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Ainda sobre as características projetuais que são comportadas pela pesquisa- ação, apresenta-se o modelo elaborado por Findeli (2010a) - ver figura 5 - como forma de complementar um raciocínio que se baseia em artefatos de design elaborados com o objetivo de acessar determinado conhecimento científico. Esse constructo é utilizado pelo Design Research Lab (DRLab) - laboratório de pesquisa em design - da Universidade de Artes de Berlim, que trabalha com projetos de investigação de design interdisciplinar que buscam reduzir a lacuna entre as inovações tecnológicas e as reais necessidades das pessoas.

Figura 5 - Modelo teórico de pesquisa em design.

Fonte: Traduzido de Findeli (2010a)

Para um melhor entendimento deste modelo, retoma-se o conceito de pesquisa em design, definido por Findeli como “uma busca e aquisição sistemática de conhecimento relacionados a uma ecologia humana geral, considerando uma forma designer de se pensar12, i.e. uma perspectiva projetual”. (2010b, p.294,

tradução nossa)”. Por ecologia humana, o autor se refere ao estudo das relações entre pessoas e seu ambiente, levando em consideração questões culturais e portanto, sem seguir o determinismo característico da ecologia humana em disciplinas como a biologia.

Conforme afirma Findeli (2010b) a pesquisa-ação segue a máxima do pragmatismo de que, para entender um fenômeno, é necessário colocá-lo em projeto. Explicando melhor o modelo, entende-se que o problema de pesquisa atravessa uma resolução projetual - inserida em um determinado contexto - até chegar-se na resposta de pesquisa, sendo, portanto, definido em quatro conceitos macro: pergunta de pesquisa, pergunta de design, resposta de design e resposta de pesquisa.

Como é possível observar, as flechas que saem dos itens resposta de design e resposta de pesquisa elucidam o tipo de entrega que se tem nesses diferentes níveis. No primeiro, a comunicação é de ordem prática - ou seja, configura em

conhecimento aplicado - no formato de um artefato de design que fala diretamente com o público e com o mercado. A segunda entrega se dá em nível acadêmico, ou seja, a comunicação é com a comunidade científica.

O artefato produzido, na presente dissertação, consiste na resposta de design gerada por meio do método de pesquisa adotado. A resposta de pesquisa que se buscou é referente à forma com que o design pode contribuir para o estímulo da experiência empática, ou seja, quais as estratégias que se poderia adotar e que são eficazes nessa determinada situação, resposta que acrescenta conhecimentos úteis às recentes pesquisas na área do design emocional.

É importante ressaltar como o modelo destaca a proximidade da prática e da teoria, ao comunicar a última como conhecimento aplicado. A flecha que indica o processo reflexivo corrobora o caráter cíclico e dinâmico da pesquisa-ação - bem como o fato de que a reflexão deve estar presente em todas as etapas do processo. (TRIPP, 2005).

Para estruturar os ciclos de pesquisa-ação desse trabalho, utiliza-se a estrutura de Tripp (2005) que a divide em três fases de ação nos dois diferentes campos da prática e da investigação sobre essa prática. Conforme é possível vislumbrar na Figura 6, entende-se que, embora a sequência das ações se mantenha a mesma, a ação realizada nos campos da prática e da investigação difere.

Figura 6 - Etapas de ação e de investigação

Fonte: Tripp (2005)

A figura 7 ilustra como os ciclos sugeridos por Tripp (2005) se integram ao modelo de Findeli (2010a) na proposta de pesquisa-ação desta dissertação. As legendas P, I e A dizerem respeito às etapas de planejamento, implementação e avaliação, respectivamente.

Figura 7 - Ciclos da Pesquisa-Ação

Fonte: Elaborado pela autora, adaptado de Tripp (2005) e Findeli (2010a).

A coluna da prática prevê as reuniões com o seminário e o desenvolvimento do artefato, bem como a imersão no campo, que consiste no acompanhamento das brincadeiras propostas com grupos diferentes de crianças. As etapas nas quais a investigação é indicada apenas como relatório técnico não estão diretamente relacionadas aos objetivos da pesquisa, pois tratam apenas do desenvolvimento do projeto em si, enquanto os objetivos versam sobre a observação da efetividade das estratégias empregadas pelo design para a geração de comportamentos empáticos.

Estes relatórios se encontram nos apêndice B e C, e tem como intuito ser um suporte ao entendimento dos resultados.

Optou-se por organizar os ciclos desta pesquisa em capítulos de maneira a facilitar a compreensão do planejamento e dos resultados de cada etapa, bem como as escolhas de procedimento que nortearam essas resoluções e delas decorreram. A estrutura utilizada para descrever os capítulos foi livremente inspirada na ordem de apresentação proposta por Tripp (2005) - consistindo em subcapítulos de método e relatório - sendo sua utilização adequada à dissertações.

O capítulo 4 apresenta o ciclo de pesquisa no qual se buscou definir as diretrizes de projeto, enquanto o capítulo 5 aborda a escolha e aperfeiçoamento dos concepts que foram projetados a partir destas diretrizes. Segue-se com o capítulo 6, que relata o ciclo de pesquisa a partir do desenvolvimento do primeiro protótipo, que emergiu do concept escolhido. O capítulo 7 apresenta a Análise de Conteúdo a partir da imersão das crianças com o segundo protótipo. Nele se explicitam e analisam as observações com crianças, que resultaram nas categorias empíricas que se relacionam com cada um dos componentes empáticos especificados nos objetivos específicos.

Por fim, o capítulo 8 discute essas categorias empíricas com relação às diretrizes de projeto e à teoria, a fim de responder aos objetivos da pesquisa. Além disso, o capitulo 8 também discute resultados que extrapolam os objetivos propostos, mas que são importantes para o projeto de jogos infantis.

4 DIRETRIZES DE PROJETO

O primeiro ciclo de pesquisa ação foi composto por reuniões com o seminário. Os especialistas auxiliaram no processo de desenvolvimento de diretrizes de design que guiaram o desenrolar da investigação, bem como o método de projeto a ser utilizado.