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4   Presentasjon  av  analyse  og  funn

4.1   Fagfolk

4.1.2   Møte  med  foreldre

Castanhal e Novo Hamburgo, embora situando-se em extremidades geográficas, são municípios, resguardadas as proporções, que distam quase à mesma medida de suas capitais estaduais Porto Alegre-RS (41,8 km) e Belém-PA (74,5 Km), ligando-se por via rodoviária. Oscilando entre 173,149 e 238,940 mil habitantes respectivamente, é evidente o histórico papel do Estado e de suas políticas na sua conformação econômica e social, resultado de um conjunto de ações de seus governos, das quais destaca-se o esforço de integração das economias de seus hinterlands às das suas capitais.

De acordo com dados do IBGE de 2010, Castanhal apresenta um território cerca de 4 vezes maior (1028,888 km²) do que Novo Hamburgo (223,822²), com um PIB de 7.003,12$ e 17.262,16$ respectivamente. Essa vantagem econômica de Novo Hamburgo pode ser compreendida pelos níveis da industrialização calçadista, o que lhe permite presença no mercado internacional. Já a economia de Castanhal gira em torno da agricultura, fruticultura e de um setor industrial diversificado, porém em formação.

Como esperado, trajetórias familiares dos conselheiros manifestas a partir de suas falas seguem as feições da dinâmica do desenvolvimento regional, as quais caracterizam duas peculiaridades locais: o traço produtivo agrícola e manufatureiro das duas regiões estudadas. Esses perfis, não só tem orientado os rumos das suas economias como também certo comportamento de seus moradores, realidade que este estudo tenta registrar a partir da importância ideológica que assumem nas suas experiências vividas.

Pelos traços dos ascendentes familiares identificados nos depoimentos e referências históricas locais, encontrei em Castanhal uma ascendência étnica de agricultores provenientes do nordeste do país, o que coincide com o processo de imigração de estados nordestinos para a zona Bragantina, mais especificamente nos limites do que hoje se conforma como município. O serviço na agricultura ou o exercício da pequena produção rural, o funcionalismo público, a prática de vendas, ou de prestação de serviços em pequenas indústrias de beneficiamento de produtos agrícolas como o arroz, à época, foram características próprias ao setor produtivo primário local em formação que os pais e familiares dos conselheiros desenvolviam. Destacaram-se ainda profissões e ofícios como: sapateiro, braçal, motorista, alfaiate, barbeiro e autônomo.

Em Novo Hamburgo as atividades produtivas caracterizam uma economia de serviços oscilando em torno do setor secundário industrial calçadista. Motorista de taxis e empresas,

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atividade em setor administrativo, policiamento, marcenaria, metalurgia e curtumaria, são as atividades mais comuns entre os ascendentes familiares dos conselheiros. A manufatura do calçado iniciada nos anos 1920 pela fixação de fabricantes de artefatos de couro e da ação de empresas calçadistas tem relação com o processo de colonização alemã do Rio Grande do Sul, mais exatamente da região do Vale do Sinos, ocupada por imigrantes vindos de Hamburgo na Europa e que chegaram ao Brasil em 1824, consequência da política de ocupação territorial promovida na época imperial brasileira.

É dessa parte do estado e desta população que estou a me referir, pois embora as primeiras povoações de imigrantes açorianos na região datem do século XVIII, é com a presença dos alemães que a Região do Sinos se torna um centro industrial de referência no ramo calçadista, “Capital Nacional do Calçado” como atualmente se reconhece o município, embora essa tenha sido uma atividade comum nas demais colônias da região. Um dos conselheiros explicou que os imigrantes alemães que vieram para a região “trouxeram a profissão no nome”, ou seja, eram famílias que tinham tradição em vários ofícios, como se pode apurar dos sobrenomes: Schneider, Smith, Daut entre outros. Como se pode observar essa já é uma característica pela qual se pode compreender como o perfil cultural dos habitantes de Novo Hamburgo influenciou a economia local.

Estes dois ciclos produtivos tiveram em comum, como muitos outros país afora, a implantação de ferrovias como base para o escoamento de sua produção regional integrando seus hinterlands às suas capitais Belém e Porto Alegre. Para Castanhal, a ferrovia foi fundamental para o fortalecimento da cidade como entreposto comercial de mercadorias e passageiros e da relação com as demais localidades da região bragantina. Essa importância tem sido caracterizada atualmente pela estilização do imaginário local a partir dos logradouros públicos, bibliotecas, produção em mídia (blogs, sites, etc.) e, por um anual calendário de festas religiosas e culturais, bem como produção científica e literária sobre esse período.

De igual modo o complexo férreo que ligava Porto Alegre à região do Sinos também teve sua importância. Leopoldo Petry, historiador local, argumenta, inclusive, que Novo Hamburgo só existe por causa desse empreendimento, uma vez que seu término se situava antes da área urbanizada de Hamburger-Berg, tornando possível seu surgimento. Neste caso em especial, o imaginário lembra menos a estrada de ferro e mais o período da produção calçadista, a qual, ainda hoje, é responsável por parte da atual receita municipal. É a partir do reconhecimento dessa atividade como identidade local que muitos eventos culturais e sociais

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se realizam, o comércio se organiza e a história de seus habitantes originais, seja no passado ou no presente, se deparam.

