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5. Numerical theory

5.2 Some important matrices

movimento conservacionista em formação nos séculos XVIII e XIX, nas primeiras fases da Revolução Industrial. Naquela época, diminuía a qualidade de vida da população urbana, devido à poluição das fábricas, e crescia a busca por espaços livres como locais de lazer. Havia, também, a preocupação com as espécies cinegéticas17 e de rara beleza. A carência de espaços livres de poluição e a preocupação com espécies nativas levaram a propostas de criação de áreas protegidas.

Para McCormick (1992), as preocupações com a conservação da natureza emergiram “em lugares diferentes, em tempos diferentes e geralmente por motivos diferentes” (p. 21).

Na Inglaterra, as suas origens mais remotas se ligam às descobertas científicas, especialmente aos estudos de história natural. Uma sucessão de naturalistas, nos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, defendia a convivência pacífica do homem com a natureza. O mundo natural, antes considerado estranho e proibido, passou a ser apreciado de forma positiva pelos românticos e primitivistas, que buscavam a natureza como refúgio emocional. Estudar história natural tornou-se um passatempo e um caminho para aproximar-se de Deus. Assim começou a surgir uma mentalidade ambientalista na Europa ainda no século XVIII, na era das descobertas científicas, mentalidade essa que se contrapunha a uma visão produtivista que desvinculava os humanos da natureza (MCCORMICK, 1992).

Desse modo, na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, quando o domínio sobre o meio ambiente era visto como essencial para o progresso, emergiu também uma consciência biocêntrica, culminância das pesquisas em ciências naturais que questionavam a visão dominante sobre o lugar do homem na natureza. Restabelecia-se “o sentido de inter-relação do homem com a natureza e a aceitação de uma responsabilidade moral relacionada à proteção da natureza contra os abusos” (MCCORMICK, 1992, p. 22). A obra de Darwin, especialmente,

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sugeria que o homem é parte da natureza, mas havia se distanciado dela por sua conta e risco. Surgiu, ao final do século XIX, “uma oposição apaixonada” aos abusos contra o mundo natural, em meio a uma influente minoria de vitorianos intelectuais e de membros das classes dominantes (MCCORMICK, 1992, p. 23). Foram fundados clubes de campo e sociedades de história natural, cujos objetivos eram a contemplação e o estudo da preservação da natureza.

Para Urban (1998), a Inglaterra é o berço dos movimentos contra a devastação que se promovia no mundo tropical. A luta contra o uso de plumas de aves tropicais em adereços femininos mobilizou diversas associações inglesas, em fins do século XIX, com a participação das próprias mulheres. Uma das primeiras vitórias contra o tráfico de animais selvagens ocorreu em 1892, devido à campanha inglesa promovida pela Society for the Protection of Birds contra o uso de plumas, com apoio das classes média e alta inglesas, que resultou na proibição da exportação de peles e plumas de pássaros indianos (URBAN, 1998; MCCORMICK, 1992).

Influenciaram, ainda, no surgimento do ambientalismo britânico, as condições sociais urbanas, objeto de um crescente pessimismo quanto ao desenvolvimento social e econômico. A depressão econômica da década de 1880 e a crise intelectual pós-Darwin minaram a crença em um progresso sem limites. A indústria, em lugar de provedora, passou a ser vista como “destruidora da moral, da ordem social, da saúde humana, dos valores tradicionais, do meio ambiente físico e da beleza natural” (MCCORMICK, 1992, p. 24). Crescia uma forte reação contra as condições insalubres e miseráveis das cidades.

Despontou nas cidades industriais inglesas, assim, o anseio por uma compensação na forma de espaços abertos e natureza. Em 1865, foi fundada a Commons, Open Spaces, and

Footpaths Preservation Society, que promoveu campanhas bem sucedidas pela preservação de

espaços para amenidades, particularmente as áreas verdes urbanas, que eram, freqüentemente, o ‘ambiente campestre’ mais facilmente acessível para os trabalhadores urbanos (MCCORMICK, 1992). Em 1893, foi criado o National Trust, com o objetivo de proteger a herança natural e cultural do país contra a padronização do crescimento industrial (MCCORMICK, 1992).

