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IMPACT OF MIGRATION ON FAMILY RELATIONS

5.2 Family relations in exile

5.2.1 Shift in gender roles in Norway

Uma representação social é elaborada pela atividade simbólica e psicossocial do indivíduo enquanto ser social que, assim apreende o seu ambiente. Fato que significa que através do termo indutor podemos acessar o produto e o processo de uma atividade mental, através da qual o indivíduo ou um grupo reconstitui a realidade com a qual ele se confronta e para a qual ele atribui um significado específico. Portanto, uma representação social só pode ser compreendida se também for compreendido o contexto histórico na qual ela é produzida (DOISE, 2001; ARRUDA, 2005; BARDIN, 2008).

A relevância desse método proporcionado pelo Software EVOC está na possibilidade de se cruzarem os dados por frequência e por ordem de evocação permitindo identificar o que é central e periférico nas representações sociais na perspectiva dos moradores de condomínio sobre o medo urbano.

A aplicação dessa técnica constituiu em solicitar aos sujeitos que falassem 05 (cinco) palavras que lhes ocorressem imediatamente à cabeça, e que em sua opinião pudesse complementar a seguinte expressão: Para mim “Medo Urbano” é:

Os 285 participantes evocaram 1.421 palavras e expressões que foram incluídas no programa Excel em 04 (quatro) arquivos distintos, de acordo com os 04 (quatro) subgrupos definidos nesse estudo (1- moradores de condomínios de apartamentos do tipo tradicional, 2- moradores de condomínios de apartamentos do tipo clube, 3 - moradores de condomínios de casas e 4 - gestores de condomínios) As palavras e expressões, no universo geral da população, foram reduzidas a 73 categorias semânticas, designadas pela palavra mais frequente em cada categoria, e distribuídas conforme parâmetros obtidos nessa primeira análise, de acordo com as Tabelas 1, 2, 3 e 4 abaixo apresentadas.

Utilizando esses parâmetros, passou-se para a segunda fase, onde foram elaborados pelo Software eletrônico EVOC, o Quadro de Quatro Casas, relativo a cada um dos 04 (quatro) subgrupos de moradores e gestores de condomínios dos

diferentes cenários, conforme dados abaixo transcritos e apresentados nos Quadros 6, 7, 8, e 9 abaixo apresentados.

Nos Quadros 6, 7, 8 e 9, identificam-se elementos que compõem os

Núcleos Centrais nos 1ºs Quadrantes, e também, os elementos periféricos das

representações do termo indutor ”MEDO URBANO”, organizados nos 2ºs, 3ºs e 4ºs

Quadrantes ou zonas. Neste estudo os elementos centrais serão tomados como

confirmados, tendo em vista, terem sido confirmados por outra técnica, de acordo como recomenda Sá (2002). Para esse fim confirmatório, foi solicitado aos respondentes, durante a realização dos testes, que indicassem as duas evocações consideradas mais importantes, ou seja, foi solicitado que o próprio sujeito realizasse um trabalho cognitivo de comparação e de hierarquização de seus termos evocados. As palavras marcadas como mais importantes por no mínimo 50% dos respondentes podem ser confirmadas como parte integrante do núcleo central. A seguir apresentação dos parâmetros utilizados para análise, de acordo com as Tabelas 1, 2, 3 e 4; e dos Quadros de Quatro casas 6, 7,8 e 9, abaixo apresentados.

Tabela 1 -1º Subgrupo- Moradores de condomínio vertical tradicional.

Critérios de análise F

Total de Sujeitos 83

Total de Palavras 413

Total de Categorias 25

Frequência mínima das categorias 03

Frequência média das categorias 06

Quadro 6 - Elementos da representação social do medo urbano em função da

freqüência e da ordem média de evocação- Condomínio Vertical Tradicional.

Rang< 2,9 Rang> = 2,9

Freq.

