6. Discussion and Conclusion
6.4. Conclusions
A profissão docente, independentemente da faixa etária em que se atue, tem como principal característica a possibilidade de provocar no indivíduo transformações que nenhuma outra profissão pode fazer. É relevante lembrar que estas transformações necessitam ter um caráter positivo e, para tanto, requerem que os docentes tenham bases psicológicas bem estruturadas e sejam conscientes de seu próprio valor e importância. Volli (1997) explica que pessoas conscientes de seu potencial humano sentem-se encorajadas a dirigir suas vidas e descobrem a possibilidade de traçar o rumo que desejam seguir e os objetivos que pretendem alcançar.
Essa atuação do professor pode ser determinante para a boa formação dos alunos, o que vai impactar diretamente a sociedade em que se inserem, pois eles próprios saberão fazer suas escolhas e poderão decidir sua vida com mais segurança. Assim, a missão do professor é de extrema importância e denota uma necessidade de responsabilidade e dedicação. Quando o professor está consciente de seu papel e de sua capacidade
transformadora, abre-se um universo de possibilidades que acionam o processo de mudanças nas novas gerações.
Contudo, maior que o prestígio e o salário que se recebe por este trabalho estão o bem estar e a satisfação de observar essas transformações. Nesse sentido Volli (1997) afirma que há um “empoderamento” do educador, ou seja, ele tem em suas mãos o poder de influenciar as pessoas e, para que seu potencial seja canalizado positivamente, é necessário que ele tenha conhecimento de suas potencialidades como pessoa e como educador. É preciso que saiba também de suas fragilidades, podendo transformar dificuldades em vantagens, mantendo-se com a estima elevada e sempre aberta a novas aprendizagens e conhecimentos.
Ainda segundo o autor, as influências do educador sobre seu aprendiz não se limitam apenas aos conhecimentos acadêmicos por ele transmitidos. Sua própria conduta e caráter influenciam a formação do aluno. Por isso, o professor tem acesso ao que existe de mais profundo e marcante na formação humana: as características psíquicas que se estabelecem na relação professor/aluno. A personalidade do professor influi diretamente no aluno, pois a comunicação intra e interpessoal existente na prática docente trazem, de forma subliminar, um substrato psicológico consciente e subconsciente do professor e de seus alunos.
Nestas circunstâncias, o educador tem que atuar de forma consciente, buscando desvelar o seu universo psicológico e o de seu aluno também, compreendendo a si e ao outro de forma a poder ajudá-lo a neutralizar e a resolver situações difíceis e conflitantes. Diante das muitas influências sofridas pelo indivíduo na família e na escola, surgem efeitos que podem ser nocivos ou benéficos ao aluno, mas que, invariavelmente, costumam ocasionar comportamentos e resultados acadêmicos que contrariam as expectativas do professor e da família. Assim, a desmotivação muitas vezes observada nos alunos pode estar relacionada aos fatos vivenciados anteriormente, causando demora em seu amadurecimento e, conseqüentemente, acarretando subseqüentes insucessos que derrubam sua auto-estima.
Algumas situações vivenciadas pelos indivíduos ao longo de suas vidas fazem com que adquiram comportamentos equivocados e tenham reações imaturas e muitas destas são observadas no relacionamento com o professor, dificultando a aprendizagem e tornando a tarefa do educador mais complexa. Por isso, é necessário evitar o reforço negativo, a sensação de culpa e as ações antagônicas que geralmente permeiam estas relações conflitantes. Nestes casos, o ambiente autoritário ou excessivamente permissivo favorecerá que a formação do indivíduo fique comprometida, aumentando a probabilidade de formar pessoas imaturas, inseguras e sem limites.
Com isso, ampliam-se as exigências na formação do docente que terá que desenvolver sua compreensão, ajustar suas ações e adequar seu trabalho, preparando-se para tais momentos. O que preocupa, segundo Volli (1997), é o fato de que o próprio professor também seja imaturo, pois, como qualquer indivíduo, também está sob a influência de suas vivências familiares e da formação que recebeu. Pode, portanto, conduzir suas ações de forma equivocada, insegura e negativa, demonstrando inaptidão para assumir a tarefa de tutoria do aluno.
A incapacidade do professor de superar suas próprias dificuldades e imaturidade leva a refletir sobre como sua formação é falha, pois não recebe orientação e formação que prepare, garantindo, não só o domínio do conteúdo, mas o autoconhecimento que o manterá capaz de trabalhar e superar suas dificuldades.
O que se observa é que a formação que recebeu não inclui a possibilidade de se auto- conhecer e não o orienta quanto à análise nem do seu amadurecimento nem na do aluno, desconhecendo as fases do desenvolvimento humano, como se dá a aprendizagem, quais os fatores de atraso e outros.
Neste cenário encontram-se em pleno processo de atuação diversos educadores que deixam de obter bons resultados pela impossibilidade de reconhecer suas dificuldades e pela falta de abertura que impede seu crescimento. A abertura e a compreensão do problema são essenciais para a busca de ajuda; além disso, a troca de experiências com seus pares favorece a descoberta de caminhos e mudanças, basta que se motivem a isso.
A formação do professor é um processo contínuo e se faz imprescindível que seja também sistemático, portanto, ao ingressar em um curso de formação docente ele está apenas dando a largada inicial na trajetória que percorrerá ao longo de sua carreira. A esta formação inicial se somarão elementos que fazem parte de sua história de vida, suas vivências e seus valores, que, somados aos conhecimentos da área por ele escolhida para atuar e às diversas teorias pedagógicas que norteiam as práticas docentes, constituirão um sólido alicerce para o desempenho de sua profissão.
Mas para que se sinta preparado para a ação docente, ou seja, para que se instrumentalize com todos os elementos necessários a uma prática docente eficiente, faz-se necessário um desenvolvimento profissional contínuo, pois somente com a formação inicial, isto é, com o diploma da graduação, não há efetivamente como estar preparado para enfrentar o dia-a-dia de uma sala de aula.
O ritmo do trabalho do professor exige cada vez mais que ele se prepare, buscando atender as diversas realidades que se apresentam na sala de aula e também visando
qualificar-se para as constantes transformações do cenário educacional, recolhendo elementos que referendem sua prática.
Muito se tem falado sobre a formação do professor e neste mundo globalizado encontram-se inseridos avanços tecnológicos cada vez mais rápidos e mudanças tão aceleradas que manter-se atualizado requer esforço sobrenatural, principalmente porque a quantidade de informações cresce a cada dia, influenciando a ciência e a vida das pessoas de tal forma que não há esforço que baste para que qualquer profissional, por mais que tenha acesso a essas informações, se sinta totalmente seguro do que sabe.
Mesmo assim, a tarefa precípua do docente é levar conhecimento e informação a seus alunos e, portanto, é preciso reconhecer que ele é influenciador da formação desses indivíduos, não podendo se eximir dessa busca incessante.
Como diz Perissé (2002), oprofessor é o provocador da descoberta que o aluno faz sobre o conhecimento, e, após esta descoberta, passa a amar o saber. Assim, não importa quanto esforço o professor tenha que despender, não pode prescindir de se atualizar sistematicamente.