8.5 Teaching pedagogies in light of universal design for learning (UDL)
8.5.1 Student engagement in the learning process
Para Krippendorff (2012, p. 24), a Análise de Conteúdo é uma técnica de pesquisa interessada em alcançar inferências válidas e replicáveis de textos. Nesta pesquisa optamos pelo processo descrito por Moraes (1999), envolvendo 1) Preparação das informações, em que se (a) identificam e (b) codificam as amostras de informação a serem analisadas; 2) Unitarização ou transformação do conteúdo em unidades, que passa pela (a) definição e (b) isolamento das unidades de análise, bem como pela definição das unidades de contexto; 3) Categorização ou classificação das unidades em categorias, de modo que sejam elas válidas, exaustivas e homogêneas; 4) Descrição, em que se comunica o material das categorias e; 5) Interpretação, interessada uma compreensão mais aprofundada do conteúdo das mensagens.
A análise qualitativa das informações produzidas começa com a ideia de processo, ou contexto social, e vê o autor como autoconsciente, que se dirige a um público em circunstâncias particulares. A tarefa do analista torna-se, nas palavras de May (2004), uma “leitura” do texto em termos dos seus símbolos. Com isso em mente, o texto é abordado a partir do entendimento do contexto da sua produção pelos próprios analistas. Deve-se estar atento para o fato de que a Análise de Conteúdo pode caracterizar-se como um método de investigação do conteúdo simbólico das mensagens. Essas mensagens podem ser abordadas de diferentes formas e sob inúmeros ângulos.
Por sua capacidade em dar conta dos mais diversos métodos de coleta, sua escolha justifica-se por permitir que, de alguma forma, os insumos gerados em dois métodos distintos como a pesquisa documental e os grupos focais resultem em resultados com estruturas próximas para que, posteriormente, realizar-se a discussão oriunda da interpretação do conteúdo das mensagens.
Para as Análise de Conteúdo desta pesquisa, foram consideradas apenas aquelas informações que tratassem das competências dos briefings, ou seja, o
tratamento das informações produzidas centrou olhar nas possíveis actancialidades identificáveis nas informações. Partindo para a descrição e interpretação do conteúdo das mensagens, buscou-se dar respostas à problemática que motivou a pesquisa e contribuir com a produção de conhecimento teórico relevante (SILVA et al., 2009). Em resumo, a escolha pela Análise de Conteúdo justifica-se 1) pela natureza qualitativa das informações selecionadas para análise, 2) pela natureza do processo do autor, de contar com as informações e o seu tratamento como forma de construir uma análise substancial e 3) pela aderência do método à perspectiva da TAR, que pressupõe um processo investigativo orientado pela lógica empírica indutiva.
Nos capítulos a seguir descrevem-se os resultados obtidos na Análise de Conteúdo da Análise Documental e dos Grupos Focais. A partir da descrição dos resultados de ambos os métodos, parte-se para a discussão, tratando da interpretação dos pontos relevantes para responder ao problema de pesquisa.
6 RESULTADOS DA ANÁLISE DOCUMENTAL
O processamento das informações produzidas, conflitantes e de feições diversas, demandaram do autor uma compreensão mínima dos informantes, merecendo ser descrição como resultados de pesquisa.
A aproximação via e-mail com termos bem específicos e genéricos como 'suporte' tinha pretensões ampliar a compreensão acerca do que poderia ser briefing, abrindo a discussões - quer dizer, foi necessárias explicações aos informantes. O único suporte encaminhado pelo Informante #1 foi um documento texto estruturado como um questionário com perguntas sem preenchimento, esclarecido por eles como uma forma de garantir que ‘tudo’ o que se precisa saber sobre um projeto é perguntado. Os 41 suportes enviados pelo Informante #2 foram registros fotográficos do caderno do informante, que esclareceu a lógica explicando que, por ser um escritório pequeno, o briefing é os desenhos e os escritos no caderno que ele mesmo acessa na ação projetual ou mostra aos que se envolvem nela. Os 3 suportes enviados pelo Informante #3 são documentos texto completos, preenchidos, e o escritório não fez ressalva ou manifestou qualquer apontamento além de reforçar o sigilo das informações. Os 4 suportes enviados pelo Informante #4 também foram documentos texto completos, mas é curioso destacar a defensiva do porta-voz do escritório que destacou, além do sigilo, que aqueles documentos eram só uma parte do briefing, que havia muitos combinados feitos pessoalmente, anotados no briefing ou enviados por e-mail ao longo do processo dos projetos - e que não eram documentados. Quando o autor solicitou que fossem enviados tais suportes, o escritório disse que o que interessava era o documento, contradizendo-se (ou demonstrando falta de tempo ou de paciência). O Informante #5, por sua vez, demonstrou-se interessado na pesquisa, convidado o autor para ir ao escritório. Neste encontro os cuidados foram mantidos em se ater ao mínimo de informações possíveis, e rendeu o envio de 7 suportes distintos entre si: 5 registros fotográficos do caderno do informante, um documento texto identificado como estrutura usada para trabalhos simples e rápidos, e uma planilha com resumos dos trabalhos em andamento no escritório. Por fim, o Informante #6 enviou 2 suportes: printscreens de uma planilha e de um e-mail. Assim como o informante #3, destacou que há mais suportes usados e
reforçou que na sua opinião o papel do briefing é de gerir o projeto (mesmo que tal pergunta não tinha sido efetuada). Mesmo que estas compreensões, genéricas e não previstas pelo método não reflitam na análise de conteúdo e si, são extremamente relevantes para o autor porque em algo se relacionarão com a caracterização dos informantes dos Grupos Focais e com as discussões propostas pela pesquisa.