Ainda assim, a manutenção de reservas naturais era vista pelos governos como instrumento caro e desnecessário. Foi somente após a Segunda Guerra Mundial que a proteção de habitats naturais ganhou maior apoio na Grã-Bretanha. Os parques nacionais ingleses, criados a partir de então, visavam proteger os campos em seu conjunto, juntamente com as propriedades privadas, o que seria de se esperar em uma ilha na qual as “fronteiras” tinham se esgotado, engolidas há muitos séculos pelas terras cultivadas (MCCORMICK, 1992).

Nos Estados Unidos, no século XVII, os colonos viam os ambientes selvagens com desconfiança, como ameaça à segurança, ao conforto e à provisão de alimentos. Porém, do mesmo modo como ocorria na Europa Ocidental, surgiu entre os norte-americanos um movimento conservacionista motivado pelos estudos de história natural, pelo romantismo e pela grande disponibilidade de áreas selvagens, aparentemente intocadas pelos seres humanos. A beleza da paisagem norte-americana inspirou viajantes, filósofos e autores românticos nos séculos XVIII e XIX. Dentre eles, McCormick (1992) cita o poeta Alexander Wilson e os escritores Emerson e Thoreau, que enfatizavam a natureza como fonte de inspiração e como ambiente em frágil equilíbrio.

Em 1864, o vale Yosemite foi transferido pelo Presidente Abraham Lincoln para o estado da Califórnia com a condição de que ele o preservasse para lazer e recreação. Em 1872, foi criado o Parque Nacional de Yellowstone. As duas medidas objetivavam proteger áreas selvagens de grande beleza paisagística. No ato de criação de Yellowstone, o Congresso dos Estados Unidos determinou que a região fosse vetada para fins de colonização, de ocupação e de venda das terras (MCCORMICK, 1992; BENSUSAN, 2006). Afirma McCormick (1992) que o estabelecimento de Yellowstone e Yosemite forneceu o modelo posteriormente imitado em outros países, desde o final do século XIX, embora tenha adotado “significados diferentes em diferentes circunstâncias” (p. 30).

No fim do século XIX, o ambientalismo norte-americano dividiu-se entre preservacionistas e conservacionistas. Os primeiros visavam a proteção de áreas virgens para uso exclusivamente recreativo e educativo, numa visão mais próxima do protecionismo britânico (MCCORMICK, 1992). Embora o ambientalismo, em suas origens, defendesse a idéia do homem como parte da natureza (e não como ser superior a ela), a ação de isolar certas áreas da presença humana funda-se, para Brito (2000), numa visão que dissocia o homem da natureza, sendo natural tudo aquilo que se mantinha tal como fora criado por Deus, sem interferência humana.

Já os conservacionistas norte-americanos pretendiam promover a exploração racional e sustentável dos recursos naturais, baseados na ciência florestal racional de origem alemã. Para eles, a conservação deveria basear-se na prevenção do desperdício; na promoção do uso dos recursos naturais para as presentes gerações e no aproveitamento dos recursos naturais para muitos (não para poucos) (MCCORMICK, 1992).

Os movimentos em prol da conservação da natureza ganharam força internacional, bem como as iniciativas governamentais de destinação de áreas para a preservação de ambientes

selvagens (MCCORMICK, 1992). Depois dos norte-americanos, os primeiros parques nacionais foram criados no Canadá (1885), Austrália (1879), Nova Zelândia e México (1894), África do Sul e Austrália (1898), Argentina (1903), Suécia (1909), Suíça (1914), Espanha (1918), Zaire (1925), Chile (1926) e Brasil (1937) (BENSUSAN, 2006; LE PRESTE, 2000), Esses parques foram criados com motivações diversas: promoção do turismo, proteção da paisagem, proteção de uma espécie, desenvolvimento regional (LE PRESTE, 2000). Para Quintão (1983), o enfoque principal dos parques nacionais era o de conservar ambientes com alto potencial paisagístico, mas, aos poucos, incorporou-se a idéia de proteger a flora, a fauna e os recursos geomorfológicos e arqueológicos.

