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6. AVSLUTNING

6.3 Skolevandring i praksis

O contexto epistemológico e a metodologia devem guardar uma ligação comum, na medida em que a segunda é a representação sistematizada de que a teoria quer expressar. Como diz Fazenda (2002), “o método está atrás da minha própria dúvida. Quando eu habito a minha teoria, já estou indicando qual a metodologia22”. A metodologia do trabalho interdisciplinar é algo que dá possibilidade para a leitura do eu e do mundo23.

A partir de uma extensa revisão bibliográfica sobre os temas que envolvem esta pesquisa, optou-se por um caminho metodológico não convencional. É importante mencionar o que Fazenda e Soares (2010) colocam sobre metodologias não convencionais, negando a possibilidade de neutralidade e objetividade. Admite-se o pesquisador como locutor – “[...] o locutor que já não é o referente, a terceira pessoa, já não é ele (o dado); é o

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Gauthier (2004) afirma que os grupos estabelecem padrões de discursos nos quais expressam os conceitos comuns em uma linguagem metafórica, carregada de afeto, por isso o termo “confetos” (conceito + afeto). Tal realidade só pode ser construída, no entanto, se for estabelecida uma relação de parceria, confiabilidade e cumplicidade entre o pesquisador e os pesquisados.

22 Colocação feita em sala de aula, sistematizada em registros de memória em 15 de maio de 2002 – PUC/SP. 23 Colocação feita em sala de aula, sistematizada em registros de memória em 05 de maio de 2002 – PUC/SP.

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pesquisador, o “eu” que assume o papel daquele que fala, daquele que revela” (FAZENDA; SOARES, 2010, p. 125).

É indispensável identificar o papel dos mestrandos 2010 neste processo investigativo. São eles interlocutores, parceiros que ao participarem desta investigação ajudaram na construção de um novo olhar. Fazenda e Soares (2010) alertam para a ambiguidade na interlocução: “[...] Os interlocutores são os parceiros na pesquisa, ou a academia que avalia e julga a pesquisa? Como ter como interlocutores simultaneamente a academia e os pesquisados? Com e pelos quais foi produzida a pesquisa? [...]” (FAZENDA; SOARES, 2010, p. 125).

Parece-me que é exatamente a compreensão do papel fundamental da pesquisa que vem trazendo uma nova vertente nesse “continuum” que parte do “convencional” em direção ao não convencional. Essa nova vertente é ela decorrente do movimento de ideias, que vem trazendo uma mudança na concepção de construção do conhecimento (FAZENDA; SOARES, 2010, p. 125-126). Este entendimento é reforçado por Pinto (1969) que já àquela época evoca o desaprisionamento dos modos formais de pesquisa, trazendo à tona aspectos da realidade não pesquisados até então e, portanto, não compreendidos ou interpretados. A ambiguidade do papel do pesquisador, a que ele denomina cientista, pode ser encontrada na reflexão:

[...] O cientista tem uma situação existencial contraditória: por um lado deve conhecer e dominar os métodos que julga adequados ao campo que investiga; mas por outro lado, deve estar sempre disposto a libertar-se deles e a criar outros, quando perceber que são incorretos ou insuficientes para leva-los ao fim que se propõe. Esta atitude plástica superiormente inteligente configura a verdadeira racionalidade dialética que não se identifica nem à rigidez da aplicação mecânica de métodos preconizados nem à sua contrária, à volubilidade na invenção imaginosa de procedimentos e critérios de verdade puramente especulativos e sem correspondência com a natureza das coisas. A dialética em si não sabe ser conservadora e inovadora (PINTO, 1969, p. 388).

Assim sendo, Prati et al (2008) nos chama a atenção para o fato de que a evolução teórica dos estudos de Bronfenbrenner (1996) não se constituíram de pronto num método de pesquisa, claramente definido para as incursões investigativas das relações entre indivíduos e contextos.

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O aprofundamento teórico e o questionamento epistemológico tornam-se aliados importantes no estudo científico do desenvolvimento humano, na forma como será definido o objeto de estudo e como serão delineadas as estratégicas metodológicas que irão construir as categorias de análise (MADUREIRA; BRANCO, 2005, p. 107). Desta forma, no Brasil, Cecconelo e Koller (2003) revisitam a teoria de Bronfenbrenner (1996) e propõem uma proposta metodológica denominada “inserção ecológica”, representada pelo modelo PPCT – Processo-Pessoa-Contexto-Tempo (CECCONELO; KOLLER, 2003, p. 161). Esta inserção ecológica descrita pelos pesquisadores brasileiros é fundamentada a partir dos processos proximais24 estruturando-se nos pilares:

