconômicos e à contingencia do trabalho, na maior parte das vezes em atividades agrícolas de base familiar. Sobressaem nesse contexto como principais óbices à frequência escolar, a distância geográfica do ambiente escolar e o trabalho assalariado, abreviando suas trajetórias escolares. Alguns, literalmente, afastaram-se de suas casas em direção à cidade conciliando estudo, trabalho e moradia na casa de parentes, estratégia socioeconômica recorrente nos municípios da região bragantina
Outros conselheiros referem a infância como “boa, muito boa, normal tranquila, maravilhosa”. Aspecto curioso neste grupo é que, para alguns sem melhores condições socioeconômicas, mas que declararam ter uma infância boa, as circunstancias da escolarização, embora às vezes longe da família, foram supridas. Em outros casos, o processo de escolarização está relacionado à presença de escolarização por parte dos pais (mãe, pai ou os dois juntos) ou de proteção social de outra família; de condição socioeconômica e maior escolarização associados; à residência em ambiente urbano ou às suas proximidades e, ainda; do deliberado esforço (objetivo) da família para a educação dos filhos.
Os conselheiros de Novo Hamburgo declararam ter tido uma infância feliz, em contraste à maior parte dos casos de Castanhal, recordam-se desse tempo citando situações prosaicas do cotidiano onde predominam episódios de brincadeiras diversas (pipa, correria nas ruas e quintais, bicicleta, amizades, muito protagonismo na infância) entremeados por depoimentos dos arranjos familiares para a manutenção dos filhos. Em algumas situações
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quando busquei detalhamento sobre esse período, os indícios de tensão dos entrevistados me levaram a concluir que, neste aspecto também houve certa discrição em relatar sobre esse período da vida, atitude marcada pela tentativa de justificar essas mesmas situações como positivas. Pessoalmente esse silencio tenha sido uma estratégia ou mecanismo de proteção de suas individualidades e histórias familiares, posto que por outros assuntos da entrevista foi possível identificar dificuldades socioeconômicas nas trajetórias individuais e familiares.
Alguns depoimentos evidenciam uma percepção diferenciada quanto a realidade escolar da rede pública estatal municipal e da rede privada, aliás o estudo em escolas particulares confessionais “maristas” se revelou como um valor importante. É o que comenta certo informante ao declarar sobre sua trajetória estudantil.
Ter estudado em escola particular me abriu um outro mundo que eu talvez eu não tivesse tido numa escola pública. Me deparei na escola particular com um mundo que não era o meu, desde o uniforme ao material escolar (...) foi sofrido, foi, mas eu nunca baixei a cabeça pra isso, eu nunca deixei que isso me atingisse (...). (Conselheiro 03/Novo Hamburgo).
Outro se adiantou em dizer que “estudou a vida inteira com bolsa de estudos” revelando que efetivamente haviam certas dificuldades socioeconômicas, as quais na época refletiam na vida escolar. Há também quem acrescente a qualidade “muito tranquila”, mas admitindo que não foi “um aluno excelente”, foi “um aluno médio”. Essas contradições envoltas na forma reservada do depoimento bem estruturado parecem dissimular certa preocupação com o meio social ao qual faz parte e, do que eu poderia concluir.
A discrição foi uma característica de quase todos os entrevistados de Novo Hamburgo. Pude apurar que conforme a vinculação dos conselheiros com o executivo é mais distante, maior é sua disponibilidade de falar de si e de emitir opiniões. Essa sobriedade, embora esteja latente em todos os depoimentos sob a forma de gestos, formalidades, e outros sinais, pode ser evidenciada pela comum indagação de como tive acesso a ele ou de quem havia fornecido seus contatos, bem como pelas recomendações sobre o uso do conteúdo das entrevistas.
