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4.3 Description and questionnaire analysis

4.3.5 Questionnaire summary

“... significado é só de alegria. É, significa o que? Que eu estou fazendo coisas que eu sempre quis fazer. Sabe, ser uma pessoa normal, ter disposição, uma coisa que eu não tinha antes, disposição, sabe. Um amigo me chama, ah, vamos para tal lugar. Ah não, não estou com vontade. Ah, vamos. Ah, não estou com vontade. Hoje não, qualquer lugar que me chama para ir, tô dentro, vamos... É disposição. Ás vezes a vontade tem , você entendeu. Mas você imagina assim que tem que andar daqui lá e tal, então eu pagava para não andar, sabe. Apesar que eu tinha que andar. Porque, eu absorvia muita energia e não gastava.”

b) Entrevista - Bia

“... acho que é felicidade, viu. Porque hoje eu me sinto tão feliz de me ver o quanto eu posso fazer assim, sem me cansar, sem me depender de ninguém. Porque eu não dirigia, não dirijo, então se eu fosse sair quisesse ir de carro tinha que ta pedindo pra alguém me levar. Agora não, eu vou, se precisar pegar o ônibus, eu pego o ônibus, e vou. Então eu me sinto muito feliz. Não alcancei o peso que eu quero, mas já me sinto realizada... Acho que tem um significado de vitória mesmo, que eu corri atrás dos meus sonhos e consegui chegar lá. Que como eu te falei, vim lá do Paraná para chegar até aqui. Deixei a minha família, deixei tudo que eu fazia e acho que valeu a pena foi assim uma vitória mesmo.”

c) Entrevista - Caio

“Ah, tudo. Tudo, tudo. Não que eu esteja mudando o caráter, a personalidade, porque isso já vem. Mas é vida, significa mais vida. Como eu disse a pouco é melhor condição de vida. Melhor condição de vida é em todo sentido, não dá para mim priorizar, são todos os sentidos. Se têm quatro lados a minha vida eu quero os quatro. Então vou buscar cada coisinha né, que a minha vida me proporciona. Não que eu vá mudar a dos outros, não mudança na minha vida. Tanto é que esse

espaço agora que eu ocupo Renata, sou eu. Tanto é que quem está respondendo agora sou eu, não é a menina da esquina, ou a menina do lado, sou eu. Então esse espaço é muito importante para mim, e hoje esse espaço é menor, é só duas cadeiras.”

d) Entrevista - Dirce

“Ah, é bem melhor que antes. Eu tô vivendo, eu vou e volto, mais agora do que antes... De que vou correr, eu já pensava, ah, vou correr e não vou agüentar, não gosto de correr, não gosto de andar, então você já, ficava pensando, vou começar a correr com alguém e já, vou chegar até ali e só pra ficar tirando o sarro. Então, hoje não, será que você consegue. Eu tô tentando, tô melhorando a cada dia, então.”

e) Entrevista - Elen

“Significa que, né, como eu tô falando, né, me sinto outra pessoa. Tá muito bom pra mim, nossa, tô muito feliz. Se eu imaginasse que fazer essa cirurgia fosse desse jeito, eu tivesse conseguido mais antes, eu teria feito mais antes. Porque vale a pena, e é muito bom...Era assim, amarga, né. Um passado amargo, muito amargo. Hoje em dia é doce, suave, gostoso.“

f) Entrevista - Fernanda

“Não sei dizer. É a coisa mais importante da minha vida. Falam que tem tanto problema no mundo e, que nem lavar roupa mesmo, quando eu fazia serviço, eu colocar a roupa no varal, nossa, tinha tontura. Era um sacrifício, caía. Quantos tombos não cai no quintal da casa...Ficava virando né. Agora pra mim é bem mais fácil. Não tenho mais problema... É mais fácil. Pra mim andar também, tinha tontura, se eu fosse andar rápido não conseguia, né, andava de um lado para outro, parecia bêbada. É bem melhor agora... Me sinto mais leve, né. Fazer tudo que, pra caminhar, pra fazer o serviço... Parece um milagre, né. (risos) Um milagre que aconteceu na minha vida.”

