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Live sailing, part 5. In area Aalesund, narrow waters, in darkness

4.1 Introduction to the live observations

4.1.6 Live sailing, part 5. In area Aalesund, narrow waters, in darkness

Desde a sua fundação, em 1554, até os dias de hoje, a capital paulista vem passando por diversas transformações. De vila pobre e isolada do centro da colônia, a cidade se transformou, ao longo dos séculos, no principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América Latina. No decorrer desse processo, a cidade foi sendo moldada por uma série de interesses, entre eles, os industriais e imobiliários, que fizeram com que a cidade fosse sendo caracterizada e construída como a conhecemos hoje. São Paulo é uma das maiores e mais importantes cidades do mundo, e traz consigo uma série de questões e problemas dignos de sua grandiosidade. Com imensos congestionamentos, poluição, desigualdades sociais, a cidade desperta reflexões que buscam compreender sua realidade e, assim, buscar alternativas e soluções para seus problemas.

Conhecida na década de 1950 como “a cidade que mais cresce no mundo”, São Paulo foi se consolidando como uma cidade de grandes ciclos de crescimento e desenvolvimento, que hoje, contudo, já não se encaixam mais no seu perfil. Estudos recentes mostram que seu crescimento tem se desacelerado, chegando até a pontos nulos, em algumas regiões. Segundo dados das pesquisas em distritos censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade), a cada ano as áreas centrais da cidade, correspondentes às regiões tradicionais e àquelas ligadas ao vetor sudoeste – área que engloba as regiões oeste e centro-sul – apresentam uma taxa negativa de crescimento demográfico (de -5% entre 2000 e 2008).

O ritmo do crescimento populacional está diminuindo, o que existe hoje é um crescimento imobiliário, não populacional, que revela a lógica especulativa de desenvolvimento da cidade. Atualmente, as regiões centrais da cidade, já consolidadas e

urbanizadas, apresentam um crescimento em termos de área construída, mas um decréscimo em termos de população. Os bairros periféricos, por outro lado, seguem crescendo tanto em área construída quanto em população, mas é mais no sentido de um adensamento dos loteamentos já existentes.

Em um artigo da Revista eletrônica do Ipham, em 2013, FONTES contribui com a seguintes reflexão: A cidade de São Paulo diminuiu gradativamente sua participação na produção industrial do país. A participação do setor secundário municipal no total da força industrial do estado caiu de 36% em 1980, para 22% em 1990. Na década seguinte, uma veloz reestruturação produtiva com profundas mudanças tecnológicas, as contínuas transferências de fábricas para outros estados e os processos de fusão e incorporação de empresas tradicionais por grupos estrangeiros, aceleraram a desindustrialização da cidade. Esse processo determinou o fechamento de fábricas, manufaturas e vilas operárias, levando à deterioração das edificações e equipamentos, à demolição de muitas delas, vítimas da voracidade da especulação imobiliária na cidade.

Devido à dificuldade de aceder à terra urbana qualificada em áreas centrais, milhares de famílias veem-se obrigadas a ocupar regiões ambientalmente frágeis – como as de mananciais, o que leva a uma sobrevalorização do transporte individual sobre o transporte coletivo – levando à atual taxa de mais de um veículo para cada dois habitantes e agravando o problema da poluição ambiental e do tráfego intenso, duas características bastante marcantes dessa capital.

FONTES conclui, nessa transformação do cenário urbano, São Paulo conta com algumas experiências bem sucedidas de transformação dessas antigas fábricas em espaços culturais e educacionais, como são os casos do Sesc Pompéia (entre os bairros da Lapa e Barra Funda), do Sesc Belenzinho (na Mooca) e de uma unidade das Faculdades Anhembi Morumbi, instalada em uma antiga fábrica de calçados no Brás. Há também mobilizações de movimentos sociais comunitários, com apoio do Comitê Brasileiro de Preservação do Patrimônio Industrial (TICCIH-Brasil), seção nacional da organização internacional The International Comittee for the Conservation of the Industrial Heritage – TICCIH, pela preservação de antigas fábricas e espaços industriais e operários, como as ações em torno da

Vila Maria Zélia (vila operária próxima ao Brás e Mooca), do Cotonifício Crespi na Mooca, Cia. Nitro Química, em São Miguel Paulista, e as fábricas Matarazzo Petybom e Melhoramentos, na Lapa. O objetivo é garantir uma melhor qualidade de vida para os moradores dessas áreas, e preservar a memória dos trabalhadores, migrantes e moradores que construíram a riqueza e o desenvolvimento da cidade. (2013)

São Paulo, sede de uma região metropolitana que tem aproximadamente 20milhões de habitantes distribuídos em 39 municípios, mas tendo só no município de São Paulo cerca de 11 milhões de habitantes, apresenta grandes questões sociais: desigualdades espaciais. Porém, a capital do Estado de São Paulo é considerada o principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América Latina, mundialmente conhecida e exerce influência tanto nacional quanto internacional, seja do ponto de vista cultural, econômico ou político.

