6. Idrettens samhold: Sosialpsykologiske perspektiver
6.2 Samhold i grupper og idrettslag: En teoretisk innføring og
Um olhar etimológico nos permite averiguar exatamente o que Bakhtin/Volochínov (2012 [1929]) afirmam sobre a palavra registrar as lentas mudanças sociais em camadas cumulativas ainda inacabadas. Através da etimologia recuperamos um pouco mais das vozes que constituem o que hoje se determina pelo baccalauréat através desses acúmulos que designamos a base da herança sígnica.
Primeiramente, recuperamos dos dicionários citados anteriormente a definição etimológica do termo baccalauréat. Unindo as informações que eles nos oferecem, aprendemos que o termo deriva dos termos latinos baccalarius e laureatus. Na língua francesa, o vocábulo baccalarius originou a palavra bachelier. Hoje, essa palavra significa aquele que possui o diploma da escola secundária. O dicionário Le Robert ainda oferece uma explicação histórica: “jovem cavalheiro que aspirava a tornar-se cavaleiro21” (LE
ROBERT: 2015, p. 158).
Nas informações presentes no dicionário, temos que o termo se referia a um jovem cavalheiro que aspirava a ser cavaleiro. O cerne desta afirmação é o verbo aspirar, que indica um estado futuro ao qual se almeja chegar. A definição do termo não se dá pelo que o baccalauréat é em sua condição de ser, mas em relação ao vir a ser que ela explicita. Trata-se de uma definição baseada em uma projeção no tempo.
Além do resgate das definições etimológicas constantes nos dicionários, fazemos menção às palavras de Lo (2002):
Sob o regime feudal, o bachelier indicava em período de guerra um coroinha que aspirava a ser cavaleiro e mantinha posição entre o cavaleiro e seu escudeiro, enquanto em tempos de paz, na vida civil, o bachelier era um aprendiz, um homem ainda não classificado. Este nome também designava, por extensão, o celibatário (bachelor em inglês), ou seja aquele que não tinha nem família nem casa e de quem não se fazia alusão” 22 (LO: 2002, p. 35).
O autor, além de trazer os dados contidos no dicionário, ainda acrescenta que, em tempos de paz, o termo fazia referência a um aprendiz. As observações feitas a respeito do verbo aspirar podem ser retomadas para o vocábulo aprendiz. Mais uma vez, o vir a ser é o tom que determina o sentido do signo. Em tempo, também tratamos brevemente da palavra celibatário. Na língua francesa, o termo refere-se à pessoa que está no celibato. A definição desta última é: “Estado de uma pessoa em idade de ser casada e ainda não o é, nunca foi23” (LE ROBERT: 2015, p. 322). É válido ressaltar que a definição
desta palavra também se pauta numa condição projetada. Não é o corpo em si que se
21 Jeune gentilhomme qui aspirait à devenir chevalier [tradução nossa].
22 Sous le régime féodal, le bachelier indiquait en période de guerre un servant qui aspirait à être chevalier et tenait rang entre le chevalier et l'écuyer tandis qu'en temps de paix, dans la vie civile, le bachelier était un apprenti, un homme pas encore classé. Ce nom désignait aussi, par extension le célibataire (bachelor en anglais), c'est-à-dire celui qui n'avait ni famille ni maison et dont on ne faisait pas état [tradução nossa].
define enquanto tal. O que ele não é, as características que ele não tem e que são visadas é que são o mote de sua definição. A presença do advérbio ainda realça a projeção a uma condição futura. Apenas para completar o consenso entre as fontes utilizadas, trazemos para o círculo de debate etimológico as contribuições de Ropert (2014), disponíveis no sítio eletrônico da France Culture24:
Etimologicamente, a palavra baccalauréat tem como raíz a locução latina “bacca laurea", quer dizer “a coroa de louro”. Trata-se da corono triumphalis, a coroa triunfal, distinção honorífica que simboliza a gloria de seu portador. Em latim tardio, ele se torna “baccalaureatus” e toma por significado “grau de bachelier nas universidades”; A raiz da palavra “bachelier”, por sua vez, difere. Até o século
XVII, antes que sua significação evoluísse, o bachelier não é senão o “jovem nobre aspirante a tornar-se cavaleiro25” (grifos do autor) [destaques do autor].
