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As nossas categorias de análise, para operar neste nível, são retiradas de investigações que já referimos. São as seguintes: Repetição (Rep), Reformulações parafrásticas (Dop), Recapitulações (Rec).

A repetição (Rep) : é um mecanismo discursivo-textual de reactivação literal de um segmento

textual anterior (palavras, expressões ou orações). Fomos buscar esta categoria á linha de investigações realizadas na Faculdade de Psicologia de Salamanca (Sánchez, 1993; Sánchez & al., 1994).

Pois fundamentalmente [f], fundamentalmente [r], na resposta sexual falamos do estímulo táctil

Neste exemplo, a operação de repetição constitui uma marca que nos ajuda a observar o processo de formulação e construção do discurso. Do ponto de vista textual, a repetição denota o esforço do locutor em procurar a forma final do seu enunciado

.

A repetição pode englobar um processo de expansão sintáctica.

2º exemplo

… teríamos que considerar eh?, teríamos que considerar a percepção e a atribuição de significados ao que está acontecendo [f] teríamos que considerar [r1] eh?, teríamos que considerar a percepção eh? e a atribuição de significados ao que está acontecendo [r2].

O esforço dirigido para a construção da “completude monológica” do enunciado é aqui revelado, textualmente, através da oscilação ao nível das operações de repetição. Num primeiro momento (r1) o locutor retoma o enunciado fonte (f) truncando-o, para, logo a

seguir, se fixar definitivamente (r2), do ponto de vista da forma, na primeira formulação

textual (f). A intensidade destas repetições constitui um procedimento de intensificação da importância do que está a ser enunciado, sublinhada de resto pela utilização de um acto directivo, formulado indirectamente, com a forma verbal “teríamos”, persistente em (f), (r1)

e (r2). O locutor envolve-se desta forma valorativamente na sua enunciação.

3º exemplo

Especificamente, a sujeitos nestas condições, é-lhes aplicado algum tipo de estímulo visual, por exemplo um vídeo erótico e regista-se [f], vão-se registando a partir de aparelhos, eh?, de medição psicofisiológica [r1], vai-se registando o seu nível de excitação sexual [r2], vai-se registando enquanto estão a ver por exemplo um filme erótico [r3].

Neste terceiro exemplo, temos novamente um intenso esforço de procura da “completude monológica”. Cada operação de repetição vai ampliando informativamente o segmento (f). A formulação completa da informação que o emissor deseja transmitir, corresponde assim a “[f] + [r1] + [r2] + [r3]”.

A utilização das operações de repetição é muitas vezes um traço distintivo da planificação espontânea do discurso oral. Estas operações embora existam, não afloram na forma final do

discurso escrito, a não ser que com elas se queira marcar algum efeito temático ou interacional.

A Reformulação Parafrástica (RP), (Dop) na terminologia das investigações de Salamanca:

reactiva uma ideia prévia, usando outras palavras, mantendo pois uma relação de equivalência semântica com um segmento-fonte anterior. As reformulações parafrásticas (Gulich & Kotschi 1983; Charolles & Coltier 1986) ancoram-se na monitorização que o emissor exerce sobre o seu próprio texto ou, é consequência de alguma representação que o emissor mobiliza sobre o seu destinatário.

1º Exemplo

Segmento fonte

Em última análise, tende presente, o que nos diziam é que provavelmente, em última análise estariam causados pela ansiedade ,

Operação de paráfrase (MD-Reformulação: marcador discursivo)

ou seja [MD-parafrástico] o antecedente imediato, o antecedente imediato dos problemas sexuais relativamente à excitação ou ao orgasmo, insisto, seria a ansiedade

Ao nível textual, a operação de parafraseamento está sinalizada com um marcador discursivo, “ou seja”. Podemos considerar que a operação parafrástica mantém uma relação semântica de mais ou menos estrita equivalência entre os dois segmentos, já que a informação é basicamente a mesma. A paráfrase tem assim uma função fundamentalmente retórica: quebra a densidade semântica do texto ao não acrescentar nova informação. Constitui um processo de construção textual de dizer o mesmo com uma nova selecção lexical (dizer com novas palavras) e/ou uma nova organização sintáctica. O segmento reformulador apenas exibe, relativamente ao segmento fonte, uma inserção parentética, “Insisto”, que intensifica a importância que o locutor atribui a esta informação, reforçando de alguma maneira o seu peso argumentativo.

2º exemplo

. . . tal como vos digo, de algum modo, no momento de considerar a resposta fisiológica de excitação ou de orgasmo, necessitamos de ter em conta diversos limiares diversos limiares fisiológicos, a partir dos quais a estimulação deixaria de ser eficaz e efectiva.