Pesquisadores e participantes interagem e se engajam em uma tarefa comum – pesquisadores e pesquisados movimentam-se em direção à investigação da prática interdisciplinar no mestrado acadêmico, refletindo sobre o significado deste estágio de seu curso de vida para o desenvolvimento pessoal e profissional de cada um e a ressignificação deste processo nos contextos onde atuam (PRATI et al, 2008, p. 163);

Há uma necessidade de diversos encontros ao longo de um considerável curso de tempo – durante um período prolongado de tempo (período de duração do curso) o convívio com os mestrandos 2010 aconteceu em sala de aula, nos encontros informais de lanche, nas apresentações de novas turmas, em seminários de pesquisa, em bancas de qualificação, em apresentações de dissertações, em eventos científicos, em instituições formadoras de profissionais de pós-graduação25 (PRATI et al, 2008, p. 163);

Encontros informais [...] para conversas que devem abordar temas cada vez mais complexos – interesse persistente no acompanhamento do andamento da pesquisa, na análise e interpretação dos dados e, sobretudo se eles foram

24 A influência de Jean Piaget está presente no Modelo Bioecológico. A importância dos processos proximais e

acomodativos tem lugar na epistemologia de Bronfenbrenner, na medida em que o processo de desenvolvimento humano incorpora “[...] coisas e pessoas às atividades próprias do sujeito [...] assinalar o mundo exterior às estruturas já construídas [...]. Reajustar estas últimas em função das transformações ocorridas, ou seja, “acomoda-las” aos objetos exteriores” (PIAGET, 1976, p. 15 – grifo do autor).

25 Apresentação de trabalhos sobre objeto de investigação no IX Encontro de Pesquisadores do Programa de

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suficientes para o encaminhamento de considerações relevantes pertinentes ao objeto de investigação (PRATI et al, 2008, p. 163);

Processos proximais que se estabelecem nesses encontros servem de base para todo o processo de pesquisa, sendo fundamental a postura de informalidade e conversa dos mesmos, possibilitando o diálogo sobre pontos não diretamente relacionados ao objetivo de estudo – foram várias as ocasiões em que ocorreram estes contatos informais que serviram, sobretudo para fortalecimento de vínculos: reuniões festivas de final de ano, visita para entrega de convite de casamento, comunicação de nascimento, atendimento ao desejo de uma grávida, encontros informais em apresentação de novas turmas de mestrado, oferta de apoio para implementação de ações do Sistema Único de Assistência Social - SUAS, troca de informações com instâncias deliberativas de políticas públicas, desenvolvimento de ações institucionais conjuntas, o que mostra que o convívio ultrapassou as fronteiras da academia (PRATI et al, 2008, p. 164);

Os temas abordados nas entrevistas são interessantes e estimulantes para os pesquisadores e para os participantes, pois exploravam as histórias de vida e a forma como se dá o desenvolvimento inserido no contexto em estudo – a incursão das histórias de vida deriva do encaminhamento consentido dos relatos pessoais à pesquisadora, o que demonstra confiabilidade construída e conquistada ao longo do convívio acadêmico e fora dele (PRATI et al, 2008, p. 164). Esta confiabilidade (FAZENDA, 2001) que brotou da cumplicidade mútua propiciou desvelamentos sugestivos tratados em momento específico deste trabalho.

Daí pode-se afirmar que houve persistência e reciprocidade nos contatos pesquisador-pesquisados. Esta construção do campo26 comum de conhecimento procurará por meio desta investigação o sentido comum de realidade compartilhada, construída a partir da vivência com os mestrandos 2010. O significado do desenvolvimento pessoal e profissional deles tem como ponto de referência o olhar interdisciplinar, o que significa para

26 Chizzotti (2008) afirma que “outros preferem denominar pesquisa de campo para designar o local físico e

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a pesquisadora penetrar nesta investigação, fazendo-a, sobretudo retomar o seu próprio desenvolvimento representado pela pequena “matrioska” aquela que nada tem de oca e que se faz madura quando reflete sua história de vida.

40 2 A PRIMEIRA MATRIOSKA: O OLHAR INDAGATIVO – DESCERRANDO OS VÉUS

Figura 1 – A primeira matrioska Fonte: arquivo pessoal

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Diversos pesquisadores, como afirma Tudge (2006-2007), ainda hoje representam o nível mais externo da matrioska como a sociedade como um todo. O estudo que procura investigar “a prática interdisciplinar no Mestrado Acadêmico e as implicações no desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes" exige a contextualização da Instituição no qual se insere, bem como as características e demandas regionais que fizeram com que uma proposta dessa natureza e amplitude tomasse corpo e aprovação da CTC/CAPES27.

Essa primeira matrioska, a maior delas, é a representação do caminho metodológico escolhido.