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Psykososialt arbeid og perspektiv i møte med personer som har ulik

2.2 Teoretisk rammeverk og aktuell forskning

2.2.5 Psykososialt arbeid og perspektiv i møte med personer som har ulik

No que tange as relações entre pós-modernidade e meios de comunicação, a percepção do mundo ao redor altera-se drasticamente a partir da segunda metade do século XX e o espetáculo passa a concentrar o modo dominante da vida em sociedade (SEVCENKO, 2001, p. 78). Capaz de ofertar o império da novidade, do entretenimento, do esquecimento e do sonho, a ordem da sedução torna-se a lei. Neste momento, o espetáculo vincula-se ao universo mediático: firmando-se sobre o princípio do encanto, a comunicação vigente depende do ritual do espetáculo para seguir seu rumo e aumentar a competitividade no mercado consumidor.

É assim que o gosto que o público popular manifesta pelos espetáculos mais espetaculares (“músic-hall”, teatros de “boulevard”, circo, grandes produções cinematográficas, etc.) e pelo aspecto mais espetacular desses espetáculos, trajes, música, ação, movimento fantástico e, sobretudo, a paixão por todas as formas de cômico e notadamente por aquelas que tiram seus efeitos da paródia ou da sátira dos "grandes" (imitadores cançonetistas, etc.) são dimensões do ethos da festa, da franca diversão, riso livre que libera, colocando o mundo social de cabeça para baixo, invertendo as convenções e as conveniências. (BOURDIEU, 1983, p. 91).

Ou seja, a indústria do espetáculo se esforça para compensar a perda do convívio social e o empobrecimento cultural, direcionando o tecido social para uma celebração permanente das mercadorias, vislumbradas como novidade, como quantidade, como consumo, como espetáculo enfim. A fascinação pelo entretenimento (espetáculo) e pelas construções mediáticas corresponde aos estigmas de realização social propostos pela época em curso, na qual a sociedade busca a cura para suas carências (tanto em âmbito emocional quanto econômico e/ou cultural).

O pano de fundo dessa revolução do entretenimento, que redefine o padrão cultural das sociedades urbanas do século XX, é a dissolução da cultura popular tradicional, causada pela migração em massa dos trabalhadores das áreas rurais para as grandes cidades [...] Seu fim não é o êxtase espiritual dos rituais populares tradicionais, mas propiciar a seres solitários, exauridos e anônimos, a identificação com as sensações do momento e com os astros, estrelas, personalidades do mundo glamouroso das

comunicações. Além, é claro, de preencher o vazio de suas vidas emocionais e o tédio das rotinas mecânicas com a vertigem dos transes sensoriais e experiências virtuais de potencialização, multiplicação e superação dos limites de tempo e espaço. (SEVCENKO, 2001, p. 78-79).

Assim, o entretenimento adormece a consciência crítica pelo artifício da sedução, direcionando o sujeito contemporâneo para o constante desejo e vontade de consumo, onde está “tudo calculado, compactado e servido ao custo de um tostão” (SEVCENKO, 2001, p. 79). O mesmo fenômeno acontece com a informação, que surge como principal produto do mercado consumidor na pós-modernidade. Na era nossas tecnologias da informação, toda notícia veiculada pelos meios de comunicação (de massa e/ou digitais/interativos) transformaram-se em mercadoria, valorizada pela quantidade, onde “o excesso abala a informação quando estamos sujeitos ao rebentar ininterrupto de acontecimentos sobre os quais não podemos meditar porque são logo substituídos por outros” (MORIN, 1986, p. 31).

Em uma sociedade guiada pela lógica do consumo, o equívoco atual confunde quantidade com qualidade, fazendo com que a explosão da informação descontextualizada, bombardeada diariamente gere a chamada “saturação da informação”, conforme diagnóstico de Morin (1986, p. 31).Baudrillard (1991) também trabalha o tema e apresenta três hipóteses que justificam a saturação da informação (definindo-a como a existência de cada vez mais informação e cada vez menos sentido):

a) ou a informação produz sentido, mas não consegue compensar a perda brutal de significado em todos os domínios;

b) ou a informação não tem nada a ver com o significado, trata-se de um modelo operacional de outro tipo, exterior ao sentido e à circulação do sentido propriamente dito;

c) ou então, pelo contrário, existe correlação rigorosa e necessária entre os dois, na medida em que a informação é diretamente destruidora ou neutralizadora do sentido e do

significado, sendo que a perda do sentido está diretamente ligada à ação dissolvente e dissuasiva da informação, dos media e dos mass media.

