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Partindo dos dados apresentados, constatamos que a política tarifária limita o acesso ao transporte. Portanto, é necessário criar estratégias que possam facilitar o acesso dos moradores a toda a cidade de São Paulo.

A demanda por transporte coletivo na capital paulista, por conta da reestruturação do sistema que permitiu a implantação do BU, que também coibiu o transporte ilegal e priorizou o transporte coletivo, reverteu o indicador de perda de usuários, que em 2003 era de 50% em relação ao início da década passada. (WAISMAN, et alli, 2005)

Nossa dissertação afirma que o B.U. é uma importante ferramenta para que se estabeleçam regras de acesso à cidade para a população moradora principalmente da periferia.

O “Projeto de Bilhetagem Eletrônica” que resultou no “Bilhete Único”, tem pelo menos 30 soluções diferentes e vários provedores de solução envolvidos no projeto. Entre os problemas, o maior deles era a questão da recarga, pois todos os cartões são pré-pagos e a recarga não pode ser feita a bordo. Várias cidades brasileiras falharam em criar e espalhar uma rede de recarga. Devido a acordos com empresas especializadas em benefícios (VT) e com a Caixa Econômica Federal.

A tecnologia da bilhetagem eletrônica empregada no B.U. ainda permite outras facilidades na operação de sistemas, nas quais as tarifas podem ser alteradas por diversos fatores (valores diferentes em relação à distância percorrida, diferenciação quanto ao dia útil e final de semana, diferenciação quanto ao horário – pico e vale, diferentes tarifas para os diversos tipos de usuários, bonificação em forma de desconto para usuários frequentes, tarifas reduzidas para usuários de baixa renda, etc), ensejando assim uma futura ampliação de sua aplicação.

Na cidade de São Paulo são disponibilizados atualmente os seguintes tipos de BILHETE ÚNICO:

Bilhete Único comum, como o próprio nome já diz, é o mais usado e pode ser requerido por

qualquer pessoa. É só se dirigir a qualquer posto autorizado da SPTrans, pagar a tarifa de uma viagem e o valor mínimo para a primeira carga do cartão. Pode ser adquirido em um dos postos de atendimento da SPTrans, postos autorizados (bancas de jornal, padarias, mercados e etc.) e em casas lotéricas. Para obter pela primeira vez, é preciso fazer uma carga inicial de, no mínimo, cinco (5) tarifas. Pode ser usado em todos os ônibus, micro-ônibus, Metrô e CPTM e nos terminais e estações de transferência do Expresso Tiradentes. Para utilizá-lo, encoste-o no validador instalado junto à catraca e espere a luz verde e o sinal sonoro (bip). Retire o bilhete e passe pela catraca. Você verá o valor da tarifa descontado. A partir desse momento, você poderá utilizar mais três embarques em ônibus, micro-ônibus do sistema municipal, dentro de um período de até três horas, sem pagar nova passagem ou utilizar o Metrô ou CPTM dentro de duas horas, pagando o complemento do valor da integração.

Bilhete Único – estudante e professor, destinado a estudantes e professores do ensino

fundamental, médio (regular e supletivo), superior, técnico profissionalizante, mediante solicitação da escola. Paga-se apenas meia tarifa.

Bilhete único – Vale Transporte, é fornecido pela empresa ao empregado. Permite fazer até

4 viagens no período de 2 horas, ao custo de uma tarifa.Não há restrição quando o bilhete for utilizado por uma pessoa no ônibus, garantindo integração de duas horas e de até quatro embarques, ao custo de uma tarifa, mas para utilizar um mesmo cartão, no mesmo veículo, é preciso aguardar 30 minutos, após a passagem pela catraca.

Bilhete Único Especial, garante o transporte gratuito nos ônibus da cidade a idosos (homens

com 65 anos ou + e mulheres com 60 anos ou +) e a Passageiros Especiais (pessoas com deficiência física, auditiva ou visual). Obesos e gestantes a partir do quinto mês também têm o benefício de sair pela porta da frente do ônibus, desde que paguem a tarifa comum. Não é permitida a integração com Metrô e CPTM.

Bilhete Mãe Paulistana, garante o transporte gratuito para consultas e exames nas Unidades

Básicas de Saúde, em ônibus e micro-ônibus do sistema municipal de transporte coletivo, a todas as gestantes cadastradas.

Bilhete Único Amigão, o Bilhete Único Amigão é um benefício que permite que os usuários

do crédito tipo comum façam até 4 viagens de ônibus em 8 horas aos domingos e feriados, pagando uma tarifa. Foi criado para permitir que os paulistanos que usam transporte coletivo aproveitassem melhor os domingos e feriados em passeios mais prolongados, ao custo de uma tarifa. Com o Bilhete Único Amigão, a Prefeitura de São Paulo beneficia 200 mil passageiros por dia. Para aproveitar o benefício do Bilhete Único Amigão, deve-se usar o Bilhete Único pré-carregado e com a última carga igual ou superior a quatro tarifas de crédito comum. Além disso, não poderá embarcar no mesmo veiculo no intervalo de 8 horas, pois uma dupla passagem do Bilhete Único na catraca acarretará a cobrança de uma nova tarifa.

Nas primeiras duas horas, você poderá utilizar o Bilhete Único Comum na integração com Metrô ou CPTM, a um acréscimo de R$ 1,65, totalizando R$ 4,65 (tarifa integrada com

trilhos). Nas seis horas seguintes, deverá utilizar somente ônibus, não ultrapassando mais de 3 viagens, para evitar a cobrança de uma nova tarifa.

