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4. Results and Discussion

4.1 Insights in the startups’ investment industry

4.1.7 The attitude toward the sustainable investment

Nos momentos iniciais de observação na Maternidade Câmara Cascudo, chamou atenção o fato de as ações empreendidas durante a internação pós-parto serem essencialmente voltadas aos cuidados com os bebês. Com o passar do tempo, pareceu natural que assim o fosse, mesmo porque a Maternidade é agraciada com o título da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), de reconhecimento pelo incentivo ao aleitamento materno. Contudo, ouvindo as mulheres entrevistadas, ficou evidente que, mais que o importante cuidado com o bebê nos primeiros dias de vida, há também nessa priorização certo resquício de uma política de saúde materno-infantil que se fundamentava na puericultura (predominante até a década de 1950), onde o centro do atendimento era a criança e a mulher apenas sua provedora (CANESQUI, 1987). É evidente que o polo mais vulnerável do cuidado nesse período é mesmo a criança, mas essa priorização não pode prescindir dos cuidados e da atenção às necessidades da mulher, ela própria com a atenção também voltada à cria. Nesse item dialogaremos com os relatos das mulheres sobre suas vivências de cuidado no período pós- parto, tanto com elas quanto com seus filhos, até a alta hospitalar.

Nas narrativas das mulheres acerca do período de internação pós-parto predominaram aspectos relacionados aos cuidados com seus bebês. Milena disse que gostou do atendimento recebido nesse período, mas queixa-se da não realização de alguns procedimentos que entende ser necessários ao seu filho antes de sair da maternidade. Durante a observação foi possível perceber que alguns procedimentos de enfermagem não estavam sendo realizados em função de uma greve desencadeada pelos profissionais naquele período, com participação mais efetiva dos técnicos de enfermagem.

Ótimo! Eu gostei demais de lá! Demais! A única coisa que eu tenho a reclamar de lá, foi... Porque eu acho que é um direito, independente deles estarem em greve ou não... A criança tem que sair, sim, tomado todas as vacinas, feito o exame do pezinho... Se tem duas [profissionais] que fazem, uma vai pra greve e a outra tem que ficar. E no dia que meu filho teve alta, a moça faltou, por causa da greve. [...] Um risco, uma criança recém-nascida sair, com as defesas... Sem ter as vacinas... [MILENA]

Milena relatou sua peregrinação pelos serviços de saúde para conseguir realizar os

procedimentos que, no seu entendimento, deveriam ter sido realizados na maternidade antes da alta hospitalar.

A gente andou muito! O médico que me deu alta [na maternidade] disse que depois eu podia ir lá, não precisava eu chegar tão cedo... Não precisava eu marcar, porque era um direito de M***, porque ele nasceu lá. Quando foi com uns quatro dias que M*** nasceu, saímos daqui, de ônibus, porque a gente não tem carro, saímos daqui de ônibus, eu e meu marido com ele, quando chegamos lá: ‘não, ainda está em greve. Vá ver se está dando lá na Mãe Menininha [maternidade em bairro do Distrito Sanitário Oeste]. Nossa! Eu me chateei, demais, com isso! Cheguei na Mãe Menininha também não estava. M*** veio tomar as vacinas com quase um mês, que eu vim conseguir dar! [MILENA]

[...] ai meu Deus, nesse dia foi uma raiva! A gente saiu, aqui é horrível de transporte, a gente pegou um transporte aqui, um Alvorada [linha de ônibus], desceu no meio da Bernardo Vieira [avenida]. Tivemos que ir à pé, porque nesse dia estava havendo um incêndio, ali na Mário Negócio [avenida].... Até passou em vários jornais... [...] Quando chegamos no posto, é... Tinha eu e mais duas mães, só nós três. Com recém-nascido também, que já tinha rodado tudo pra fazer o exame no pezinho. Isso as crianças todas já perto de fazer um mês. [...] Pegue demorar, o atendimento. [...] Chegou a moça que faz, e disse assim: ‘quem é a última?’ A última era quem? Eu! Aí disse: ‘pois não vai ter condição não, de fazer, porque só tem dois bichinhos de fazer o teste do pezinho’. Eu disse: ‘mulher eu não acredito não!’ Ela disse: ‘você vem de onde?’ Eu disse: ‘lá do Barro Branco. Meu filho já vai fazer um mês, que a gente roda tentando fazer esse exame do pezinho, dar as vacinas...’ [MILENA]

A profissional de enfermagem se dispôs a ligar para outra unidade de saúde e conseguiu o material que estava faltando para realizar o teste do pezinho, mas o problema permaneceu sem solução, pois a pessoa responsável pelo transporte interunidades não se encontrava na unidade. Sensibilizada com a situação de Milena e do seu filho, uma das mães que se encontravam na unidade pediu ao marido que fosse até a outra unidade pegar o

material conseguido pela ‘enfermeira’. Milena percebe essa situação como de desorganização

no setor saúde e compara com a assistência em partos anteriores, emitindo sua opinião com relação à realização de greves.