Embora alguns informantes tenham emitido suas opiniões de maneira bem clara e livre sobre o CME e o governo local, também expuseram suas preocupações em relação ao uso que delas poderia ser feito. Em alguns casos essa recusa tomou proporções desmedidas pela ocorrência de evasivas e termos que, pela repetição tornaram-se clichê na fala dos entrevistados, evidenciando uma atitude meramente contingencial à entrevist a.
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Em suma o aspecto mais marcante desse contato visando informações de si e do contexto político foi marcado pelo silêncio dos conselheiros de Novo Hamburgo e a espontaneidade dos conselheiros de Castanhal, duas características presentes em todo o trabalho.
Como não pude deixar de notar, família, vida produtiva e religião, são aspectos dinâmicos da vida dos conselheiros entrevistados que estão intimamente relacionados no momento em que se toma informações sobre o trabalho nos/dos conselheiros/CME’s. Este perfil exibe o casamento como traço de quase todos os membros, com filhos, e idades oscilando entre 23 a 74 anos. Invariavelmente a origem étnica e cultural está relacionada ao povo da região nordeste e norte. Tanto em Castanhal como em Novo Hamburgo entre os ascendentes familiares dos conselheiros é comum a presença de famílias com no máximo 11 e 8 componentes respectivamente, não sendo essa realidade a dos conselheiros, os quais tem tido no máximo 3 filhos, com exceção de dois entrevistados de Castanhal com idade superior a 60 anos, (61 e 74 anos) que tiveram 7 e 5 filhos. Em Castanhal essa mudança está visivelmente relacionada ao comum ciclo rural-urbano vivenciado, processo que em Novo Hamburgo tem sido menos marcante, uma vez que o contato com atividades produtivas de tipo industrial e a inserção no mercado de bens e serviços são mais comuns, portanto, implicando numa configuração familiar mais nuclear.
Em Novo Hamburgo o casamento é uma realidade para todos os conselheiros e a ocupação profissional dos cônjuges repousa no desempenho de ofícios variados como: elétrica de automóveis, representação comercial de couro, fabricação de lareiras e, motorista. Seus primeiros empregos revelam certa integração e continuidade a partir dos espaços onde realizaram sua formação escolar/acadêmica sendo comum a recorrência do estágio ou voluntariado nas instituições de ensino por onde passaram e, nas quais, alguns realizaram sua ascensão profissional. Nesse caso, o exercício como professora leiga, os estágios em atividades relacionadas à pedagogia bem como o desempenho de funções técnicas são comuns entre os conselheiros de Novo Hamburgo, aspectos mais diversificados em Castanhal.
Como em Novo Hamburgo, em Castanhal na quase totalidade dos entrevistados, os conselheiros pertencem ao quadro funcional público municipal exercendo funções variadas na área da educação. Admitidos por concurso público, desenvolvem a carreira do magistério em associação com funções administrativas e técnicas outras nos diversos setores vinculados às secretarias municipais e/ou estaduais locais ou em demais instituições. Direção de escola,
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coordenação pedagógica, cargos de confiança, magistério em escolas particulares, empresariamento de pequeno porte, técnicos em planejamento, secretários de governo, gestores de programas de EJA, aposentados, inspeção escolar, docência de ensino superior, são funções desses conselheiros.
Em Castanhal, os conselheiros têm gradativamente buscado na formação acadêmica oportunidades para sua ascensão profissional, aspecto menos evidente em Novo Hamburgo onde as atenções estão intimamente relacionadas ao trabalho que desenvolvem. É provável que essas expectativas estejam relacionadas ao caráter que a formação superior tem assumido nos dois municípios, pois em contraste com a formação superior pública e gratuita de Castanhal e da zona Bragantina como um todo onde a presença da universidade pública estatal federal local está implantada num sistema multicampi, a educação no Vale dos Sinos é predominantemente privada e/ou confessional demandando nesse sentido maiores esforços para sua aquisição.
Essas características demandam perspectivas diversas das pessoas em relação às expectativas que nutrem com a escolarização, o trabalho que realizam e do seu envolvimento político.