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Introduction to testing

Vários autores (Harry, 1992; Heath, 1992b;) têm verificado que a iniciativa de aproximação à família e à comunidade deve caber à escola por esta estar em melhor posição para o fazer. A esse respeito, Epstein (1990b; 1991; 1994; 1997) alerta para o facto de que, se pretendemos que os pais se envolvam na aprendizagem dos filhos, então, os professores ou

outros educadores devem desenvolver estratégias para comunicar efectivamente com os pais, condição necessária para qualquer programa de envolvimento parental.

Mesmo os próprios pais que colaboram com os professores e se envolvem em várias actividades reconhecem que não estariam a trabalhar na escola se não fossem os esforços que os professores e que o director da escola fazem nesse sentido. No entanto, o que se verifica é que muitas escolas não sabem como fazê-lo, conforme reconhece Epstein (1995, p.703) : “ Just about all teachers and administrators would like to involve families, but many do not know how to go about it”.

Quando as comunicações do professor são personalizadas, feitas de forma consistente e centralizadas sobre os vários aspectos relacionados com o ensino contribuem decisivamente para o interesse dos envolvimentos parentais, e também se sabe que os pais que se envolvem mais nas actividades de aprendizagem acreditam que podem ter uma influência positiva no aproveitamento da criança, como nos diz Almeida (2000). A partir dos estudos realizados, esta autora, conclui que estes resultados, por um lado, parecem ter um efeito duradouro na forma como os pais encaram a educação dos filhos e conclui, também, que são níveis educacionais mais baixos e cujo envolvimento é considerado mais problemático, aqueles em que se verifica os efeitos mais fortes da comunicação do professor no aumento do envolvimento, e, por outro lado, não podemos deixar de ter em conta a variabilidade do envolvimento parental.

Estudos anteriores Lareau (1996), têm sugerido que o envolvimento está relacionado com a classe social e com o nível educacional dos pais. Aqueles que têm menos anos de escolaridade envolvem-se menos, apesar de não atribuírem menor valor à educação”. Para os pais, e no entender de Conner (1990) é importante que eles se sintam bem recebidos na escola e pela escola.

Para além de ser necessário que a escola tome a iniciativa de fomentar o envolvimento de todas as famílias, também é necessário, então, utilizar outras estratégias de aproximação entre a escola e a família. Para Seeley (1989) o interesse renovado pela família, pelo bairro, pela comunidade e por outras estruturas de mediação é significativo, em primeiro lugar, por reflectir a crescente consciencialização da importância dos grupos de dimensão humana (“people-sized groups”). Para esta autora, as visitas domiciliárias constituem uma forma prometedora de promover a colaboração e estabelecer parcerias duradouras entre a escola e a família, sobretudo quando se trata de famílias em risco.

Segundo Espada (2004), diversos factores inter-relacionáveis presentes nas sociedades afectaram as escolhas dos indivíduos em termos de casamento e família. O controle da natalidade, a revolução sexual, um contexto cultural mais permissivo relativamente a comportamentos sexuais pessoais, a banalização do divórcio como solução para conflitos entre conjugues, a afirmação da mulher no mercado de trabalho e na sociedade e, também a influência das políticas públicas são todos factores complexos que se movimentam no xadrez de uma alteração significativa da estrutura familiar.

As correlações entre a estrutura familiar e o bem-estar das crianças têm sido alvos de uma intensa investigação nos Estados Unidos da América ao longo da última década. As características da estrutura familiar, o número de adultos presente no lar, a educação dos pais, a actividade laboral dos progenitores são tudo factores geralmente conhecidos por “capital humano”, que influenciam o comportamento, o bem-estar, a saúde e os resultados futuros das crianças.

O “capital humano” dos pais não só influencia a qualidade da sua relação, mas também afecta o tipo de educação e a relação parental com filhos. Os pais que dispõem de um elevado capital humano tendem a estar mais envolvidos na educação dos filhos. A investigação realizada por Espada et.al. (2004), demonstrou que as crianças oriundas de famílias biparentais incorrem em menos factores de risco do que as crianças oriundas de famílias monoparentais. Os indicadores de bem-estar infantil associados ao divórcio e ao estatuto de monoparentalidade (single parents status) incluem piores resultados académicos (repetição de anos escolares, notas baixas, problemas disciplinares); aumento das probabilidades de desistência e não finalização dos estudos secundários; aumento das probabilidades de maternidade precoce; aumento dos níveis de ansiedade, depressão e agressividade. As crianças que apresentam maiores riscos são aquelas cujas progenitoras são mães solteiras, tendo os recursos sociais, financeiros e emocionais disponíveis nesse núcleo familiar tendência a serem muito limitados.

A escola deve oferecer uma maior variedade de modalidades de envolvimento parental, uma vez que a participação de algumas famílias se adequará melhor a um tipo ou outro de modalidade. Sabendo-se que a maioria dos programas de envolvimento das famílias é mais acessível aos pais da classe média, é necessário ir ao encontro de estratégias que facilitem a participação de famílias pertencentes a classes sócio-económica baixas.

A família deverá favorecer um bom ambiente familiar e assegurar as condições básicas da vida humana (saúde, alimentação, vestuário, habitação, afecto, segurança e conforto), que

são também as condições básicas para que a aprendizagem e o desenvolvimento humano se processem. A criança não pode aprender sem suficientes horas de sono, espaço para estudar e regras de comportamento.

Quando a família não consegue cumprir estas obrigações básicas, a escola deverá accionar os mecanismos de acção social e juntamente com estes ajudar a família a construir os seus próprios recursos.

De acordo com a literatura revista a relação Escola-Família na vida escolar das crianças é de extrema importância. Não se pode desistir, e a procura de novas soluções e respostas deve continuar mas de uma forma integradora e global, que permita a continuidade entre as escolas, os valores e as culturas das famílias.

Davies (2002) refere que as evidências sobre as ligações entre o envolvimento parental e a melhoria da escola é encorajadora, e aparentemente existe uma maior aceitação, daquilo que é tipicamente chamado “parceria escola-família-comunidade”, com um consequente aumento de práticas ligadas à parceria em distritos escolares locais e em escolas. A adopção da rede de parcerias de Joyce Epstein em muitas escolas dos Estados Unidos é prova disso.

No entanto, e ainda para o autor atrás referido, verifica-se que as formas de envolvimento já tentadas: “uma sessão plenária de abertura do ano lectivo, uma ou duas breves reuniões de pais por ano, alguns pais assistirem a realizações e a eventos desportivos dos alunos, alguns professores a chamarem os pais quando uma criança se porta mal, uma associação de pais que angaria fundos, e por vezes, uma empresa local que doa equipamento, ainda são pouco expressivas.