[...] Aí uma moça lá, que eu peguei amizade, também, o filhinho dela com o mesmo tempo que M***, disse assim: ‘eu vou pedir a meu esposo, ele está de carro aí, vou pedir pra ele ir pegar.’Eu disse: ‘mulher você vai fazer isso mesmo? Com o caos que está tendo por causa desse incêndio?’ Ela falou ‘vou, vou sim, não se preocupe não.’ Aí ela foi e pediu ao esposo dela. Ele foi com uma das enfermeiras de lá, pegar. Aí fizeram o exame do pezinho. Inclusive esse casal ainda veio deixar a gente, com pena... [...] Mas está muito desorganizado esse negócio da saúde! Demais! [MILENA]

[...] Porque quando eu tive meus outros meninos, só faltava sair registrado das maternidades! [...] A criança, eu acho que a criança, a maternidade não deveria fazer isso. Por mais que estejam com o salário atrasado, e tudo, pelo menos um [profissional], teria que ter! Parece que é três ‘enfermeiras’ lá,

não sei se é ‘enfermeira’ ou se é médico, que faz o exame do pezinho, então duas entrassem em greve... [MILENA]

Para Glória, os cuidados na maternidade após o parto foram bons. Relata a presença constante dos profissionais para acompanhamento da criança e incentivo ao aleitamento materno. Contudo, assim como Milena, Glória fala que alguns procedimentos não foram realizados na criança antes da alta, embora não tenha identificado ao certo por quais motivos.

[...] Aí durante esses três dias vem a pediatra, olhar a criança. [...] Sabendo se está dando o leite materno direito, se tem possibilidade da criança mamar sem dificuldade nenhuma. E tudo isso eles fica acompanhando, até chegar o dia da alta. Se não tiver nenhum problema, durante esses três dias, aí eles dão alta. [GLÓRIA]

[...] A vacina, a vacina mesmo, a BCG, estava faltando, lá. Ou era uma pessoa que, parece que não tinha... A pessoa que estava aplicando, lá... Estava faltando alguma coisa, que ele não tomou a BCG. Eles marcaram pra mim vir aqui no posto, que é mais perto, ou voltar lá. (...) Aí eu vou aqui no posto. [...] Vou fazer amanhã. [GLÓRIA]

Bruna elogiou a atenção recebida durante o período de internação na maternidade.

Entretanto, seu relato também expõe que houve descontinuidade do cuidado quando, ao ser detectada a necessidade de assistência especializada para um problema oftalmológico,

identificado durante o ‘teste do olhinho’ em sua filha, ela teve que recorrer ao serviço privado,

em função do tempo longo de espera por esse tipo de consulta na rede pública.

O atendimento lá é bom demais. É ótimo! Elas fica ali com a pessoa, né?. Aí tudo que a pessoa sente chama elas, aí vem... [BRUNA]

[...] E quando foi no dia de eu receber alta, o médico veio fazer o exame do olhinho dela... Aí não achou um... Ele disse que é um sanguinho que fica por trás da pupila do olho. E ele não achou. [...] Porque ele disse que as pupilas do olho dela tá tudo normal, mas o que encabulava ele era só esse raio de sangue que ele não via. Aí mandou eu levar ela pra um oftalmologista. [...] Eu ainda vou levar ela. Porque ele pediu pra mim fazer particular. [...] Porque ele disse que em posto vai demorar demais, ainda vai marcar... Isso se conseguir marcar. Realmente, né? Aí eu tava esperado receber o dinheiro, né? Aí, como eu recebi agora, vou levar ela agora. [...] O problema foi só o olho, que eu fiquei preocupada que só. [BRUNA]

Ao relatar os cuidados com a filha no período de internação na maternidade, Patrícia apontou aspectos do atendimento que parecem ter sido motivo de estresse: procedimentos realizados ainda na sala de parto, relacionados à aspiração gástrica e nasal, e no alojamento

conjunto, relacionados ao uso de leite artificial em complemento ao leite materno. Entretanto, a forma como expôs os acontecimentos não tinha conotação de queixa, e sua compreensão sobre o que aconteceu com a filha parece confusa. Ao final do relato, ela identifica a solução que foi dada para um dos problemas.

