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Na Tabela 3 a seguir, antecipamos o esquema analítico desta dimensão

Tabela 3

Esquema analítico da dimensão “Envolvimento do ouvinte na interação”

Plano Dimensões Sub-dimensões Categorias

Plano do texto informativo Envolvimento do ouvinte na interação 1. A interpelação directa 2. A diafonia 3. A dialogalidade O recurso fático Diafonia simples Diafonia dialogal

Tipo dialogal vs monologal Tipo dialógico vs monológico Intervenção

Intercâmbio

5.5.1.2.1 Sub-dimensão 1: A apelação directa

Categoria: o recurso fático. Subsumimos nesta categoria geral várias estratégias com função

apelativa ao alocutário. O recurso a marcadores discursivos fáticos ou marcadores conversacionais, é por ventura o mais representado.

Exemplo

Recordai que Master Jonshon e Kaplan e o resto dos autores que nos falaram das alterações fisiológicas na resposta sexual

O esforço de envolvimento do ouvinte esta textualmente marcado com a forma imperativa “Recordai”. Por se tratar de um verbo de conteúdo cognitivo, o apelo ao envolvimento do ouvinte é de natureza cognitivo.

Exemplo

E isso é um pouco que vamos tentar ver hoje e amanhã eh? … especialmente ….

Neste exemplo a partícula “eh” funciona como uma espécie de “tique” dialógico. O locutor, ao mesmo tempo que parece precisar de uma pausa, que preenche com essa partícula “eh?” para planear o seu discurso, apela ao ouvinte para que se mantenha na relação interlocutiva.

Exemplo

o estímulo táctil aplicado aos genitais habitualmente é susceptível de provocar uma resposta reflexa de excitação, lembrais-vos? Mas parece claro que o resto, o resto dos estímulos

Neste exemplo, o esforço de envolvimento do ouvinte está marcado textualmente com a utilização da forma interrogativa ”lembrais-vos?”, inserida de forma parentética.

5.5.1.2.2 Sub-dimensão 2: A diafonia

As categorias de análise para operar no âmbito desta sub-dimensão são as seguintes:

A diafonia simples27: Nesta categoria subsumimos os mecanismos discursivo-textuais que

testemunham uma incorporação da voz do destinatário ou de uma refracção cognitiva (“reflejo”) simples do destinatário, na intervenção monológica do locutor. Na linha de investigação desenvolvida em Salamanca, este episódio discursivo-textual utilizado pelo locutor para encadear a sua intervenção monológica com alguma refracção cognitiva da mente do destinatário, recebe o nome sugestivo de “reflejo”. Bakhtin (1952/1979/1984) também utiliza neste mesmo sentido as expressões de “dialogização interna”, “polifónica” ou “diafónica”, “reflexo”28.

27 Este recurso aparece utilizado na investigação empírica (Ibarra, 2009; Leal & Sánchez, 2010; Sánchez

& al., 1994; Sánchez & al. 2012)

28 Segundo Bres e Mellet (2009), ao longo da sua obra, Bakhtin utiliza outras metáforaspara se referir

a esta “dialogização interna”: “pluralidade de vozes”, “ressonâncias”, “ecos”, “harmónicas dialógicas”. Todas estas metáforas designam a presença de enunciados de outros no próprio enunciado do emissor

Exemplo 1: (extraído de Ibarra, 2009)

“La alimentación equilibrada es importante para una buena nutrición. Las

propiedades vitamínicas de las frutas y verduras son un ejemplo de alimentación buena para la nutrición. Lo mismo los carbohidratos como el pan, los cereales y los azúcares. Es posible pensar que si nos alimentamos todos los días,

estaremos bien nutridos. Sin embargo, esto no es así. La clave es el equilibrio entre alimentarse y de qué alimentarse…”

Na parte do texto sublinhada, ecoa a voz do receptor a expressar um possível pensamento. A diafonia aparece marcada com “Es posible pensar …”

Exemplo 2

Claro! Existe uma multitude de variáveis que tem que ver com a informação que temos e com a experiencia que temos relativamente ao nosso conjunto de estímulos O marcador discursivo de concordância “Claro” implícita uma eventual intervenção do

interlocutor, com a qual o locutor concorda e confirma com o segmento “Existe uma

multitude …”

A diafonia29 dialogal30: Este recurso particular da diafonia permite que o emissor convoque

para o seu enunciado, não apenas uma representação cognitiva do destinatário (“Reflejo”) ou a voz do destinatário, mas um episódio interactivo com o destinatário, que se apresenta com a forma e estrutura de intercâmbio. Trata-se, pois, da introdução na intervenção monológica do emissor, de uma estrutura em forma de intercâmbio (bi-partido ou tri-partido) com recurso à diafonia. O processo na sua variante mais completa desenvolve-se da seguinte forma. Num primeiro momento, o emissor incorpora, na sua intervenção monologal, uma eventual pergunta atribuível ao destinatário. Na estrutura de intercâmbio que se está a desenhar, esta primeira pergunta tem a função pragmático-ilocutiva de Iniciação. Num segundo momento, o emissor responde a esta hipotética pergunta do receptor com uma 2ª intervenção, com uma dupla função pragmático-ilocutiva. A primeira parte desta intervenção tem a função pragmático-ilocutiva de reacção à pregunta diafónica da 1ª intervenção. A segunda parte desta intervenção tem uma função pragmático-ilocutiva de iniciação de solicitação de confirmação acerca da completude monológica da intervenção, e inicia um

29 Seguindo Bres e Mellet (2009), “dialogalidade” releva do diálogo externo (Bakhtin) e dialogicidade

de dialogismo . Também Roulet et al. (1985) relevam esta distinção .

30 Remetemos para a exposição teórica da nossa 1ª parte para uma informação mais ampla sobre as

intercâmbio bi-partido. Num terceiro momento segue-se uma intervenção do alocutário sobre a validade da presunção de completude monológica. Num quarto momento, segue-se uma quarta intervenção da responsabilidade do locutor. Esta intervenção pode iniciar-se com uma marcação de acordo (bem, pois, então) e continua com uma função ilocutiva de iniciação de um novo tema.

Exemplo

1. Intervenção psico-diafonica: Que poderíamos dizer relativamente a este tema?

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