Para quem anda por Hamburgo Velho, antigo distrito e, agora bairro, se defronta com uma quantidade de casas comerciais que tem no couro de tipos variados base de suas mercadorias de venda, das quais se destacam o calçado, artigos de vestuário diversos bem como uma infinidade de outros produtos manufaturados, podendo ser adquiridos tanto em modernas lojas sediadas nos bairros centrais/comerciais e/ou em estabelecimentos produtivos de base familiar localizados em bairros periféricos. Esta paisagem sem dúvida se distancia dos tempos áureos da industrialização calçadista, o qual inicia em 1900 até a emancipação de Novo Hamburgo em 1927 e, estende-se até hoje (PETRY, 1959, p. 06), continuando presente na memória de seus moradores, principalmente daqueles que se encarregam ou se atribuem a responsabilidade política desta municipalidade.

Dessa paisagem, destacam-se não só logradouros históricos destinados à preservação da história local, edificações antigas que sediavam a produção, um calendário de atividades cerimoniais alusivas ao processo da colonização alemã, mas estratégias de organização social como sindicatos, cooperativas, grêmios de funcionários entre outras formas de organização social e produtivas ainda em curso, características a partir das quais se pode concluir sobre as dimensões do contingente de pessoas e famílias que se ambientaram à atividade operária ou similar da produção calçadista.

Atualmente, embora a economia regional tenha se diversificado, o setor coureiro- calçadista permanece para além da lembrança dos seus habitantes originais como importante segmento que se reinventa, seja como atividade estruturante economicamente ou identidade do município, influenciando comportamentos e práticas sociais e políticas.

Castanhal, de igual modo, apresenta como elemento identitário se reconhecer como “município modelo”, ideia presente desde os portais da cidade até às propagandas políticas em tempos de eleição, realizadas tanto pelos que politicamente se dizem “à esquerda ou a direita”. Está também manifesto na memória local, no reconhecimento das instituições de ensino, religiosas e culturais. Aliás, das personalidades históricas que se destacam, padres, militares e comerciantes locais são os tipos comuns. Esse sentimento é presente também entre os conselheiros, quando se referem às prestigiadas escolas da cidade, tanto as estatais como as religiosas confessionais/comunitárias.

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Sem sombra de dúvida essa memória de um passado de importantes acontecimentos relativos ao desenvolvimento local permanece como moldura do presente e das promessas do futuro, muitas vezes insuspeitas para o morador local.

Embora a origem étnica dos Castanhalenses seja mencionada pelos conselheiros, longe está da importância que assume para os conselheiros em Novo Hamburgo. Em Castanhal a origem dos conselheiros funda-se num passado remoto e comum da promissora região bragantina bem como do surgimento da cidade, onde esses conselheiros vivem sua infância e adolescência e, na fase adulta, se realizam profissionalmente.

Em Castanhal predominou a migração inter-regional e interna dos ascendentes familiares, com procedências dos estados da região nordeste e norte do Brasil, como: Ceará, Bahia e Pernambuco, Boa Viagem e Quixadá. Dos estados do Amazonas e do Pará: Parintins as localidades de origem mencionadas incluem: São Francisco do Pará, Igarapé Acú, Belém, Santa Isabel, Capitão Poço, Santarém, Benevides, Quatipuru, Peixe Boi, Bujaru, Capanema, Moju, Ourém, Soure, Monte Alegre, Terra Alta, Americano e, de Castanhal, estes últimos localizados na região bragantina ou adjacências, da quais foi possível encontrar conselheiros com distante origem étnica, espanhola, portuguesa e síria.

Em Novo Hamburgo a origem étnica tem predominância alemã sobre a italiana, espanhola e portuguesa e é marcada por processo de migração internacional, sendo possível identificar filiações marcadas pela união entre alemães-espanhóis, italianos-alemães, alemães- alemães. Há conselheiros que vivenciaram processos de migração interna de municípios próximos como: Serafina Correa, Nova Prata, Bom Jesus, Taquari, Sapiranga, São José do Herval, Taquara e São Sebastião do Caí. Outras, embora tenham um dos pais com procedência de regiões mais afastadas, de fronteira, como Uruguaiana, um dos cônjuges é de regiões próximas (Dois Irmãos - Boa Vista do Herval, hoje município). A maioria dos conselheiros declara ter nascido e sido criada em Novo Hamburgo, sendo Veranópolis na Serra Gaúcha e São Borja na fronteira com a Argentina, localidades da infância ou adolescência de alguns conselheiros que, posteriormente, migraram para cidades próximas e, depois e/ou diretamente, para Novo Hamburgo.

Esse movimento migratório para a maioria dos conselheiros constitui trajetória familiar marcada pela progressiva estabilidade social e profissional, a qual caracteriza uma adaptação a um modo de vida diferenciado de seus ascendentes étnicos.

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3.3.2 Infância e adolescência: entre a “vida dura e difícil” e a “vida boa e maravilhosa”