[...] Aí a bichinha nasceu cansadinha, aí tiveram que botar ela na incubadora. [...] Ela engoliu até resto de parto. Ela ainda tá. [...] Com o tempo é que vai saindo, mas ela tá. Só vive com o nariz entupido. [...] Tipo uma gripe. Só que não era gripe! Aí eles fizeram lá, entendeu? Eles tiraram, mas não tiraram todo. Deixaram a metade. [PATRÍCIA]

[...] Aí elas vieram pra mim dar de mamar, só que eu não tava com leite. Não tinha como dar de mamar porque eu não tinha bico e não tinha leite. [...] Aí as meninas que tavam dando... Um leitezinho que ela não se deu! Ela botou leite pela boca e pelo nariz. Aí levaram ela pra lá. Aí fizeram um negociozinho que a bichinha veio toda cagada! Eu limpei ela, arrumei... Aí ele passou um remédio pra mim, que o remédio foi ótimo! No último dia, menina, olhe, os peito cheio! E saindo leite! [PATRÍCIA]

Patrícia relatou, ainda, que sua filha recebeu todos os cuidados necessários à alta da

maternidade, com exceção do teste do pezinho, para o qual foi orientada a procurar uma unidade de saúde próxima a sua residência. Essa unidade, no entanto, que desde o início de sua gravidez estava em greve e permaneceu em greve após o nascimento da filha. Esperanças para solução das dificuldades encontradas, Patrícia deposita na perspectiva de ter, em breve, um plano de saúde privado.

[...] Já saiu com tudo feito, vacina, tudo, tudo, tudo! Fizeram tudo, lá. Ótimo! [...] Teste do pezinho ia fazer no posto. Ela disse que com cinco dias era pra mim ir no posto, pra fazer. Aí com os cinco dias eu fui lá... Aí o posto tava em greve. [...] Aí agora meu marido tá trabalhando, aí ele recebeu um cartãozinho da “Hapvida”. Aí eu vou fazer. Próxima semana, já. [PATRÍCIA]

Os relatos de Sofia denotam insatisfação com a falta de informações sobre as condições clínicas de seu filho, que nasceu, segundo ela conta, com uma deformidade na cabeça. Além disso, evidenciaram que como alternativa para as dificuldades de acesso a exames especializados, os usuários do sistema público buscam tais procedimentos na rede privada, mesmo que estejam em condições financeiras desfavoráveis, como é o caso de Sofia, cuja renda familiar mensal é de dois salários mínimos.

[...] Quando ele nasceu, ele nasceu com isso aqui [coloca a mão na cabeça] um pouquinho alto. [...] Assim que nasceu, que eu olhei pra ele, eu perguntei o que era isso na cabeça dele. Ele [o pediatra na sala de parto] disse: ‘é normal. Daqui a dois dias vai descer.’ [...] Ela [a pediatra] passou [depois, no alojamento conjunto], olhou a cabeça dele, mas não falou nada pra mim. [...] No sábado, no caso. Aí, olhou ele... Aí ela achou estranho, mas ela não contou nada pra gente. [...] Aí no outro dia, que ele teve alta, ela disse que era pra fazer o exame... [...] Assim que eu saí, no outro dia já fiz o exame. [...] A gente pagou pra fazer. [...] Mas aí não deu nada não, graças a Deus! [SOFIA]

Sofia fala, ainda, da falta de atenção ao filho com relação à realização de

procedimentos como vacina e testes para triagem neonatal.

