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4. RESULTS

4.2 D IET STUDY

Para mensurar as interações entre os agentes econômicos, é preciso modelar seus comportamentos. Essa modelagem é feita através dos Modelos Aplicados de Equilíbrio Geral (MAEGs) para a economia dos EUA e do Brasil, em que são usadas formulações matemáticas para cada ação de interesse dos agentes econômicos. Entretanto, apenas pela representação matemática do modelo nem sempre é possível perceber claramente as principais características do mesmo e o sentido dos fluxos econômicos. Dessa maneira, neste item 5.1 são apresentadas, de forma esquemática (Figuras 12 a 16), os principais fluxos econômicos gerados das relações entre os agentes.

Os MAEGs têm como uma de suas principais qualidades a capacidade de comportar em sua estrutura grande número de agentes econômicos, que interagem uns com os outros ao realizar ações que envolvem alguma relação econômica. Dada a diversidade de ações que ocorrem no sistema econômico, é necessário, obviamente, eleger as mais importantes ações comportamentais dos agentes que melhor atendam aos objetivos da pesquisa.

O Modelo Aplicado de Equilíbrio Geral (MAEG) usado nesta pesquisa considera que os produtores levam em conta suas restrições orçamentárias,

tecnológicas e de recursos no processo de maximização de lucros, que no agregado é alcançada. Nesse modelo, o agente econômico, denominado famílias, é detentor dos fatores produtivos. A alocação desses recursos é feita de acordo com as preferências das famílias, que optam pela melhor alocação possível da renda, dados os preços relativos dos diversos produtos disponíveis na economia (LIRIO, 2001).

Na Figura 12 é apresentado um esquema em que, por meio da tecnologia disponível, os produtores combinam os fatores produtivos. Conforme necessidades das firmas e das famílias norte-americanas são realizadas as importações de bens e serviços, que nesta pesquisa foram desagregadas em importações oriundas do Brasil e do Resto do Mundo (RM). O somatório das mercadorias domésticas e importadas forma a oferta total interna ou disponibilidade doméstica. O total dos bens e serviços disponíveis pode ser ofertado no mercado interno ou no mercado externo, para o Resto do Mundo. De forma análoga, essa mesma análise pode ser feita para as atividades produtivas da economia brasileira, observando a Figura 12 da direita para a esquerda. A única diferença é que as importações brasileiras são tratadas de forma agregada. Segundo Castilho (1994), a presença do governo dá-se pelo recolhimento de impostos e taxas e pelos gastos que efetua no lado da demanda. Soma-se a isso o fato de que o governo pode afetar tanto a distribuição dos fatores entre as atividades econômicas, como produção e disponibilidade internas, por meio de subsídios à produção. Nesse último caso, considera-se ainda que as distorções na produção interna dos EUA, devido aos subsídios, podem, em alguns casos, gerar reações na produção e disponibilidade no Brasil, sendo essas reações maiores ou menores, dependendo das parcelas de mercado desse último País no mercado mundial. Por fim, das vendas finais dos bens serviços, aos mercados interno e externo, são gerados recursos financeiros, com os quais é feita a remuneração final dos fatores produtivos.

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Fonte: Adaptado de Castilho (1994) e Lirio (2001).

Figura 12 – Estrutura hipotética de um MAEG para dois países.

Reações na produção

Subsídios Subsídios

Remuneração dos fatores

Remuneração dos fatores Consumo Intermediário Governo EUA Fatores Produtivos Importações Disponibilidade Doméstica Mercado Interno Mercado Externo Produção Doméstica RM RM EUA Consumo Intermediário Fatores Produtivos Importações Disponibilidade Doméstica Mercado Interno Mercado Externo Produção Doméstica Governo BRASIL

De acordo com a Figura 12, fica evidente que a concessão de subsídios pode gerar uma sucessão de efeitos capazes de afetar a produção doméstica, a necessidade de importações e, portanto, a disponibilidade doméstica de bens e serviços. Dessa forma, dependendo do efeito dos subsídios sobre a disponibilidade de bens e serviços domésticos, podem ocorrer impactos significativos na comercialização interna e externa desses bens e serviços, de modo a alterar a remuneração interna dos fatores produtivos e gerar reações na produção de outros países, alterando os fluxos de comércio externo.

