1. Idrett og sosial integrasjon: En teoretisk innføring
1.1 Innledning
Ainda segundo o percurso metodológico desta pesquisa, é fundamental compreender o contexto social em que os sujeitos participantes se inserem, uma vez que seus discursos refletem e refratam a realidade em que vivem. Passamos, portanto, a descrever o cenário da pesquisa, dando ênfase para o local em que os dados foram coletados tanto em âmbito macro (a cidade de São Carlos - SP) quanto no micro (a escola de Ensino Fundamental e EJA situada na periferia do referido município).
A cidade de São Carlos está localizada no interior de São Paulo, na região centro-leste do estado, distanciando-se aproximadamente 215 km da capital. De acordo com o censo do IBGE21, a população estimada no ano de 2014 era de 238.958 habitantes, distribuídos em uma área total de aproximadamente 1.140 Km.
A cidade destaca-se como centro regional tecnológico e industrial. A atividade universitária é intensa e devido, principalmente, às duas instituições públicas de ensino superior estabelecidas na cidade, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é grande a atividade de pesquisa e a concentração de cientistas no município. De acordo com o site oficial da prefeitura22, São Carlos possui um pesquisador doutor (PhD) para cada 180 habitantes. No Brasil, a relação é de um doutor para cada 5.423 habitantes.
21www.ibge.gov.br Acesso em: 15 de nov. 2014. 22www.saocarlos.sp.gov.br Acesso em 15 de nov. 2014.
Figura 2: Localização de São Carlos Fonte: www.ibge.gov.br
Quanto à atividade industrial, ainda segundo dados obtidos junto à prefeitura, sobressai-se a presença de indústrias de motores, compressores, lápis, geladeiras e fogões, além de empresas têxteis e uma grande quantidade de indústrias de médio e pequeno porte, de diversos setores de produção. Já na agropecuária, é relevante a produção de leite, cana-de- açúcar, laranja, frango, carne bovina e milho.
De acordo com a Fundação Pró-Memória23, o histórico de São Carlos revela que os seus primeiros habitantes foram os indígenas, principalmente dos grupos tupi e jê, que viveram na região entre os séculos XVI e XIX, na localidade conhecida como “Campos de Araraquara”. Os primeiros não indígenas a ocupar a região foram os bandeirantes, que exploravam o interior do Brasil em busca de ouro, pedras preciosas e índios para o trabalho escravo. São Carlos começou a ser povoada no final do século XVIII, com a abertura de uma trilha que levava às minas de ouro de Cuiabá e Goiás, mas a existência oficial da cidade deu- se com a demarcação das primeiras sesmarias da região.
23 A Fundação Pró-Memória, criada em 1993, mantém e disponibiliza os documentos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, objetivando também a preservação do patrimônio artístico e arquitetônico do município. Maiores informações: http://www.promemoria.saocarlos.sp.gov.br
Entre os anos de 1831 e 1857 foram formadas as lavouras cafeeiras, sendo que o café passou a ser a principal atividade econômica da cidade, tornando-se, inclusive, produto de exportação. A chegada da ferrovia, em 1884, contribuiu para que o produto fosse facilmente escoado para o porto de Santos, firmando a importância da cidade no cenário econômico e político. Quem trabalhava nas fazendas cafeeiras eram negros escravizados que vinham de outras regiões do Brasil, uma vez que o tráfico de escravos vindos da África foi abolido apenas em 1850.
Nas últimas décadas do século XIX ocorreu o fenômeno social que mais influência deixou na região central do Estado de São Paulo: a imigração. São Carlos recebeu imigrantes alemães trazidos pelo Conde do Pinhal em 1876 e, de 1880 a 1904, o município foi um dos principais polos atrativos de imigrantes do Estado de São Paulo. Esses imigrantes vinham para trabalhar nas lavouras de café e atuavam também na manufatura e no comércio.
Se nas últimas décadas do século XIX ocorreu o fenômeno da imigração, nas décadas mais atuais tem ocorrido outro fenômeno social: a migração. Muitas pessoas vêm de outras regiões do Brasil, especialmente do Nordeste, em busca de melhores condições de vida, ofertadas pela “cidade da tecnologia”. A grande maioria dessas pessoas vive hoje na periferia de São Carlos, cuja população é, geralmente, constituída de trabalhadores rurais, especialmente atuantes na colheita da laranja, na lavoura de cana-de-açúcar e na granja. Foi em uma comunidade periférica, pertencente aos bairros Cidade Aracy I, II e Antenor Garcia com tais características que a presente pesquisa se desenvolveu.