Nos fins do século XIX, alguns eventos indicam que, a essa altura, havia um movimento internacional de proteção da natureza, composto por naturalistas e admiradores da natureza. Em 1884, houve o 1º Congresso Internacional de Ornitologia, em Viena, e, em 1895, foi assinada, em Paris, a Convenção das Egretes, que tentava salvar as garças amazônicas. Já se manifestava, também, a preocupação de estabelecer políticas públicas de proteção do conjunto da biodiversidade, e não de espécies ou grupos de espécies, como evidenciam as primeiras propostas de criação de leis de proteção à fauna, em Berlim, em 1899 (URBAN, 1998).

Ainda assim, para Le Preste (2000), os diversos acordos firmados no século XX, até a década de 1960, visavam, em geral, proteger espécies úteis à agricultura, promover a gestão racional de estoques econômicos e conservar animais de caça. O autor salienta, também, que surgiram inúmeras associações nacionais fundadas no fim do século XIX e início do século XX, dedicadas à conservação da natureza18, em especial à proteção dos pássaros, na Europa e nos Estados Unidos.

Para Urban (1998), o movimento em prol da natureza já estava maduro, no princípio do século XX, e demonstrava grande capacidade de organização na década de 1940. Por essa época, tendo em vista a expansão das áreas protegidas em todo o mundo, os peritos buscavam construir um conceito de UCs, especialmente de parques nacionais, visando estipular critérios uniformes de criação dessas áreas.

A primeira tentativa nesse sentido havia ocorrido na Convenção para a Preservação da Flora e da Fauna, em 1933, na qual foram definidas as características dos parques nacionais:

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São citados pelo autor: Association for the Protection of British Birds (1870); Sierra Club (1892) e o Audubon Club (1905), nos Estados Unidos; Bund für Vogeldchutz (1899), na Alemanha; Ligue Française pour la Protection des Oiseaux (1912); Dans Ornitologisk Forening (1906) e Danmarks Naturfednings Forening (1911), na Dinamarca; Royal Society for Nature Conservation (1912), na Inglaterra; Les Amis des Arbres (1902), na Grécia; Ligue Suisse pour la Protection de la Nature (1909).

áreas controladas pelo Poder Público, onde a caça é proibida, destinadas à proteção da flora e da fauna, dos objetos de interesse estético, geológico e arqueológico, e abertas à visitação pública (GANEM, 1988).

Nessa mesma linha de pensamento, a Comissão de Peritos sobre a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América, reunida em Washington em 1940, afirmava que os parques nacionais constituíam áreas destinadas à proteção da flora, da fauna e das belezas cênicas, postas sob gestão oficial para melhor aproveitamento público (URBAN, 1998). A Convenção então celebrada exigia dos países signatários o compromisso de apresentar, periodicamente, listas de animais e plantas ameaçados de extinção (Le Preste, 2000).

Em 1948, a Comissão Internacional de Proteção da Natureza foi definitivamente instalada, sob os auspícios da Unesco. No mesmo ano, foi criada a União Internacional de Proteção da Natureza na Suíça (URBAN, 1998). Essa instituição foi mais tarde denominada União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Em 1961, surgiu o World Wildlife Fund (WWF) (LE PRESTE, 2000).

Em 1960, a UICN estabeleceu a Comissão de Parques Nacionais e Áreas Protegidas, visando promover, monitorar e orientar a criação dos parques nacionais (BENSUSAN, 2006). Essa Comissão passou a organizar os congressos mundiais de parques nacionais, a cada dez anos, realizados em Seattle (1962), Yellowstone (1972), Bali (1982), Caracas (1992) e África do Sul (2003).