1. Idrett og sosial integrasjon: En teoretisk innføring
1.4 Skjematisk oversikt over rapporten
A partir dos princípios que fundamentam a abordagem bakhtiniana e da metodologia comunicativa de investigação, utilizamos como instrumentos de coleta dos enunciados a observação comunicativa, as entrevistas e o grupo de discussão comunicativo. Os princípios teóricos de nosso estudo orientaram um processo de observação particularizado, pautado na inserção e diálogo em campo e participação nas atividades desenvolvidas seguida pela análise interpretativa dos fenômenos observados juntamente com os sujeitos da pesquisa.
Assim, a observação assumiu um caráter dialógico, buscando a mediação entre o individual e o social.
A proposta seguida foi estar com os sujeitos participantes. Assim, buscamos uma compreensão marcada pelo encontro de diferentes vozes situadas em cada envolvido na pesquisa, de modo que a observação levou em conta a dimensão da multiplicidade de vozes. Entretanto, ao mesmo tempo em que participamos in locus do evento, mantivemos a posição exotópica que nos permitiu enxergar o Outro a partir de uma visão mais distanciada. Como indica Freitas (2003), é preciso
ver a situação de campo como uma esfera social de circulação de discursos e os textos que dela emergem como um lugar específico de produção de conhecimento que se estrutura em torno do eixo da alteridade (FREITAS, 2003, p. 32).
Deparamo-nos, inclusive, com discursos não apenas verbais, mas também gestuais e expressivos que também refletem e retratam a realidade da qual faz parte a organização da vida social. Tais discursos não foram analisados nesta pesquisa devido à necessidade de recortarmos melhor o fenômeno em questão, sendo que essa perspectiva poderá futuramente ser investigada em outros estudos que poderão dialogar com este.
Os eventos foram gravados com gravador de mão e todos os sujeitos participantes assinaram Termos de Consentimento Livre e Esclarecido para que pudéssemos dar prosseguimento a esta ação. Na sequência, as atividades de leitura dialógica foram transcritas, dando origem a um texto escrito fiel ao que foi dito pelos participantes. De todos os encontros gravados, selecionamos cinco e cada áudio teve em torno de 50 minutos. Para apoiar esse trabalho, os enunciados também foram registrados em um caderno de anotações para que fosse possível guardar alguns detalhes que não apareceriam somente na voz dos estudantes. Utilizamos, portanto, um diário de campo para historiar os acontecimentos vividos enquanto participávamos ativamente das atividades em pé de igualdade com os demais participantes.
Por tais procedimentos assim como os já descritos até aqui, a observação comunicativa que realizamos segundo a metodologia comunicativa de investigação recusou a passividade nos mais diversos âmbitos, sendo que consideramos também os elementos da
teoria enunciativa da linguagem de Mikhail Bakhtin, dos quais destacamos o diálogo, a interação e a alteridade. Assim, o campo de estudo em que nos inserimos foi investigado, em última instância, à luz dos eventos de linguagem marcados pela interlocução.
No que se refere à entrevista, dentro da perspectiva teórica bakhtiniana e da concepção comunicativa que adotamos, esta ocorreu numa situação de interação verbal entre duas ou mais pessoas e teve o objetivo de uma compreensão responsiva, já que toda pergunta contém em si mesma, o gérmen de uma resposta. O entrevistado diz, rediz, reformula seu pensamento, complementa suas ideias durante todo o processo, sendo que o entrevistador, por sua vez, assume também a sua posição de sujeito falante, alternando-a com a do entrevistado.
Nessa situação, a ideia não é apenas entrar em um jogo de perguntas e respostas, mas é um orientar-se para o Outro no intuito de compreender os significados dos seus enunciados. É utilizar-se, novamente, do “excedente de visão” proposto por Bakhtin para que o entrevistador possa se identificar com o entrevistado e enxergar o mundo através de seus valores tal qual o próprio entrevistado se veria. É um colocar-se no lugar do Outro e, depois, ao voltar ao ponto de origem, conseguir contemplar o horizonte do entrevistado segundo um lugar externo – exotópico – e dar um acabamento ao evento enunciado.
Este diálogo em forma de entrevista entre duas consciências (a da pesquisadora e a do sujeito participante da pesquisa) consiste em colocar frente a frente palavra e contrapalavra, sendo que nesse confronto de ideias e respostas é possível atribuir sentidos para os enunciados proferidos. Sob essa perspectiva, configura-se, portanto, uma entrevista dialógica e os significados dos discursos só são verdadeiramente analisados e interpretados quando se considera um sujeito real que fala a partir de seu contexto social, histórico, cultural, ideológico e que, consequentemente, também se expressa em nome de seu grupo social.
Assim, por considerarmos que todos os estudantes compartilham o mesmo contexto, são moradores do mesmo bairro, vivenciam as experiências de cultura semelhantes, têm histórias de vida com muitos pontos em comum (com momentos de sofrimento e trabalho duro para escapar da pobreza), selecionamos algumas pessoas para entrevistar, representando aquele grupo de estudantes, moradores dos arredores da Cidade Aracy II e Antenor Garcia.
Foram cinco sujeitos entrevistados e as conversas ocorreram individualmente. Seguimos uma estrutura de perguntas previamente esboçadas, mas demos vazão a falas que
surgiam enquanto ouvíamos os estudantes, ou seja, houve perguntas que emergiram como uma atitude responsiva aos discursos dos entrevistados. Cada entrevista durou cerca de 20 minutos e todo o diálogo gravado, com o consentimento dos sujeitos participantes, foi transcrito posteriormente, dando origem a mais um conjunto de textos que configuram a fonte de dados para investigação nesta pesquisa. O roteiro de entrevista encontra-se no apêndice B, ao final da Tese.