Na análise das entrevistas, para cada resposta de cada entrevistado, foram selecionadas partes do texto consideradas chave e, a partir destes, as palavras-chave de cada discurso. Chegou-se, assim, aos quadros abaixo. A entrevista procurou identificar os pontos desse novo modelo considerados chave para o resultado da adequação da gestão à nova realidade social. Nesse sentido, o roteiro foi construído para abordar os pontos considerados estratégicos nas abordagens apontadas nos quatro primeiros capítulos deste trabalho, verificando fatores como flexibilidade, descentralização, autonomia, iniciativa e empreendorismo. As respostas em cada quadro correspondem à síntese dos discursos dos entrevistados na seguinte ordem: Professor Nildo Batista (diretor do campus), Professora Póla Araújo (coordenadora do curso de Terapia Ocupacional), Professora Ana Damásio (coordenadora do curso de Educação Física), Professora Adriana Tucci (coordenadora pedagógica), Sra. Claudia Oliveira e Sra. Ana Cristina Marçal (técnicas em Assuntos Pedagógicos), Professora Cristina Gagglianone (coordenadora do curso de Nutrição), Professoras Rosana Barbosa e Carla Medalso (chefe e subchefe de departamento, respectivamente) e Professora Tânia Provedel (coordenadora do curso de Educação Física). Seguem as análises:
Assim, na tabela 1, correspondente à pergunta 1 da entrevista, a palavra-chave é integração. A resposta para as implicações do novo modelo na gestão da IES aponta a integração como elemento central. A integração, tanto em sua dimensão transversal, ou seja, intra-organizacional, entre professores e alunos, entre a direção e as áreas administrativas, entre os professores e entre os diferentes cursos, quanto a integração na dimensão vertical, ou seja, entre a instituição e a comunidade que a cerca, em diálogo constante entre ambiente de ensino e ambiente real.
Fragmentos das Respostas das Entrevistas
Tabela 11 . “O qu e a n ova m e t odologia im plica e m m uda n ça de ge st ã o da I ES ( hor a / a u la , de dica çã o do pr ofe ssor e n t r e e n sin o, pe squ isa e e x t e n sã o, r e m u ne r a çã o, qu a dr o de pe ssoa l) ?”
Os eixos tem áticos da graduação pedem constante m ovim ento com a com unidade, com a extensão, pesquisa interdisciplinar e equipe sólida.
Dedicação exclusiva.
Trabalham os com equipes m ultidisciplinares e o aluno inserido em propost as de ext ensão ... Extensão, pesquisa e ensino.
Dinâm ica, trabalhar em equipe, aprender.
Maior int egração. Não est á cent rado na sala de aula. Eixos e m ódulos. A organização em eixo contem pla várias áreas disciplinares.
Vários desafios; ingresso dos docentes, interação entre nós, j eito de fazer, com o ir para cam po, necessitam os de um desenvolvim ent o m uit o m aior, a gent e é que vai const it uí- lo.
dessa nova form a de ensinar, ela está est rut urada, principalm ent e na int egração.
A integração pede uma comunicação eficiente. As respostas à pergunta 2 mostraram que os canais e processos ainda estão em discussão. Mas já percebe-se um valor intenso atribuído a esta questão e a busca de sistematizar canais formais e informais de troca, conforme aponta a tabela 2 de respostas.
Tabela 2
2 . Com o se dá e qua is sã o os ca na is de com un ica çã o e n t r e dir e çã o, coor de n a dor e s, pr ofe ssor e s e a lu nos e m t oda s a s dim e n sõe s e se n t idos?
I ntegração, m ecanism os de gestão.
Proj eto tem m uito a ver com a com unidade, com os eixos e as avaliações por portfolio. Dificuldade de com unicação não exist e, dificuldade de situar para essa discussão.
Com unicação ( form ais e inform ais) . Um canal aberto entre direção, coordenação, professores e t am bém discent es. Const rução hist órica.
As com issões, os conselhos, canal aberto, que é reuniões, processo em construção.
