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Studien som grunnlag for videre forskning

Nos embalos carnavalescos, os cordões e blocos destacaram-se na sua composição social e lúdica na sociedade brasileira. Durante a primeira metade do século XX, os cordões e blocos eram grupos de foliões que saíam as ruas cantando, dançando e brincando. Semelhante aos entrudos portugueses era raro nesses eventos a manifestação não terminar em desentendimentos.

Os blocos assim como os cordões mais antigos se diferem dos ranchos não apenas na sua organização e apresentação, mas também nos seus trajes que não apresentavam muito luxo. Nos blocos, havia uma característica peculiar nos seus trajes, cada componente se vestia segundo sua condição financeira.

Em sua obra, “A Subversão pelo Riso, ensaio sobre o carnaval carioca da Belle Epoque ao tempo de Vargas”, Raquel Soihet destacou alguns aspectos do carnaval carioca, principalmente, ranchos e cordões. Salientou a autora que os cordões, praticados na cidade do Rio de Janeiro, eram manifestações muito divertidas que aconteciam durante os três dias de carnaval. O público que atraía a brincadeira era muito vasto e variado: homens, mulheres, jovens, idosos, ricos e pobres. Segundo Sohiet os cordões eram oriundos dos afoxés e cucumbis do Império – cortejos simbólicos, que mais tarde foram incorporados aos festejos do culto negro de N.S. do Rosário. Uma característica peculiar da brincadeira eram as músicas que traziam versos em banto e português.(SOIHET, 1998)

145 Esses cordões eram formados, sobretudo, por grupos de pessoas que usavam máscaras 55. Na frente da manifestação, conduzindo os demais ia o mestre, portando um apto, que ao toque do instrumento todos obedeciam. Havia também uma orquestra formada por instrumentos de percussão. Os principais eram os reco-recos, cuícas e adufes. No embalo de chulas aceleradas e marchas lentas e ritmadas, os foliões atravessavam as ruas nos dias e noites de carnaval.

O cordões como as demais práticas populares foram muito criticados pelos cronistas, que qualificavam a manifestação como sendo “horríveis”, “fétidos”, “bárbaros”, “barulhentos” e “violentos”, responsáveis por passar uma imagem de algo selvagem e boçal ao carnaval carioca.

Raquel Soihet percebeu, nos jornais e revistas da época, uma forte ojeriza dos cronistas a essas instituições. Fazia-se uma forte campanha quanto a presença da população menos abastadas ao carnaval carioca, qualificando essa parcela da sociedade de selvagens e bárbaros, “herança de cabindas e botocudos, responsáveis pelo obscurantismo e estagnação que urgia eliminar da sociedade carioca.” (SOIHET,1998,p 34)

Paralelamente a campanha ideológica, acontecia a repressão. Cabia ao poder policial, a todo momento, exigir a licença dos cordões. No caso de não a possuírem, era efetuada a prisão imediata de seus componentes. Mesmo apresentado a licença, todos deveriam passar por uma severa revista, e não apresentando porte de armas - presos, processados e enviados à detenção. Ao sinal de qualquer distúrbio, a licença seria imediatamente caçados e detidos os “desordeiros” para serem processados.

Havia uma especial preocupação em reprimir essas manifestações de preponderância popular. Entretanto, aqueles que compunham os préstitos, o corso ou participavam dos bailes não passavam por exigência do tipo exposto acima. Embora os préstitos sofressem vigilância policial, por conta das críticas políticas apresentados nas

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Entende-se como o ato de mascarar-se os disfarces, travestimentos e fantasias, mas é bem o contrário; isso é aplicar sobre o verdadeiro rosto que não engana. Diz Zumthor: “ além e aquém do vestuário, é efetivamente todo o exterior de um ser que afeta, às vezes, a transformação: a cerimônia sim, mas também rosto, estatura, atitudes. Geralmente, essa metamorfose é resultado de uma ação mágica [...]é raro que tais disfarces constituam simples ornamentos pitorescos da narrativa [...] independente de seu aspecto anedótico, sugerem ao mesmo tempo a ambigüidade da palavra profética e de seu portador, e a irrealidade das aparências, que ela controla e dissolve. Todo disfarce preenche, assim, normalmente, uma função narrativa forte e assume valores de alguma maneira importantes para a axiologia geral da narrativa [...] o disfarce figura na narrativa o motivo do mundo ao revés, confirmação o contrário da validade de uma ordem [...] o disfarce introduz uma tensão carnavalesca [...] o aspecto transgressivo da máscara constitui o elemento dinâmico, pesa sobre as relações narrativas que exige, de uma maneira ou de outra, restabelecimento [...] (ZUMTHOR, 2004, pp.13,14)

146 suas músicas, as medidas não eram as mesmas, nem os seus integrantes denominados de “desordeiros”.(SOIHET,1998)

Mas, o desejo que as manifestações populares desaparecessem do carnaval de rua do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras não se concretizou. No caso dos cordões cariocas, tudo leva a crer que passaram a se denominar clubes, configurando, dessa forma, uma estratégia de sobrevivência. Soihet encontrou numa edição de fevereiro de 1906, na Gazeta de Notícias, referências ao fato de que os cordões passaram a se denominar grupos, adotando alguns a denominação “clubes”, mais elegantes e mais em harmonia com uma cidade que se remodelava. (SOIHET,1998)

Já Os Ranchos eram grupos apoiados pelo governo, e participavam de concursos. Sua música característica era a “marcha rancho”. Um ritmo mais lento que o samba, porém, mas acentuado. Originalmente, os ranchos se associavam as festividades cristãs, porém sem perder seu lado totêmico, o qual se observa nas flores que davam seu nome: Rosedá, Cravinas, Magnólias. Perderam logo sua religiosidade e se aproximaram mais do paganismo do carnaval. Os ranchos se formam a partir de famílias que trabalhavam com plantas. Cantavam e tocavam castanholas e panderos. O rancho utiliza castanholas, panderos, flautas, violões e cavaquinho. (RECTOR, 1975)

A medida que cresceram as escolas de samba no Rio de Janeiro, declinaram os ranchos. A partir dos anos sessenta, as escolas de samba tem sido a atração principal do carnaval carioca, isso ocorreu, segundo o autor, dentre outros motivos, pelo fato dos desfiles dos ranchos serem um pouco tristes e nostálgicos. (RECTOR, 1975)