Med. Termo Evocado Freq. OME Termo Evocado Freq. OME

Freq. >=

6

insegurança 39 1,74 seqüestro relâmpago 06 3,40

violência 38 2,07 roubo 11 3,36 assalto 20 2,20 morte 09 3,77 drogas 12 2,33 medo 09 4,00 trânsito 06 2,83 criminalidade 07 3,00 3 < = Freq. >= 5 pânico 04 2,50 estresse 05 4,00 impotência 03 2,66 agressão 04 3,75 angustia 03 2,66 desrespeito 04 3,75 estrupo 03 2,33 terror 04 4,00 abandono 03 4,66 acidente 03 3,66 bandidagem 03 3,33 desconfiança 03 4,00 intolerância 03 5,00 violência no trânsito 03 3,40 Total de palavras - 413 Palavras diferentes - 194

No Quadro 6, observa-se no 1°Quadrante, superior esquerdo, que as cognições insegurança, violência, assalto, drogas e trânsito apareceram como elementos do núcleo central; no quadrante superior direito estão os elementos da

1ª periferia: seqüestro-relâmpago, roubo, morte, medo, criminalidade; no quadrante

inferior esquerdo visualiza-se os elementos pânico, impotência; angústia, estupro, que configuram os elementos de contraste; e no quadrante inferior direito encontram-se dez componentes, que se constituem como elementos da 2ªperiferia:

estresse, agressão, desrespeito, terror, abandono, acidente, bandidagem, desconfiança, intolerância, violência no trânsito.

Na conformação do núcleo central, através de consulta ao Relatório RANGMOT, expedido pelo Software EVOC, constatou-se que o elemento que apresenta maior freqüência de evocações e que, ao mesmo tempo, foi evocado mais prontamente foi a insegurança. Esse termo foi evocado 39 vezes, das quais, 22 foram na primeira posição, 09 na segunda, 05 na terceira, 02 na quarta e 01 na quinta. Logo a seguir, o termo violência, que foi evocado 38 vezes, possui 20 evocações na primeira posição, 07 na segunda, 03 na terceira, 04 na quarta e 04 na quinta. Os demais termos assalto, drogas e trânsito,vieram com a freqüência de 20, 12 e 06 palavras evocadas mais prontamente, de forma respectiva.

1-Representações Sociais, termo indutor “MEDO URBANO” - Moradores de

condomínios verticais tradicional- Brasília, 2012.

Este estudo teve por objetivo identificar o campo semântico (os conteúdos) e a estrutura das representações sociais por meio da utilização da Técnica de Evocação Livre que levou a aplicação do instrumento de associação livre de palavras a 83 (oitenta e três) moradores de condomínios verticais tradicional localizados no Distrito Federal (DF) / 2012.

No instrumento de associação livre de palavras, que trazia a frase indutora “Para mim MEDO URBANO é:...” surgiram com a aplicação do software EVOC, 413 palavras evocadas, 194 foram palavras diferentes. A média de evocação, ou seja, rang moyen, igual a 2,9, enquanto que a freqüência intermediária ficou estabelecida em 06 e a mínima em 03. A partir das evocações de todos os moradores pesquisados, os elementos da representação social se distribuem em quatro quadrantes, analisados por meio da Teoria do Núcleo Central da abordagem estrutural de Abric (1998). Têm-se os seguintes resultados apresentados no Quadro

O núcleo central das representações sociais do medo urbano para os moradores de condomínios verticais tradicional está estruturado por palavras que têm sentido, valores e percepção em relação ao objeto de estudo. São elas: “insegurança”,“violência”, “assalto”, “drogas”, e “trânsito”. No núcleo central

estão os elementos mais consensuais, mais fortemente compartilhados de uma representação social de um grupo. Esses elementos de acordo com Sá (2002, p.74- 75) “[...] são mais estáveis, resistentes a mudanças, rígidos, ligados à memória coletiva do grupo, e são eles que geram a significação da representação e têm por função determinar a sua organização”.

Nesse sentido, para o grupo de moradores de condomínios verticais tradicional, o medo urbano é insegurança (freqüência (f) = 39, ordem de evocação (oe)= 1,74), é conviver com a violência (f = 38, oe = 2,07), assalto (f = 20, oe = 2,20), drogas (f = 12, oe = 2,33), e perigos no trânsito (f = 06, oe = 2,83).

