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4   Presentasjon  av  analyse  og  funn

4.2   Foreldrene

4.2.3   Tiden  i  etterkant

As características das trajetórias de escolarização desses conselheiros também se diferenciam nos dois municípios assumindo sentidos bem particulares. Em Castanhal, embora a situação profissional presente destaque o exercício na função de secretários de governo, técnicos em educação e na docência, em alguns casos, seus primeiros empregos e/ou ocupações revelam funções outras, como: operariado, funções de apoio em limpeza, sindicalismo e feirante, sendo que o início da carreira escolar, em um caso, inicia-se aos 20 anos, o qual, curiosamente se destacando como liderança política e exercido cargos de secretaria do governo municipal.

Outra característica dessas trajetórias escolares em Castanhal é a evidencia do ensino supletivo nas trajetórias escolares antes do ensino superior. Esta performance indica que, embora a educação figure num quadro de dificuldades socioeconômicas, lhes permitiu operar certa mobilidade social, constatação que permite compreender a elevada importância que

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conferem à escolarização, não só pela estabilidade econômica, mas também pelo real status social associado.

Em Novo Hamburgo entre as funções profissionais dos conselheiros destacam-se o desempenho de cargos e funções como, coordenação no âmbito na secretaria de educação do governo local, atividade docente na rede municipal publica estatal e particular, docência no ensino superior, direção de escolas e o exercício do empresariado de pequeno porte. Alguns conselheiros também relatam o exercício de atividades produtivas anteriores no setor privado da economia, na produção calçadista, na atividade do magistério leigo e estágios profissionalizantes.

Outro destaque dos conselheiros entrevistados é a presença de escolas confessionais e religiosas em suas trajetórias estudantis. Em Castanhal essas mesmas escolas figuram junto a outras escolas públicas estatais como “escolas de boa qualidade”, as quais gozam de importante reputação na sociedade local. É importante destacar que, a permanência nas primeiras implica em gastos financeiros e, nas públicas, a concorrência a vagas à época, era um traço distintivos em relação às demais.

As atividades femininas relativas aos ascendentes familiares, tanto de Castanhal como de NH, foram referidas predominantemente como “do lar”. Essa expressão indica uma compreensão dissociada de equivalente produtivo, resultado da predominância de um tipo de divisão social do trabalho, no qual o trabalho da mulher exerce um papel complementar nas ocupações tidas como masculinas.

Costureira, vendedora de cosméticos, professora, enfermeira, doméstica, figuram como atividades tipicamente femininas dos ascendentes familiares entendidas como “do lar”, como referem os conselheiros à ocupação das mães, embora tenha se admitido certas mulheres terem responsabilidade em atividades e/ou serviços demandados pela indústria calçadista realizados em casa. Certos conselheiros relatam o exercício produtivo das mães em atividades bancárias e em escritórios, mas que, após o casamento, foram abandonadas em troca do “cuidado da casa” e da “criação dos filhos”. Essa compreensão foi acionada pela observação, entre os próprios conselheiros, de um caso em que uma das mães foi descrita no exercício produtivo como “fora do lar”, “a mãe foi do lar até o momento em que o pai ficou doente. Houve uma inversão de papeis: a mãe começou a trabalhar fora e o pai em casa” (Conselheiro 03/Novo Hamburgo). Esta situação evidencia o casamento como instituição bastante reconhecida e na qual a ordem dos papéis dos cônjuges é definida com base no papel

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masculino, o que é corroborado em um caso em que, após o casamento, a mãe, evangélica, passou a “acompanhar” o marido na religião católica.

Em Castanhal, a percepção dessa compreensão se deu principalmente pelo fato da atividade feminina não aparecer quando se indagou acerca da atividade produtiva dos pais, eventualmente identificada como “dona de casa” ou “do lar”. Contudo, duas evidências do trabalho feminino emergiram: professora e enfermeira, mas apenas a atividade de enfermagem foi acompanhada de comentários sobre sua importância para a manutenção familiar, o que revela uma associação ao magistério, ou seja, embora com certo equivalente produtivo, é tida como atividade tipicamente feminina. Neste caso, a invisibilidade do trabalho feminino em Castanhal, pode ser compreendida pelo papel complementar que ocupa no mundo rural, uma vez que a quase totalidade dos ascendentes familiares é proveniente de áreas rurais onde a mão de obra masculina assume maior importância produtiva, compreensão que foi transportada para a vida urbana. Em Novo Hamburgo, a atividade do magistério foi citada como exercida pela mãe ou avó sem restrição de comentário, o que indica, no contexto de limitada aceitação da mulher na vida produtiva da época, aprovação do seu exercício.

Atualmente essa realidade parece ter mudado nas famílias dos conselheiros, pois parte dos cônjuges realizam atividades de igual ou menor importância produtiva, o que pode ser compreendido pelas mudanças que o magistério tem assumido nos tempos atuais, o qual, em meio à escassez de trabalho estável, tem se demonstrado uma alternativa no conjunto das economias dos municípios estudados.

Nos dois Municípios, como foi evidenciado, a formação de professores era realizada em estabelecimentos religiosos femininos. Em Castanhal, como relata antiga gestora municipal, foi com este contingente que muito se fez em termos de educação pública na região, uma vez que essas professoras com formação de magistério eram absorvidas pelo próprio Estado. Situação similar ocorre em Novo Hamburgo, onde relatos indicam a ação dessas instituições na formação de professores, como diz uma das conselheiras. “Me formei em Magistério (...) em 73 (...) na escola de irmãs, escola Santa Catarina. Era a única escola que tinha magistério. Depois a fundação Evangélica também teve Magistério, mas um tempo depois né, e eu me formei no Santa Catarina”. (Conselheiro 11, Novo Hamburgo). Essa realidade do magistério pode ser interpretada como sinais da histórica relação entre o Estado brasileiro, a Igreja Católica Apostólica Romana e as oligarquias estabelecidas (MANOEL,

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1996)16, de onde emergiram ideologias que associam o ofício do magistério como atividade

feminina, a qual tem se refletido nos CME’s estudados pela presença feminina na maioria das vagas de representação.