6. Discussion and Conclusion
6.2.2. The case for/against a Laurentian origin
6.2.2.1. East Greenland
A atividade de condução do grupo teve como objetivo contribuir, tanto para a formação, como para o exercício do trabalho do professor, uma vez que se constituirá como reflexão da prática docente apoiada nas concepções teóricas e metodológicos do método.
O acompanhamento clínico grupal é uma técnica, também, na área de educação, que contribui para a emergência das experiências emocionais vividas no decorrer do processo educativo. Nesse espaço, os compartilhamentos em um ambiente acolhedor e afetivo permitiram um reasseguramento da identidade profissional, através da detecção e enfrentamento de conflitos. Para tanto, participaram do grupo 9 professores do ensino médio, de uma Escola pública de ensino médio, situada em uma região com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Distrito Federal. Foram realizados 5 encontros, com duração média de 2 horas cada. O grupo se constituiu como um espaço de fala, tendo sido acordado o caráter voluntário da participação e o sigilo. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre esclarecido (APÊNDICE A).
É importante destacar que o processo grupal proposto não seguiu um roteiro pré-estabelecido e a condução dos coordenadores foi a de centralizar a discussão no tema que emerge da discussão no grupo e que se estabelece a partir das
experiências da docência; os encontros do grupo foram gravados e posteriormente transcritos e analisados.
Esse dispositivo da fala se acha centrado nas implicações psicológicas da prática do professor. A partir de relatos dos participantes do grupo sobre incidentes ocorridos em sua prática magisterial, foi sendo construída uma exploração, de acordo com a dinâmica dos encontros. Houve necessidade de sessões regulares, bem como de um razoável período de trabalho.
O objetivo do grupo foi de captar e descrever, além de analisar, os relatos acerca das ocorrências da atividade laboral para serem incorporados novos recursos às interpretações resultantes das falas, também por meio de uma combinação de traços de diferentes modos de análise, com âncora em propostas de legitimação e autorização de atitudes dos falantes, veiculadas nessa análise clínica do discurso.
Segundo Baietto e Gadeau (2002 apud Almeida 2009), o dispositivo procura dar estatuto próprio à fala, ou seja, considera o ato da fala como essencial, raro, apreciável, a ser protegido: o caráter confidencial é, aqui, importante, e cada um deve se sentir assegurado de que aquilo que ele diz não será utilizado em outro lugar; as pessoas devem se sentir respeitadas, tanto no que elas são, quanto no que elas dizem. Isto implica certa qualidade da escuta e, portanto, no trabalho ativo do monitor para reduzir a alteração da escuta, como, por exemplo, os apartes, as manifestações infraverbais, etc.
Assim, ao considerar que o dispositivo clínico tem, também, como objetivo a criação de teorias com base nas reflexões das práticas da fala e que, tanto as análises, quanto as reflexões e confrontações de tudo o que é abordado no grupo, usam como instrumento principal os atos dessa fala, assim como as atitudes particulares de cada indivíduo, pode-se dizer que tanto os desafios quanto os empecilhos têm relação direta com o saber, no que tange à formação pessoal e profissional dos professores. Sendo assim, pode-se afirmar que é feita uma análise crítica do discurso; das atitudes dos falantes, com base no conteúdo das falas a partir do material já gravado e transcrito por outrem.
4.3. PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DOS DADOS
Para a realização desta pesquisa não houve a participação direta da pesquisadora, pois a mesma não coletou os dados junto ao grupo de professores. O
material registrado a partir das reuniões do grupo foi transcritos e a pesquisadora, autora desse trabalho, se debruçou no material e realizou uma leitura flutuante, com vistas a sistematizar as temáticas recorrentes nos encontros do grupo de análise das práticas. A leitura flutuante foi atravessada pela formação da pesquisadora que, apesar de ter uma aproximação com a teoria psicanalítica, é pedagoga e, foi a partir desse lugar que ela se lançou no material discursivo do grupo de análise das práticas profissionais.