Para o autor, a terceira hipótese é a mais adequada. Nesse contexto, a informação devora o seu próprio conteúdo, aniquila a comunicação e o social, o que ocorre por dois motivos:

(1) em vez de fazer comunicação, esgota-se na encenação da comunicação. Em vez de produzir sentido, esgota-se na encenação do sentido. A informação é cada vez mais invadida por uma espécie de conteúdo fantasma. Essa é a hiper-realidade da comunicação e do sentido, “mais real que o real”, anulando-se, assim, o real.

(2) a informação dissolve o sentido e dissolve o social, em uma espécie de nebulosa voltada à entropia total. Os medias, por sua vez, são produtores não da socialização, mas do seu contrário, da implosão do social nas massas.

Baudrillard acredita que todos vivem de um idealismo furioso do sentido e da comunicação, isto é, o idealismo da comunicação pelo sentido, e que:

Para além do sentido, há o fascínio, que resulta da neutralização e da implosão do sentido. Para além do horizonte do social há as massas, que resultam da neutralização e da implosão do social [...] Os mass media estão ao lado do poder da manipulação das massas ou estão ao lado das massas na liquidação do sentido, na violência exercida contra o sentido e o fascínio? (BAUDRILLARD, 1991, p. 109-110).

Jung (1990, p. 99), por sua vez, declara que a faculdade humana de auto-organização e desenvolvimento da memória proporciona ao homem mapeamento e combinação dos acontecimentos separados pela distância temporal entre um evento e outro. A condição de contextualizar relaciona-se a capacidade de conexão entre a informação nova e o conteúdo de memória psíquica já registrada. É por isso que a informação, quando saturada, não cumpre sua função de orientar o cidadão e ainda produz uma queda na competência conectiva da relação homem/sociedade – não é à toa que se pode dizer que “em todos os lugares em que os media dão um a representação de realidade, a informação se esconde e se cala” (MORIN, 1986, p. 41).

Sob a ótica do psicanalista Jurandir Freire Costa16, na visão freudiana, a cultura do presente resume-se em três eixos fundamentais: (1) a lei do mercado; (2) o hábito do consumo; e (3) a ânsia pelo sucesso publicitário. Esses três traços unidos configuram uma revolução na organização da vida social, onde o sentimento de insegurança cresce e as relações interpessoais tornam-se um “verdadeiro círculo de horror”, conforme aponta o psicanalista. Obcecados pelo lucro, poder e sucesso, os media descuidam dos processos éticos e culturais da sua sociedade, proporcionando a erupção de uma opinião pública dirigida pelos meios de comunicação, e a formação de uma mídia subordinada pelas leis do mercado.

Nada nos espanta porque nada é novo. Não estamos jogados no meio das coisas, mas no meio dos instrumentos. Esses instrumentos são, no fundo, prolongamentos e projeções do nosso próprio eu. As máquinas são nossos braços prolongados, os veículos nossas pernas prolongadas, e o mundo em geral é uma projeção do nosso eu sobre a superfície calma e abismal do nada [...] E o “outro” que compartilha conosco esse mundo instrumental é, ele próprio, instrumento, sendo fornecedor ou consumidor, parceiro ou concorrente. (FLUSSER, 2002, p. 92).

A informação-mercadoria simboliza, portanto, uma matéria perecível que busca despertar a identificação do indivíduo com uma pessoa, com uma sociedade, com um desejo, com uma espécie de erro, enfim. Vive-se, portanto, em um mundo onde tudo o que o compõe (do entretenimento à informação) deixa de ser valorizado pelo seu sentido real para ser vangloriado pelo seu valor no mercado – o que se aplica, inclusive, às relações humanas, tema do próximo tópico da pesquisa.