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Teknologi som forutsetning for nyskapende undervisning

undervisning uten teknologibruk?

Kapittel 8 Variabelt om variabler

8.4 Teknologi som forutsetning for nyskapende undervisning

Outro ponto que será analisado nas matrizes curriculares refere-se às tecnologias contemporâneas. Não existe uma lei instituindo a obrigatoriedade de uma disciplina que trate sobre essa temática na licenciatura ou que estabeleça o seu uso obrigatório na relação ensino- aprendizagem, tampouco na formação inicial do professor nem na educação básica. Efetivamente, o que existe são apenas recomendações das DCNs e de outros documentos balizadores, como os PCNs – Arte e outras propostas curriculares de estados e/ou municípios. Nas DCNs da formação de professores da Educação Básica, como já dito antes, aparece uma recomendação em relação às TICs:

Art. 2º A organização curricular de cada instituição observará, além do disposto nos artigos 12 e 13 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, outras formas de orientação inerentes à formação para a atividade docente, entre as quais o preparo para [...] o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores; (BRASIL, 2002).

Em consonância com essa afirmação, no que se refere à formação do professor de Artes Visuais, o Parecer das DCNs de graduação para essa linguagem artística aponta que tais cursos devem estar atentos “[...] às tecnologias de produção e reprodução visual, de novas demandas de mercado e de sua contextualização marcada pela competição e pela excelência nas diferentes modalidades de formação profissional [...].” (BRASIL, 2007, p. 4). Nesse sentido, compreende-se que existam recomendações para o uso das tecnologias contemporâneas tanto como meio de ensino-aprendizagem, quanto como forma de produção artística e reflexão crítica sobre elas. De acordo com o Parecer das DCNs – Artes Visuais, é necessário que o futuro professor domine e conheça as tecnologias relacionadas às Artes Visuais. E, consideram-se que na produção artística contemporânea, o uso das TICs e das novas tecnologias está em voga. Mas qual a diferença entre ambas? Segundo Loyola (2009, p. 124 – 125),

Tecnologias da comunicação e informação: diz respeito aos recursos tecnológicos que permitem o trânsito de informações, que podem ser os diferentes meios de comunicação (jornalismo impresso, rádio e televisão), os livros, os computadores etc. Apenas uma parte diz respeito a meios eletrônicos, que surgiram no final do século XIX e que se tornaram publicamente reconhecidos no início do século XX, com as primeiras transmissões radiofônicas e de televisão, na década de 20. Os meios eletrônicos incluem as tecnologias mais tradicionais, como rádio, televisão, gravação de áudio e vídeo, além de sistemas multimídias, redes telemáticas, robótica e outros.

Considerando essa citação, compreende-se que, na contemporaneidade, o uso do computador e da internet tem aumentado, possibilitando formas de comunicação mais amplas e mais autônomas do que as proporcionadas anteriormente pelo rádio ou a televisão. Loyola (2009) afirma que muitos artistas se utilizam dessa nova possibilidade para criarem seus trabalhos através da internet, fazendo “[...] surgir a web arte, que é a arte feita exclusivamente para e na internet. Alguns artistas e críticos utilizam o termo net art para designar, de forma mais abrangente, trabalhos que possam estar em rede, mas não necessariamente na web”. (LOYOLA, 2009, p. 28).

O que foi apresentado na citação anterior em relação às TICs também vale para as novas tecnologias, com a diferença de que estas últimas também abrangem outras formas de tecnologias contemporâneas que não precisam estar diretamente ligadas à informação e à comunicação, tendo como exemplo a fotografia artística. O termo “tecnologias contemporâneas” será aqui utilizado porque se entende que este é mais abrangente. Como esse ponto será visto posteriormente nas matrizes curriculares das licenciaturas em Artes Visuais, apresenta-se, a seguir, uma artista paranaense que trabalha relacionando arte e novas tecnologias.