4.4. PARTICIPANTES: AMOSTRA E CRITÉRIOS DE SELEÇÃO
Os participantes desta pesquisa foram 9 professores do ensino médio de uma Escola Pública de Brasilia-DF e dois coordenadores responsáveis pela condução do grupo e uma estagiária, conforme demonstrado no Quadro 1:
Quadro 1: Perfil dos participantes da pesquisa
Entrevistado Sexo Tempo/
docência Escolaridade Ocupação atual
Ana F 17 anos Licenciada em Letras Professora de português
Jose M 4 anos Graduado em Filosofia Professor de filosofia
João M 7 anos Graduado em Sociologia Professor de Sociologia
Maria F 30 anos Graduado em Sociologia Professor de Sociologia
Caio M 10 anos Licenciado em Letras Professora de Português
Bianca F 8 anos Graduada em Biologia Professora de Biologia
Paula M 6 meses Graduada em Química Professora de Química
Lívia F 2 anos Licenciada em História Professora de História
Fábio M 6 anos Licenciado em Física Professor de Física
5 RESULTADO E DISCUSSÃO DO GRUPO COM PROFESSORES
A análise da pesquisa aqui apresentada centrou-se nas falas produzidas no espaço do grupo de professores, na escuta dos professores de ensino médio, em suas falas, suas angústias na relação professor-aluno, suas dificuldades com os colegas, sua relação com a instituição, sua saúde mental e o contato com a família de seus alunos, ou seja, todos os elementos que envolvem o trabalho docente.
A escuta do material discursivo produzido pelo grupo permitiu relacionar as implicações subjetivas do trabalho docente, uma vez que se trata de um trabalho que mobiliza esses indivíduos, de modo importante, tendo em vista que ensinar não envolve apenas os elementos cognitivos e de conteúdo, mas a relação com os alunos adolescentes e suas famílias; a afetividade tem lugar garantido. Além disso, as implicações, que o lugar de autoridade e os possíveis conflitos relacionados a este lugar, podem alavancar situações difíceis de gerenciar.
O material transcrito dos encontros do grupo evidenciou que esse espaço grupal permitiu que emergissem as implicações do trabalho docente sobre a saúde mental dos professores e as mesmas foram analisadas a partir do referencial teórico psicanalítico, o qual pretende fornecer elementos teóricos para compreender os processos psíquicos, conscientes e inconscientes, que se evidenciam no trabalho docente (BLANCHARD-LAVILLE, 2005).
Abaixo, serão apresentadas as discussões realizadas a partir das falas que foram geradas no grupo de análise das práticas docentes.
A possibilidade de troca, no espaço grupal, das dificuldades, soluções e projetos para o futuro do trabalho docente mobilizava os professores para pensarem e ressignificarem seu trabalho, assim como os imprevistos e as zonas de sombra presentes na situação educativa permitem consolidar a identidade profissional (ALMEIDA, 2009).
No grupo proposto pela pesquisa, algumas temáticas foram recorrentes: 1. Os desafios da relação professor-aluno na sala de aula e seus reflexos na situação de aprendizagem;
2. As repercussões do trabalho docente sobre a saúde mental do professor; 3. A relação do professor e a família de seu aluno;
5.1 OS DESAFIOS DA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
A relação professor-aluno incide diretamente no cotidiano escolar e no processo ensino aprendizagem. Este é um desafio a que professores não podem se furtar, tanto que Müller (1999) destaca que a relação professor-aluno, por melhor que seja, é relativamente conflitante, pois os conflitos são a base de toda relação humana. Os alunos do ensino médio, em sua quase totalidade, são adolescentes que se encontram em uma fase de grandes conflitos internos e estão em busca de referências identificatórias e de sustentação para suas angústias. Essa situação dará o tom da sala de aula com adolescentes, pois, para garantir o trabalho educativo, é necessário que o professor se desdobre para manter a disciplina e mobilize, no aluno, seu desejo pelo conhecimento.
Assim, vale a pena ressaltar que a relação professor-aluno tem um impacto importante no processo de ensino-aprendizagem. Essa relação deve ser baseada em afetividade e sinceridade, pois, se um professor assume aulas para uma classe e crê que ela não aprenderá, consequentemente, ambos terão imensas dificuldades.
