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Oppsummering

A Copa, com o desenvolvimento de suas competências em engenharia, passou a ser uma alternativa de se terceirizar internamente o desenvolvimento de painéis para outras regiões. Estes trabalhos estão sendo feitos ainda há poucos anos, mas vêm tendo uma carga de trabalho e responsabilidades cada vez maior. Grande parte destes desenvolvimentos são partes de projetos para a Europa e EUA.

Segundo o diretor geral de engenharia e o gerente de engenharia de interiores da Copa, a questão de custos, como fator direcionador destes desenvolvimentos, tem muita importância, porém, além do custo, a habilidade para executar a tarefa é que acaba por definir a unidade que executará a tarefa.

Na Copa, a existência de centros de engenharia em diversas regiões do globo possibilita que alguns trabalhos possam ser distribuídos por outros países com “menos tradição” no desenvolvimento. A questão do custo também é importante, mas o que vai compensar a transferência de um projeto de uma região de alto custo de engenharia para outra, com custo mais reduzido, é a produtividade alcançada, e neste caso o Brasil tem se saído aparentemente bem, sendo que este fato alinha-se com o que foi comentado no capítulo 2. Com relação à transferência para outras regiões, vale a pena citar o comentário do diretor de engenharia da Copa em entrevista ao autor:

Isto hoje é normal, de maneira geral, todo mundo está trabalhando com China, Índia, Europa Oriental e o Brasil. É uma tendência de todo mundo jogar a engenharia para estas regiões e a Empresa Copa não está diferente, está tirando das regiões de custo elevado para estas regiões low cost. O que acontece é que a gente também é considerada região de low cost e recebe atividades. Aí tem o problema de custo, por exemplo, fala para mandar tudo para a China que seria mais barato. Mas tem o seguinte, às vezes para se fazer um painel na China são necessárias 5000 horas de engenharia e no Brasil eu faço com 3000. Pode ser que daqui dez anos isto já acabou, mas hoje existe isso. Então às vezes a pessoa prefere mandar até para nós, do que para a China. Mas eles estão se desenvolvendo, a China a Índia, isto é inevitável... o custo é importante, mas só custo não adianta, tem que ter custo e o skill (habilidade).

Neste comentário, o que preocupa é até quando o Brasil continuará com esta vantagem comparativa no quesito de produtividade. Os investimentos na China não só da Copa, mas de outras grandes empresas, tanto montadoras como sistemistas, têm sido muito elevados. Com os investimentos há muito intercâmbio de informações e a presença de muitos engenheiros residentes de outros países, inclusive do Brasil. Estes fatores combinados poderão qualificar a

China, que vem “aprendendo rápido” e, desta forma, as vantagens competitivas do Brasil não serão possivelmente tão relevantes.

Outro aspecto é que o processo de transferência de partes do desenvolvimento para outro país esbarra em uma questão política, porque poderia acarretar uma redução de empregos na matriz, o que pode gerar certa competição ou até desqualificação dos novos centros receptores. Na Copa, apesar das adversidades, este movimento de transferência de desenvolvimento para outros países está acontecendo. Esta iniciativa tem ocorrido por razões de reduzir o custo e ganhar competitividade; porém citando o diretor geral de engenharia da Copa sobre esta questão da desqualificação e transferência:

Se você for perguntar a um inglês, a um alemão, ele fala que não, que se for mudar para a China, os engenheiros [chineses] não sabem trabalhar e [os europeus] ficam boicotando. Mas esta fase do boicote acaba porque chega uma hora que o presidente fala para cortar o pessoal e bota lá [países com engenharia mais barata], vai na marra.

Nestes casos em que há transferência de desenvolvimento para outros países, a transferência não é do painel completo. A maior parte do trabalho executada pela engenharia deste outros centros, segundo o gerente de engenharia, são as “partes transferíveis”, que não requerem uma constante interface com o cliente, mas demandam um intenso trabalho de engenharia pesada, em termos de horas necessárias. Estas partes são as que teoricamente podem ser feitas em qualquer lugar, como a parte de CAD, o modelamento do painel e a parte chamada de “feasibility”. Mesmo assim, no caso da empresa na Europa, grande parte destas transferências estão ocorrendo para os países do leste europeu. As causas para este movimento, segundo o diretor geral de engenharia, seriam dadas pela facilidade proporcionada pela proximidade geográfica com a parte ocidental da Europa, combinada com uma engenharia competente, produtiva e de custo reduzido em comparação com o oeste europeu.

Nesta área de interiores, as partes de concepção, estilo e aplicação que exigem uma maior interação com o cliente são feitas pela engenharia do local que presta suporte ao cliente. Esta engenharia é a responsável por qualquer comunicação com a montadora, isto é, no caso de alguma necessidade de se falar com o cliente na fase de CAD, quem fará este contato será a engenharia do local. Por exemplo, em um caso de desenvolvimento de um painel para um carro na Europa, onde parte do desenvolvimento está no Brasil, a engenharia brasileira só entra em contato com a engenharia da Copa na Europa e somente esta é que contatará o grupo responsável pelo programa da montadora. Segundo levantado com o diretor geral de

engenharia, o time brasileiro teoricamente até poderia desenvolver um projeto completo para fora, porém uma iniciativa destas seria mais cara. Para um caso destes o time de engenharia teria que ficar pelo menos os seis meses da fase inicial alocada dentro do cliente; haveria o custo de mandar protótipos para o Brasil e do Brasil de volta para fora; e o time de aplicação precisaria estar ao lado do cliente. Este tipo de operação fica inviabilizada e não se justifica, por ter um custo mais elevado.