A população, segundo o Censo de 2010, é de 19 822 572 habitantes . Sua população é superior a de vários países do mundo, como o Chile (17 248 450), Holanda (16 715 489) e Portugal (10 555 853), além de ser mais populoso que a Bolívia, o Paraguai e o Uruguai juntos. Se fosse uma nação, seria a 55ª mais populosa do mundo.

Evolução demográfica da Região Metropolitana de São Paulo.

Fonte: CENSO 2010.

De fato, ao longo da década de 1990, viemos aprendendo a repensar o papel de São Paulo na dinâmica socioeconômica nacional. Em termos de geração de empregos, por exemplo, São Paulo deixou de ser definida como locomotiva industrial do Brasil. A RMSP perdeu empregos industriais em escala impressionante... Em termos demográficos, São Paulo também não pode mais ser pensada como o mais importante pólo de atração populacional. A região como um todo passou a crescer próximo à média do Brasil nos anos 1990 (1,6% ao ano), deixando de desempenhar o papel de grande magneto de migrantes, verificado desde os anos 1920. (2005: 101)

A cidade de São Paulo tem um perfil bastante urbano - 95,94% das pessoas vivem na cidade e apenas 4,06% em zonas rurais. Na análise dos dados mais recentes, também fica evidente a tendência de envelhecimento da população paulista. Em 2005, a população com menos de 15 anos representava 23,87% e a população com 60 anos ou mais era de 10,2%. Em 2011, os números mostram que a população com menos de 15 anos reduziu para 21,48%, enquanto que a população com 60 anos ou mais recrudesceu para 11,55%. (IBGE, 2011)

Figura 1: REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

Fonte: www.emplasa.sp.gov.br

As principais medidas econômicas indispensáveis ao desenvolvimento do Brasil são conhecidas: trata-se, antes de tudo, de reconverter a indústria, a fim de servir às necessidades

do povo e não às dos grupos internacionais, e de reconverter a agricultura, para que a terra alimente a população que a habita. Num país onde a agricultura produz para exportar antes de satisfazer as necessidades básicas da população que permanece na miséria e onde a indústria produz para o consumo de luxo antes de produzir o necessário, não há grandes mistérios quanto às medidas econômicas fundamentais necessárias pare vencer o subdesenvolvimento. O verdadeiro problema reside na sua aplicação: a reconversão da agricultura exige a ruptura da estrutura de poder no campo e na cidade e implica, por conseguinte, uma revolução agrária. (DOWBOR)

Para Dowbor (2009): “O Brasil não é nem só a prosperidade mostrada por uns, nem só a miséria apontada por outros”. É, antes de tudo, uma forma particular de articulação de pobreza e miséria, no contexto mundial de formação do subdesenvolvimento”.

Se refletirmos sobre o subdesenvolvimento da América Latina e automaticamente sobre o nosso subdesenvolvimento, perceberemos que não existe somente desigualdade social, que também essa relação está diretamente ligada à política: sua má gestão, a corrupção que se alastra ao longo dos tempos. É perceptível que perdemos várias oportunidades de crescimento em nosso país, houve muito pouco investimento em infraestrutura, trazendo grandes prejuízos para o capital e consequentemente para a população. Nas revistas e noticiários diários são trazidas várias matérias onde são levantados os prejuízos causados pela falta de rodovias, ferrovias, e hidrovias em nosso país.

O Brasil constitui uma realidade profundamente específica: trata-se de uma economia criada praticamente em função do capitalismo em expansão. Ao contrário de certos países asiáticos ou africanos, onde a Europa utilizou para os seus fins as estruturas sócio-econômicas existentes, o Brasil no seu conjunto é criado como complemento econômico. Debruçar-se sobre a economia brasileira significa, pois, antes de tudo, debruçar-se sobre as funções sucessivas que ele desempenhou na formação e no desenvolvimento do capitalismo das metrópoles.

O estudo da formação das estruturas econômicas e sociais do Brasil é, pois, particularmente interessante do ponto de vista teórico. Para Dowbor (2009), para

compreender a evolução do ciclo de industrialização do Brasil, é necessário compreender que se trata de uma economia dependente extrovertida e não de um país “não-industrial" que se industrializa.

Segundo o economista Paul Singer, precisamos entender por desenvolvimento, um processo de fomento de novas forças produtivas e de instauração de produção, de modo a promover um processo sustentável de crescimento econômico, que preserve a natureza e redistribua os frutos do crescimento a favor dos que se encontram marginalizados da produção social e da fruição dos resultados da mesma.