(ROPERT: 2014).
Nosso intuito em apresentar as três referências é de demonstrar que os sentidos dados à palavra baccalauréat se estabilizam no processo de vir a ser, na projeção de uma condição futura. Essa característica está presente em outros termos, como o bachelier e o célibataire, as duas também participantes do universo aqui estudado.
Se na Idade Média pensar o baccalauréat é colocar-se frente a um termo que determina mais uma etapa de um processo, ou ainda um percurso, se fazemos uma projeção do lugar ou da condição que o aprendiz quer chegar, temos também o ponto de vista sobre o lugar de onde o aprendiz parte. Nas palavras de Gréard,
Nossos bacheliers modernos, a quem o título permite pretender tudo, ficariam bastante surpresos em saber que em outro momento este título não contava nada. Um bachelier não era, na guerra, mais que um tipo de servente; na vida civil, não mais que um aprendiz, em poucas palavras, um homem ainda não classificado. Daí vem que, por extensão, o nome era dado aos solteiros, quer dizer, àqueles que não tinham família ou casa, e de quem não se fazia estado26 (1889, p.152).
24 France Culture é uma estação de rádio pública francesa que pertence ao grupo Radio France. As informações apresentadas são colhidas do sítio eletrônico da emissora, que difunde um programa chamado Les nouveaux chemins de la connaissance (Os novos caminhos do conhecimento), voltado aos aspectos históricos e filosóficos como ferramentas para ler o mundo contemporâneo. Uma das emissões foi dedicada à história do baccalauréat, de onde as informações colhidas foram retiradas.
25 Etymologiquement, le mot baccalauréat a pour racine la locution latine “bacca laurea”, c’est-à-dire “la couronne de laurier”. Il s’agit de la corono triumphalis, la couronne triomphale, distinction honorifique symbolisant la gloire de son
porteur. En latin tardif, il devient"baccalaureatus" et prend pour signification "degré de bachelier donné dans les universités". La racine du mot "bachelier", quant à elle, diffère. Jusqu’au XVIIe siècle, avant que sa signification évolue, le bachelier n'est autre que le “jeune noble aspirant à devenir chevalier” [tradução nossa].
26 Nos bacheliers modernes, a qui leur titre permet de prétendre à tout, seraient bien surpris d'apprendre qu'autrefois ce titre ne complaît pour rien, Un bachelier n'était, à la guerre, qu'une sorte de servant ; dans la vie civile, qu'un apprenti,
Assim, pensar em baccalauréat era pensar mais sobre a condição de vir a ser do que uma posição já alcançada. A definição da condição do bachelier enquanto sua realidade corrente também era definida com vistas ao potencial, a tudo o que ele poderá vir a ser, mas que acima de tudo ainda não o é. As palavras estão impregnadas dos valores sociais que são atribuídos a elas. Elas não funcionam senão a partir das convenções de sentido previamente estabelecidas. As entradas de dicionário e as palavras de Gréard (1889) e de Lo (2002) nos remetem diretamente à condição de passagem imposta pelo universo onde circunda o baccalauréat.
É possível estabelecer um diálogo entre esse aspecto do vir a ser contido no baccalauréat e o fato de que ele é considerado também, como nos mostra Lo (2002), um rito de passagem. Se etimologicamente e em sua condição atual o termo baccalauréat remete a uma realidade de transição, resta-nos observar como essa realidade se espelha na história do exame.