Amadeu relata que o significado que tem para ele a sua locomoção (mobilidade) é de alegria. Hoje, ele está conseguindo fazer coisas que sempre quis fazer, ser uma pessoa normal, ter disposição. Para Bia, é felicidade e vitória. Felicidade, por ver o quanto pode fazer as coisas sem se cansar, depender de ninguém, se precisar ir a um lugar, pode pegar um ônibus e ir. Vitória, porque correu atrás de seu sonho e conseguiu. Ela deixou sua família no Paraná, largou tudo que fazia para ser submetida à cirurgia bariátrica. Caio diz que significa tudo, mais vida, é a melhor condição de vida em todos os sentidos. Para Dirce, significa ser bem melhor que antes, que está vivendo, vai e volta, está tentando fazer coisas de que antes desistia, como ir até a algum lugar; achava que não conseguia e nem tentava; hoje tenta e está melhor a cada dia. Elen refere significar ser outra pessoa, está mais feliz, pois seus dias antes eram amargos, hoje, viver é doce, suave, gostoso. Fernanda diz significar ser a coisa mais importante em sua vida. Sente-se mais leve, consegue colocar a roupa no varal, andar, parece um milagre que aconteceu em sua vida.

2.1 - Como você percebe seu corpo após a cirurgia? a) Entrevista - Amadeu

“... a gente já começa a perceber pela roupa que a gente vestia, né... Ela começa a cair, ela já começa a ficar larga, você entendeu. Algumas que dá para você ajustar você ajusta. Senão você faz, tem que comprar a roupa que você chega, você usa um número 66 igual no caso que eu usava e aí hoje já cai para 58, você entendeu, 56. E a roupa do gordo você coloca, você jamais vai viver assim de elegância, tem assim uns gordinhos que são elegantes mas tem uns gordinhos exagerados que não tem elegância nenhuma. Você já, você já vê assim, um tamanho de roupa melhor, né. Inclusive hoje, que a minha roupa eu mesmo que lavo, né. Pôxa, você vai lavar uma calça uma camisa do gordo é enorme...Parece um lençol, se vai passar se passa o ferro pra lá e pra cá e não acaba. Hoje não, a roupa até pra lava é mais leve...Diminuiu, sabe. Então as coisas, você vai ver, e outra coisa também, às vezes o gordo ele foge do espelho né. Ele só se olha no espelho assim do pescoço pra cima né, hoje não, hoje você tem assim uma

necessidade, uma curiosidade, de tá se olhando. Começa falar, ah, você ta bonito, e tal. Então você sabe, aí você começa a se olhar...”

b) Entrevista - Bia

“... dá pra ver que eu já mudei bastante, né. Apesar que agora a gente olha e vê assim umas peles que não tinha antes, né. Mas acho que tudo isso é conseqüência né. Então, eu procuro não olhar para isso, eu olho e só vejo o quanto que ele diminuiu, o resto eu não vejo. Mas assim, dá pra ver o quanto mudou o meu corpo, para melhor... Mudou bastante, dá para perceber.”

c) Entrevista - Caio

“Ah, maravilhoso. Maravilhoso! É, eu ainda não me desfiz de roupa. É, como é que eu digo. Olhando para aquelas coisas, aquilo é antigo, aquilo é do morto, aquilo já foi. Então tá lá separado, tem algumas coisas que não servem ainda, tem coisas eu comprei há anos que não me serviu, então é uma surpresa, cada dia você descobre, é assim, como uma criança ou um adolescente que está descobrindo seu corpo. Ah eu não fazia isso, tipo, eu não agachava com essa freqüência, eu não dobrava o joelho e dobrei o joelho, ah eu não conseguia é fazer flexão, tanta flexão abdominal hoje eu consigo. Então é uma descoberta a todo instante. Ah, eu consigo subir, andar e não sinto falta de ar. Hoje eu corro. Então é uma descoberta maravilhosa. Como eu sinto meu corpo, funcionando! Eu sinto meu corpo funcionando!”

d) Entrevista - Dirce

“Cada dia menor... É. Cada dia melhor, que nem eu falo assim, quando você olha no espelho, você fica assim, não tô nem aí, mas sem trauma. Só sei que ele tá diminuindo, depois a gente dá um jeito, né. Depois faz exercício, cirurgia, mas o que importa é conseguir eliminar o indesejável, calorias, né.