Quer dizer que [ MD-parafrástico] o total de excitação que uma pessoa está a receber num momento determinado pode ou não alcançar o limiar necessário para que se desencadeie uma resposta de orgasmo .

Neste exemplo, a relação parafrástica é também marcada textualmente com um marcador discursivo, “Quer dizer que”. Aqui também o segundo segmento diz com outras palavras e outra formulação sintáctica, o mesmo. Reforça-se o valor argumentativo da informação e do ponto de vista do processamento cognitivo, aliviam-se os custos resultantes de uma densidade semântica prolongada.

Estas duas categorias (“Rep” e “RP”/”Dop”) são indicativas de progressões textuais de nível local. Trazem algum conforto ao destinatário do ponto de vista do processamento, já que supõem uma desaceleração no processamento, em virtude de reactivarem informação anteriormente apresentada.

A Recapitulação (Rec): `Corresponde a um mecanismo discursivo-textual que serve para

condensar o significado semântico daquilo que se vem expondo (Van Dijk & Kintsch, 1983; Sanchez, 1993; Sanchez & al., 1994). Ao nível empírico, a relevância desta categoria está bem documentada na linha de investigações discursivas da Faculdade de Psicologia de Salamanca (Sánchez, 1993; Sanchez & al., 1994; 1999). O mecanismo de recapitulação (Rec) é indicativo de uma progressão discursiva do nível local para o global, isto é, do nível microestrutural para o nível macroestrutural22.

1º Exemplo

Mas [MD-conclusivo ou recapitulativa] entrada, percepção, interpretação … de estímulos são os três processos de que o autor fala.

Neste exemplo, a operação de recapitulação está textualmente sinalizada com a utilização do marcador discursivo “mas”. Esta operação reactiva informação anterior, e ajuda o emissor a passar do plano semântico local para o global. A função desta recapitulação é de condensação semântica. Do ponto de vista do processamento cognitivo, esta recapitulação contribui para a iluminação da estrutura macroestrutural do discurso.

2º exemplo

Por conseguinte [MD-conclusivo], são estímulos a que aprendemos dar significado sexual , são estímulos aprendidos

.

22 Sánchez (1993, p. 61) acentua o papel das “Recapitulações” para a construção da macro-estrutura do

discurso: “Las recapitulaciones formulan expresamente las macroproposiciones del discurso y, por definición, constituyen un indicador de su coherencia global”. As estratégias de redução semântica são amplamente focadas nos escritos de Van Dijk e de Kintsch.

Também esta operação de recapitulação tem a função de, desde o ponto de vista macro, guiar o emissor na construção de uma representação global.

Estas categorias, tal como nas investigações dos autores que citamos, servem para apreciar como a retoricidade do texto alivia a condensação semântica da exposição. Estas categorias, juntamente com os exemplos da Sub-dimensão 2, permitem que se calcule um coeficiente de retoricidade23, com a seguinte fórmula: (Rep+RP+Rec)/Número de Proposições+ Rep+RP+Rec)

x 100).

b. Nível do processo de elaboração e expansão

As categorias que seleccionámos para operar no âmbito deste nível são: O Exemplo (EX), a Reformulação não parafrástica (RNP),a Evocação (Ev) e a Inserção. A sua importância está igualmente afirmada em explorações teóricas e em investigações empíricas sobre discursos.

O exemplo24 (EX): Em teoria, os exemplos são considerados um apoio cognitivo na

compreensão dos textos expositivos (Beishuizen & al., 2003). Estes mesmos autores declaram que o construtivismo os encara como a base da compreensão. Também Richard (1990, p. 176- 177), Decambre (1997), Sadoski et al., (1993) defendem, nas suas explorações teóricas, a importância do exemplo no processo de aquisição de conhecimento. Ao nível da investigação empírica Beishuizen et al. (2003) confirmam a importância do uso do exemplo, nos textos destinados ao estudo. Sánchez (1993) e Sánchez et al. (1994) utilizam o exemplo como categoria de análise, nas suas investigações sobre os textos, e integram-no na sua lista de apoios retóricos facilitadores da compreensão. Nesta mesma linha outros procederam da mesma forma (Loureiro, 1996; 2010; Martins, 1997; Leal, 1997). Os exemplos servem para representar, com casos particulares, uma dada ideia. Reactivam uma ideia anterior, tornando-a mais concreta e acessível ao interlocutor. Nesta perspectiva o exemplo ganha uma mais-valia interacional.

1º exemplo

Este sujeito por exemplo [Marcador discursivo de exemplificação]1 dizia que o total de estimulação, logicamente é o tempo máximo que ele está a receber.

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