Observando os elementos periféricos, que de acordo com Sá (2002), correspondem aos elementos que permitem a integração de experiências e historias particularizada, que suportam a heterogeneidade do grupo, que são flexíveis, evolutivos, sensíveis ao contexto imediato, que têm por função promover a adaptação à realidade concreta, permitir a diferenciação do conteúdo e a proteção do sistema central.

Observando os elementos mais próximos ao núcleo central (1ª periferia), as palavras evocadas confirmam um posicionamento em sua maioria comum ao grupo, e pela determinação da força organizacional de seu sistema central, esses elementos promovem a adaptação à realidade concreta. Que implica viver de acordo com as forças advindas do seu sistema central, confirmando a sua significação, ou seja, traduzindo o cenário que se instala, significando viver exposto à sequestro (f = 12, oe= 3,08), ao roubo (f = 11, oe= 3,36), ), à morte(f = 9, oe= 3,37) ao medo (f = 9, oe= 4,00), à criminalidade (f = 7, oe= 3,00), e ao seqüestro-

relâmpago (f = 6, oe= 3,00).

Em relação aos elementos da zona de contraste (2ª periferia), que é composta por elementos prontamente evocados, porém em freqüência mais baixa, e que de acordo com Abric (2003) este quadrante tanto pode revelar a existência de

um subgrupo minoritário portador de uma representação diferente, como pode ser apenas composto de elementos complementares da 1ª periferia.

Nesse caso especifico, da representação social dos moradores de condomínios verticais tradicional sobre o medo urbano, entendemos tratar-se de um subgrupo minoritário. Um subgrupo de moradores mais tendente a formar uma diferenciação em relação ao conteúdo do núcleo central, ou seja, adotando mais a função normativa do que funcional. São pessoas menos envolvidas pela difusão da violência, enquanto ação e movimento de estruturas; que é a forma maior como a violência é veiculada pelos meios de comunicação no sistema social, de um modo geral. Demonstrando ser, então, esse subgrupo, mais preocupado com o discernimento dos efeitos e das causas da violência urbana, ou seja, pessoas mais voltadas para o aspecto da formação normativa do núcleo central. Um subgrupo atento aos estereótipos que são produzidos pelas propagandas, e mais preocupados em entender os verdadeiros motivos do pânico, (f = 4, oe = 2,50) do estupro,(f = 3, oe = 2,33), dessa angustia, (f = 3, oe = 2,66), e essencialmente dessa impotência, (f = 3, oe = 2,66) que assola a população diante da insegurança e da violência urbana.

Vê-se, assim, que conforme o tipo de implicação do sujeito com o objeto da representação, uma das dimensões do núcleo central pode ser mais predominante: a funcional, que representa as ações a se realizar sobre ou no objeto; ou a normativa, que Abric define como a expressão de julgamentos, estereótipos, opiniões sobre os objetos. A representação é, então, um signo que expressa a relação do sujeito com seu meio. Abric trabalha com essas duas dimensões como as mais expressivas da relação sujeito-objeto: dimensão funcional – descrever ações; dimensão normativa – expressar julgamentos sobre o objeto (MENIN, 2007).

Abric (1994, apud SÁ, 2002) diferenciando o sistema central do periférico, explica que o sistema periférico é o complemento indispensável do sistema central do qual depende. Afirma, então, que “o sistema central é normativo e o sistema periférico é funcional” (p.78), isto é, graças a ele que a representação social pode se ancorar na realidade do momento. Assim, Abric (1994) coloca uma função normativa de todo sistema central, a função consensual; e uma função básica, funcional, em todo sistema periférico.

Porém, já em outras versões, diferente dessa posição entende-se, que, dependendo do grau de implicação dos sujeitos com os objetos da representação, os elementos que sobressaem em suas representações, sejam eles centrais ou periféricos, podem ser ou mais normativos ou mais funcionais (GUIMELLI,1994, 1998 apud MENIN,2007).

