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The BuddySync specification for the refinement testing

The ‘Escalator’ tool

Chapter 15 Case study

15.3 Refinement testing

15.3.2 The BuddySync specification for the refinement testing

Para a maioria dos professores que termina a sua formação inicial, e que faz a sua integração na vida activa, os métodos pedagógicos aprendidos durante a formação inicial têm pouca relação com os princípios que se supõem que os docentes devem aplicar no exercício da sua profissão. Dá-se maior importância à formação puramente académica em vez de favorecer a observação e as práticas inovadoras; dá-se prioridade à formação individual em detrimento do trabalho em equipa e acentuam-se os aspectos puramente cognitivos em detrimento dos afectivos.

Para ensinarmos algo a um aluno, devemos conhecê-lo primeiro. É normal que o procure fazer em todas as suas dimensões, começando pela vivência familiar.

De facto, o que acontece em casa influencia o comportamento do aluno na escola, assim como o que acontece na escola influencia o comportamento em casa. É necessário que professores e pais dialoguem e partilhem, para que haja uma maior compreensão da criança.

Muitas vezes verificamos que a escola e a família se criticam mutuamente por falta de conhecimento. Os professores têm em grande parte na sua mão, a possibilidade de estabelecer pontes que liguem a escola à casa do aluno.

Num estudo realizado por Allam (2003) os resultados indicam que os docentes defendem a participação dos pais nas actividades lectivas e não lectivas, mas dão indicações de que essa participação não deve ultrapassar o apoio nos trabalhos de casa e a ida às reuniões trimestrais, sob pena de se tornar uma intromissão. Estes resultados permitem-nos reforçar a ideia de que os professores ainda não estão preparados para aceitarem o envolvimento dos pais na escola. A expressão “tornar-se uma intromissão” é bastante significativa desse facto.

O sucesso académico das crianças e o seu desenvolvimento, passa pelo trabalho realizado em parceria entre escola/família e que nós, professores, devemos encorajar. Para que seja um trabalho bem conseguido, devemos fomentar as intervenções que melhor poderão

aproximar a escola das famílias e promover o envolvimento destas no processo educativo e na vida das escolas.

As iniciativas têm de partir de alguém e, por isso mesmo, pensamos ser importantíssima a colaboração escola/família, uma vez que juntos nos empenhamos na melhor formação pessoal e social da criança.

Numerosos estudos, dos quais destacamos (Pereira, 2003) foram já desenvolvidos em torno da problemática da relação escola-família, tendo como base, quer o ponto de vista das famílias, o que fazem por si só, em benefício dos filhos, quer sob o ponto de vista dos professores e a sua prática, no sentido de um envolvimento maior das famílias na vida da escola.

Se durante muito tempo a cooperação entre a escola e as famílias era praticamente inexistente, a pertinência e a necessidade desta relação tornou-se, hoje, uma ideia relativamente consensual, quer no plano de produção científica quer das políticas educativas, traduzindo-se em modalidades de formação que levaram a um reequacionamento da relação e a uma redefinição de papéis das partes envolvidas - pais e professores.

As percepções que os professores e os pais têm das relações que se estabelecem entre a escola e a família desencadeiam atitudes mais ou menos cooperativas que determinam o rumo das comunicações.

No entanto, este processo pode não estar ou nem sempre está dependente da relação Escola/Família. Os distúrbios, perturbações, problemas ou dificuldades no processo de ensino-aprendizagem são atribuídas não só à escola e família mas também à criança e ao meio que a rodeia. É importante que estas situações sejam diagnosticadas e tratadas de forma adequada e o mais cedo possível para resolver ou minimizar os problemas/dificuldades que daí possam advir quer para o indivíduo quer para a sociedade (Caracóis, 2001).

Em toda esta problemática não podemos deixar de falar na dificuldade que todos os agentes educativos têm de comunicar entre si. A escola tem uma grande responsabilidade em promover uma comunicação eficaz entre as famílias, as crianças e os professores, sendo a comunicação um factor essencial para a sua sobrevivência e desenvolvimento. Que estratégias podem ajudar o professor a melhorar a forma como comunica com as famílias?

Cabe aos docentes criar empatia, fazendo um esforço para criar uma relação de confiança, utilizar uma linguagem clara, acessível e cuidada, para que a comunicação seja fluida.

É muito importante que os pais/encarregados de educação estejam informados de tudo o que se passa no dia-a-dia, pois num mundo cheio de mudanças, onde tudo o que hoje é verdade absoluta, amanhã não passa de uma, entre mil hipóteses, é fundamental que todos sintam estabilidade e solidez no ensino praticado na escola.

As relações de confiança que se estabelecem e as opiniões favoráveis que se formam acerca da escola, são o resultado de diversas formas de comunicação que atingem os públicos de diferentes formas e simultaneamente lhes permitem expressar juízos de valor.

As escolas necessitam de promover uma comunicação eficaz com os seus encarregados de educação, alunos, docentes e não docentes e todos os outros agentes educativos. Estas devem informar os pais e alunos acerca dos seus projectos, actividades e ofertas, despertando o seu interesse e participação activa. Todos beneficiarão com esta nova forma de encarar a escola um espaço onde todos podem construir e participar.

O estreitamento da relação escola-família provoca um melhor conhecimento mútuo, contribuindo também para eliminar barreiras, aliviar tensões e reduzir resistências, tornando assim o clima da escola aberto e amistoso.

Participando na escola, os pais compreenderão melhor os educadores, o porquê das suas atitudes e métodos de ensino-aprendizagem bem como poderão conhecer melhor as necessidades reais da escola.

A escola tem que ser sincera, transparente, crítica em relação a si própria, no sentido do seu melhoramento, ouvinte em relação a críticas exteriores, no sentido de ir ao encontro de colmatar o que não corre bem.

Um dos problemas com que nos defrontamos quando tentamos generalizar o envolvimento da família nas escolas é a falta de informação e conhecimento de muitos professores acerca desta matéria.

Conforme defende Shulman (1986a), os investigadores em educação têm como tarefa compreender os fenómenos a ela inerentes, aprender como melhorar a sua implementação e descobrir melhores e mais adequadas formas para preparar e formar educadores e professores. O conhecimento sobre a formação inicial de educadores e de professores do 1º ciclo do ensino básico permitirá ao formador contribuir para melhorar e torná-la mais adequada. A formação inicial poderá ser um período de formação privilegiado, contribuindo favoravelmente para o desenvolvimento de actividades e experiências que contribuíam para um melhor conhecimento profissional e pessoal.