Para tanto, o trabalho dos professores não poderá se limitar a uma comunicação unilateral com os alunos. Esta comunicação deverá ser ativa e constante e em mão dupla, de forma que resulte em uma ação cooperativa e onde haja espaço para a criatividade dos entes envolvidos (alunos e professores), ou seja, os professores deverão estimular o ambiente educativo. É importante ressaltar que, de acordo com Libâneo (2002, p.73):
O papel do professor, portanto é o de planejar, selecionar e organizar os conteúdos, programar tarefas, criar condições de estudo dentro da classe, incentivar os alunos, ou seja, o professor dirige as atividades de aprendizagem dos alunos a fim de que estes se tornem sujeitos ativos da própria aprendizagem. Não há ensino verdadeiro se os alunos não desenvolverem suas capacidades e habilidades mentais, se não assimilarem pessoal e ativamente os conhecimentos ou se não dão conta de aplicá-los seja nos exercícios e verificações feitos em classe, seja na prática da vida.
Diante desta realidade, de tantas exigências institucionais, percebe-se que o professor é levado a tomar decisões, desde estratégias, como metodologia de ensino, até reunião com os pais, de modo que vise facilitar a aprendizagem do aluno, propondo-lhe, assim, um trabalho em conjunto. No entanto, muitas vezes, essa idealização do trabalho docente de qualidade acaba sendo frustrado, não
acolhido por sua demanda, gerando, assim, a desistência desse ideal (ALMEIDA, 2006).
Portanto, é necessário considerar que o trabalho do professor, além dos aspectos didáticos e pedagógicos, traz consigo os elementos subjetivos que permeiam a prática educativa presente na relação professor-aluno, pois cabe ao professor gerenciar conflitos, criar condições para que os alunos exercitem o diálogo, para que sejam autônomos e que, fundamentalmente, construam um desejo para aprender. Portanto, lidar com desafios de sua prática cotidiana de sala de aula, demandará do professor recursos pessoais particulares para enfrentá-los, uma vez que esses elementos são inerentes ao trabalho educativo. A seguir, serão apresentadas e discutidas as falas dos professores no grupo sobre a temática da relação professor- aluno.
O professor João relata, acerca da relação com seus alunos, em sala de aula:
[...] Eu fico um pouco frustrado com os alunos, não por eles, mas eu fico angustiado. Pra mim, talvez, tudo que a gente passa pela sala de aula em termos de conteúdo não vai servir para vida, né? [...] É uma construção a longo prazo talvez...mas, só daqui há dez, vinte anos, vai ter algum impacto na vida deles. Então isso causa uma certa desmotivação na gente, essa angustia... Sempre tive a ideia de mudar as coisas, sabe? Eu acho que a educação seria o início de mudar... nós queríamos que fosse agora de imediato, mas não é imediato. É conteúdo em sala de aula [...].
O professor João sinaliza sua dificuldade em lidar com um trabalho que o remete à temporalidade da relação professor-aluno, pois, nem sempre, a importância da educação e do seu trabalho é reconhecida pelo seu aluno no momento em que este está na escola. Essa situação remete à ideia de um esvaziamento da função educativa e que pode acarretar no sofrimento do professor. Blanchard-Laville (2005), aponta que esse sofrimento pode paralisar e comprometer o trabalho educativo, assim como destaca, ainda, que lidar com os desafios cotidianos do trabalho docente é um risco no plano psíquico.
Outro aspecto importante a considerar, na relação professor-aluno e no sofrimento do professor, tal como apontado pelo professor João, é a ausência de um coletivo de trabalho que possa contribuir para um bom clima, pois a participação e o trabalho em equipe criam um clima de trabalho mais produtivo. Tanto que Dejours (2000) fala que o trabalho se constitui em uma ação que pode causar sofrimento psíquico, muitas vezes, devido a sua organização e distribuição. Observa-se que o cotidiano dos professores, muitas vezes, é caracterizado pelo isolamento, ou seja, o
distanciamento entre os colegas de profissão e este fato acaba por causar sofrimentos psicológicos e desgastes profissionais.