Acredita-se, que nesse caso específico aqui apresentado, onde desponta nuances da existência de um subgrupo minoritário, com características mais normativas bem próximas a ocuparem uma posição de núcleo central. Infere-se que o grupo maior, que compõe o núcleo central, tem comungado de maneira mais condizente com seus papeis funcionais e menos com os normativos. Tal fato, talvez se deva ao que consta no referencial teórico desse estudo: segundo Hall (2006, p.32), ao analisar a identidade cultural na pós-modernidade, tem-se a “[...] figura do individuo isolado, exilado ou alienado, colocado contra o pano de fundo da multidão ou da metrópole anônima e impessoal”, ou seja, faz-se presente aquele indivíduo que se torna uma presa fácil diante de influências de dominação e direcionamentos de processos mentais constitutivos do pensamento social.

Fato, então, que poderia explicar uma grande massa de pessoas nos condomínios verticais tradicional com uma configuração de núcleo central de suas representações sociais do medo urbano, mais tendentes ao seu caráter funcional, simplesmente de ação e alterações de estruturas no combate à violência, enquanto que um subgrupo minoritário já o adota pela vertente normativa, ou seja, mas voltada para a expressão de julgamentos, estereótipos, e opiniões sobre o medo urbano.

Quanto aos elementos mais distantes (3ª periferia), de acordo com Flament (2001), são elementos que possuem papel relevante na composição de uma representação social, pois operam ao nível da periferia mais distante provendo a interface com as questões práticas da vida cotidiana. Segundo aquele autor a periferia da representação serve como uma espécie de para-choque entre uma realidade externa que o questiona, e um núcleo central que não deve mudar facilmente. Os desacordos da realidade são absorvidos pelos esquemas periféricos que, assim, asseguram a estabilidade (relativa) da representação.

Portanto, para esse grupo de moradores de condomínios verticais tradicional apresenta-se nessa periferia elementos que marcam o caráter difuso da insegurança e da violência, onde os protagonistas dos crimes nem sempre são identificáveis. Fato que justifica o caráter normativo e funcional do núcleo central, ou seja, esses elementos corroboram e legitimam a representação social do medo urbano rumo a uma ação efetiva, e lhe atribui uma conformidade de “tudo ou nada”, ou “ele ou eu”, é preciso se preparar, se defender para conviver com o estresse (f = 5, oe = 4,00), com a agressão (f = 4, oe = 3,75), com o desrespeito (f = 4, oe = 3,75), com o terror (f = 4, oe = 4,00), com o abandono (f = 3, oe = 4,66) das autoridades publicas, com acidente (f = 3, oe = 3,66), com a bandidagem (f = 3, oe = 3,33), com a desconfiança (f = 3, oe = 4,00), com a intolerância (f = 3, oe = 5,00),que se configuram dentro dos próprios lares, e entre os pares de modo geral, e com a violência no trânsito (f = 3, oe = 3,40), tendo em vista que as reflexões indicadas por esse grupo demonstram a presença de elementos cognitivos que denotam um alto nível de insegurança e impotência, diante do contexto do medo urbano, que interferem no sentimento de se lidar com o outro.

A cognição violência foi expressa com alta frequência quantitativa e qualitativa demonstra que ela é “[...] central porque entretém um laço privilegiado com o objeto da representação. Esse laço é simbólico e resulta das condições históricas e sociais que presidiram o nascimento da representação”. (MOLINER, 1994 apud MENIN, 2007, p.130).

A violência é o principal elemento de centralidade, e, portanto, para os participantes moradores de condomínios verticais tradicional, como Moscovici (1978) escreve: Socialmente, a violência é o símbolo do medo urbano.

Salienta-se que esse caráter difuso da violência, que perpassa por todo o espaço urbano, num processo de naturalização e entrelaçamento da violência com os aspectos de segurança, logicamente proporciona a ancoragem de novas práticas de defesa, entre elas, surge a opção por novos habitats fechados. Que buscam a eliminação da violência (f = 38 oe = 2,07) da insegurança (f = 39, oe = 1,74), e a fuga de assalto, (f = 20 oe = 2,20), elementos centrais da representação social do medo urbano comuns para esses moradores de condomínios verticais tradicional, moradores de condomínios horizontais de casas, moradores de condomínios

verticais clube e moradores/gestores dos diversos tipos de condomínios pesquisados nesse estudo situado no Distrito Federal – Ano 2012.

