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Na tabela 5 a seguir, antecipamos o esquema analítico desta dimensão.

Tabela 5

Esquema analítico da relação interpessoal

Plano Dimensão Categorias Plano da relação

interpessoal Gestão da relação interpessoal Relacionema horizontal (proxé-mico) Relacionema vertical (taxé- mico)

No âmbito desta dimensão utilizamos duas categorias.

a. O “relacionema horizontal” ou “relacionema proxémico” para observar a gestão da relação interpessoal de proximidade-distância, num eixo horizontal. A realização discursivo-textual destes “relacionemas” ocorre por exemplo, por via das formas de tratamento e da escolha dos temas (Rodrigues, 2003, p. 154)

1º Exemplo:

E isso é um pouco o que vamos tentar ver hoje e amanhã eh? … especialmente ….

Neste exemplo a forma colaborativa e solidária, marcada com a forma verbal “vamos” na primeira pessoa do plural, com que o professor propõe abordar a exposição, constitui um

relacionema de proximidade. É fácil os interlocutores reagirem a esta disponibilidade colaborativa como um sentimento de confiança. Os efeitos produzidos seriam totalmente diferentes com uma formulação na 1ª pessoa, do tipo:

E isso é um pouco o que vou tentar ver hoje e amanhã eh? … especialmente ….

Nesta última formulação, o sentimento de confiança anterior ficaria substituído por um sentimento de exclusão ou afastamento.

O mesmo efeito de proximidade acontece no seguinte exemplo com “devemos”.

2º Exemplo

Então a ideia seria … devemos considerar que existem diversos limiares … para a excitação e para o orgasmo

Sintamos os efeitos da troca da 1ª pessoa do plural pela 2ª pessoa do plural:

Então a ideia seria … deveis considerar que existem diversos limiares … para a excitação e para o orgasmo.

O efeito seria diferente com “deveis considerar”, em que o professor se demarcaria dos alunos.

Convém também notar que a força do acto directivo expresso no primeiro segmento se encontra suavizada com o recurso à primeira pessoa do plural.

3º exemplo

Está tudo clarinho… . Alegramo-nos

O uso dos diminutivos e as manifestações de júbilo constituem outras formas de relacionemas de proximidade.

Finalmente vejamos, ainda, outro tipo de relacionema, pois a lista de possíveis relacionemas não pode ser fechada.

4º exemplo

Pois fundamentalmente, fundamentalmente, na resposta sexual, falamos do estímulo táctil eh? e não há outros estímulos físicos para além do estímulo táctil e as capacidades que tem o sujeito de receber e processar essas sensações, eh? Mas o estímulo físico, insisto, eh?, o estímulo físico que se proporciona é

fundamentalmente o estímulo táctil, não outros. A maior parte da estimulação, eh? a maior parte da estimulação … numa interação sexual, está-se projectando a partir da estimulação, insisto, psicológica e o considerar, eh? o considerar estímulos psicológicos importantes, teríamos que considerar, eh?, teríamos que considerar a percepção, eh?, a atribuição de significados ao que está acontecendo. E também teríamos que considerar como o sujeito interpreta, eh?, interpreta a situação dos estímulos que estão a ter lugar … considerar também de forma importante as capacidades do próprio sujeito para focalizar a sua atenção, eh?, focalizar a sua atenção nos estímulos sexuais, na situação, a capacidade para focalizar a atenção e por conseguinte não se distrair, não pensar noutras coisas, não estar noutro lugar, eh? Habitualmente consideramos como a distracção , eh? E finalmente, a parte da percepção/interpretação e a focalização da atenção. Finalmente considera-se também o papel importante que pode jogar e que joga de facto a ansiedade, eh?, como processo, eh? … psicológico que estaria a condicionar, eh?, a resposta sexual …

Neste segmento, destaca-se o uso persistentemente recorrente da partícula “eh?”, no meio da intervenção. Já dissemos que, no plano textual, uma função desta partícula é a de estabelecer pausas que permitem a planificação do discurso oral. Mas não podemos deixar de olhar para o uso da partícula “eh?” no plano interacional. Neste plano, esta partícula cumpre uma função fática e, com o seu uso, o locutor parece não querer deixar sair do espaço interlocutivo, o destinatário. Por outras palavras, o locutor, com este recurso, deseja manter o destinatário perto da sua enunciação. Por isso podemos considerar que o uso insistente desta partícula tem valor de relacionema de proximidade.

Vejamos agora alguns exemplos de relacionemas que estabelecem distância entre os interlocutores.

b. O “taxema” ou “relacionema vertical”, permite apreciar a gestão da relação interpessoal hierárquica, num eixo vertical ou hierárquico. A posição “alta” ou “baixa” é detectável, por exemplo, por via das formas de tratamento, da organização dos turnos de fala, da organização estrutural da interação verbal, dos actos de discurso (Ibidem)32.