“Eu percebo que tô mais esperta, mais saudável, prá tudo, prá se virar, prá agachar, tá. Nossa. Só o que eu tô notando é que tá descendo uns poucos a mais, sabe, assim, tá ficando flácida a pele, né. Mas isso aí não importa, não esquento a cabeça com isso não. A minha vontade é de emagrecer. Tô muito feliz, a minha vontade é emagrecer. Sobre as peles que vai sobrando, isso aí fica escondidinho debaixo da roupa, né. Isso aí pra mim tá ótimo.”

e) Entrevista - Fernanda

“Ah, bem melhor, né... O problema é que fica a sobra, sobraiada pra todo lado, né. Tem que caminhar bastante, né. Pra, não ficar, as pelancas cair.”

Síntese da questão 2.1

A percepção de seu corpo, após a cirurgia, para Amadeu, é constatada pela roupa que antes vestia e hoje está larga ou começa a cair; antes da cirurgia usava número 66 e hoje está usando 56. Diz que fugia do espelho, só olhava do pescoço pra cima, e hoje tem uma necessidade, curiosidade em olhar. Para Bia, percebe que seu corpo se modificou bastante, pois vê “umas peles que não tinha antes”, relata evitar o olhar para a pele e perceber o quanto seu corpo diminuiu e está melhor. Caio relata que percebe seu corpo, após a cirurgia, como maravilhoso, porque é uma descoberta maravilhosa a todo instante; hoje ele se abaixa com freqüência, faz flexão abdominal, sobe, anda, corre, é como uma criança ou adolescente que está descobrindo seu corpo. Sente seu corpo funcionando. Dirce percebe seu corpo cada dia menor e melhor. Olha no espelho sem trauma e sabe que está diminuindo, faz exercício e o que importa é eliminar as calorias. Para Elen, a percepção é de que está mais esperta, saudável, se agacha, consegue se virar. Percebe que está ficando flácida a pele, mas não se importa: as peles ficam escondidinhas debaixo da roupa, a vontade é de emagrecer. Fernanda percebe seu corpo bem melhor, o problema, para ela, são as peles que sobram e diz que precisa caminhar.

a) Entrevista – Amadeu

“Olha, felicidade, sabe. É, as pessoas parecem que elas se achegaram mais, né. Tem a curiosidade de saber o processo da cirurgia, até pessoas que não vão fazer, tem uns que são obesos e pensam em fazer esses daí estão sempre chegando, às vezes, eles se tornam até repetitivo com as perguntas, pra, sabe, acho que talvez pra adquirir uma confiança para fazer a cirurgia. Mas a gente também foi paciente um dia e continua sendo e fizemos várias perguntas. Você entendeu. Às vezes, até, pelo que passou e tem pacientes que vão passar, às vezes a gente também acaba fazendo até um trabalho psicológico, né, com aquele paciente. Orientando olha, assim, sabe. Então eu estou muito feliz, e as pessoas também chegam em mim e falam assim, eu admiro você, eu me orgulho de você, às vezes tem pessoas que falam, eu queria ser igual a você. Assim, pela perseverança, pela vitória que eu tive. É, eu sou vitorioso. Hoje eu tenho, é, 83 kilos a menos o que eu tinha, sabe. 83 kilos a menos, uma vez eu fiz um eletrocardiograma. E eu peguei e falei assim, aí doutor, como é que está meu coração. Ele falou assim, imagine um motor de um fusquinha puxando uma carreta carregada, sabe. Aí eu falei assim, então esse motor não vai durar muito tempo. Uma hora ele vai fundir o motor, porque é muito peso para pouco motor. Então hoje eu to com mais motor e com menos peso. Você está com motor de caminhão com um fusquinha... É felicidade. É poder estar vivendo a cada dia, um diferente do outro. Porque a cada grama que eu emagreço é uma atividade amanhã, ou hoje mesmo a mais que eu posso fazer.”

b) Entrevista – Bia

“...eu me sinto meio boba ainda. Acho que ainda não caiu muito bem a minha ficha. Eu estou sonhando. Sabe por que, sei lá, é uma coisa que esperei muito tempo para acontecer e então, nesse pouco tempo que aconteceu, eu estou em estado de graça assim. Eu estou viajando. Mas é muito bom... Primeiro porque me sinto bem, me sinto melhor. Depois porque saio na rua e os amigos te olham e falam, nossa como você está diferente, está mais bonita. Então é uma sensação boa que te trás felicidade, né. E isso é gostoso... me sinto mais leve, me sinto feliz. Então é uma sensação boa, mas primeiro para mim. Porque é comigo que está acontecendo...”