A questão do sofrimento no trabalho, também, foi abordada pelo professor Fábio:
Acho que essa questão de ensinar para a vida, eu concordo em certo sentido e discordo em outros. Eu concordo que as disciplinas têm que ter uma interdisciplinaridade entre elas e com a realidade deles e discordo porque é feito de qualquer maneira, jogado e os professores não conversam, não tem um planejamento geral pra isso, não tem objetivo também; aqui é só ensinar, é cada um por si, eu até tento mostrar a importância, você não tá vendo uma fórmula matemática jogada no espaço e no tempo, você não vai pegar o mundo e botar aqui dentro e ter o mundo. É isso que eles pensam, aí eu tento jogar isso pra eles, mas parece que não faz sentido nenhum pra eles. [...] Essa pressão fico sentindo no meu próprio trabalho, eu vejo o retorno quase nulo.
O professor Fábio reconhece a falta de sentido do seu trabalho. “O sentido que o sujeito constrói é fortemente singularizado pela forma, através da qual a situação atual de trabalho se encaixa na vida de seus alunos e faz ressonância com as experiências passadas e expectativas atuais do sujeito [...]” (DEJOURS; ABDOUCHELI, 2007, p. 141). Além das experiências particulares de cada sujeito, na relação com seu trabalho, o reconhecimento pelo seu trabalho, tanto pelos outros professores, como, também, pelos alunos, é um elemento que agrega sentido ao trabalho docente. O risco como apontado pelo professor Fábio, ocorre quando os alunos não atribuem um sentido à educação e quando os colegas professores se isolam uns dos outros e não constroem um ambiente de boa convivência e de solidariedade. Sobre o reconhecimento e o espaço coletivo do trabalho, Dejours (2004) destaca que é por intermédio do reconhecimento sobre o fazer que se pode manter uma relação de cooperação com as pessoas, inclusive com aquelas com as quais não simpatizamos. O reconhecimento pelo fazer confere ao indivíduo um pertencimento a um coletivo e a uma equipe de trabalho, de modo que a cooperação é poderoso elemento para fragilizar a solidão e o isolamento dos professores e é uma estratégia coletiva de defesa que contribui para a sustentação do trabalho.
É importante ressaltar que, durante os encontros, alguns professores referenciaram a ausência de integração entre os profissionais como um dos fatores determinantes para a geração de conflitos existenciais na atividade laboral, ou seja, a respeito da existência de determinado isolamento, que reflete na sala de aula, pois
as relações interpessoais estabelecidas entre os professores participantes do grupo são adotadas apenas para sustentar relações de trabalho e este isolamento pode contribuir para o comprometimento de sua saúde mental. Portanto, o espaço de fala, em que a palavra pode circular, possibilita o desvelamento de elementos conscientes e inconscientes do professor, em relação às mais diversas expectativas, em relação a seu trabalho, bem como em relação a seu aluno e ao modo como esses elementos se refletem no processo de ensino e aprendizagem.
Assim, o grupo pode ser um espaço em que o professor encontra suporte para se sentir seguro em sua prática e seguro de si mesmo, como educador e adulto, para que, ao se sentir ameaçado, não ameace e possa ocupar o lugar de autoridade, de detentor do conhecimento e, nesta condição, ser reconhecido pelo aluno (PEDROZA, 1993; ALMEIDA, 2003; CIFALI, 2001).
Na fala dos professores, no grupo, um dos elementos caracterizados como fonte de desgaste do trabalho docente foi a relação estabelecida com os alunos em sala de aula. E sobre as dificuldades na relação com os alunos, a professora Lívia relata, no grupo, uma situação em que se sentiu intimidada por um aluno:
[...] tenho questões que preocupam sim. Qual é o lugar me preocupa sim. Como fazer? Qual a maneira pra ensinar aquele aluno? [...] O aluno veio pra cima de mim e insistiu que eu devolvesse a prova com bastante agressividade, causou uma situação bastante chata aqui na escola que a gente tá tentando resolver já. [...] essa falta de limite que tem na escola, que, muitas vezes, não é causada pelos professores, mas pela direção, também vai chegando nessa situação desse tipo, você tá ali na sala como orientador e tal aluno não respeita nada. Você vai intervir, ele quase me agrediu. Não chegou a agredir fisicamente, mas me agrediu verbalmente. Insultou, ficou tentando me intimidar. É uma questão difícil de trabalhar. É hora que você para e pensa: Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui? O que eu fiz pra merecer isso?