A gent e se constitui com o um Departam ent o de Ciências da Saúde, pensar no que significa um livre docente na dinâm ica de ser um dos cam pus da expansão, as coordenações de curso e de eixo, a direção acadêm ica. Criando um conselho do cam po, inform al, para gente ir lidando com as decisões.
As com issões de ensino, de pesquisa e graduação vinculadas às chefias do departam ento, ao conselho departam ental e ao Conselho do Cam pus.
Outra variável importante a ser entendida foi o comportamento do aluno em relação às mudanças, especialmente as relacionadas ao seu papel ativo no processo de aprendizagem. Neste ponto, nas respostas à pergunta 3, a maioria apontou as práticas de atendimento por meio de reuniões e de acolhimento de dúvidas e dificuldades como instrumentos para mitigar o estranhamento inicial do corpo discente em relação ao novo modelo, especialmente no seu impacto na gestão da tecnologia acadêmica, de ensino/aprendizagem.
Tabela 3
3 . Qua l a r e a çã o e o com por t a m e n t o do a lu no fr e n t e a o novo m ode lo?
Reunião é nosso principal instrum ento, m as tem os tam bém o j ornal “ I nt egra Mais” . Nosso m odelo é a com petência da equipe.
Reunião de desenvolvim ento docente e com issões. No início reclam avam . Mas transform am - se em profissionais diferentes, eles j á sentem isso no prim eiro ano.
Alunos acolheram m uit o bem essa proposta nova. Alunos em um prim eiro m om ento estranhavam .
Com issão da graduação, da pesquisa, da pós- graduação e reuniões. Torna o aluno m ais ativo nesse m odelo.
Ansiedade im ensa sobre o cam pus novo, dificuldade de infra- estrutura, falta de equipam ent o,falt a de livros na bibliot eca, a insegurança.
Quando questionados, na pergunta 4, sobre o perfil docente, os elementos comuns apresentados pelos entrevistados disseram respeito aos parâmetros definidores das contratações do quadro docente, particularmente no que diz respeito à flexibilidade das pessoas, seu envolvimento com a proposta e, portanto, seu engajamento na construção do novo e na disposição para envolver-se em programas de capacitação e desenvolvimento continuado.
Tabela 4
4 . Pe r fil doce n t e , se le çã o e con t r a t a çã o e e spe cia lida de de for m a çã o. Qu a is os cr it é r ios de e scolha ?
Professor não cont rat ado na lógica de grandes tem áticas.
Perfil profissional que, além de t er a sua especificidade, t am bém nos auxilie na const rução do proj eto.
Perfil engaj ado no ensino, na pesquisa e ext ensão....
Quanto ao conteúdo, queriam estudar só para aquilo, e não é o caso. Capacitação é essencial. A gente tem acom panhando o desenvolvim ento docente.
Docente tem que ser um a pessoa aberta, que se relaciona abertam ente com outras pessoas, além de ter vontade de com eçar coisas novas, de enfrentar desafios.
Fazer algo novo baseado no que a gente teve de velho. Esse proj eto pedagógico im plica em m uito tem po do professor, integrar com os outros eixos, com outros m ódulos e isso dem anda m uito tem po de conversa e decisão.
Para que um modelo novo possa ser explorado e aproveitado em toda a sua plenitude, as ações de melhoria são essenciais e têm de estar em movimento contínuo, integradas ao ciclo de construção, planejamento e aplicação, ao fim do processo, retroalimentando a construção e o planejamento. Para isso, conforme as respostas à
pergunta 5, a sistematização da avaliação e a identificação de indicadores são processos
vitais. Sua importância pode ser constatada na tabela 5.
Tabela 5
5 . Com o se dá a a va lia çã o do de se m pe n ho doce n t e e do r e su lt a do do a lun o?
Usam os na avaliação o inst rum ent o cham ado port folio. A avaliação do m ódulo, do cont eúdo e até o desem penho do professor é feita por um “ Teste do Progresso” .
Avaliação de tudo, então discente avaliou o discente.
É construir a cada sem ana, a cada dia. Avaliação de desem penho do docente, portfolio. Por m eio de portfolios chegam os à avaliação qualitativa.