Desde o dia 13/02/2012 o valor da tarifa é de: Só ônibus: R$3,00

Ônibus e Metrô ou CPTM: R$ 4,65

A implantação do Bilhete Único, concebido para permitir a viagem temporal e a integração entre outros modais (metrô, ônibus e trem metropolitano), de certa forma ampliou a distância possível de ser percorrida com apenas uma passagem. Dentro do limite temporal de duas horas (intervalo, definido a partir de análise dos dados da Pesquisa Origem e Destino de 1997 – CMSP), o B.U. permite que a população usuária do sistema de ônibus, faça quantas integrações forem necessárias para seu deslocamento, em qualquer ponto de parada ou terminal, pagando apenas uma tarifa (SPTRANS, 2005)

O Bilhete Único da cidade de São Paulo foi uma solução criada pela SPTrans, empresa responsável pelo transporte de ônibus, ligada ao governo municipal. Hoje, em dia, o B.U. também é aceito no Metrô e nos trens da CPTM.

“As tarifas altas repercutem em aspectos fundamentais na vida dos usuários. Um desses aspectos é o entrave na busca por oportunidade de trabalho, ou quando a pessoa está empregada, mas mora longe do local de trabalho, há menor quantidade de renda disponível para atender outras necessidades básicas”. (METRÔ, 2006:10)

Vale lembrar que o B.U. ainda não atende a Região Metropolitana de São Paulo, porém já há estudos para o desenvolvimento deste acesso.

Lançado em 18 de maio de 2004, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, o B.U. permite atualmente que o passageiro faça até quatro viagens pagando uma única passagem dentro de um período de três horas. Permite ainda fazer integrações com outros meios de transporte – metrô e trem – pagando um preço aproximadamente 50% menor do que o da tarifa completa. Isso, contudo, só acontece se a integração for feita em até duas horas. Vencido este prazo, o usuário paga o valor normal da passagem. (SPTRANS, 2011)

“A base do sistema Interligado era a ampliação das possibildades de conexão entre linhas em qualquer ponto da cidade, propiciada pela bilhetagem eletrônica”.. (SOUZA; COLARES, 2005:2)

Os cartões usam tecnologia sem-contato Philips Mifare. A solução original (em 1997) foi baseada na solução adotada na cidade de Seul, Coréia do Sul, mas foi abortada devido a problemas do software com a complexa regulamentação do Vale Transporte. Por volta de 2001/2002 o projeto foi reiniciado pela SPTrans, que decidiu que haveria pelo menos 2 provedores de solução para cada necessidade do projeto, para não depender exclusivamente de apenas uma provedora como outras cidades fazem.

Em uma pesquisa exploratória destinada à avaliação da utilização do B.U., realizada no final de agosto de 2004, Waisman et alli(2005) constataram que cerca de 83% dos usuários portadores do B.U. passaram a realizar mais viagens por semana após implantação do mesmo. Para estes usuários, 39% declararam ter deixado de andar a pé. Houve também a transferência de outros modos para o ônibus, ou seja, 9% transferiu-se para o trem metropolitano, 6% para o metrô e 2% para o automóvel. A redução de despesas com transporte foi apontada por 56% dos usuários de renda menor que 5 salários mínimos (SM), sendo que os valores economizados forem redirecionados, por exemplo para aquisição de alimentos (36%) e compras diversas (11%).

A partir da adoção do B.U. pelo Metrô, a situação se modifica. Na Tabela abaixo podemos verificar a totalização da demanda em 2011, e percebemos a grande utilização do B.U., que foi responsável por 76,4% das entradas bilhetadas no sistema Metrô. Este resultado vem confirmar o impacto imediato da integração do B.U. ao sistema metroviário de transporte.

Figura 12 - Fonte: Metrô SP

Talvez por perceber o grau de importância naquilo que o B.U. traz para a vida do cidadão, alguns políticos o utilizaram nas campanhas políticas à prefeitura de São Paulo em 2012, e o ele (B.U.) passou então a ser objeto de disputa entre candidatos. Abaixo, algumas amostras:

"Serra colocou a casa em ordem e fez um Bilhete Único melhor. Foi ele quem, ao lado do governador Geraldo Alckmin, integrou o Bilhete Único ao Metrô", diz o texto no site da campanha do candidato tucano.

"É claro que nós queremos a integração, mas nós não controlamos o Metrô nem a CPTM", diz. Tanto o Metrô quanto a CPTM são vinculados ao governo do Estado. (deputado CARLOS ZARATTINI- PT).

O Atual prefeito da cidade de São Paulo Fernando Haddad havia prometido o B.U. mensal apenas para 2014, mas em 02/abril/2013 anunciou em coletiva na prefeitura que conseguiu adiantar o prazo e pretende dar início às operações do bilhete mensal já em novembro deste ano. Porém segundo ele, ainda não há previsão de uma resposta desta modalidade sobre a integração com o Metrô.

É preciso que o governo do Estado faça estudos orçamentários para saber da viabilidade do projeto. Haddad deixou claro que não há nenhum problema de tecnologia para a implementação do bilhete integrado, mas depende, claro, da vontade política. (HADDAD, 2013)

Haddad deixou claro que não será preciso aderir ao Bilhete Único Mensal ou seja, o trabalhador utiliza o plano se achar vantajoso. Caso entenda que a medida não trará benefícios, basta continuar utilizando o bilhete da forma como utiliza hoje.