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Chapter 4. Analysis of empirical data

4.2 The teacher leader-teacher follower axis

2.3.1 Conceitos e abordagens de Projetos de Responsabilidade Social

Um projeto social busca, por meio de um conjunto integrado de atividades, transformar uma parcela da realidade, reduzindo ou eliminando um déficit, ou solucionando um problema, para satisfazer necessidades de grupos que não possuem meios para solucioná-las por intermédio do mercado. Cepal, 1995; Nogueira, 1998 (apud Coutinho 2006, pg. 763-787)

Frequentemente, os termos projetos, programas e políticas sociais são confundidos. Um programa social é um conjunto de projetos; e uma política social, por sua vez, é um conjunto de programas. Projetos e programas são a tradução operacional das políticas sociais. Um projeto envolve ações concretas a serem desenvolvidas em um horizonte de tempo e espaço determinados, restritas pelos recursos disponíveis para tal. Os programas, em geral, envolvem horizontes de tempo mais longos que os projetos. Pode-se, portanto, analisar um programa por meio do estudo dos projetos que o compõem. Cepal (1995, 1998) Apud Coutinho (2006).

O Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE) define que o Investimento Social Privado como sendo:

O repasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática para projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público. Incluem-se neste universo as ações sociais protagonizadas por empresas, fundações e institutos de origem empresarial ou instituídos por famílias, comunidades ou indivíduos. Os elementos fundamentais - intrínsecos ao conceito de investimento social privado – que diferenciam essa prática das ações assistencialistas são: preocupação com planejamento, monitoramento e avaliação dos projetos; estratégia voltada para resultados sustentáveis de impacto e transformação social; envolvimento da comunidade no desenvolvimento da ação. Gife (2014)

Fischer (2003) relata que a atuação social das empresas acontece de diversas formas: concentrando-se em um só projeto ou em diversos; por meio de doações esporádicas ou iniciativas de longa duração; e com formas diversas de gestão dos projetos. Para Nogueira (1998) a gestão do projeto consiste em dar unidade e coerência ao ciclo de ação. Um projeto tem como consequência um conjunto de produtos (gerados via processos de conversão), resultados (previstos nos objetivos e metas) e impactos (mudanças na realidade efetivamente alcançadas). A gestão deve assegurar que tais produtos, resultados e impactos sejam coerentes com a concepção e os fins do projeto, garantindo sua eficácia e efetividade, por meio de uma adequada combinação de recursos.

Golini (2014) desenvolveu um artigo para avaliar as práticas de gestão dos projetos sociais das organizações não governamentais, no artigo é abordado que de um modo geral, existem poucos estudos no desenvolvimento e literatura gerenciamento de projetos sobre a difusão das normas e metodologias dentro destas organizações, o artigo relata que este fato também acontece com o setor privado. Para o autor isto representa uma lacuna que os investigadores e praticantes estão tentando preencher. Sendo assim, o artigo considera em sua conclusão a importância do papel social e econômico desses projetos e das dificuldades de sua gestão, argumentando que mais atenção deve ser dada a esta área.

Considerando uma avaliação no nível Brasil, Coutinho (2006) considera que apesar do crescente número de pesquisas sobre o tema na literatura de RSC, sob a ótica da administração de empresas ainda é pequena a atenção dispensada à gestão dos projetos sociais, com vistas à obtenção de maior efetividade e sustentabilidade dos resultados.

2.3.2 Gerenciamento de Projetos de Responsabilidade Social

No relatório do IPEA (2013) de Planejamento e Políticas Públicas, enfatiza que com a recente adoção de uma cultura organizacional de responsabilidade social das empresas, requer o desenvolvimento paralelo de novas formas de gestão compatíveis com a efetivação destes objetivos pela empresa, de modo a institucionalizar posturas e instrumentos de gestão, com

relação aos seus stakeholders envolvidos, representados tanto por seu público interno quanto por fornecedores, comunidade, consumidores, meio ambiente, governo e sociedade.

Diante das abordagens levantadas no presente estudo no que se refere ao crescimento da relevância dos assuntos Responsabilidade Social Corporativa e Gerenciamento de Projetos, bem como a importância da aliança dos dois temas, pode-se observar que os dois temas tiveram seu marco histórico de relevância no mesmo momento, com o desenvolvimento da sua profissionalização através do aprofundamento do conhecimento, artigos e pesquisas desenvolvidas sobre os temas, bem como o reconhecimento da importância dentro das organizações. Conforme apresentado na figura 4, as fases evolutivas dos temas chegaram a um período exato de ápice a partir dos anos 80, antes deste período os assuntos dos temas expostos ainda estavam em suas fases embrionárias e iniciando o processo de desenvolvimento.