Como já recuperamos de Bakhtin/Volochínov (2012 [1929]), a palavra enquanto signo ideológico é capaz de registrar em si as mudanças sociais em camadas que vão se sobrepondo na constituição de seu sentido. Quando falamos em pesquisa etimológica do termo baccalauréat, vislumbramos que os encontros ideológicos na arena do signo não marcam apenas uma construção de sentido recortada do tempo, pautada apenas no modo como tal signo circula atualmente. Fica-nos claro, por outro lado, que um signo carrega em si uma herança em suas camadas mais profundas. Essa herança é advinda da história deste signo, do que ele representou socialmente em outras épocas, do modo como ele articulou as práticas sociais e acolheu os enfrentamentos ideológicos em sua arena. Esses traços herdados não são apagados nem esquecidos, ainda que não estejam necessariamente na posição mais aparente dos sentidos que o signo carrega.
As mudanças significativas do sentido do portador deste diploma acompanham as mudanças sociais e históricas. Se antes tratava-se de um jovem apto a ser cavaleiro em contexto de batalhas, essa aptidão tornou-se uma permissão para o prosseguimento dos
en en mot, un homme qui n'était pas encore classé. Do la vint que, par extension, le nom on était dpnné aux céUbalaires*, c'est-à-dire a ceux qui n'avaient pas de famille, pas de maison, dont il n'était point fait état [tradução nossa].
estudos, um passaporte para outros níveis sociais. Ser cavaleiro para depois atingir postos mais altos na guarda real. Ser bacharel para obter mais tarde diplomas com maior valor social. Nos dois casos, o caráter de transição é mantido. A herança de sentido dos signos é sutil sem deixar de ser marcante para a constituição do signo ideológico.
O estabelecimento de um signo não se dá de um marco zero, um ponto inicial inaugural. O signo não passa a existir se não a partir de um conjunto de fatos que o possibilitam existir dentro de um determinado contexto. Esses fatos são a história do signo. Sem esses elementos históricos, é impossível determinar o estabelecimento de um signo ideológico. Assim, os elementos que verificamos na análise etimológica do signo compõem um rol de fatos que possibilitam o baccalauréat surgir socialmente em um dado momento.
O estabelecimento de um signo não pode nem deve ser tratado como uma invenção de um novo termo, com a criação de uma nova palavra. É por isso que não falamos de nascimento do signo ideológico, mas de seu estabelecimento. O termo usado nos permite guardar sobre o vocábulo o caráter histórico e transformacional. Considerar o signo como um estabelecimento e não como um nascimento nos permite também encará-lo como um processo e não como um produto acabado. O signo não para de se desenvolver, não se estanca, não cessa de progredir, e por isso não atinge nunca o estado de produto acabado. Quando ele atinge tal estado, acaba por morrer enquanto signo ideológico, torna-se um signo morto, como já sugerem Bakhtin/Volochínov (2012 [1929]).
Considerando-o como o resultado de um processo histórico e não como um produto, o signo não goza de uma condição estável. Ele sempre representa em seu âmago as batalhas ideológicas que os constitui ao longo de sua existência. Ao mesmo tempo, quando utilizamos um signo ideológico, fazemos alusão somente aos sentidos mais próximos do presente, não considerando sua história, seus dados mais remotos quando de seu estabelecimento. Não é sempre que estamos atentos ou abertos a enxergar, e até mesmo lidar, com as lutas de classe que um signo desvela. Se podemos fazer isso é porque encaixamos o signo em nosso plano enunciativo de modo a considera-lo estável. Mas tal estabilidade não passa de um jogo de ilusões oriundo do momento da enunciação. Por isso, quando dizemos na França o vocábulo baccalauréat,
na maior parte das vezes referimo-nos sobretudo aos valores atualizados dele na sociedade e não aos elementos históricos que os constituíram.
As nuances etimológicas exploradas neste texto nos abrem espaço para a discussão da evolução do baccalauréat enquanto exame nacional francês. É o que fazemos nas próximas páginas, mergulhamos mais fundo no mar dos eventos históricos que sustentaram e sustentam o estabelecimento do signo em questão.