[...] Eu acho que não deram muita atenção não, ao meu filho. Pronto, a [criança] que estava na minha frente, vieram e deram a vacina nela. Aí não falaram nada pra mim: ‘ah, ele vai ter que tomar isso e isso...’ Aí, deram nas outras e deixaram meu filho sem tomar. Aí, depois, naquele dia [em que estive na maternidade e fiz contato com ela], pronto, no caso, aí que ela veio dar, assim que eu tava indo embora. [SOFIA]

[...] No sábado, no caso, que tinha que fazer o exame do quê? [pergunta ao marido]. Aqueles exames que era pra fazer, que ela disse que só podia fazer no sábado? Aí, aquela menina fez... Aí a mulher disse: ‘ela acabou de passar!’ A mulher que faz... Agora eu não me lembro o exame, qual era... Passou, e não perguntou. Não olhou quem tava precisando. Eu tive que ir depois... De uma semana, não foi? [pergunta ao marido]. [...] Eu acho que era pra ter anotado, assim, os que já tavam nascidos naquele dia e que precisavam fazer, no caso. [...] Todo mundo tinha nascido, elas fizeram nas outras e esqueceram o dele. Entendeu? [SOFIA]

Fernanda conta que gostou da atenção que deram a seu filho durante o período de

internação na maternidade, e que os procedimentos foram realizados, à exceção do teste do pezinho, feito na unidade de saúde do bairro de sua residência.

[...] Foi feito tudo, menos o teste do pezinho, que eu fiz aqui no posto. Que fazia lá na quinta feira, mas sendo que na quinta feira eu já tava de alta. Mas fizeram o teste do ouvidinho, do olhinho. Vacina, também. [...] Foi bom. O pediatra viu ela. Tava tudo certinho nela... [FERNANDA]

Laíze, que ficou com sua filha na maternidade durante dez dias para tratamento de

sífilis congênita, relata que gostou muito do atendimento no período de internação. Falou da

simpatia das ‘enfermeiras’, que conversavam e brincavam, da amizade que fez com as pessoas

queixou-se de duas profissionais de enfermagem que considerou ‘abusadas e chatas’, e

destacou o que para ela foi um tratamento ‘ignorante’ por parte de uma delas com sua filha.

[...] Eu gostei, porque as ‘enfermeiras’, quer dizer, nem todas, tinham duas que eram muito abusadas, muito chatas, mas as outras eram todas simpáticas, conversavam, brincavam com a gente. As meninas da limpeza, do mesmo jeito, faziam amizade com a gente, a gente conversava pra se distrair... Tinha as cozinheiras. A alimentação de lá eu gostei muito. Muito boa. As meninas de lá capricha mesmo. E todo dia uma nutricionista diferente. Elas chegavam e perguntavam se a gente tinha se alimentado bem, se tinha gostado. Pedia a opinião da gente. [LAÍZE]

[...] É porque eu não me lembro o nome da ‘enfermeira’, mas teve uma lá que eu não gostei muito dela, por causa da ignorância dela. [...] Assim, as atitudes, principalmente na hora da medicação. Porque como era uma medicação, assim, muito pesada pra ela [a filha], dava aquela ardência, tinha que ser dada devagarzinho. E ela não, ela era bruta. Aí quando eu falava pra ela: ‘olhe, tem a ‘enfermeira’ S*** que ela faz assim, ela coloca devagarzinho, dá uma aplicação de soro... Às vezes ela botava uma luva, aí botava um melzinho no dedo pra ela ficar chupando e elas fazia a aplicação.’ Aí ela, muito ignorante, dizia: ‘você não sabe de nada, quem sabe sou eu que sou ‘enfermeira’.’ Eu disse: ‘sim, mas eu sou mãe e vejo as outras ‘enfermeiras’ tratando melhor minha filha do que você.’ Aí ela, pá! Foi com tudo mesmo, com a injetação do medicamento. Que... Tava na mão, nesse dia, tava na mão, que a agulhinha, o negócio que tava dentro, soltou, explodiu, saiu pra fora! [...] Aí começou a sair sangue, eu não gostei. Eu peguei a minha menina e tirei dela. Aí eu disse: ‘não, hoje eu não quero que você dê mais medicamento a minha filha não.’ Aí eu peguei e falei com S***. Ela disse: ‘eu não acredito não!’ Porque, quando saiu do braço, teve que ir pra cabeça. Por causa dela, que ela fez isso. Eu não gostei dela! É a única ‘enfermeira’ que tava lá – eu não me lembro do nome da danada – que era muito ignorante, ela. Muito bruta. Só essa parte, assim, que foi chata. [...] Principalmente porque ela ficava na parte da noite. Aí era horrível! Quando era ela que ficava na parte da noite eu ficava... Vixe, lá vem ela! Porque eu sei que é ruim, que tem que tomar o medicamento, mas, poxa! Podia ter injetado o medicamento devagar, né? Como as outras fazem. Mas ela não, ela foi bruta! [LAÍZE]

