Previsões do INEP indicam que, até 2010, as IES terão que absorver 4,9 milhões de alunos. Isto supondo que perto da metade dos 8,5 milhões de estudantes atualmente matriculados no ensino médio chegue à educação superior e, dentro do atual quadro, seu destino será uma IES privada. Percebemos que o modelo predominante nas IES, hoje, – modelo familiar, no qual prevalece muita emotividade nas decisões, não mais será indicado.
A percepção da educação não mais como bem público, mas como serviço, é resultado do fortalecimento do poder do consumidor no âmbito das relações produtivas até mesmo da cidadania, e necessária se faz a mudança de seu foco de ensino para aprendizagem, satisfazendo a procura crescente por formação customizada e participativa.
Devemos, pois, pensar na Universidade em termos de organização. Para tanto, traçaremos analogia entre as teorias de gestão e o modo como se aplicam nas IES, vistas como organização, apresentando algumas definições de
organização, segundo alguns autores, justificando, assim, o uso da terminologia quando nos referimos a universidade, como seguem:
Segundo Robbins (2001:31), “a organização é um arranjo sistemático de duas ou mais pessoas que cumprem papéis formais e compartilham um propósito comum”.
Afirma, ainda, o autor, que a faculdade ou universidade é uma organização, da mesma forma que as agremiações governamentais, a igreja, assim como indústrias muito conhecidas como empresas como Kodak, McDonald’s e tantas outras que compõem o nosso mercado empresarial, em função de três características comuns:
• Têm um propósito normalmente expresso em termos de metas ou conjunto de metas;
• São composta de pessoas;
• Desenvolvem uma estrutura sistemática, que define papéis formais e limita o comportamento de seus membros.
Megginson (1998:7) afirma que “existe uma organização todas as vezes que duas ou mais pessoas interagem para alcançarem certo objetivo”.
O autor classifica as organizações em públicas e privadas, que visem ou não a lucros, fábricas, organizações de serviços, varejistas, firmas estrangeiras e multinacionais.
Marback Neto, (2001) quando aborda o assunto, afirma que elas apresentam características como segue: ambigüidade de objetivos, quando os objetivos são vagos e difusos; clientela especial, o surgimento da participação do processo decisório de alunos com necessidades especiais; tecnologia problemática, utilização de diversos recursos metodológicos e técnicos para atender a uma demanda especial; profissionalismo, presença de profissionais autônomos e que não seguem rotinas e vulnerabilidade ao ambiente, presença de fatores ambientais externos que afetam os padrões da administração universitária.
De acordo com o autor, no caso da IES, verificamos que a ambigüidade de objetivos é constatada ao aportarmos os seus objetivos organizacionais, envolvendo três atividades básicas: ensino, pesquisa/pós-graduação e extensão, porém, essas dimensões não podem estar desconectadas.
O profissionalismo na universidade envolve a capacitação profissional e a sua devida autonomia no trabalho, duplicando a lealdade, seja para a profissão à qual pertencem seja para a qual trabalham.
Tal procedimento tem um efeito facilmente constatado no seu dia-a-dia, como a fragmentação do poder, algumas vezes provocada pelo conflito entre as áreas acadêmica e administrativo-financeira. Envolve um profundo trabalho na definição das competências essenciais e necessárias ao desenvolvimento da IES, que serão determinadas e compartilhadas com o seu modelo de gestão universitária implantada, de acordo com o seu PDI.
O profissionalismo também destaca a transição da gestão familiar para a profissional, que impacta a cultura organizacional e, conseqüentemente, o seu clima, que deverão ser tratados de modo especial, procurando sanar e evitar seus efeitos e que poderão ser maléficos para a IES, e a vulnerabilidade do ambiente, quando a organização deverá estar atenta ao ambiente (interno e externo) no tocante a sua dependência econômica, o prestígio e a relevância da IES para o local, levando em consideração a competitividade e as necessidades sociais do seu entorno. (MARBACK NETO, 2001)
A IES deverá procurar parcerias com empresas do seu entorno, facilitando, assim, a aplicação prática do ensino teórico, bem como formas de financiamentos para seus projetos. A utilização do instrumental fornecido pelo planejamento estratégico em muito facilitará seu trabalho.
O ambiente não deverá ser colocado em segundo plano; deverá ser constantemente pesquisado e corrigido e/ou adequado à sua missão, ao seu PDI e ao seu modelo de gestão universitária implantado, tudo em uma visão sistêmica.
A IES não pode e não deve ser gerida como um conjunto de feudos e, sim, como um conjunto de partes dinamicamente articuladas e integradas, agindo de forma integrada, buscando a sinergia, na busca da consecução de seus objetivos comuns, conforme previsto em seu PDI. A IES deve ser gerida como um sistema complexo por “abrigar objetivos, ideologias e funções conflitantes”. (MARBACK NETO, 2001:243)
Erro! Indicador não definido.
O modelo de gestão universitária a ser implantado deverá observar os objetivos, a ideologia e as funções conflitantes da IES em questão.
Para tal, grande importância assume o trabalho da Comissão Própria de Avaliação (CPA) da IES, criada pelo SINAES e, também, o resultado alcançado após a visita institucional, levando em consideração os dados e as informações fornecidas que abastecerão e que serão implantados, ajudando, assim, o gestor universitário a solucionar seus problemas críticos.
Ressaltamos a importância do planejamento, que aponta para uma decisão mais firme em função do conhecimento mais amplo da relação dos ambientes interno e externo.
Sabemos da dificuldade de um Planejamento Estratégico amplo em função do não alinhamento existente entre as áreas administrativo-financeira e a acadêmica, que é considerada mais importante, fugindo, assim, à visão sistêmica.
O planejamento deve ser realizado prevendo uma gestão compartilhada que deverá envolver todos os atores que atuam na IES, motivo pelo qual ressaltamos a importância da Avaliação Institucional implantada pelo SINAES que envolve a IES como um todo, ou seja, não adiantará ser bem avaliado na área acadêmica e não obter o mesmo resultado na administrativo-financeira, ou vice-versa, o que descaracterizaria a sua visão como um todo.
Entendemos que, em um modelo de gestão universitária a ser implantado, alguns tópicos deverão ser atendidos, como: tomada de decisão, estrutura hierárquica, cultura organizacional, que poderemos chamar de institucional e, agora, a preparação e confecção da documentação necessária bem como os resultados das avaliações do SINAES.
No tocante às decisões, não podemos deixar de abordar os modelos existentes, sendo que o mais utilizado para as decisões acadêmicas é o modelo de
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de alunos Ensino/AprendizagemProcesso ProfissionalAluno: Egresso