Com prom isso profissional com o nosso proj eto.
Avaliação dos m ódulos e avaliação m ais form al, com o prova, que t am bém exist e. Form ação docente continuada.
Discut ir que avaliação vai ser feit a. O ingresso desses docentes tem que se dar por m eio de um a avaliação que considere a atuação no ensino. Muit o ainda a ser construído.
Nós não elaboram os nenhum a avaliação de desem penho ainda.
A tabela 6, correspondente à pergunta 6, mostra que ainda há uma ruptura entre os modelos que flexibilizam a gestão e a tecnologia acadêmicas das normativas legais e dos registros necessários para dar cumprimento ao estabelecido no âmbito das esferas normativas e fiscalizadoras do trabalho das IES. O exercício da interdisciplinaridade, da flexibilização curricular, da organização do currículo por eixos, e não por disciplinas, bem como os registros dos conteúdos de forma integrada se chocam com os modelos tradicionais impostos pelo padrão vigente, desafiando os inovadores e vanguardistas.
Tabela 6
6 . Com o se dá o diá logo do novo m ode lo com a s nor m a s le ga is de e nsin o ( r e gist r o a ca dê m ico, pa r â m e t r os cu r r icu la r e s da s á r e a s, com issõe s de a va lia çã o, de dica çã o doce n t e e t it u la çã o, Sina e s) ?
Norm as devem ser flexíveis e adaptáveis aos diferentes m odelos pedagógicos.
Aulas práticas em quadras, piscinas e salas de ginástica na prefeitura, enfoque em saúde, form ar bacharéis, e não licenciados.
Estressantes tanto para o corpo docente, com o para o discente. O aluno precisa ser estim ulado por diretrizes curriculares m uito abertas, m uito am plas. Duas ênfases, form ação na área da saúde associada com a clínica, m as um a clínica não form al, e sim um a clínica am pliada, onde um a com unidade social tam bém faça parte.
I nterdisciplinaridade, o aluno precisa ter contato com a prática desde m uito cedo. Transferência entre cursos, flexibilização. A gente pode dar isso.
A universidade tem um program a que se cham a “ Pasta Verde” . Fizem os um esforço para desconstruir tudo que a gente teve de tradicional, para form ar esses m ódulos e integrar os conteúdos. Agora a gente tem que separar tudo de novo, para poder dizer quanto de carga horária teve desse conteúdo. Outra coisa im portante é a intenção de que os alunos estudassem sem saber que disciplina eles estão estudando. É um a dificuldade.
Em relação à estrutura física, pergunta 7, as respostas apontam para a necessidade de revisão dos espaços para adequá-los à flexibilidade que se apresenta em relação ao ambiente operacional de um modelo também flexível, mas atribuindo maior importância ao modelo mental e seu respectivo impacto na infra-estrutura do que essa propriamente dita e considerada isoladamente de um projeto pedagógico.
Tabela 7
7 . Qua is os a j u st e s e m e st r u t ur a , a m bie nt e s, t e cnologia , conside r a ndo o novo m ode lo?
Adequação de infra- est rutura. Salas com m aior flexibilidade. Am bient es para form ação de grupos.
A form ação do professor, a educação perm anente, essa hum anização m esm o, nas relações. O am biente hum ano é o grande diferencial. Tem os m uita discussão, integração, tem po. É m uit o m ais prát ica do que t eoria. Não vej o tanta diferença de necessidade de estrutura.
Melhor am biente é fora da sala de aula. É no contato com o paciente. A gente não m ostra só os profissionais que j á estej am m uito bem colocados, m as aqueles que est ej am iniciando. I sso é riquíssim o e a gente não conseguiria trabalhar esse conteúdo dentro da sala de aula.
Os principais pontos positivos apresentados, nas respostas à pergunta 8, foram a possibilidade de compartilhar uma construção, a abertura para a experimentação, a afetividade como elemento do processo de ensino-aprendizagem e o ambiente aberto para as discussões e para a reflexão. Estas características reforçariam a formação de um novo profissional, mais autônomo e pronto para viver numa sociedade que pede cada dia mais pessoas com capacidade para a investigação e o auto-aprendizado.