É importante pensar na profissão docente em sua totalidade, ou seja, com identidade do profissional associada à identidade pessoal, considerando suas concepções, crenças, valores e projetos de vida, sua formação e de que forma esta pode ser alvo de ataques por parte dos alunos. Para tanto, ajudar os professores a sustentarem sua prática educativa de modo coletivo é fundamental para que o trabalho docente não perca o sentido e o professor sinta sua identidade profissional preservada (MOITA LOPES, 2002).
Aguiar e Almeida (2008) apontam como causa de adoecimento e fonte de sofrimento para o professor a violência escolar, que constitui, segundo as autoras,
uma ameaça concreta ao docente, pois este se vê acuado dentro do próprio ambiente escolar e seus arredores.
A professora Paula, em sua fala a seguir, manifesta-se sobre a dificuldade dos alunos em respeitar as regras e os combinados na sala de aula, de modo que a indisciplina aparece como um elemento que precisa ser gerenciado pelos professores e professoras:
Essa relação com professor e aluno existe um conflito dentro de mim porque ...então vou até falar de um caso de um problema que eu tive com um aluno muito agressivo que veio pra cima de mim, porque eu anotei o nome dele [...] então são situações que, na teoria, sabia que não seria fácil, que eu iria encontrar alunos com diversos tipos de problema na família, de drogas, de tudo. Mas, aí, na prática, você não sabe como lidar com a situação. Pra mim, é bem complicado esse envolvimento que a gente acaba tendo com os alunos. Toda essa carga que a gente carrega pra casa [...]. Às vezes, eu sonho e, ás vezes, acordo, enquanto eu não ver esse menino de novo, depois daquele conflito que eu tive, eu não vou descansar. Então, prá mim, é tudo muito complicado. Realmente, eu fico preocupada com a minha saúde mental, daqui há 20, 25 anos. Como eu vou estar? Pra mim, é tudo muito complicado, conseguir me adaptar a esse emprego novo sem saber que, anteriormente, achava que eu não teria que me adaptar a esse tipo de dificuldade. Pra mim tá sendo bem complicado.
O professor Sérgio aponta o modo como é possível lidar com as provocações dos alunos que usam celulares e mp3 durante a aula:
[...] esse novo aluno que a gente tem que saber lidar, tem que saber trabalhar e eu vejo que essa questão do mp3 é um consenso, mas ele vai usar mesmo e é mais desgaste . É como eu falei, se é pra proibir mesmo, ficar só pra isso. Recolher esse celular, esse mp3, etiquetar, botar o nome e não tem como fazer isso, é usar mesmo o lado do bom senso “olha desliga, agora não é hora disso, pode atender aqui fora numa boa, na aula não dá”. A professora Paula confirma o impacto que a agressividade dos alunos e a falta de limites na relação acarretam para ela. Aguiar e Almeida (2008) esclarecem que a escola parece não ter fronteiras claras, que possam impor limites ao comportamento dos alunos, os quais, por sua vez, vivem em uma sociedade sem regras claras e definidas. Por outro lado, o próprio professor se vê impotente e não se posiciona face ao aluno investido da autoridade simbólica de sua função. Sem “potência” para o exercício da tarefa para o qual foi investido, renuncia ao ato educativo e passa para os alunos o sentimento de que a escola é uma “terra sem lei”. A falta de limites dos alunos, bem como a perda da autoridade por parte dos professores, influencia diretamente na segurança, na confiança e autoestima dos
professores, afetando-os, principalmente, no plano psicológico, asseveram Aguiar e Almeida (2008).
Contudo, a fala do professor Sérgio aponta que não adianta apenas proibir e