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Modelo Tradicional Modelo Crítico 1) Separação entre Universidade e

sociedade. A Universidade como lugar privilegiado do saber, dos estudos superiores.

1) A Universidade tem consciência de si como parte da sociedade e reflete em sua organização as contradições da sociedade. 2) A Universidade tende à inércia e à

dependência. 2) A Universidade tende a ser independentee dinâmica. Inquietação permanente. 3) A Universidade permanece neutra em

relação aos problemas sociais e não os discute.

3) A Universidade se coloca diante dos problemas sociais concretos e os discute. 4) A Universidade sanciona, com a prática,

o modo de relação social vigente. 4) A Universidade produz uma crítica sociale, ao mesmo tempo, uma auto-crítica. 5) A prática científica é fracionada em

”generalização” que nada têm em comum. A complexidade do real é fragmentada na visão do especialista.

5) A prática científica é integrada (integração curricular e interdisciplinar). Os currículos integrados tentam captar uma realidade complexa.

6) A participação estudantil é restringida. 6) A participação é estimulada.

Fonte: CRUB – Construção do sistema Universitário no Brasil, 1989:113.

Constatamos que o modelo crítico, hoje, começa a ser trabalhado e implantado, decorridos mais 18 anos depois da sua apresentação.

Para enfrentarmos a situação, necessitamos de um modelo de universidade flexível, capaz de ampliar suas possibilidades de atender os objetivos globais no que tange ao mercado, com a transformação de alunos em profissionais dotados de alto teor técnico, comprometidos com a cidadania e, preferencialmente, com o compromisso da qualidade de vida.

A globalização, segundo Faundez (1994: 176), tem “a pretensão de homogeneizar as culturas e, evidentemente, as educações em nome da racionalização”.

Não podemos deixar de registrar, também, que com a globalização veio a revolução tecnológica, trazendo à educação as Tecnologias de informação e

DIAS, Fernando Correia – Construção do Sistema Universitário no Brasil – Memória Histórica do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras – CRUB. Brasília, 1989: 109-113, Cap.9 –

comunicação (TIC’s) como solução até para minimizar a exclusão por meio dos cursos de educação à distância (EAD), levando a um processo de transformação da universidade formal em universidade aberta.

O mercado educacional está apoiado nas idéias de que vivemos numa sociedade de informação que caracteriza a gestão, a qualidade e a velocidade da informação como peças essenciais à competitividade econômica em função da necessidade de mão-de-obra qualificada, fato que acontece com maior facilidade por meio das citadas TIC’s. Dá ao capital humano maior condição de criatividade, aumento da eficiência, maximizando a empregabilidade, transferindo conhecimento, não permitindo a estagnação da economia.

Assim, a universidade deve estar alinhada à sociedade do conhecimento para ter sua sobrevivência garantida, gerando novos tipos de gestão e a relação de quem possui o conhecimento e de quem o utiliza.

Desse modo, o paradigma institucional poderá ser trocado por um empresarial de perfil globalizado e que permita maximizar a rentabilidade da universidade (SANTOS, 2004). Tais medidas acreditamos sejam fáceis de acontecer em uma incidência maior nas IES privadas que nas públicas, em função das suas características muito próximas das organizações empresariais.

A globalização tende a levar as IES a um modelo de gestão muito próximo ao das empresas, o que exigirá delas reformulação e adaptação de seus modelos de gestão, a fim de manterem-se nesse mercado competitivo.

Vejamos, a seguir, alguns motivos que levaram as IES a uma aproximação deste modelo de organização.

1.4. A universidade como organização

As concepções de universidade apresentam diversas versões e modelos que foram seguidos no decorrer do tempo.

As universidades são organizações e, como tal, resolvemos explorar seu caráter atual, embasados em Daft (2002), iniciando por sua definição de que as organizações são entidades sociais que são dirigidas por metas, são desenhadas

como sistemas de atividades deliberadamente estruturadas e coordenadas e são ligadas ao ambiente externo.

O mesmo autor afirma, ainda, que o principal elemento de uma organização não é um edifício ou um conjunto de políticas e procedimentos; as organizações são compostas por pessoas e seus relacionamentos. Uma organização existe quando as pessoas interagem para realizar funções essenciais que auxiliam a alcançar metas.

Assim, podemos afirmar que a universidade é uma organização e que a definição de organização, de uma maneira geral, se assemelha à da universidade.

Logo, da mesma forma que procuramos um modelo ideal de organização podemos, também, fazê-lo para a universidade.