Tabela 8
8 . Qua is os pon t os posit ivos que você obse r va no t r a diciona l e n o n ovo m é t odo de ge st ã o de I ES?
Planej am ento em construção.
Na hora da aula a gente m uda tudo. Não pode ser um a carteira fixa. Saím os para o cam po e na volta para discussão. Então, isso é adaptação.
... Cont at o m uit o próxim o com o aluno facilit a. Det ect a se o aluno est á com algum problem a. Facilita a vida profissional. Você cria laços tam bém afetivos. Vivem os a instituição com o parte da nossa vida, t ant o no sent ido pessoal quanto profissional.
Um a coisa m uit o m ais abert a, bem diferent e dos prédios que a gente está hoj e. Reflexão.
As responsabilidades são com part ilhadas, a const rução colet iva para const ruir um currículo coletivam ente.
Autonom ia m uito grande, desafio, sensação de em poderam ento m aior do docente.
O am biente propicia encontros e discussões, m as aqui eles são com plem entados por visitas m esm o, pelo contato. O aluno é que busca sua própria form ação, ele é ativo, pesquisador, questionador, preocupação que o professor tem para tornar o ensino m ais ativo e não só teórico.
Mas não foram somente pontos positivos que foram elencados, conforme respostas à pergunta 9. Os entrevistados apontaram também a instabilidade da construção do novo, o estresse e a insegurança, a dificuldade de reconhecer falhas e reavaliar o que está sendo feito, os conflitos gerados por responsabilidades compartilhadas e a sustentação do trabalho na boa capacitação e desenvolvimento do quadro docente como pontos de atenção que podem se transformar em aspectos negativos do novo modelo se não forem gerenciados de forma adequada.
Tabela 9
9 . Qua is os pon t os n e ga t ivos qu e você obse r va no t r a diciona l e n o novo m é t odo de ge st ã o de I ES?
Construir o novo traz a sensação de instabilidade.
Falam os m uito de flexibilidade, de conhecer, de trabalhar em equipe. Reconhecer falhas e reavaliar.
Stress do novo. I nsegurança. Angúst ia.
Desenvolvim ento docente, form ação do docente, capacitação.
Alunos se form am para trabalhar em equipes m ultiprofissionais de um a form a bastante int egrada. Os pont os negat ivos são difíceis de delim it ar, o que ficou com o responsabilidade de cada um pode gerar conflitos.
Em suma, a resposta para a última questão, na pergunta 10, acerca dos fatores necessários para o posicionamento das IES neste novo cenário social, aponta para, necessariamente, a presença dos fatores: apoio por decisão política institucional, sem decisão institucional apoiada pela direção não se alcançarão os resultados;
acompanhamento e avaliação constantes; trabalho em equipe, integração e capacitação docente, amparada por assessoria interna e externa; abertura para discussões, reflexões e críticas e disposição e disponibilidade para a construção coletiva.
Tabela 10
1 0 . Qua is os fa t or e s que você con side r a ne ce ssá r ios pa r a t or n a r a s in st it u içõe s de e n sino supe r ior a de qua da s a um novo ce ná r io socia l?
Decisão polít ica e inst it ucional. O planej am ent o com o um processo que se faz no cotidiano. Envolver o professor no processo de planej am ento. A política de avaliação.
Mais supervisão, para não ser um choque.
O trabalho docente enquanto trabalho em equipe, reuniões, oficinas. É fundam ent al um a assessoria ext erna, inclusive inst it ucional.
Prim eiro a inst it uição precisa inst it uir a abert ura para esse t ipo de m udança. Segundo, a abertura de toda equipe pedagógica envolvida, com discussões desses novos m odelos, para ver a viabilidade de im plantação.
O fator m ais im portantes são as pessoas, o obj etivo com um das pessoas, o conhecim ento, o esclarecim ento das pessoas dispostas a fazerem algo novo.
Em prim eiro lugar, com unicação para haver int egração, disposição, disponibilidade, vest ir a cam isa do proj eto.