1 Innledning
1.6 Avgrensning
O chicote, como apresentado anteriormente, tem inúmeras variações e está em contato com todos os sistemas eletroeletrônicos dos veículos e qualquer variação em algum destes componentes tem que ser absorvida pelos chicotes. Por estas características, a possibilidade de ocorrer alterações de engenharia é praticamente uma certeza, em linha com Clark e Fujimoto como foi apresentado anteriormente no capítulo 2.1. O que costuma variar é a
12 A Forsis trabalha com diferentes tipos de sistemas, de acordo com a opção do cliente. Citando alguns destes sistemas: UG - Unigraphics, Catia, AutoCAD, VOBES, Capital M, Sacdica e Ived.
quantidade de alterações por projeto, que pode ser de menos de uma dezena até a ordem da centena, dependendo das particularidades.
O motivo de alterações de engenharia, chamados na Forsis de EWO – engineering working order –, foi apresentado por alguns dos entrevistados como um dos fatores de necessidade de uma engenharia com capacidade de desenvolvimento local. Desta forma as alterações seriam resolvidas mais rapidamente do que se dependesse de uma engenharia de fora. Este é um dos fatores que a o fato da engenharia ser local é vantajoso.
Os chicotes acabam apresentando tantas alterações por serem considerados um dos itens com menor custo e tempo de implementação de modificações. Porém conforme as entrevistas: “o impacto logístico-administrativo que muitas vezes não é considerado é muito maior”. Isto porque, em uma alteração de chicotes, existe uma série de itens indiretos que precisam de investimentos e tempo para que as modificações sejam implementadas, como por exemplo, os moldes de injeção de componentes, as ferramentas de estampagem, gabaritos de soldagem, mesas de montagem, entre outros.
No entanto as mesmas alterações de engenharia são as primeiras justificativas para uma limitação de uma possível exportação. Esta justificativa está embasada na quantidade de alterações que um chicote tem, principalmente na fase de desenvolvimento, até durante a produção. Desta maneira, em um processo de exportação por via marítima que demore por volta de um mês para chegar ao cliente, o lote de chicotes poderia já chegar defasado, no caso de qualquer modificação.
Durante as entrevistas, o gerente de engenharia de chicotes chegou a apontar que este seria um paradigma que precisaria ser quebrado. Há exemplos que foram citados como o do Toyota Corolla nos Estados Unidos que só teve duas alterações durante o ano, desta forma bastaria um controle de projeto robusto. Segundo o gerente de engenharia os chicotes poderiam ser produzidos até na China, desde que se tenha um domínio do projeto, e neste caso “depende muito mais da montadora do que da chicoteira...agora a chicoteira tem uma responsabilidade grande neste processo também”.
A China como opção de manufatura apareceu nas entrevistas como “o próximo passo” para as montadoras com projetos bem desenvolvidos e estabilizados. Pela utilização de mão de obra intensiva nos chicotes, a China seria uma opção para baratear os custos principalmente da Europa e Estados Unidos que atualmente tem grande parte da produção no
leste europeu e no México. Mas com controle de projetos estabilizado, nada impediria que a China também não venha a fornecer para o Brasil. Citando o gerente de engenharia, sobre esta questão:
É claro que [atualmente] injetar um coletor de admissão lá na China e colocar num veículo em qualquer parte do mundo, sempre vai ser extremamente mais controlável, do que produzir um chicote de motor na China e colocar em qualquer parte do mundo. Mas é possível chegar a este estágio que seria a evolução do desenvolvimento do veículo, do chicote, da manufatura do veículo e do chicote. Em comparação, a Forsis no Brasil, durante o processo de implementação de um modelo com produção em diversas plantas ao redor do mundo, recebia por volta de 250 notificações de modificações do projeto por semana. Esta quantidade de modificações vinha do fato de ser uma administração de plataforma global, que apontava tudo que afetava a montagem do modelo no mundo inteiro. Neste caso era necessário fazer uma triagem para ver quais impactavam o chicote do Brasil, e após essa triagem ir ao cliente e “fazer as negociações de que embora afetassem [as alterações], quantas e quando é que realmente iriam ser implementadas”. Estas alterações muitas vezes eram coisa de milímetros de reposicionamento de um clipe, aumento ou redução de um isolante, aumento do comprimento de um circuito. Então eram necessárias reuniões semanais com a montadora para fazer a análise do que implementar, do que não afetava o Brasil, do que afetava, e do que afetava e poderia não entrar.
Ao ser questionado se estas alterações de engenharia indicavam um erro no desenvolvimento do projeto, o gerente de produto da Forsis apontou que “isto mostra um projeto desenvolvido de forma não consistente e mostra uma montagem do veículo não consistente ao redor do mundo”. Este gerente explicou que se o processo de montagem também não é homogêneo, então o posicionamento e a seqüência de montagem do chicote também não o será. Neste caso, a montadora acatava as solicitações de cada uma das plantas e liberava no sistema as alterações que poderiam ser ou não implementadas, e às vezes uma modificação por solicitação de uma planta interferia em outra, e assim por diante formava-se uma “bola de neve”.
Como exemplo de projeto brasileiro com poucas alterações de engenharia, um exemplo citado foi o dos chicotes de painel do Celta, no caso os outros chicotes são fornecidos por uma empresa concorrente. Para este modelo, a Forsis fornece os chicotes do painel à empresa que monta o painel completo dentro do condomínio da GM em Gravataí. Neste caso, o projeto do carro tem um bom nível de desenvolvimento e uma simplificação em
termos de variação de montagem, tem alguns pacotes de versões e opcionais. Citando um dos entrevistados:
Acho que a GM conseguiu fazer um bom trabalho de marketing identificando quais as características do produto que seriam mandatórias, então ela identificou algumas faixas de fabricação do veículo e isso facilita bastante a manufatura e controle do carro e do chicote.
Então, as modificações existentes nos chicotes de painel do Celta são poucas. Muitas das alterações existentes são forçadas por propostas de redução de custos, e não por uma necessidade técnica ou de mercado. Nestes casos são modificações de detalhes de acabamento, chamadas pelas montadoras de “modificações cosméticas”, que buscam uma redução de custo. Este modelo de poucas modificações não é restrito ao Celta pelo fato de ser um carro mais simples. A própria Forsis era a fornecedora dos chicotes do Audi A3, considerado um dos carros mais luxuosos fabricados no Brasil, que só tinha quatro datas ao longo do ano para fazer as revisões dos desenhos e efetuar as modificações.