7 MARKET AND CONSUMER RELATIONS WITH ANIMAL WELFARE
8.2 Systematic differences between the poultry producers
Com vimos na fundamentação teórica, todo professor, em formação inicial ou continuada, constrói e reconstrói repertórios didáticos durante experiências didáticas como, por exemplo, em uma atividade de tradução, tal como essa que propomos.
Na atividade tradutória de PA, constatamos que o aluno mobilizou diversos “elementos repertoriados”. Dentre os repertórios construídos nos textos que coletamos, podemos destacar alguns conteúdos relativos às teorias de tradução, apreendidos na disciplina de Tradução, e conhecimentos acerca da língua estrangeira em estudo, apreendidos antes e depois do ingresso na faculdade, como podemos acompanhar nos parágrafos posteriores.
Tomando como base o contexto em que está inserido, PA produziu seu texto de forma semelhante às conversas que produz no dia a dia. Essa ação denota uma relação entre os conhecimentos de mundo que tem e os conhecimentos teóricos, dos quais se apropria durante sua formação. Como vimos, nas análises anteriores, o estudante PA utilizou marcas linguísticas próprias de uma realidade informal, compreendendo que nossas condutas são formadas de fora para dentro, ou seja, extraímos do nosso mundo físico aquilo que podemos interiorizar para constituir nossa linguagem diária, nossos textos.
Assim como os saberes comuns sobre a língua, PA utilizou estratégias de tradução, provenientes dos saberes savants em tradução, proporcionados pelas disciplinas de Tradução I e II no curso de Letras. Como informado no questionário que aplicamos, o estudante PA convive com a língua francesa desde os 04 anos de idade e, de seu ingresso no curso superior, passou a (re)construir repertórios, enquanto aprendiz.
O contexto de produção de LE possibilita a interação entre os saberes
comuns e os saberes savants. Quando perguntamos para PA, durante a entrevista de
explicitação50, sobre os conhecimentos comuns e teóricos em LE e a atividade de tradução na formação do aluno aprendiz, respondeu da seguinte forma:
50
Lembramos que, mesmo que tenhamos um modelo de perguntas, cada sujeito tratou de forma diferente suas atividades e produziu concepções particulares a respeito delas, demonstrando um caráter
Fragmento 1
PA – O aluno uma hora vai querer partir do conhecimento que ele tem da língua materna dele, vai querer uma hora fazer uma associação, a gente tá sempre associando, né? Principalmente alunos que já:: têm...já são adolescentes, da adolescência pra fase adulta. Então, eu acho que a tradução assim, você não... é impossível você não associar, principalmente com sua língua materna, uma hora você vai querer tradução, você vai querer uma correspondência, sabe? Eu acho que o professor tem consciência... tem que ter consciência disso, não pode fazer um curso completamente voltado pra tradução, mas também não pode fazer um curso que exclua.
Esse princípio em que acredita PA pode ser considerado um repertório. Quando PA afirma que o aluno deve ter a consciência da associação entre o conhecimento da língua materna e da língua estrangeira, ele constrói seu repertório didático com base em uma cultura linguística pré-existente à aprendizagem em FLE.
Nesse contexto de atividade tradutória na formação, PA reúne os elementos que podem compor sua futura prática e fala, em um trecho da entrevista, a respeito, principalmente, da finalidade da utilização da tradução na interação na sala de línguas, tendo em vista a disciplina de tradução no curso de Letras:
Fragmento 2
PA - Para que a gente tivesse a consciência dos tipos do:::de tradução que existem, que não necessariamente era aquela tradução literal. Então, eu acho que também na sala de aula isso conta muito, porque o professor saber que ele não é obrigado, que às vezes o aluno pergunta: “- Mas e por que que, se a gente fosse traduzir s’il vous plaît..., por que é que traduz por favor e não se isso vos agrada?” ; alguma coisa assim para o professor ter essa consciência de que são culturas diferentes, de que se escreve, mas existe um contexto, um significado, tá entendendo? Eu acho que o professor tem que ter, assim, uma consciência na base da tradução, porque uma hora ou outra ele vai ter que traduzir por mais que se evite, né? E têm horas que a tradução realmente é necessária, eu acho que::chega uma hora em que a tradução é necessária.
heterogêneo das entrevistas. Este caráter proporcionou a modificação das perguntas, à medida que acontecia a verbalização, possibilitando que outras perguntas fossem feitas com base nas respostas.
Acreditamos, como já dissemos, que na atividade de tradução podem acontecer interações entre o texto de partida e o tradutor, entre o tradutor e o texto de chegada e entre o texto de chegada e o leitor. A leitura também foi relevante na produção do estudante PA, já que ele se preocupou com o leitor do texto, pressupondo que seria um leitor com conhecimentos comuns em LF. Além da leitura do outro, a leitura do próprio PA foi importante nesse processo, pois a leitura em LF possibilitou a inserção de conteúdos linguísticos relacionados não só à língua estrangeira, mas também à língua materna. Quando se trata da aprendizagem de uma língua, diz Cicurel (2011), o repertório verbal constitui o repertório didático.
Na tradução foram mobilizados estratégias e organizadores textuais, que articularam e mantiveram a coerência temática do texto. Este é reconhecido como texto por se tratar de uma produção de linguagem que apresenta traços das decisões do produtor, em função da sua situação comunicativa. Assim, as decisões de PA são influenciadas por sua trajetória formativa fora e, principalmente, dentro da academia.
A próxima análise é constituída do texto traduzido, da entrevista e de dados complementares, como os questionários, referentes ao aluno PC.