Tabela 2- 2º Subgrupo - Moradores de condomínio horizontal de casas.

Critérios de análise F

Total de Sujeitos 115

Total de Palavras 575

Total de Categorias 20

Frequência mínima das categorias 05

Frequência média das categorias 10

Ordem média de posição das categorias 3,00

Quadro 7-Elementos da representação social do medo urbano em função da

freqüência e da ordem média de evocação - Condomínios horizontais de casas.

Rang< 3 Rang> = 3

Freq.

Med. Termo Evocado Freq. OME Termo Evocado Freq. OME

Freq. >= 10 violência 65 2,06 drogas 16 3,25 insegurança 45 2,60 estrupo 14 3,35 assalto 39 1,71 trânsito 10 3,20 sequestro 20 2,80 furtos 18 2,72 5 < = Freq. > 9

falta de segurança 08 2,75 pânico 09 3,44

medo 08 2,87 morte 09 3,11 temor 05 2,80 criminalidade 08 3,50 tristeza 05 2,80 perigo 07 4,00 armas 05 2,80 acidente 06 3,00 bandidos 05 3,20 incerteza 05 3,60 Total de palavras -575 Palavras diferentes- 218

No Quadro 7, observa-se no 1°Quadrante, superior esquerdo, que as cognições violência, insegurança, assalto, seqüestro,e furtos apareceram como elementos do núcleo central; no quadrante superior direito estão os elementos da

1ª periferia: drogas, estupro, trânsito; no quadrante inferior esquerdo visualizam-se

os elementos falta de segurança, medo, temor, tristeza e armas que configuram os elementos de contraste; e no quadrante inferior direito encontram-se sete componentes, que se constituem como elementos da 2ª periferia:pânico, morte, criminalidade, perigo, acidente, bandidos, incerteza.

Na conformação do núcleo central, através de consulta ao Relatório RANGMOT, expedido pelo Software Evoc, constatou-se que o elemento que apresenta maior freqüência de evocações e que, ao mesmo tempo, foi evocado mais prontamente foi a violência. Esse termo foi evocado 65 vezes, das quais, 33 foram na primeira posição, 12 na segunda, 09 na terceira, 05 na quarta e 06 na quinta. Logo a seguir, o termo insegurança, possui 45 evocações, 14 na primeira posição, 09 na segunda, 09 na terceira, 07 na quarta e 06 na quinta. Os demais termos

assalto, seqüestro, e furtos vieram com a freqüência de 39, 20 e 18 palavras

evocadas mais prontamente, de forma respectiva.

2-Representações Sociais, termo indutor “MEDO URBANO” - Moradores de

condomínios horizontais de casas- Brasília, 2012.

Este estudo teve por objetivo identificar o campo semântico (os conteúdos) e a estrutura das representações sociais por meio da utilização da Técnica de Evocação Livre que levou a aplicação do instrumento de associação livre de palavras a 115 (cento e quinze) moradores de condomínios horizontais de casas localizados no Distrito Federal (DF) / 2012.

No instrumento de associação livre de palavras, que trazia a frase indutora “Para mim MEDO URBANO é:...” surgiram com a aplicação do software EVOC 575 palavras evocadas, 218 foram palavras diferentes. A média de evocação,

ou seja, rang moyen, igual a 3,0, enquanto que a freqüência intermediária ficou estabelecida em 10 e a mínima em 05. A partir das evocações de todos os moradores pesquisados, os elementos da representação social se distribuem em quatro quadrantes, analisados por meio da Teoria do Núcleo Central da abordagem estrutural de Abric (1998). Têm-se os seguintes resultados apresentados no Quadro 7.