Na Figura 13 é modelada de forma simplificada a estrutura produtiva de cada atividade da economia dos EUA. As decisões de produção são tomadas tendo como princípio a obtenção de uma máxima receita de vendas, que são realizadas no mercado doméstico e externo.

Fonte: Adaptado de Najberg et al. (1995) e Shoven e Whaley (1998).

Figura 13 – Estrutura simplificada da produção em cada atividade, nos Estados Unidos. Domésticos Produção EUA Insumos Primários Insumos Intermediários CES CET CES Capital Trabalho Vendas Domésticas Exportações CES Importados BRA RM

A função de produção é representada por uma forma funcional flexível CES, em que o produtor combina insumos intermediários e primários, no processo produtivo. Dessa maneira, considera-se que há alguma substitutibilidade no uso dos fatores produtivos. Além disso, considera-se que os insumos intermediários podem ser oriundos tanto do mercado doméstico quanto do externo, devido à possibilidade de importação e, adicionalmente, de alguma substitutibilidade entre insumos domésticos e importados; por isso, usa-se uma função CES.

A representação da estrutura de produção setorial do Brasil é construída na Figura 14. Nesta figura, o Brasil utiliza insumos primários e insumos intermediários no processo produtivo. Os insumos intermediários podem ser de origem doméstica e, ou, importados, sendo consideradas ainda possibilidades de substituição no uso deles. A produção obtida da combinação dos insumos pode ser vendida domesticamente ou exportada. Considerando as parcelas de mercado do Brasil nas importações dos EUA e do Resto do Mundo, podem-se decompor as exportações brasileiras em exportações para os EUA e RM.

Fonte: Adaptado de Ponciano (2000) e Lirio (2001).

Figura 14 – Estrutura simplificada da produção em cada atividade, no Brasil.

Produção BRA Insumos Primários Insumos Intermediários CES CET CES

Domésticos Importados Capital

EUA RM Trabalho Vendas Domésticas Exportações CES

A desagregação dos fluxos comerciais setoriais do Brasil para os EUA e Resto do Mundo permite captar efeitos de políticas econômicas adotadas em uma ou outra economia. Assim, a adoção de políticas, sejam elas macroeconômicas, agrícolas e, ou, comerciais, nos EUA afetam seqüencialmente as decisões de produção, exportação, importação e consumo no Brasil. Os impactos dessas políticas no Brasil serão tanto maiores quanto maior for o grau de integração econômica27 entre as economias e quanto maiores os fluxos comerciais existentes entre as regiões.

As importações e exportações, existentes entre Brasil e EUA, associadas à possibilidade de substituição no consumo de bens domésticos e importados, podem afetar o nível de bem-estar das sociedades envolvidas. Melhor visualização desses efeitos é obtida pela representação da árvore de utilidade das famílias norte-americanas (Figura 15) e da economia brasileira (Figura 16).

Fonte: Adaptado de Shoven e Whalley (1998) e Ponciano (2000).

Figura 15 – Árvore de utilidade das famílias norte-americanas.

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Efeitos da integração econômica sobre a economia brasileira podem ser obtidos em Lirio (2001). Utilidade das Famílias Demanda Futura (Poupança) Demanda Presente (Consumo) CES Domésticos Importados CES

Fonte: Adaptado de Shoven e Whalley (1998) e Lirio (2001).

Figura 16 – Árvore de utilidade das famílias brasileiras.

Nessas figuras, considera-se que tanto as famílias dos EUA quanto as do Brasil distribuem seus recursos ou riqueza entre consumo presente e futuro, ou seja, ambas as sociedades distribuem suas rendas em consumo de bens, serviços e poupança. A poupança é medida diretamente na função de utilidade dos consumidores, podendo ocorrer substituição entre a mesma e o consumo presente. As parcelas da renda das famílias que é consumida e poupada são definidas pelas respectivas propensões marginais. Portanto, havendo substituição entre a demanda presente e a demanda futura haverá alterações nas propensões marginais a consumir e a poupar. Ademais, considera-se que os bens e serviços consumidos, tanto pelas famílias norte-americanas como pelas brasileiras, podem ser de origem doméstica e, ou, externa, com algum grau de substitutibilidade no consumo desses bens.