c) Entrevista - Caio

“Olha se eu for avaliar o que eu como eu me sinto hoje, se eu falar bem, eu vou estar é, sendo negligente comigo mesmo. Hoje eu me sinto muito bem. Muito bem, e vai melhorar, porque eu estou naquele processo comigo mesmo. Hoje eu já tenho a relação da alimentação o que eu posso e não posso, quanto ta, as medidas já conheço. Tem aquele fantasma do dumping que sei muito bem trabalhar ele. Hoje eu já vou as reuniões, festinhas numa boa. Já não é mais aquele puxa anti-social, chegou aquele comilão. (risos) Não que ele é anti-social. Eu sei. Mesmo com a cirurgia tem pessoas que se tornam anti-sociais, posso isso, não posso isso. Não se não posso eu não posso, não precisa falar. Não precisa ser desagradável. Eu não, sou bom divã, sociável, extrovertido, brinco. Eu sou é bonagente.”

d) Entrevista – Dirce

“Me sinto melhor. Melhor, mais feliz. É gostoso, né. Você vê, aonde você vai, nossa, como você está magra, ai, como você está mais bonita. É, tudo isso é gostoso. Porque antes, às vezes você chegava em alguém, nossa, como você está gorda. É só isso que vem falar pra você. Você não é conhecida pelo seu nome, ah, é a gordinha do C.O., a gordinha ali. Ah, Dirce, que Dirce, a gorda, então muda.”

e) Entrevista - Elen

“Nossa, eu fico muito feliz. Eu olho no espelho e fico, olha como eu estou emagrecendo, roupa que não estava servindo mais, agora já serve. Nossa, a cintura tá afinando mais, nossa, eu tô muito feliz... Eu olhava mais eu tinha até medo. Chorava, falava meu deus, que corpo horrível. Eu cheguei até a mandar uma carta lá pro Ratinho, pra ver se eu conseguia uma cirurgia, um regime, alguma coisa. Porque eu não suportava mais aquela gordura. Cento e trinta quilos... Eu me olho. Eu me olho e eu tô muito feliz, é muito diferente. Nossa, diferente, muito...Eu tô outra Elen hoje. Muitos disseram pra mim que aquela Elen anterior não existe. Eu tô começando a viver depois da cirurgia outra fase. Eu me sinto assim, sabe.Que eu estou começando a dar mais felicidade na minha vida. Eu tentava ser feliz mas não

era feliz. Sabe quando você tenta uma coisa e você não consegue? Eu fazia isto, todo mundo via eu com sorriso. Pra alegrar mais as pessoas, só que por dentro eu não era feliz. Eu me fazia de feliz, mas eu não era feliz...agora ela é feliz mesmo de verdade...Eu sou assim agora direto, direto. Se a caso eu fico nervosa por alguma coisa assim, de repente já passa, eu falo, ah, deixa isso pra lá, porque fazer isso, isso faz mal pra gente. Deixa eu ficar com a minha felicidade, com minha alegria. Nossa, eu me sinto muito feliz... Questão das pessoas me olharem, né. Ás vezes até as criancinhas, né. Você vai passando na rua, na frente da criança, porque a criança não tem maldade né... Às vezes nem tá. Mas você se sente assim, entendeu. Agora hoje em dia, nossa, aquilo, eu saio na rua assim, as pessoas falam assim. Nossa, Elen, como que você está emagrecendo, como que você está mais magra, você está ficando bonita. Nossa, aquilo me enche de alegria. Nossa, eu fico muito feliz... Sinto que as pessoas estão me olhando, imaginando. Quem fala de mim, eu sinto que as pessoas estão imaginando que a Elen está emagrecendo. Acho que ela deve estar fazendo alguma coisa para emagrecer, imaginando isso, sabe...Hoje eu me sinto como uma pessoa normal. Antes eu sentia como uma pessoa doente. Deus me perdoe de eu falar, porque é muito triste essa palavra, porque a gente tem muito dó de as pessoas que são assim, mas eu me sentia uma pessoa deficiente. Eu me sentia assim, não era, tinha perna, braço, eu andava. Mas por causa da obesidade era muito grande, né. Os cento e trinta quilos, cento e vinte e cinco quilos, eu me sentia uma pessoa desse jeito. Uma pessoa deficiente que não tinha coragem pra nada. Não tinha felicidade pra nada. Se fazia que estava feliz, mas não estava feliz. Agora hoje em dia me sinto uma pessoa normal. Uma pessoa igual todo mundo, normal. Uma pessoa feliz, pode trabalhar tranqüila, andar, passear, se divertir, né. E antes eu não tinha essa felicidade.”