O núcleo central das representações sociais do medo urbano para os moradores de condomínios horizontais de casas está estruturado por palavras que têm sentido, valores e percepção em relação ao objeto de estudo. “São elas: “violência”, “insegurança”, “assalto”, “seqüestro”,“furtos”. No núcleo central estão

os elementos mais consensuais, mais fortemente compartilhados de uma representação social de um grupo. Esses elementos de acordo com Sá (2002, p.74- 75) ”[...] são mais estáveis, resistentes a mudanças, rígidos, ligados à memória coletiva do grupo, e são eles que geram a significação da representação e têm por função determinar a sua organização”.

Nesse sentido, para o grupo de moradores de condomínios horizontais de casas, o medo urbano é violência (freqüência (f) = 65, ordem de evocação (oe)= 2,06), é conviver com a insegurança (f = 45, oe = 2,60), com assalto (f = 39, oe = 1,71), com seqüestro (f = 20, oe = 2,80), e com perigos de furtos (f = 18, oe = 2,72).

Em relação aos elementos periféricos, que de acordo com Sá (2002), correspondem aos elementos que permitem a integração de experiências e historias particularizada, que suportam a heterogeneidade do grupo, que são flexíveis, evolutivos, sensíveis ao contexto imediato, que têm por função promover a adaptação à realidade concreta, permitir a diferenciação do conteúdo e a proteção do sistema central.

Pode-se dizer que os elementos mais próximos ao núcleo central (1ª periferia), através das palavras evocadas confirmam um posicionamento em sua maioria comum ao grupo, e pela determinação da força organizacional de seu sistema central, esses elementos promovem a adaptação à realidade concreta. Que implica viver de acordo com as forças advindas do seu sistema central, confirmando a sua significação, ou seja, traduzindo o cenário que se instala, significando que o

medo urbano para esse grupo de moradores de condomínios horizontais de casas é viver exposto a violência ocasionada pelos efeitos das drogas (f = 12, oe= 3,08), ao

estupro (f = 11, oe = 3,36), e aos acidentes de trânsito (f = 9, oe = 3,37). Dada a

peculiaridade de afastamento de suas residências, localizadas, normalmente em loteamentos rurais, distantes e isolados. Levando-os a se sentirem mais expostos à violência, e a conviver mais acentuadamente com a insegurança que ocasiona altas probabilidades de assaltos, seqüestros e furtos.

Em relação aos elementos da zona de contraste (2ª periferia), que é composta por elementos prontamente evocados, porém em freqüência mais baixa, e que de acordo com Abric (2003) este quadrante tanto pode revelar a existência de um subgrupo minoritário portador de uma representação diferente, como pode ser apenas composto de elementos complementares da 1ª periferia.

Nesse caso especifico, acredita-se que essa 2ª periferia da representação social dos moradores de condomínios horizontais de casas, apenas complementa os elementos da 1ª periferia, acrescentando a falta de segurança (f = 08 oe = 2,75) ocasionada pelo abandono e o conflito junto ao poder público, no que diz respeito à legalização desses loteamentos, que normalmente por serem de natureza rural, se tornam incompatíveis para que possam usufruir dos serviços urbanos oferecidos pelos serviços públicos, e, portanto, seus moradores vivem sobre a tutela do medo (f= 08 oe = 2,87) da criminalidade, e do temor (f = 05 oe = 2,80) de não conseguirem legalizar seus lotes,e da tristeza (f = 05 oe = 2,80) de terem que fazer a sua própria segurança com o uso de armas(f = 05 oe = 2,80) e de vigilantes armados, em um cenário onde nem mesmo têm a certeza de que poderão usufruir legalmente desses espaços de propriedade pública.

Quanto aos elementos mais distantes (3ª periferia), de acordo com Flament (2001), são elementos que possuem papel relevante na composição de uma representação social, pois operam ao nível da periferia mais distante provendo a interface com as questões práticas da vida cotidiana. Segundo aquele autor a periferia da representação serve como uma espécie de pára-choque entre uma realidade externa que o questiona e um núcleo central que não deve mudar facilmente. Os desacordos da realidade são absorvidos pelos esquemas periféricos