undervisning uten teknologibruk?
Kapittel 7 Forhold ved læringsmiljøet som påvirker resultatene
7.3 Moderatorvariabler knyttet til selve undervisningsprosessen
A Lei no11.645/2008 determina que “[...] nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena” (BRASIL, 2008), sendo que no primeiro parágrafo há uma breve explicação da sua importância:
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos
aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. (BRASIL, 2008). No segundo parágrafo lê-se que “[...] os conteúdos referentes à história e cultura afro- brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.” (BRASIL, 2008). É importante ressaltar que a lei, mesmo sendo de 2008, ainda utiliza a nomenclatura “educação artística”, a qual foi alterada para “arte” a partir da LDB no 9.394/96,
ou seja, há 12 anos. Sobre essa temática é importante destacar que Rosa (2011) realizou entrevistas com professores de Arte da rede municipal de Florianópolis, em Santa Catarina, a respeito da Lei no 10.639/2003, a qual tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro- Brasileira, e foi reformulada pela Lei no 11.645/2008, que acrescenta a obrigatoriedade da História e da Cultura Indígena como conteúdo curricular obrigatório. Ela constatou que “[...] na maioria das vezes a Arte europeia e a Arte estadunidense são as únicas referências presentes, tanto na formação de professores quanto na prática pedagógica escolar.” (ROSA,
2011, p. 9). Esta mesma autora ressalta que isso acontece por haver um grande direcionamento por parte dos cursos de licenciatura em relação a esse tipo de arte.
Se os cursos de formação inicial em Artes Visuais, em geral, não abordam conteúdos ligados à temática da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, uma lei, ou um movimento de pressão social, ou mesmo as duas coisas tornam-se necessárias para que os conteúdos sobre esses assuntos estejam presentes na matriz curricular de tais cursos. Apesar de ser uma imposição e muitos considerarem que tal forma não é a ideal, ela se faz necessária quando se constata que em um país composto por negros, indígenas e brancos dá-se maior importância para a arte europeia e norte-americana enquanto que a arte produzida pelos afro- brasileiros e indígenas é praticamente desconsiderada. Sabe-se que o fato de ter apenas uma disciplina na matriz curricular num curso de licenciatura em Artes Visuais abordando essas questões não significa que tudo ficará equilibrado, no entanto, isso indica um movimento inicial no sentido de proporcionar maior visibilidade para esses temas.
Mas, o que é entendido por Arte Afro-Brasileira? Será que é a arte produzida pelos africanos que foram trazidos ao Brasil? Ou é afro-brasileira toda arte na qual a negritude está representada, seja ela feita por africano, afrodescendente no Brasil, ou não? Será que o fator determinante é a temática? Ou são afro-brasileiras apenas as obras em que autoria e tema estão vinculados aos africanos e seus descendentes no Brasil? (CONDURU, 2007). Esses questionamentos suscitam a reflexão sobre a dimensão que o termo “arte afro-brasileira” pode adquirir e sobre questões semelhantes que podem ser levantadas em relação à arte indígena. Tendo em vista todas essas possibilidades, será analisada uma exposição realizada no Paraná sobre essa temática e apresentados alguns trabalhos de um artista paranaense afro-brasileiro.
No ano 2011, o Museu de Arte da Universidade Federal do Paraná (MusA), que é um museu universitário ligado ao Departamento de Artes da UFPR, realizou uma exposição organizada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da UFPR, denominada “Africanidades”. Essa exposição foi coordenada pelo professor Paulo Baptista Vinícius da Silva, com curadoria de Marco Oliveira. Segundo o site de divulgação desse evento93, essa exposição visava reconhecer a presença de artistas negros(as) no cenário artístico contemporâneo como produtores de arte e não apenas como temática. Os artistas que tiveram trabalhos expostos foram: Jorge dos Anjos, Rosana Paulino, José Roberto da Silva e Washington Silvera. Os dois últimos são artistas paranaenses.
93 Disponível em: http://educacaoufpr.redelivre.org.br/2011/05/20/ufpr-realiza-exposicao-africanidades/ Acesso
Apresenta-se a seguir o trabalho do Washington Silvera, artista que nasceu em 1969, em Curitiba (PR), e vive nessa cidade até os dias de hoje. Estudou na UFPR, mas concluiu sua formação de forma autodidata, sendo que ele já possui vinte anos de carreira, sendo expositor de trabalhos artísticos desde 1994. Seus trabalhos mesclam fantasia e imaginação. Para conhecer uma pequena parcela do trabalho dele, duas obras foram selecionadas:
Figura 10. "Paladar, da série cinco sentidos"
Fonte: Silvera (2006)94.
Figura 11. "Mesa Branca".
Fonte: Silvera (2013)95.
Tendo por base esses trabalhos96, vê-se que o artista atua tanto com o autorretrato inusitado, quanto com a reinvenção de objetos banais do cotidiano. Segundo Nunes (2014), a poética de Washington Silvera consiste em transformar objetos conhecidos em coisas desconcertantes. Ele “[...] cria um mundo de coisas que estão situadas em algum lugar entre o real e o irreal, entre o fato e a ficção, em que o imaginário, ao se materializar, torna-se concreto e palpável.” (NUNES, 2014, p. 1).
Existem muitos outros artistas afro-brasileiros que trabalham com essa temática espalhados por todo o Brasil. No entanto, interessa aqui ressaltar a formação de um olhar mais amplo do professor de artes visuais, ainda na licenciatura, voltada a uma estética diferenciada da estética dominante: branca, machista, europeia e estadunidense, como aponta Rosa (2005). Por isso, aborda-se a perspectiva de analisar, na matriz curricular, como esses temas considerados inclusivos estão postos.
95 Disponível em: <http://www.pipa.org.br/pag/washington-silvera/>. Acesso em: 10 out. 2014. 96 Outros trabalhos desse artista estão presentes na abertura dos capítulos dessa dissertação