f) Entrevista – Fernanda

“Eu me sinto bem feliz, né. Mais do que antes. Porque era uma dificuldade muito grande para emagrecer, só com cirurgia mesmo, né.”

Amadeu sente se hoje feliz e vitorioso, parece que as pessoas se aproximaram mais dele. Bia sente-se meio boba, parece estar sonhando, viajando, se sente melhor, uma sensação boa. Caio se sente muito bem e vai melhorar, porque está num processo de mudança. Dirce sente-se melhor, mais feliz, as pessoas falam que está mais magra e mais bonita. Elen se sente muito feliz, olha no espelho e percebe o quanto está emagrecendo, a cintura está afinando, está começando a dar mais felicidade em sua vida porque pode andar, trabalhar, passear, se divertir. Fernanda se sente bem feliz, porque está conseguindo emagrecer.

Em resumo, encontramos:

Na questão 1, (englobando 1.1, 1.2 e 1.3)

A vida, após a cirurgia, para Amadeu trouxe felicidade, apresentando uma elevada auto-estima. A sua mobilidade melhorou visivelmente, pois consegue amarrar os sapatos, subir no telhado, ficar trabalhado abaixado, apresentando muita energia para realizar as atividades físicas e culturais, como ler um livro e escutar música. O lugar de que mais gosta da casa é o quarto, porque se identifica com ele, se sente bem, é onde reflete sobre o dia e relaxa. Ele gosta de ir ao projeto semear, um viveiro de plantas, à escola de música e à Igreja; refere que os lugares de passeio não mudaram, mas a freqüência a esses lugares aumentou.

Bia relata que a vida, após a cirurgia, mudou, é felicidade. Ela está mais tranqüila por não ter mais vontade de comer, diz que antes não saía de casa, hoje acorda cedo, caminha e os serviços de casa, que antes não conseguia realizar, hoje consegue, como fazer a comida, lavar roupa, encontrando-se mais disposta. Não possui um lugar de que mais gosta de casa, pois nem fica mais em sua casa. Por ser religiosa, participa dos grupos de jovens da igreja.

Caio, após a cirurgia, aprendeu a se respeitar mais, a dar valor a outros valores da vida, sendo uma vida nova; tornou-se mais maleável e com uma elevada auto-estima. Ele refere que sua locomoção está uma maravilha em todos os sentidos: voltou a estudar e a trabalhar com mais disposição. Sua casa, gosta dela como um todo, é o seu castelo. Seus lugares sociais são aqueles onde há pessoas para conversar, como um restaurante, cinema, teatro, igreja.

Dirce relata que sua vida, após a cirurgia, mudou bastante. O momento da refeição se tornou sagrado, sua mobilidade se modificou, conseguindo cortar e fazer as unhas dos pés, andar de ônibus, colocar as roupas, se deslocar para a casa do vizinho, caminhar sem sentir falta de ar, circular em lugares estreitos sem medo e percebe uma maior disposição. Sobre a sua casa, gosta mais da sala, porque é onde a família se reúne, conversa e é grande. Sua vida social, por ser caseira, freqüenta o grupo de jovens e trabalha na pastoral da Saúde.

Elen, após a cirurgia, enfrentou um momento traumático, pois teve que ser submetida a uma endoscopia por ter se entalado com um pedaço de goiaba. O seu apetite, até os dois meses, não havia se modificado, sentia muita fome, mas, atualmente, está se acostumando a comer menos. Sobre sua mobilidade, agora consegue se abaixar para pegar as coisas no chão, limpar o canto, faz caminhada, sente ter mais ânimo para realizar as atividades de casa e do serviço. Sobre sua