Ainda cabe destacar a lógica adotada pelo autor para organização dos suportes recebidos. Para que fossem classificados para acesso rápido ao longo do processo de Análise de Conteúdo, optou-se por uma organização que mantivesse os arquivos originais (registros fotográficos, documentos textos, planilhas) em arquivos separados por informantes. As pastas foram organizadas por #[NUMERAL] - [INFORMANTE], sendo que o critério para numeração das pastas foi por recebimento das informações e o nome do escritório que enviou os suportes. Ao todo, 58 suportes entendidos
como briefings pelos 6 informantes foram renomeados seguindo o formato
INFORMANTE #[NUMERAL] SUPORTE #[NUMERAL], mantendo também os nomes originais dos arquivos. Para fins de sintetização e facilitação da leitura, as unidades serão apresentadas nos quadros e nos textos desta pesquisa por acrônimos (por exemplo, ao invés de usar ‘Informante #5 Suporte #1’, utiliza-se i5s1).
O tratamento das informações foi iniciado livremente pelo autor, com anotações em documentos textos e mapas mentais, ajudando a elucidar os percursos mais eficazes para simplificar a lógica de exposição dos resultados e permitir uma posterior discussão em conjunto com os resultados do segundo método de coleta. Gerou-se, desde movimento, uma planilha com as informações consideradas mais relevantes aos objetivos da pesquisa codificando, unitarizando e isolando-os, partindo para um primeiro movimento de categorização.
Sabe-se que o processo de categorização não é linear e passa por muitas modificações na geração de agrupamentos exaustivos e homogêneos, em especial em casos que esse processo parte de materiais não-textuais. Diferente de uma Análise de Conteúdo de suportes textuais, a preparação das informações envolveu a transcrição e interpretação de materiais diversos, não podendo simplesmente serem transpostos de sua forma ‘imagem’ para texto: foi necessário adotar um olhar afastado, zoom out, para captar o que as visualidades dos suportes mostravam e o que as próprias informações coletadas em si representavam. Neste sentido, optou-se
por construir dois quadros: um que trata do artefato em si, das feições (zoom out), e outro que trata dos conteúdos identificados (zoom in). Tal movimento se justifica uma vez que o autor, frente aos documentos, compreendeu que seria necessário primeiro realizar uma classificação quanto às representações formais do briefing, isto é, enquanto artefato como é representado, para então evoluir em uma Análise de Conteúdo do que se materializa no briefing, isto é, quais são as competências em si, as actancialidades do briefing expressas pelos suportes. É importante reforçar que tal separação se dá apenas para fins de contingenciamento analítico em acordo com o método proposto - o autor entende e não tem pretensões de apontar qualquer tipo de ordem ou dominância entre esferas macro e micro. Os movimentos realizados nas análises trataram mais de um movimento de zoom in e out em um contexto que é, de fato, plano e determinado pelo fluxo (LATOUR, 1999), isto é, a lente do investigador tratou do macro pontualizado entendendo-o não como objeto em si, mas como uma expansão das associações geradas em si - naquilo que se entenderia como micro, mas que são o que lhe dão forma e são indissociáveis.
Enquanto o primeiro quadro, dos 'artefatos', se ocupa da análise dos recursos que dão materialidade ao briefing, ou seja, como ele se representa (as formas, enquanto actante, de se fazer artefato), o quadro 'informações' se ocupa em identificar os conteúdos expressos pelo briefing, ou seja, o que ele tem a dizer (as actancialidades que dão forma a este artefato). Cabe destacar que, ao tratar das materialidades do briefing, esta materialidade é compreendida pelo autor descolada da concretude e da fisicalidade, isto é, a materialidade é entendida como movimento das associações que se estabelecem entre elementos heterogêneos presentes em uma rede de relações que lhe dão algum tipo de forma (LATOUR, 2015), podendo ser expressas além de formas concretas e físicas (como papéis), mas também como virtuais (e-mails) ou discursivas.