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Idrettens verdier: Empiriske analyser

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5. Idrettens verdier: Prestasjon, solidaritet, fairness og helse

5.4 Idrettens verdier: Empiriske analyser

Os principais canais midiáticos da França já se serviram da relação baccalauréat e rito de passagem. Le monde, Le Figaro, Le point, Le parisien, Libération são alguns exemplos que ajudam a negociar essa maneira de interpretar o fenômeno do exame francês na esfera jornalística. Basta uma simples pesquisa em um motor de buscas na internet para verificar a diversidade de matérias publicadas utilizando-se dessa relação. Além da mídia, a esfera científica também se interessa por esse modo de conceber o baccalauréat. No campo da Sociologia, existem trabalhos que discutem a pertinência do estabelecimento deste exame como um rito. O sociólogo Michel Bozon (2002) levanta que o conceito de rito de passagem não é mais tão utilizado nos estudos interessados na juventude. Ao mesmo tempo, ele ressalta que existe um número considerável de pesquisas que marcam a existência de diversos ritos e rituais recentes ligados à juventude. Um dos fatores imbricados na discussão do autor é o eco causado pelo alongamento da duração da juventude em nossa sociedade, o que acaba por influenciar os modos de estabelecer as fronteiras entre os períodos da vida. Se antes a passagem da juventude à vida adulta era bem marcada com os ritos, hoje o que temos é uma transição progressiva marcada de procedimentos informais e muitas vezes reversíveis.

Ainda assim, pensar o baccalauréat e não o considerar como uma passagem ritual é deixar de ouvir as vozes que reforçam esse sentido, é tornar-se monológico perante a força dialógica da linguagem. É muito fácil encontrar referências a esse exame que o tomam como rito de passagem. Meuriot (1919) inicia seu artigo sobre a evolução histórica e estatística do exame lembrando que o baccalauréat marca a entrada do jovem na

sociedade. Bozon (2002) inclui o baccalauréat na gama de ritos que se multiplicam no meio social, aproximando-os das experiências que inauguram novas práticas sociais, marcadas pelo evento da “primeira vez”. Mais especificamente sobre o universo do exame escolar, Belhoste ressalta que ele “aparenta-se assim a todos os ritos de passagem que escandem o desenvolvimento biográfico e que constituem cada vez um teste de aptidões do indivíduo20” (2002, p. 8).

Uma outra pesquisa que vale trazer para nossa arena é realizada por Lo (2000), que defendeu seu mestrado também se questionando sobre a pertinência de se considerar o baccalauréat como um rito de passagem. O autor afirma que a relação é válida, pois pode ser lido através das lentes antropossociológicas e pode ser compreendido dentro do conceito de ritos de passagem.

O que podemos depreender dessa discussão em que se coloca o rito de passagem ora como presente, ora como ausente, ora como diferente de antes, em que se considera o baccalauréat ora como um rito e ora como não o sendo nos enfatiza que o exame ainda passa por um processo de negociação de sentido, de reinvenção do que ele próprio significa perante a sociedade de onde ele emerge. Isso nos coloca frente à condição primária do baccalauréat: antes de tudo, trata-se de um evento discursivo, que pode ser lido e interpretado pelas teorias bakhtinianas.

A negociação de sentidos é uma característica inerente ao signo. Essa negociação é fruto das trocas entre a Ideologia Oficial e a do Cotidiano. É nesse espaço de negociação contínua que se evidenciam as vozes postas na arena dos signos. As vozes que dialogam no signo retomam umas às outras, apoiam-se mutuamente para a produção dos sentidos. Se é possível pensar hoje no baccalauréat enquanto um rito de passagem, essa possibilidade de leitura também encontra amparo nos estudos de cunho etimológico.

Outra maneira de observar esse liame que serve de ponte para a vida adulta é o mercado de trabalho pois ele é uma fronteira bem marcada entre a vida do adulto e do adolescente (convenciona-se atualmente que o universo do trabalho está voltado à fase adulta da vida, poupando adolescentes e crianças dela). Assim como outros campos da

20 L’examen scolaire s’apparente ainsi à tous les rites de passage qui scandent le déroulement biographique et qui constituent à chaque fois une mise à l’épreuve des aptitudes de l’individu [tradução nossa].

atividade humana, o mundo profissional se serve do baccalauréat como critério de seleção. Assim, o diploma se torna uma condição para o exercício social de determinadas práticas de atividade remunerada, o que atribui mais força ao baccalauréat enquanto uma porta de acesso a outro nível ou outra dinâmica social.

A partir dessas discussões no campo da sociologia, podemos perceber que a esfera jornalística é sensível à ideia de que o exame francês se caracteriza como um rito de passagem. Ao mesmo tempo que ela retrata tal impressão, a mídia também faz reforçar esses valores, que aos poucos vão se sedimentando nas camadas do signo baccalauréat.

Outra esfera que contribui para a consolidação do baccalauréat enquanto um rito de passagem é a científica. Ela, enquanto um sistema ideológico legitimador da interpretação dos fatos sociais, acaba por selar a experiência do baccalauréat enquanto um rito de passagem. Essa dinâmica dialógica entre as estruturas e as ideologias que as compõem estabelecem entre si uma rede de mútuo suporte na maneira como o exame é concebido socialmente, o que o legitima como rito. Assim, enquanto rito de passagem, mais uma vez o signo ideológico baccalauréat nos desvela as relações dialógicas estabelecidas nos campos estruturais.

Por trás do signo ideológico baccalauréat, além da tensão entre diploma de conclusão do ensino secundário e primeiro grau universitário, também existe a tensão em considera-lo ou não como um rito de passagem. O fato de ser encarado como um rito não é uma inovação social, mas talvez seja uma herança ideológica que foi trazida pela própria palavra. É o que exploramos mais acuradamente no próximo movimento de leitura.

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