As primeiras considerações sobre essa comunidade advêm do próprio olhar da pesquisadora, isto é, são elocuções de uma pessoa que por 9 anos lecionou e/ou pesquisou nesta região e que teve a oportunidade de avaliar o que via e o que sentia a partir das andanças nos bairros e das interações com os seus moradores; pessoas simples, de classe popular, que vivem em dificuldades financeiras, mas que esbanjam simpatia, ensinamentos diversos e compartilham o gosto pela vida. São sobreviventes do subemprego, impulsionam a economia informal e vivem de ajuda de entidades assistencialistas e de voluntários.
A Cidade Aracy, especificamente, é um bairro relativamente novo na cidade de São Carlos e situa-se no limite entre a cidade e a zona rural. Muitos de seus moradores, inclusive, abandonaram a vida no campo para viver na cidade e outros ainda continuam
trabalhando na zona rural, fixando residência nesta periferia. Caminhando pelas ruas, é fácil deparar-se com animais soltos, cachorros, cavalos, vacas, galinheiros nas casas e pássaros diversos. É a proximidade do campo com a cidade que permanece por aqueles ares.
Como a maioria dos bairros periféricos, esta comunidade desenvolveu-se rapidamente, porém, sem a infraestrutura necessária para a qualidade de vida da população. Fruto de uma ocupação desordenada, vemos moradias simples, muitas não acabadas, e são escassas as possibilidades de lazer e cultura no bairro. É grande o número de bares nesta região e vemos também algumas farmácias, padarias, lojinhas de roupas, salão de cabelereiro e outros tipos de comércio que se alocam em meio às residências, uma vez que muitos moradores têm dificuldade em “subir a serra” (referência à geografia do local) para ter acesso a esses serviços no centro da cidade.
Em tempos de férias escolares é comum vermos as crianças brincando nas ruas, tomando os campinhos de futebol e empinando pipas perigosamente em meio à rede elétrica. Aos finais de semana ou fim de tarde encontramos muitas mulheres nas calçadas conversando, homens nos bares e várias pessoas nas ruas. As igrejas evangélicas proliferam pelo bairro e o domingo é dia de povoar os cultos.
Um relatório de abril de 2006 de uma pesquisa censitária solicitada pela Secretaria de Educação da Prefeitura de São Carlos e retomada por Monte (2007) traz outros aspectos importantes de serem considerados no intuito de compor o retrato da comunidade investigada: mais de 42% das famílias vieram de outras regiões do Estado de São Paulo ou de outros Estados; a População Economicamente Ativa (entre 16 e 60 anos de idade) – PEA – foi mensurada em 9.432 moradores, sendo que 2.683 estão desempregados, ou seja, quase 30%, e computa-se ainda um alto índice de desemprego.
Monte (2007) também destaca um aspecto importante com relação ao papel de chefe de família que muitas mulheres chegam a exercer naquela região. Tal dado, segundo o estudioso, acompanha uma tendência nacional, uma vez que, segundo os dados da UNICEF/2000, durante as décadas de 80 e 90, pode-se notar um crescimento relativo nas famílias formadas por mulher sem cônjuge, morando com os filhos (19 %). Paralelo a esse dado, na comunidade estudada, muitas mulheres trabalham fora de casa, principalmente como
domésticas e faxineiras, e também não descartam a colheita e o plantio na zona rural, assim como o trabalho em granja.
O nível de escolaridade dos adultos da comunidade é muito baixo, sendo que o índice de analfabetismo na região investigada é de aproximadamente 10%, ou seja, quase 60% maior do que o índice de analfabetismo do município, segundo dados do IBGE e, hoje, muitos jovens e adultos que não tiveram acesso à escola regular cursam, à noite, o ensino supletivo – a Educação de Jovens e Adultos.
A escola de EJA que escolhemos pesquisar chama-se Escola Municipal de Educação Básica “Arthur Natalino Deriggi” e está localizada na periferia descrita, entre os bairros Cidade Aracy II e Antenor Garcia. A unidade escolar foi construída em 1996, assumida por um projeto do Rotary Clube, uma organização que presta serviços à comunidade composta por pessoas da classe média e classe média alta. O processo de construção da escola começou em um terreno doado pela prefeitura, que assumiu a construção do prédio em seguida. Devido a impasses políticos, as obras só foram entregues em 1998 e a construção foi totalmente finalizada em 2002.
Atualmente, a unidade escolar atende alunos do 1º ao 5º ano no período diurno (manhã e tarde) e possui uma sala de alfabetização e mais quatro salas de Termo I a IV (correspondente ao 6º ao 9º ano) no período noturno, onde frequentam jovens, adultos e idosos fora da idade escolar regular. É este último grupo, participantes da EJA, que formam os sujeitos desta pesquisa e que serão descritos em seção oportuna.