5 Drøfting og analyse
5.3 Kontrollør og veileder i samme person
5.3.1 Spenning mellom kontroll og veiledning
Os chicotes, por serem caracterizados como um sistema complexo, vital e com muitas interações, as montadoras, conforme levantado nas entrevistas, também tem uma engenharia especializada em sistemas de distribuição eletro-eletrônicos. Esta engenharia é fundamental para a montadora poder acompanhar ou até realizar um desenvolvimento, sem que ocorra a chamada deterioração de competências técnicas básicas que Clark e Fujimoto apontam como fundamental para garantir o poder de barganha da montadora. Entretanto, em um projeto caracterizado pelo co-design como os efetuados no desenvolvimento de chicotes, esta possibilidade é descartada pelo envolvimento conjunto das duas partes que ficam interadas das complexidades envolvidas.
Esta competência no desenvolvimento de chicotes não é homogênea entre as montadoras, sendo que as montadoras há mais tempo no país possuem uma maior experiência. Mas o diretor de engenharia da Forsis apontou que as mais recentes também têm se desenvolvido muito. Um exemplo é de uma montadora, destas chamadas de new comers, que está inclusive desenvolvendo um projeto em co-design com a Forsis Brasil para um modelo a ser produzido no futuro.
Nas entrevistas com a Forsis foi levantada a questão de como estas montadoras novas conseguem “adquirir” competência em chicotes. Aparentemente as OEMs se utilizam principalmente de duas estratégias complementares. Primeiro, elas buscam profissionais experientes no mercado local, dentro dos fornecedores ou de outras montadoras. Em segundo, elas promovem um intercâmbio com engenheiros próprios, de outros países, que estão familiarizados com a cultura e particularidades do desenvolvimento de chicotes da própria
empresa. Nas montadoras e nos fornecedores mais capacitados, esta migração de engenheiros entre as empresas, segundo um dos entrevistados, não é tão freqüente, mas acontece. Tivemos conhecimento que recentemente houve um caso deste tipo de migração envolvendo a própria Forsis. A empresa estava negociando um novo projeto com uma montadora e um dos engenheiros da montadora, envolvido especificamente neste programa, foi trabalhar em outro fornecedor, concorrente da Forsis, que acabou ganhando o programa de desenvolvimento e fornecimento dos chicotes.
Na GMB, onde foram realizadas algumas entrevistas, além dos pontos apresentados em outras seções, que tratam da interface com o fornecedor, buscou-se entender principalmente qual o papel da engenharia local frente à nova responsabilidade global do Brasil dentro da organização GM. Nesta nova fase da engenharia, onde a GMB ficou designada pelo desenvolvimento de picapes médias, a área de chicotes ainda não está efetivamente envolvida, com uma responsabilidade global. Segundo as entrevistas, a GMB está trabalhando de maneira global em alguns veículos de passageiros e em projetos menores. Este fato esta em linha com o discutido na seção 2.2, de que ainda é muito cedo para avaliarmos o que significará para o Brasil esta nova estrutura global dentro da montadora.
Um destes projetos que pode ser mencionado é o caso do Saturn Astra, que é um carro do tipo hatchback semelhante ao Opel Astra atual. Este modelo recém apresentado ao público que começará a ser vendido nos EUA, no segundo semestre de 2007 foi em grande parte desenvolvido e adaptado pela engenharia brasileira. Esta versão é produzida na Bélgica e compartilha grande parte dos componentes com o Astra europeu, porém precisou ser adaptada para o mercado norte-americano. Os chicotes desta versão foram adaptados e desenvolvidos pela engenharia do Brasil com o apoio do fornecedor europeu atual, concorrente da Forsis. Segundo levantado, o Brasil ficou responsável por este projeto devido a uma sobrecarga de trabalho que havia na Opel. Por ser uma variação de um modelo da Opel, a engenharia da GMB teve o suporte sempre que necessário da Europa, mas o trabalho mais intenso foi realizado no Brasil.
A participação da engenharia da GMB, segundo levantado nas entrevistas, tem crescido e ganhado importância nas reuniões dos times globais de engenharia. O supervisor de engenharia de chicotes chegou a comentar que cada vez mais há interesse em ouvir o Brasil, principalmente porque a pressão pela redução de custo é a mesma e está ocorrendo no mundo inteiro. Como relatado, há uma dificuldade das engenharias de fora, mesmo as asiáticas, em
criar e utilizar os mesmos tipos de soluções como as adotadas pelo Brasil. Segundo este entrevistado, que esteve alguns períodos na China e Coréia, a engenharia da montadora na Ásia não sabe fazer um carro com pouco conteúdo, o que os torna mais caros; na Coréia, mesmo os carros compactos são completos e “requintados”, com muitas funções que aqui seriam opcionais. Este tipo de diferença prejudica para que um engenheiro inserido em uma realidade possa projetar da melhor forma para outra realidade. Como citado na entrevista, por exemplo, muita coisa que é discutida por aqui “não passa nem por perto da Coréia”, que sofre como todo o mundo uma “forte pressão” de custos.
Esta pressão pela redução de custos é originada pela disputa de mercado das montadoras, onde o controle efetivo do custo é vital para a manutenção da competitividade do negócio. Para lidar com esta pressão a montadora tem aproveitado desta estrutura de engenharia global para procurar as melhores práticas utilizadas. Neste caso o Brasil tem sido procurado como um consultor para a adoção de soluções que possam baratear o projeto final. Citando o supervisor de engenharia: “é engraçado como algumas coisas são óbvias para a gente, mas na hora que chega lá, que vai conversar com um engenheiro e vê que para ele não só não é obvio como também é difícil de entender”. Este papel dentro da organização GM, como foi relatado, tem sido muito importante para a engenharia do Brasil ganhar força dentro do grupo.
O suporte do Brasil para a Coréia que, como citado na seção 2.2, ficou com a responsabilidade global por carros pequenos dentro da GM e tem um brasileiro como engenheiro chefe, já está ocorrendo. Como o exemplo do supervisor de engenharia entrevistado que já foi para a Ásia, outros casos também estão ocorrendo e deverão continuar. Este fluxo de engenheiros brasileiros da GMB indo para o centro de desenvolvimento da GM na Coréia esta ocorrendo para que haja uma troca de experiências e os brasileiros possam passar um pouco da experiência de soluções de baixo custo adotadas por aqui.