Na Maternidade Câmara Cascudo, como é comum em muitas maternidades, após o parto as puérperas são encaminhadas ao Alojamento Conjunto (AC), onde permanecem, com seus bebês, até o final da internação. A maternidade possui um total de 20 leitos, sendo distribuídos em três diferentes ambientes: 11 leitos estão dispostos numa mesma sala, que é a mais frequentemente ocupada, outros dois ficam em um corredor ao lado e os outros sete leitos são distribuídos em duas salas menores, em uma ala mais distante de onde se concentram os demais serviços. Para cada leito há uma poltrona para a acompanhante e uma cortina que possibilita maior privacidade à puérpera, mas a mesma fica frequentemente em

desuso. Para uso coletivo, no mesmo ambiente, há uma pia, com chuveiro adaptado (com água morna) e bancada auxiliar, para banho ou asseio, trocas e medições dos bebês, uma TV, um banheiro e um armário, com as roupas de cama. O posto de enfermagem se situa dentro do AC, o que possibilita deixar a equipe de enfermagem sempre à vista das puérperas e suas acompanhantes, além de outros profissionais que acompanham as mães e os bebês e usam o posto de enfermagem como apoio.

Dispor do posto de enfermagem no ambiente do alojamento conjunto foi aspecto favorável à satisfação das mulheres entrevistadas com a assistência recebida durante a internação pós-parto. Elas destacaram a presença constante, o atendimento rápido às suas demandas e o tratamento atencioso do pessoal de enfermagem. A qualidade da alimentação (sabor da comida) e a atenção das cozinheiras e das nutricionistas com as puérperas também foram mencionadas em várias falas. Destaca-se também o incentivo ao aleitamento materno, que aparece no relato das mulheres sobre o condicionamento da alta hospitalar à adaptação do bebê à amamentação.

Uma queixa presente em algumas falas, entretanto, relaciona-se a procedimentos que as mulheres entendem que deveriam ter sido realizados nos seus bebês, antes da alta hospitalar, e deixaram de ser realizados, tais como a vacinação contra a tuberculose (BCG) e o Teste do Pezinho. É rotina nas maternidades do município de Natal, segundo técnicos da Secretaria de Municipal de Saúde, a disponibilidade da vacina BCG e dos testes de triagem neonatal, incluídos os testes do pezinho, da orelhinha e do olhinho. A vacina BCG é feita por técnicas(os) de enfermagem com treinamento específico. Durante o período de trabalho de campo para esta pesquisa os profissionais de saúde do município desencadearam uma greve, com maior adesão por parte do pessoal de nível médio. Foi possível observar a diminuição do quadro desses profissionais na maternidade estudada, com repercussão no atendimento às mães e bebês.

No caso do teste do pezinho, identificamos certa expectativa das mães de que seus bebês tivessem alta da maternidade com esse procedimento realizado. No entanto, a orientação do Ministério da Saúde é que ele seja realizado entre o terceiro e o sétimo dias de vida do bebê (BRASIL, 2009b). Como o tempo habitual de internação em casos de parto normal é de 48 horas, o teste, muitas vezes, acaba não sendo realizado na maternidade, sendo as mães orientadas a procurarem as unidades básicas de saúde ou retornarem no quinto dia para fazê-lo. O teste é realizado antes da alta hospitalar apenas naqueles bebês que permanecem internados por mais de 48 horas por indicação médica. Onde estaria então

ancorada a expectativa dessas mães de que fosse realizado o teste do pezinho ainda na maternidade? Provavelmente relaciona-se à falta de informação ou ao fato de em algum momento, em anos anteriores, ele ter sido realizado como rotina antes da alta nas

maternidades, como aparece na experiência relatada por Milena, que diz: “quando eu tive meus outros meninos, só faltava sair registrado das maternidades!”. Fez esse comentário

quando estava narrando sobre suas dificuldades para realizar o teste do pezinho.

Todavia, o que chamou mais atenção nos relatos das mães entrevistadas foi a dificuldade encontrada para realizar procedimentos como vacina e teste do pezinho nas unidades básicas de saúde, após a alta hospitalar, seja pela ausência de profissionais, em função da greve, seja pela falta de insumos necessários à realização dos procedimentos. Dificuldade que também é identificada quando foi necessária atenção especializada para dar continuidade àquela recebida na maternidade, como foi o caso de Bruna, quando sua filha precisou de oftalmologista para fechar o diagnóstico sugerido pelo teste do olhinho, e de