A organização, para ser entendida como um modelo ideal deverá atender a alguns pontos considerados importantes para atingir seus objetivos, como: ter a sua prática apoiada em uma teoria; possuir uma estrutura enxuta que a torne flexível; elaborar seu propósito organizacional e seu projeto estrutural, definindo sua estratégia e eficácia; definir tecnologias de produção e de serviço; ser transparente e participar na elaboração de sua cultura; estar atenta à inovação e à mudança; administrar processos dinâmicos; gerenciar conflitos, poder e política; entre outros.

As mudanças e as transformações estão presentes nas organizações, fazendo-as tornarem-se competitivas e permanecerem vivas no mercado cada vez mais globalizado, exigindo, assim mudanças constantes e adequadas à nova situação.

Segundo Drucker (1993), passamos de uma sociedade industrial para uma sociedade de serviços, que, para se realizar de forma vitoriosa, necessita de uma forte parceria entre a educação e os negócios. O que é confirmado por Santos (2002:15-16), quando aborda o tema gestão educacional.

Quando nos referimos à mudança, estamos pensando em como trabalhar com a inovação, a alteração, a transformação que envolve as instituições e, conseqüentemente, com as pessoas que nelas, direta ou indiretamente, transitam e delas dependem.

Santos (2002) aponta que:

As mudanças levam a uma nova dicotomia de valores, não literária e científica, mas entre “intelectuais” e “gerentes”. Enquanto os primeiros se preocupam com as palavras e idéias, os segundos importam-se com pessoas e trabalhos. O grande desafio filosófico e intelectual é transcender essa dicotomia. (SANTOS, 2002: 16)

Dawbor (1994)12 aponta os grandes eixos dessas mudanças que atingem as IES neste início de século XXI, o que é corroborado por Santos (2002):

• O progresso tecnológico, a informática, a biotecnologia, as telecomunicações, as novas formas de energia, novos materiais;

• a internacionalização: o processo de globalização incentivador dos avanços tecnológicos;

• a urbanização – êxodo rural;

• as polarizações: “a distância entre os ricos e pobres, ultimamente, aumentada a um ritmo não conhecido em épocas anteriores”;

• a dimensão do Estado Moderno: “modernização institucional e política como determinantes da opção pelo neoliberalismo”. SANTOS (2002:16)

Com a globalização, e a mundialização das atividades, tem início a Era do Conhecimento. É a transformação do mundo em Aldeia Global (conceito de MacLuhan13), causando perplexidade, fazendo com que todas as barreiras governamentais ideológicas, políticas e até mesmo culturais sejam quebradas, trazendo em seu trajeto a evolução, quase que desenfreada das tecnologias da informação, como aponta COSTA (2001).

Tal situação leva a universidade, que é uma organização, uma instituição, à necessidade de acompanhar o mesmo ritmo. A universidade precisa mudar para poder se manter viva no mundo globalizado, onde impera a eficácia, a flexibilidade de ações e onde as decisões devem acontecer de maneira cada vez mais rápida.

Requer-se dos educadores (técnicos, gestores e docentes) uma nova postura diante do processo de ensino e aprendizagem e da educação em geral, pois na era do conhecimento, conforme Cavalcanti (2001:25) afirma que ”o conhecimento passa a ser o novo motor da economia e se transforma no principal fator de produção”.

Outra característica da globalização, que não podemos deixar de descartar, é a construção de redes de informações e a utilização das tecnologias da informação,

12 DAWBOR, Ladilau Os novos espaços do conhecimento. Pesquisa na Internet em 22/4/07

http://www.dawbor.org/conhec.asp

13 Herbert Marshall McLuhan introduz as frases o impacto sensorial, o meio é a mensagem e aldeia

global como metáforas para a sociedade contemporânea, ao ponto de se tornarem parte da nossa linguagem do dia-a-dia. Pesquisado na Internet em 27 de março de 2007 http://pt.wikipedia.org/wiki/Marshall_McLuhan

como citado acima, em prol de uma educação com mais qualidade e que alcance níveis de excelência como sempre foi esperado.

Acreditamos que o ensino superior deverá desempenhar um papel no desafio global de construção de uma nova sociedade globalizada, baseada no conhecimento, de grande relevância, concordando com Simão (2002):

O ensino superior desempenha ou deve desempenhar um papel de especial relevo no desafio global de construção da nova sociedade baseada no conhecimento. Para isso deve dar-se particular atenção à consolidação dos pilares em que se deve assentar a sua evolução, designadamente o pilar da cidadania, o pilar da cultura, o pilar da ciência e o pilar da inovação, integrando este último a qualidade e a competitividade), o que pressupõe modelos de gestão eficiente e de avaliação oportuna. (SIMÃO, 2002:39)