Exemplo 1

Intervenção 1 (Professor): Então a ideia seria … devemos considerar que existem

diversos limiares … para a excitação e para o orgasmo. E, evidentemente esses limiares podem variar de um sujeito para outro e podem variar no mesmo sujeito,

32 Os actos de discurso, e de alguma forma também as formas de tratamento, aparecem no elenco nos

dependendo de situações muito diferentes, circunstâncias, etc. …

(Professor/Piloto)

De acordo? …. (Professor interacional)

Intervenção 2 (Alunos): (silencio aprobatório a seguir a pausa de espera do

professor)

Intervenção 3. (Professor): Bem… (Professor interacional)

A segunda ideia que nos vai ser útil para entender a importância dos processos psicológicos é justamente que ele apresenta, este autor apresenta no seu modelo, a que chama ‘quantum’, o modelo do ‘quantum’ da função sexual … ‘quantum’ da função sexual … Ele diz-nos no modelo que esse total de estimulação que o sujeito recebe, o total de estimulação, é o máximo de estimulação que o sujeito está a receber num momento determinado e que vai a dever-se tanto ao estímulo físico, tanto ao estímulo físico como à estimulação psicológica ….

(Professor/piloto)

Este exemplo representa um episódio do discurso gravado na Faculdade de Psicologia de Salamanca. Constitui um tipo de episódio recorrente ao longo do discurso. Este episódio configura uma estrutura de intercâmbio tripartido. A primeira intervenção pertence ao professor. A segunda pertence aos alunos e a terceira, novamente ao professor. Este episódio reproduz a dinâmica relacional que se joga no eixo vertical. Nele é possível captar a dinâmica de ocupação das posições33 interacionais (alta vs baixa).

Neste episódio tripartido, as posições têm a seguinte ocupação. Globalmente quem possui o maior volume de “fala”, é quem ocupa a “posição alta”. O volume de fala constitui portanto um critério que identifica um “taxema” indicador de “posição alta”. Toda a Intervenção 1 constitui um espaço discursivo em que a “posição alta” é ocupada pelo professor. Esta mesma Intervenção 1, evidencia outros mecanismos indicadores de ocupação de “posição alta” e que constituem por isso outros tantos “taxemas”:

 A autoria da abertura das intervenções constitui também um taxema indicador de ocupação de “posição alta”. Na Intervenção 1, ao assumir a função ilocutiva de iniciação (abertura), o professor assume o papel participativo de professor-piloto.

33 Utilizamos a expressão “posição alta” vs “posição baixa”. Outros utilizam as expressões “lugar alto”

vs “lugar baixo” para traduzirem o termo “place”, utilizado nas investigações em francês (Kerbrat- Orecchioni e outros)

 A decisão de fecho do turno é também um privilégio do professor e, constitui outra forma de marcação de “posição alta” e tem por isso também valor de “taxema”. Com a expressão de fecho, “De acordo?” o professor, sem abandonar a sua “posição alta”, do ponto de vista da participação, adopta um novo papel, o papel de professor interacional, que investiga a completude monológica da sua intervenção (isto é se a sua intervenção é considerada suficiente pelos interlocutores do ponto de vista da “compreensabilidade”) e a completude dialógica do intercâmbio (se existem condições interacionais para selar o fecho do intercâmbio).

Nesta primeira intervenção é interessante observarmos o que podemos considerar dois “taxemas” mitigados, que atenuam os efeitos ameaçantes dos “taxemas” sobre as “faces” dos interlocutores:

A suavização da foça ilocutiva de um acto de fala directivo: “devemos

considerar” em vez de por exemplo “ considerai”. Com este “softner”

(suavizador), a acção de pilotagem que se está iniciando, é apresentada como uma tarefa colaborativa, muita embora ela vá ocorrer sob a responsabilidade do professor.

 A forma como procede ao fecho do turno. A decisão de fecho do turno é uma oportunidade para indicar quem ocupa a “posição alta” e por isso tem valor de “taxema”. Esta acção discursiva é realizada sem contestação, pelo professor (pode-se admitir que pudesse acontecer por efeito, por exemplo, de uma interrupção pelo interlocutor). Ao utilizar para efeitos de sinalização do fecho do turno, a expressão interrogativa “De acordo?”, o professor manifesta disponibilidade para ceder momentaneamente o seu “turno” de fala. A manifestação desta disponibilidade mitiga o “taxema” representado pela acção de fechar o intercâmbio.

Outro mecanismo discursivo-textual que configura um “taxema”, está representado pela utilização de actos de fala directivos expressos com formas imperativas que expressam ordens.

1. Exemplo (Identificação com o sublinhado)

Recordai que Master Jonshon e Kaplan e o resto dos autores que nos falaram das alterações fisiológicas na resposta sexual, pois basicamente consideravam que dalgum modo ante algum tipo de estimulação ou de estímulo sexual

Seguindo o critério do volume de fala, verificamos que na Intervenção 2 , os alunos não apresentam volume de fala, já que se remetem ao silencio aprobatório. Os alunos ocupam

portanto a “posição baixa” e o silêncio constitui-se como um “relacionema” indicador de “posição baixa”.

Estas categorias, que designamos “relacionemas”, devem ser consideradas simultaneamente como reflexos e construtores da relação. Estas categorias abarcam os recursos discursivo- textuais utilizados para marcar o tipo de relação.

5.6 Procedimento

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