A artista e fotógrafa Inara Vidal é bacharel em Escultura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) e pós-graduada em História da Arte e Estética Contemporânea pela mesma IES. Em 2013, essa artista realizou uma exposição denominada “Nas bordas do sensível” no Centro de Arte Digital – Portão Cultural em Curitiba (PR). Segundo o site da Fundação Cultural de Curitiba, seus trabalhos propõem uma reflexão sobre as deformações/alterações das imagens do corpo humano através da utilização das técnicas eletrônico-digitais, sendo que o trabalho principal da exposição, intitulado “Uns e Outros”, “[...] faz uso de uma câmera que capta em tempo real e projeta em telões as imagens fragmentadas e distorcidas do corpo do espectador.101” (IMPRENSA/FCC, 2013, p. 1). Para melhor compreensão do trabalho, disponibiliza-se o link102 de um vídeo sobre ele e, a seguir, apresenta-se uma imagem resultante da experimentação do aparelho.

101No que se refere ao funcionamento do aparelho (caleidoesfera) e da participação do público, a artista explica

que “[...] de um lado do aparelho, em sua abertura menor, o espectador pode colocar seu rosto, ou partes do seu corpo. A web cam posicionada na abertura maior, filma toda a experiência do espectador: aparecem imagens de fragmentação, na medida da interação do sujeito com o espelho e esta imagem é ampliada pelo programa e rebatida, pelo projetor, na parede. Desta forma o espectador/ performer pode interagir com sua imagem captada pelo aparelho, tomar parte de toda a experiência, simular uma fragmentação do seu corpo em tempo real.” (VIDAL, 2013b, p. 2).

Figura 14. Registro fotográfico de experiências no aparelho.

Fonte: Nas Bordas do Sensível (2013a)103.

Vidal (2013) afirma que a intenção da pesquisa foi justamente abordar as transformações da representação do corpo. Tal pesquisa foi realizada com base em um “[...] breve levantamento sobre a óptica dos alquimistas, da natureza das anamorfoses perspectivas, das cronotópicas e do uso da tridimensionalidade (3D). [...] a imagem eletrônica se apresenta diante dos olhos como naturalmente anamórfica.” (VIDAL, 2013a, p. 1).

O trabalho de Vidal (2013) representa um dentre muitos outros que estão sendo realizados por artistas paranaenses, brasileiros e estrangeiros com perspectivas e/ou meios tecnológicos semelhantes, visto que a produção artística contemporânea cada vez mais faz uso de novas possibilidades de criação utilizando-se das tecnologias contemporâneas.

No que se refere ao ensino de arte e às tecnologias contemporâneas, compreende-se que aquele vem sendo modificado devido à inserção destas de modo cada vez mais abrangente na sociedade e na educação. Considera-se que as tecnologias contemporâneas contribuem para o desenvolvimento das artes visuais e têm “[...] contribuído para a inclusão digital, possibilitando um maior acesso as [sic] redes de comunicação e informação, ampliando de maneira significativa a democratização do conhecimento e da produção cultural.” (FREITAS, 2010, p. 14 – 15).

Assim sendo, os cursos de formação inicial precisam fornecer um suporte para os futuros professores de arte através de disciplinas que contemplem o tema de modo crítico,

assim como permitir/incentivar a experimentação de técnicas através da apreciação e produção de trabalhos artísticos com essas características. Mas como será que “[...] os professores de Artes reagem aos desafios da adaptação do currículo? Como definem suas escolhas pedagógicas ao considerar as tecnologias como ferramentas para a promoção do aprendizado no ensino das Artes?” (MACALINI et al, 2013, p. 2833).

Tais perguntas servem tanto para os professores formadores, quanto para os professores atuantes na educação básica. Concorda-se, aqui, com esses autores, quando eles afirmam que o currículo deve propiciar conteúdos mais abrangentes e críticos no que se refere às tecnologias contemporâneas e que a formação docente deve apresentar um “[...] caráter mais político e mais crítico ao formar sujeitos que sejam rigorosamente competentes para compreender as tramas organizacionais do neoliberalismo na contemporaneidade, construindo um percurso a partir das artes e sua inserção social.” (MACALINI et al, 2013, p. 2837). No entanto, “[...] de modo geral os currículos de formação trazem poucas disciplinas que abordam os conteúdos tecnológicos.” (MACALINI et al, 2013, p. 2839). Tal fato prejudica a ampliação de conhecimentos dos futuros professores de artes visuais em relação a essa temática, não apenas em relação à instrumentalização técnica ou em relação à ampliação do repertório sobre a produção artística contemporânea, mas também por não permitir que o futuro professor descubra durante sua formação inicial a importância e os modos de uso delas.