Figura 4 – Comparação da evolução histórica da relevância dos temas Responsabilidade Social Corporativa e Gerenciamento de Projetos

Carroll (1999), George (1987), Kreitlon, (2004), Faria e Sauerbronn (2008)

Adaptado Carvalho, Rabechini J.(2007) Apud Carvalho (2011) Criação dos modelos PERT CPM Surgem as associações IPMA e PMI Softwares de GP Cresce GP no Mundo

Momento em que as boas práticas de gerenciamento de projetos se consolidam Crescimento exponencial do número de Profissionais Certificados e Publicações Criação da disciplina de Gestão de Projetos na Graduação (EC2) e Pós-Graduação na Escola Politécnica Pós-guerra 60´s 70´s 80´s 90´s 2000´s -Princípios básicos da filantropia, da governança e de manifestações paternalistas do poder corporativo. -conceito de

responsabilidade social era associado à obrigação

- Surgem debates centrados na responsabilidade social

das empresas. As corporações passaram a responder por obrigações

mais amplas que a mera rentabilidade. Constitui-se formalmente a ética empresarial. - a idéia de responsabilidade dissocia- se da filantropia, e passa a referir-se às consequências das próprias atividades

usuais da empresa.

- marco principal com preocupações com ajustes fiscais, diminuição do tamanho Estado com a redução de despesas sociais, privatizações e desregulamentações, liberalização do comércio internacional, e renegociação das relações trabalhistas.

- aumento do poder global das corporações multinacionais e o crescimento exponencial do volume de investimentos diretos feitos por essas corporações em diversos países. - o crescimento do número de escândalos corporativos em paralelo à aproximação da área de estratégia do tema RSE;

1900 60´s 70´s 80´s 90´s 2000´s

Responsabilidade Social

Ao analisar o referencial teórico que trata da importância dos assuntos, observa se uma necessidade de se tratar os temas em conjunto como forma de alcançar melhores resultados. Conforme apresentado na Tabela 9, os temas Responsabilidade Social Corporativa e Gerenciamento de Projetos, são necessários para as organizações modernas obterem melhores resultados e manterem a sua sustentabilidade econômica.

Tabela 9– Comparativo da relevância dos assuntos: IMPORTÂNCIA DE PRÁTICAS DE

RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

IMPORTÂNCIA DA UTILIZAÇÃO DE BOAS PRÁTICAS EM GERENCIAMENTO DE

PROJETOS

- Porter (2011) - empresa deve liderar a campanha para voltar a unir a atividade empresarial e a sociedade, ou seja, utilizando como ele descreve como a solução deste conflito, a criação do princípio do valor compartilhado, que envolve a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade, com o enfrentamento de suas necessidades e desafios.

Porter (2011) O sucesso de qualquer empresa é afetado por negócios de apoio e pela infraestrutura que a cerca.

- REA e KERZNER (1997) afirmam que a responsabilidade social pode transformar um desastre em uma vantagem competitiva para a organização. Entretanto, a imagem da empresa pode ficar arranhada se não souber agir com responsabilidade social.

Ashley (2003) - Preço, qualidade e bom atendimento, entre outros atributos, eram considerados até bem pouco tempo um diferencial na relação da empresa com o mercado. Hoje são consideradas condições mínimas para uma empresa sobreviver. Em virtude da maior conscientização do consumidor e da procura por produtos e práticas que geram melhoria para o meio ambiente ou comunidade, valorizando aspectos éticos ligados à cidadania, o mundo empresarial vê na responsabilidade social uma nova estratégia para aumentar seu lucro e potencializar seu desenvolvimento. - FARIA (2008) enfatiza que a alta importância ocupada pela área de estratégia na academia de administração deveria levar seus pesquisadores a questionamentos rigorosos sobre a aproximação entre a área de estratégia e RSE.

- Carvalho (2011), na era do conhecimento, em que vivemos, são as atividades inteligentes (as de projetos, portanto) que mais adicionam valore aos produtos/serviços e não as atividades rotineiras. As atividades ligadas a P&D, projeto de produtos e de processos, logística, administração da Tecnologia da Informação, desenvolvimento de recusrsos humanos, entre outras, estão no grupo das atividades mais importantes para empresas que precisam ser mais competitivas em seus mercados.

- PMI (2004) considera que a estratégia organizacional deve orientar e direcionar o gerenciamento de projetos, especialmente quando se considera que os projetos existem para apoiar as estratégias organizacionais.

- Carvalho (2011), relata que a gestão de portfólios faz interface com a estratégia organizacional e alimenta as demais camadas da cadeia de valor em projetos.

- Prado (2003) a utilização de boas práticas de gerenciamento de projetos resulta em 1) redução do custo e prazo de desenvolvimento de novos produtos; 2) aumento do tempo de vida de novos produtos; 3) aumento de vendas e receita; 4) aumento no número de clientes e de sua satisfação e 5) aumento da chance de sucesso nos projetos. - Prado (2010)- O mundo hoje depende de projetos: quase um terço da economia mundial é gerado por meio de projetos. Para muitas organizações, são eles que garantem o dia de amanhã e lhes permite sobreviver e crescer.